Relato de parto domiciliar – o nascimento da Lisa

Relato de parto domiciliar – o nascimento da Lisa

Que alegria receber mais um relato de parto e, o melhor, no dia do aniversário da mãe! Em comemoração à data, confira com a gente o momento de renascimento da Cris, no nascimento da sua segunda filha, a Lisa:


Eu sou enfermeira e me apaixonei pelo parto domiciliar ainda na faculdade, aprendendo a importância da humanização no parto. Vi tantas mulheres parindo e ficava sonhando como seria o meu. Fui trabalhar em uma maternidade e a cada dia me tornava mais empoderada do que nunca.

No meu primeiro parto, ficamos em casa com enfermeira até o momento de ir para maternidade. Lara nasceu num parto humanizado hospitalar, na penumbra, com música, com a mamãe de cócoras na banqueta sendo sustentada pelo papai. Não houve anestesia nem episiotomia, nem imposição de posição para parir. Teve banheira, sentar na bola, massagem, muito apoio e palavras de incentivo. Foi um parto respeitoso, uma experiência incrível para nós. Ficamos ainda mais seguros para ter o segundo filho em casa.

Lara se aproximava dos seus três anos e começamos a planejar o segundo filho. Fiz os exames de pré-concepção e estava tudo bem. De início Lara não aceitava muito bem a ideia de ter mais alguém na casa. Ela dizia “só a Lalá, mamãe, só a Lalá”.

Viajamos no mês de agosto para comemorar os três anos da Lara. Eu esperava voltar grávida. Como sempre falo “ô tempo que insiste em voar”, chegou dezembro e nada de gravidez.

Os planos de Deus são melhores que os meus. E sim, ganhamos nosso presente de Natal: o teste de gravidez positivo no dia 25 de dezembro! Não conseguia me conter em risos, Fábio todo nervoso perguntado se era sério mesmo, se tinha dado positivo.

Sim, deu!

A essa altura Lara já aceitava a ideia de ter uma irmã – sim, ela só aceitava se fosse uma menina. Desde o inicio, ela sabia que ganharia uma irmã.

Fomos para primeira consulta ansiedade a mil. Nesse mesmo dia, fiz uma USG e, que emoção, Lara pulava de alegria, gritava “olha minha irmãzinha, olha minha irmãzinha!”. E todo mês foi assim, ela sempre ao meu lado.

A gestação evoluiu bem, fizemos alguns planos e, nesse meio tempo, teve mudança de equipe. Quando li o relato de parto de uma amiga, que é Enfermeira Obstetra e teve um parto domiciliar lindo e respeitoso, logo entrei em contato com ela. Queria saber mais detalhes e me informar sobre a equipe que a acompanhou. Foi aí que entrei em contato com a Camila, da equipe Parto por Amor. Conversamos um pouco, ela me convidou para participar de uma Roda de Conversa. E foi na roda que conheci a Marcia Araujo e a Ana Grova, que logo se tornaria minha Enfermeira Obstetra. Marcamos a primeira consulta, conheci a Flávia Dantas e fechamos a equipe que ficaria comigo: Ana e Flávia. Logo tudo foi ficando tão mais leve e não tinha dúvida de que tinha escolhido uma excelente equipe. Flávia e Ana são minhas vizinhas e ainda tinha a Marcia, que também mora bem perto.

Com o pré-natal bem amarradinho, comecei a dar uma atenção a mais ao meu corpo e à saúde, sabia que tinha que estar bem para ter meu PD. Fiquei muito enjoada e indisposta com a gravidez, e não queria passar a gestação toda assim. Comecei fazer hidroginástica e sempre tinha um papo sobre o parto eu ficava feliz em falar que minha filha nasceria em casa. Fez um bem danado pra mim.

Eu não poderia fazer esse relato de parto sem falar delas, amigas queridas que a maternagem me deu. Teve chá de bebê surpresa feito por elas com maior carinho. Como foi emocionante dividir esse momento com vocês, lágrimas, sorrisos e muita conversa boa, estava tudo tão lindo e gostoso. E ainda teve vídeo de quem não pode estar presente. Eu me emocionava a cada vídeo, a cada mensagem recebida.

Nas semanas seguintes, organizei os preparativos para festinha da Lara na escola, a data prevista para o parto era para a mesma semana em que ela completaria 4 anos, imagina meu desespero!

E chama a amiga para ajudar, vamos bater perna em Madureira. Enquanto isso, as outras amigas:

– Sua doida, você esta podendo bater perna com esse barrigão?
– Sim, meninas, preciso caminhar, preciso de movimentos.

E quando a chave do carro caia no chão?

– Não fica se abaixando!
– Meninas, eu preciso me agachar, vocês não sabem como faz bem para o parto.

– E você foi dirigindo? Você é doida mesmo… e até quando você vai dirigir?
– Até o ultimo dia, ué. E se eu estiver aqui na porta da escola e minha bolsa romper, não quero ninguém em desespero, hein. Me levem para casa. Ou melhor eu mesma vou dirigindo porque eu sou dessas!

Comecei contar as luas: com 38 semanas, teve troca de lua e teria outra com 39 semanas e seria uma das melhores, com direito a eclipse lunar e tudo. Na mesma semana, também teve consulta. Conversei bastante com a Flávia sobre esse momento, estávamos bem ansiosos, pois Lara tinha nascido de 37 semanas. Flávia deixou um difusor de lavanda me explicou vários benefícios, dentre eles trazer o equilíbrio que estávamos precisando naquele momento. Ela também me deu um texto lindo para ler.

Comecei a usar a lavanda. Antes de dormir, sentei no sofá, na penumbra, e comecei a ler a carta sentindo a lavanda pela casa, alisando a minha barriga. E fui dormir.

Às três da manhã, acordei molhada, chamei o Fábio para me ajudar e disse que a bolsa tinha rompido. Agora vai! Quando vi, Lara também estava na porta do banheiro. Lembro de dizer pra ela que estava tudo bem. Tomei um banho. Já sentia algumas contrações. Mandei mensagem para as meninas avisando.

Por volta das cinco da manhã liguei para a Flávia, conversamos um pouco e ela ficou de passar aqui em casa pra me ver. Eu não queria voltar pra cama, então comecei a arrumar umas coisas pela casa – e os dois andando atrás de mim.

Eu disse pro Fábio para irem dormir e descansar, porque achava que ainda iria demorar.

– Não se preocupa, estou bem e, qualquer coisa, te chamo.

Lavei a louça, catei alguns brinquedos pela casa, arrumei umas coisas e, entre uma contração, tentava me agachar. Deixei tudo na penumbra, coloquei uma música e o cheiro de lavanda pela casa. Nesse momento, me sentia conectada com a Lisa. Eu precisava desse comento de despedida da barriga. Alisava e conversava com ela. Era uma paz, um momento de plenitude.

Flávia chegou por volta de umas sete: me examinou, auscultou a Lisa e me contou que estava tudo bem, eu estava em pródromos. Disse pra eu tentar descansar.

Fábio e Lara acordaram, tomamos café da manhã. Os planos eram apenas seguir a rotina normal, Fábio ia levar Lara para a escola. Só que por volta de umas nove, as contrações estavam bem intensas eu achei melhor Fábio começar a preparar a banheira e deixar a Lara em casa. Tirei foto deles Lara dentro da banqueta. Ela estava curtindo. Conversei com as meninas pelo telefone e Ana já estava a caminho. Fui para banheira e Lara entrou comigo. Brincou um pouco na água.

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Ana chegou por volta de umas onze. Nesse momento, eu já estava mesmo em trabalho de parto. Contrações bombando, Ana fazendo massagem o tempo todo. Lara sempre vindo conferir entre um grito e outro se sua irmã tinha chegado e eu sempre falando para ela que estava tudo bem.

Flávia chegou e logo me acolheu. Lembro de dizer que queria fazer força. Era uma vontade enorme de empurrar, pedi a banqueta. Fábio apareceu discretamente na porta do quarto foi quando eu chamei ele. Então ficamos ali conectados, ele fazendo massagem e dizendo coisas positivas para mim. Senti que tudo estava evoluindo bem.

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Perdi a noção de tempo ali na banqueta. Ana ficou abaixada na minha frente e eu perguntava se a cabeça da Lisa já estava ali. Naquele momento, eu só conseguia pensar no nascimento da Lara e que, a essa altura, a cabecinha dela já estava ali.

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Mas Lisa ainda não estava – Ana me avisou. Eu fiquei tensa, achando que ainda iria demorar muito. Ana sugeriu então que eu levantasse um pouco, tentasse andar para ver se engrenava novamente.

Eu queria ir para chuveiro e, na porta do banheiro, tive uma contração bem efetiva. Flávia me segurou, tudo começou a acontecer muito rápido e eu finalmente estava na “partolândia”. Tentei sair do banheiro e Fábio estava parado bem na porta, veio outra contração e me agarrei nele. Senti que Lisa tinha descido e não dava mais para esperar. Pedi a banqueta e por pouco ela não nasce comigo em pé! Eu comecei a gritar e, três contrações depois, ela veio, com uma circular de cordão que a Ana tirou.

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Pude contemplar seu corpo junto ao meu, ouvir seu chorinho. E o rosto da Lara em ver a irmã, que presente de Deus! Não existe bênção maior no mundo!

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E foi ali na porta do banheiro que ela resolveu chegar para encher nossos corações de alegria. Só tenho a agradecer ao carinho e respeito das amigas – sim, elas se tornaram amigas para vida inteira, a Ana e Flávia. Toda minha gratidão!

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Relato de parto domiciliar – o nascimento do Vini

Relato de parto domiciliar – o nascimento do Vini

Relato de parto da Priscila sobre o nascimento do Vini em casa, com ajuda do pai e do irmão mais velho.


“Fui chamada de louca algumas vezes por optar pelo PARTO DOMICILIAR! Alguns não falaram, mas seus olhos me mostravam, suas atitudes falavam. Eu sinto tudo, vc não precisa me dizer p saber. Incrível como um parto tão lindo e tão responsável seja tão cheio de preconceito e falta de informação de algumas pessoas. Depois do parto, de louca, me tornei corajosa…super mulher…kkkk, pq aguentei dor sem anestesia…pq aguentei 19horas…..

Se estar rodeada durante todo tempo de profissionais capacitadas é loucura, sou louca!
Se respeitar meu filho, meu corpo é loucura…. sou louca
Tinha elas pra mim, somente pra mim e às vezes nem precisava chamar e elas sabiam que precisava delas! Olhavam pra mim, em meio aquilo tudo e diziam: fala….pode falar, to aqui p te ouvir!

Desculpe, não teria isso em hospital algum! Fui respeitada durante todo processo….
Coisas naturais me encantam, pq não precisam ser forçadas….elas acontecem! Tudo de mais lindo na vida é assim!!!

Meu parto aconteceu da forma mais natural e encantadora possível e não….não vejo como dor física, dor insuportável, dor agonizante….era só meu corpo avisando….era só meu bolota dizendo….mãe, to chegando!!! E isso, essa mudança de visão da dor, do momento, da mágica, não é física!!! É energia, é espiritual….é interna <3
Saíram algumas fotos desse momento mágico p mim e p minha família!! Tem peitos, tem criança nascendo, tem amor….. 😍😍😍😍😍

Mariana Kelly Zukoff e Marcia Araujo, vou parar de dizer q amo vcs…kkkk (mentira vou parar não 😂😂😂) amo msm!

Débora Silveira, ser humano incrível que a Natureza me deu”

Fotos e vídeo: Débora Silveira Fotografia

 

Relato de parto hospitalar: o nascimento do Pedro

Relato de parto hospitalar: o nascimento do Pedro

Cada vez que recebemos um relato de parto, sentimos de novo toda a emoção daquele momento! Com esse não foi diferente e ainda pudemos ver um lindo registro daqueles momentos inesquecíveis! Hoje a Vanessa conta a história da chegada do pequeno Pedro.

Para ver todas as fotos e mais detalhes sobre o parto, acesse o perfil da fotógrafa Débora Silveira.


 

Dia 17/11/17, nossa história de parceria, apoio e cuidado

Às 23h meu trabalho de parto começou discretamente, mas já me roubando o sono.Contrações ritmadas me mostravam que meu corpo e meu filho estavam prontos para essa viagem tão linda.

Pouco tempo depois liguei pra minha amada Enfermeira e amiga Marcia Araújo e dali não nos largamos mais! Que anjos são esses que saem de casa às 4h deixando suas próprias famílias, se arriscando para cuidar do outro com tanta entrega?

A evolução foi rápida, fui acariciada no corpo e na alma o tempo todo com massagem, frutas e sobretudo com palavras de incentivo. Todas as que eu precisava ouvir para acreditar que era capaz.

Como foi vital estar em casa, no aconchego do meu lar e me sentir amparada. Saber que estava bem assistida, me sentindo respeitada e plena.

Às 11h fomos pra Maternidade e, nos momentos tensos de contração dentro do carro, lá estava a mão do meu anjo Marcia estendida pra me dar coragem. Gratidão, gratidão!

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Já na Maternidade como me senti acolhida e segura. Passa um turbilhão na nossa cabeça e quando você pensa em desistir, pensa não ter mais forças, pensa em anestesia (rs), você se encontra com essa força que já mora em você, que estava lá escondida esse tempo todo. Aí você “vira bicho”! Só quer se encontrar com seu maior e mais esperado presente: seu filho.

Quanta emoção, quanto hormônio, quanto amor!

Só tenho a agradecer a você Marcia e a todos do Parto por Amor porque fazem jus ao nome do grupo. Só quem ama muito o que faz e faz com tanto zelo pode se entregar assim.

Obrigada por emprestar seu abraço.
Obrigada pelo ombro quando não tinha mais forças.
Obrigada pela palavra amiga.
Por cada “você vai conseguir”.

Eu consegui, nós conseguimos! Vocês farão sempre parte dessa história, vocês são iluminadas! E só peço a Deus que continue protegendo, abençoando e concedendo muita saúde a vocês. Amo vocês!

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Relato de parto domiciliar: o nascimento do Tintim

Relato de parto domiciliar: o nascimento do Tintim

Um nascimento tranquilo e amoroso só poderia ter um relato assim! Veja que bonita a história da chegada do Tintim, filho da Gabriela!

Parto domiciliar assistido pela equipe Parto por Amor.


 

Tenho dois filhos. As duas gravidezes não foram planejadas, mas abraçadas com todo amor e dedicação que o pai e eu pudemos dar a essas vazões do insconsciente. Eduardo nasceu dia 30/07/2014 num parto humanizado hospitalar, com circulares de cordão, com a bolsa, com a mamãe de cócoras sendo sustentada pelo papai. Não houve anestesia nem episiotomia nem imposição de posição para parir, foi um parto respeitoso, uma boa experiência para nós.

Quando descobri a segunda gestação, com um sonho com minha mãe que me anunciava um tempo de tormenta seguido de bonança, após firmar o meu desejo nessa nova etapa da maternagem, asseverei: quero que seja em casa. Algumas coisas passavam pela minha cabeça/coração de mãe: não quero que a primeira noite que eu durma sem meu filho (a dpp era pro mês que ele completa 3 anos, ele mamou até o quinto mês de gestação) seja justamente a da chegada de um novo membro na nossa família; não quero estar no ambiente hospitalar, se não for preciso, para lidar com a experiência do parto novamente (nós nos mudamos entre uma gravidez e outra para a nossa casa efetivamente e aqui é o lugar onde me sinto mais segura no mundo e uma outra coisa: por protocolo hospitalar, tomei antibiótico na veia no primeiro TP em razão de strepto b positivo mesmo não tendo bolsa rota). Comecei o pré-natal no SUS com a primeira pessoa que soube da gestação- minha amiga amada Julia Morelli, minha companheira de gestação do primeiro filho e a médica de família da minha família. Até o fim Julia esteve conosco, sendo ombro firme e cuidado amoroso em cada escolha nossa. Terminei o pré-natal em casa com minhas EOs, que coisa ótima foi ter esses acompanhamentos! Visão global da saúde da família e cuidado em casa são divinos, todos merecem!

Cada gestação é única, mas as histórias que já carregamos ajudam a conhecer nosso corpo e nossas esquinas emocionais, passei então pelas ondas de cada semana imaginando os recursos que deveria ter para lidar até o fim (e reconhecendo meus limites também, com 35 semanas voltei pra terapia depois de 3 anos afastada). Muitas coisas aconteceram e muitos planos não aconteceram ao longo do tempo, mas eu nutri a perspectiva do parto em casa em todos os momentos (teve mudança de planos de equipe, mudança de yoga, chá de bebê que não rolou, enfim, lista longa…).

Lá pelo sétimo ou oitavo mês fechamos a nossa equipe, que contaria, além das enfermeiras obstetras do Parto por Amor (escolhidas depois de muita procura), com a participação da minha amiga também muito amada e companheira de gestação duas vezes – a Helena, minha doula. Se na época dos nossos primeiros filhos o apoio dela foi fundamental pra minha amamentação, agora seria pro parto.

A gestação do Eduardo durou 39 semanas, senti a primeira cólica dos pródromos com 39+3 e ele nasceu com 39+5. Me preparei pra trabalhar pelo menos até esse momento nessa gestação pra não perder a licença depois. Quando a semana 39 iniciou já tinha rolado escalda pés e troca de lua, eu via uns primeiros tímidos sinais no meu corpo e me preparava pra o momento que viria. Era a última semana de aulas e trabalho, fechava as coisas dia a dia, sem saber quando seria minha nova oportunidade de trabalhar, fazer yoga, discutir um texto, mas sem muitas expectativas também.

Acordei às 6h do dia 29/06 com uma cólica dolorida. 39+3. Com a mesma IG e no mesmo horário da primeira gestação, eu sentia os sinais do trabalho de parto. Pedi que marido levasse filho pra escola e fosse trabalhar. Sabia que até o fim do processo poderiam se passar dias (foram mais de 48h entre a primeira dor e o nascimento do meu primogênito) e eu queria/precisava fazer a minha despedida da barriga. Das 8h às 13h eu chorei, cantei, dancei, conversei com minha mãe em pensamento (esse é o décimo ano de seu falecimento), escureci toda a casa para me conectar com meu filho e meu corpo. Tomei banhos, fiz um chá de canela, comi chocolate, arrumei os cantinhos da minha casa e lavei a louça – me preparei e preparei o ambiente para a chegada do Tintim. Esse momento foi maravilhoso. Eu recebia muito bem as dores, entendia o processo, gostava dele. Às 13h marido chegou, eu almocei (muita comida!!), senti um breve desligamento daquela entrega toda da manhã e combinei com ele que faríamos uma caminhada de 14h as 15h, de modo que desse bastante tempo pra ele pegar o pequeno na escola depois. As contrações estavam com algum ritmo, mas eu não cronometrei, não queria pressões e ansiedades nesse momento. Fomos caminhar. Alisson e eu somos muito reservados e não lidamos bem com a intromissão de desconhecidos, mas resolvi correr o risco de dar dez passos e parar pra uma contração ciclicamente em público. Pretendia caminhar uma distância cinco vezes maior, mas parei no mercado próximo, fui ao banheiro duas vezes e me abaixava pra ver o preço de um produto imaginário sempre que a contração vinha enquanto comprávamos chocolate. Só uma pessoa nos abordou em todo o trajeto, justamente em meio a uma contração e marido lidou bem, protegendo a situação. Essa hora passou voando e eu só queria voltar pra casa pra ir pro chuveiro. Aí a coisa pegou mesmo e desisti de querer ficar sozinha. Demandei a presença do Alisson e meu filho foi buscado na escola pela dinda que estava de sobreaviso. Devia ser 15:30h nesse momento que eu senti que era pra valer e que talvez não demorasse 48h de novo.

Em algum momento chegou a Camila, a EO que eu escolhi no primeiro momento que vi em uma roda de conversa. Ouviu os batimentos do Tintim, falou rapidamente comigo, fez uma massagem e ficou por perto. Depois chegou a Helena com mais massagens, um apoio muito conhecido e desejado e um corpo também grávido, no qual muitas vezes me apoiei pra suportar a contração (com culpa, hehe). O Alisson estava ajudando a preparar a casa para o parto, mas eu não consigo sem ele, demandava sempre sua presença porque estamos nessa juntos e sentir ele do meu lado é muito importante pra vencer o processo. Nisso Eduardo chegou da escola, me viu sofrendo, perguntou porque eu gritava, acolheu a explicação que lhe deram sobre não ser triste e sim a chegada do irmão, me deu um beijo, fez carinho e quis ir brincar no quarto com a dinda.

Comecei a pedir a piscina porque no lugar onde eu tava – nesse momento, o chão do meu quarto – não rolava uma posição possível pra aguentar. Eu gritava o máximo que conseguia para tentar “ganhar das contrações” (uma ideia que eu também tive no primeiro TP, mas que demandou menos intensidade, ou é como me parece hoje), minha sensação era de puro desespero, as dores eram avassaladoras demais pra eu passar sem o mínimo de segurança com a posição que estava. Empurrar a cama não era bom o suficiente, agachar também não, levantar a pelve também não. Pensava que eu precisava garantir um bem estar mínimo que eu tive no parto do Eduardo, pois se eu passasse ainda muitas horas daquele modo eu não conseguiria.

Demandava a piscina a cada intervalo entre as contrações, mas ela não estava preparada ainda. Eu não sabia da minha evolução – assim como no primeiro parto, pedi novamente pra não saber a dilatação e dessa vez não foi feito nenhum toque em mim durante todo o TP 💜💜.

Assim como no primeiro parto, o tampão não havia saído antes e nem a bolsa, então eu realmente não tinha parâmetros de duração daquilo tudo. As pessoas que estavam comigo, contudo, sabiam que estava prestes a acontecer e quase todos foram lá tentar acelerar a piscina que eu tanto pedia, já que sabiam que Tintim podia nascer ali no quarto mesmo. A bendita piscina ficou mais ou menos pronta e lá fui eu. Entrei, meio que deitei, veio uma contração, senti o pequeno alívio da água quente, mas nada que eu achasse ser suficiente pra levar o processo até o fim. Olhei pra Ana, a EO que estava na minha frente, e vi que ela não estava de luvas, pensei que poderia demorar.

Mais uma contração: saiu a bolsa e eu senti. Vi que a Ana já estava de luvas. Rs “Agora vai, pensei eu”. Mais uma contração e senti a cabeça forçando, descendo e saindo. Aconteceu aquele momento que nos vídeos parece mágico: a cabeça saiu, a parturiente sentiu e ficou ali, mas eu só pensava “pelo amor de Deus, arranquem logo essa criança pra esse desespero acabar, mete a mão e puxa ele, Ana”. As únicas palavras que saíram da minha boca pra traduzir tudo isso, contudo, foram “ajuda, ajuda”, ao que a Ana respondeu com um olhar de carinho e força muito bonito, que me encorajou bastante sem saber da violência que eu secretamente desejei que ela praticasse. Rs.

No meio disso mais uma contração e senti o giro do corpinho e pensei “vai sair, nem que eu tenha que fazer força até amanhã” – nessa altura eu só queria que acabasse o mais rápido possível. O curioso é que mesmo estando muito mais consciente do meu corpo e do que é parir (talvez justamente por isso) eu não sentia vontade de fazer força para que o neném saísse, eu sentia vontade de ajudar a abertura do canal vaginal (por isso abria bem a boca quando gritava) mas não de fazer o puxo. Em duas contrações ele saiu, Ana amparou e imediatamente me entregou. Eu peguei meu neném, senti ele em meu colo, meu mais velho ouviu e veio correndo do quarto. Ficamos ali os quatro num eterno segundo e todos estavam invisíveis à nossa volta. Tudo parou e recomeçamos como 4 que são uma família nova, mesmo já sendo família, como 4 que se reconhecem numa unidade de amor e acolhimento.

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De novo eu não chorei, eu me emocionei profundamente mas estive todo o tempo consciente da minha importância ali por inteira, sem nenhuma dimensão solta. Tintim não foi separado de mim nos primeiros minutos pra nada. Mamou assim que quis. Chorou só um pouquinho, bem fininho pra garantir que estava tudo bem. Quando o peguei achei que parecia prematuro de tão pequeno e magrinho, mas na verdade ele veio maior e mais gordinho que o irmão, pesando 3250g e medindo 51cm. Logo ao levantar da piscina senti que a placenta nasceria, escorrendo por mim. Assim foi, chamei a Ana pra amparar também. Fui pro meu quarto, me aninhei com minha família em minha cama e tudo fazia sentido no conforto do meu lar tão cheio de vida. Mulheres muito amadas me rodeavam, os homens da minha vida completavam minha felicidade, que ficou gigante quando meu pai também chegou e se reuniu conosco.

Novamente lacerei e precisei de dois pontinhos. Fui cuidada pelas mãos muito doces da Flávia, que me avisava de tudo que faria e era sempre delicada. É muito diferente quando os pontos acontecem no conforto da sua cama, a seguir de um banho revigorante, e não na frieza do hospital. Depois do carimbo da placenta, todo mundo ainda ajudou a arrumar a minha casa pra rotina se assentar.

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Jantamos, o mais velho foi dormir com o pai, fiquei lambendo a cria nova e depois descansamos todos, passamos nossa primeira noite como família assim juntinhos, no nosso lar.

Não posso dizer que saiu tudo como o planejado porque acho que foi tudo melhor do que eu esperava.

No Brasil, os protocolos para parto domiciliar são mais rígidos do que nos EUA e em países da Europa, é realmente muito tranquilo optar pelo parto em casa se a gestação for de risco habitual e o bebê estiver bem no trabalho de parto. Evidências científicas demonstram que é tão ou mais seguro que o hospital o ambiente da casa para uma mulher que já pariu. O mesmo monitoramento que é feito no hospital é feito pelas enfermeiras obstetras/obstetrizes em casa no TP. Se você é elegível pra parto domiciliar, confie na sua capacidade de parir e na sua equipe, não hesite em viver esse momento de maneira tão especial e respeitosa. Juntas, gestante e equipe traçam planos a, b e c para o parto e as chances de um desfecho ruim são menores do que nos partos hospitalares, inclusive pela necessária ausência de intervenções no parto em casa.

Meu filho nasceu como meus pais nasceram, pari como minhas avós pariram (e também a Gisele Bündchen, a Bela Gil, entre outras) e assim me sinto também mais conectada com a minha história, socialmente construída, e a minha fisiologia. Pari com música, com vela, com água, em casa. Poderia ser de mil jeitos, mas foi desse jeito assim, bem bonito e muito natural. Pena que não deu tempo de chamar a fotógrafa pra eternizar essas memórias lindas.

Que todas as mulheres possam ser tão respeitadas como eu fui, tão bem cuidadas como eu fui, tão amadas como eu fui. Agradeço a todas que me rodeavam, ao meu marido (fundamental para todas as minhas decisões) e aos meus filhos – por me ensinarem antes mesmo de nascerem tanto sobre tempo e amor.

Gabriela Azevedo

Relato de parto: o nascimento do Pedro

Relato de parto: o nascimento do Pedro

Hoje é dia de relato mais que especial! Parto humanizado hospitalar acompanhado pela Enfermeira Obstetra Rachelli e – detalhe – do nascimento do próprio sobrinho! Emoção pura!


Descobri que estava grávida em outubro do ano passado. Demoramos um pouco pra contar pra família, mas sempre soube que poderia contar com a minha cunhada, Rachelli, para me auxiliar com o parto natural que eu tanto queria.

Assim que contamos pra ela, ela se prontificou a me ajudar com o parto. Pensamos em um parto domiciliar, mas devido à alguns problemas pessoais, acabamos optando por ser acompanhada pela minha cunhada até o máximo que desse, e ir “adiantada” pra maternidade.

Minha cunhada me indicou uma médica que atendia o plano e que já tinha trabalhado com ela, e ficamos combinados assim.

A gravidez correu muito bem, e então era só esperar.

No dia 30/05, com 38 semanas e 1 dia, foi aniversário do dindo do Pedro, saímos pra comer pizza e eu sentia fortes dores na lombar. Rachelli disse pra eu apenas relaxar, que se fosse a hora dele, eu perceberia. Voltamos pra casa e as dores persistiram.

Por volta das 3:00, comecei a sentir as contrações totalmente sem ritmo, porém com maior frequência do que sentia antes. Pouco depois meu tampão saiu em grande quantidade, o que já me deixou alerta de que poderia ser “A” hora!

Mas sinceramente eu não estava acreditando que poderia ser naquele dia, sempre achei que ele fosse nascer em junho… Não queria deixar ninguém preocupado a toa… ainda mais que a Rachelli (que também estava grávida) tinha um ensaio de fotos pra fazer pela manhã.

Mas como as dores estavam se intensificando, achei melhor avisar a ela antes que ela saísse.
Lá pelas 6:00 ela veio até minha casa para me avaliar, e quando chegou, minhas contrações estavam com aproximadamente 45s de duração e vinham de 10 em 10 min. Ela então desmarcou as fotos e decidiu ficar comigo.

2 horas depois as contrações estavam mais curtas e com maior frequência, fizemos um exame de toque e surpresa: quase 5cm.

Decidimos esperar mais pra ir pra maternidade, pois eu estava confortável em casa, e foi a melhor decisão que poderíamos ter tomado.

Ficamos aqui, apenas nós duas em silêncio no quarto. Ela me fazia massagem e contava minhas contrações… me ajudava a agachar quando elas vinham, ouvia os batimentos do Pedro e apenas ficou lá, em silêncio, aguardando que eu fizesse o que fosse mais confortável pra mim. Esse ambiente tranquilo que construímos ali foi essencial pra que meu TP fosse rápido, já que assim eu consegui me concentrar 100% no meu corpo…

Num certo momento me vi totalmente descontrolada… me joguei no chão do box, vomitava, gritava, gemia, chorava… não sabia nem dizer mais o que estava sentindo. Foi a sensação mais louca e mais gostosa da minha vida.

Tive momentos em que disse pra minha cunhada que não ia aguentar, e ela dizia pra mim: “você é forte, você aguenta”. E eu de verdade me sentia mais forte. Eu sentia que aguentaria. Tudo que eu queria era ver o meu bebê, respeitar o tempo dele, queria que ele chegasse da maneira mais respeitosa e alegre o possível.

Lá pelas 10:30, depois de muito agachar, gritar, sangrar e vomitar: 7 quase 8cm de dilatação.
Hora de ir pra maternidade. Meu coração apertou… será que eu iria aguentar as contrações no carro? Será que meu TP iria “murchar” pelo estresse de ir pro hospital?

Naquele momento me arrependi profundamente de não ter decidido pelo parto domiciliar… Percebi o quanto teria sido melhor pra mim e pro Pedro se eu tivesse ficado em casa. Mas, agora já estava tudo certo pra ir por hospital… Tive medo, mas fui.

Durante a viagem eu tentei segurar a força, por medo dele nascer no carro, mas era totalmente involuntário. Isso me deixou com muito medo… Mas a Rachelli o tempo todo tentava me acalmar, dizia pra eu não prender, pra eu respeitar, que se fosse a hora dele, ele viria ali mesmo… pra eu não sentir medo. Mas sinceramente, eu estava apavorada.

Chegamos na perinatal da Barra as 11:20. Tive que esperar pra subir e ser avaliada: 8cm de dilatação. Coração apertado de novo: será que estagnei devido à transferência pro hospital? Como combinado com a obstetra, a Rachelli me acompanhou também no hospital, o que me tranquilizou muito!

Devo ter chegado na sala de parto por volta das 11:30. Entramos eu, minha cunhada, a obstetra, a pediatra e meu marido.

Fui direto pra banqueta, fiquei ali por um tempo e depois quis ir pra banheira, achei que a água fosse aliviar as dores, porém não me sentia confortável lá de jeito nenhum.

Comecei a sentir uma vontade terrível de fazer cocô, porém não me senti à vontade com meu marido ali (pois é, ninguém entendeu, mas me respeitaram e ele saiu). Assim que ele saiu, eu, agachada no chão segurando as mãos da minha cunhada, fui “fazer cocô” e então a bolsa estourou.

Parei de perceber os intervalos entre as contrações. Estava ficando louca. A médica pediu que eu deitasse pra ela me avaliar, eu aceitei: dilatação total e já dava pra ver o Pedro coroando. Porém eu não me senti nada bem deitada, então voltei pra banqueta.

Em algum momento meu marido voltou ao quarto, mas eu estava tão envolvida com as dores que só percebi quando, no momento do expulsivo, eu o vi na minha frente.

Sentia uma ardência na vagina super forte, que realmente parece um círculo de fogo.

Quase arranquei as mãos da minha cunhada de tanto puxar ela no momento que deu vontade de fazer força.

Algumas poucas contrações depois e nasceu meu Pedro! Lindo, saudável, perfeito, na hora que ELE quis: 31/05/2017 às 12:26.

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Alguns minutinhos depois, “nasceu” a placenta.

Eu estava me sentindo uma leoa, tão forte, tão poderosa, com aquele serzinho lindo que veio direto pro meu colo. Quanto amor eu senti.

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Não sofri nenhuma intervenção: nem anestesia, nem episio, nenhum ponto!

Realizei meu sonho do parto, meu filho conseguiu nascer de maneira respeitosa, na hora dele.

Foi o momento mais lindo, intenso, e forte da minha vida. Desejo a todas que possam sentir isso e que sejam respeitadas da maneira que eu fui!

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Relato de parto: parto domiciliar da Maria Júlia

Relato de parto: parto domiciliar da Maria Júlia

Tem relato de parto novo na página!!
Esse é um dos momentos mais felizes para nós: poder saber como as mães se sentiram e viveram aquele momento é sempre muito bom.

A história de hoje é forte e emocionante, leia abaixo!


A maternidade sempre fez parte do meu plano de vida. Em outubro de 2016, descobri que mais um membro chegaria na nossa família. Um misto de felicidade e incerteza, pois, apesar de uma gravidez já esperada, não foi planejada para aquele momento. A única certeza que tinha era não repetir a experiência do nascimento da Maria Luiza: a cesárea não desejada, os procedimentos desnecessários realizados nela e o ambiente não acolhedor de uma maternidade. E assim o parto domiciliar foi a oportunidade de superar a frustração do não parto em 2013.

Por indicação da minha irmã Ana Paula, iniciei meu pré-natal com as enfermeiras obstétricas Mariana e Camila da equipe Parto por Amor.

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A gestação de Maria Júlia transcorria normalmente, porém com 36 semanas a minha pressão arterial começou a se elevar. Na ioga busquei o relaxamento, na acupuntura tentei reduzir os níveis da pressão, além disso realizei todos os exames para rastrear uma possível pré-eclâmpsia, o que não foi comprovada.

Cheguei na 37ª semana com a pressão arterial não controlada e meu parto domiciliar foi contra indicado. Fiquei muito chateada, afinal passei longos 9 meses no planejamento e na preparação, porém naquela altura o local do nascimento era o que menos importava, o meu desejo era parir. Então, tive que acionar o plano B que era o parto hospitalar onde Dr. Juliano Deckert passou a me acompanhar clinicamente.

No dia 03 de junho, com 39 semanas e 1 dia, acordei com umas cólicas leves e observei um muco clara de ovo com filetes de sangue. Seria o tampão? Mandei mensagem para minha irmã e para a Mariana que pediu que eu relaxasse e não criasse expectativas, pois a ansiedade só atrapalharia. Nesse dia, era chá de bebê do filho da minha prima Aline, pedi para minha mãe e irmã levarem Maria Luiza e assim fiquei em casa só no descanso, passei o dia assistindo várias séries no Netflix.

Por volta de 16h, comecei a sentir umas contrações leves, contei a duração e frequência, mas, apesar da Mariana ter me ensinado, nunca entendi muito bem rs. Passei para minha irmã e constatamos que ainda estavam espaçadas e sem ritmos.

E como vida que segue, eu e Lele fomos ao shopping perto de casa comprarmos algo para o jogo dele de domingo e desodorante para colocar na mala da maternidade, além disso aproveitamos para saborear um rodízio de pizza.

Ao deitar, em torno de 22:00 h, troquei a última mensagem com minha irmã que pediu que eu descansasse e alertou que eu saberia o momento das contrações efetivas porque elas pegariam ritmo.

Num determinado momento, comecei a sentir novamente as contrações, não mais indolores, porém suportáveis. Respirava fundo, ficava na posição sapinho da ioga, entrava no chuveiro quente e tudo isso trazia um alívio. De repente, percebi que deitada as dores pioravam, olhei para o relógio que marcava 02:30 h e só pensei que era preciso descansar, pois meu medo era chegar na maternidade, pedir analgesia e iniciar a cascata de intervenções que culminaria na cesárea que tanto fugi. Acho que consegui dormir por 1 hora, acordei com contrações bem doloridas, ficar deitada ou sentada era pior, só no chuveiro quente me sentia melhor. Acordei Leandro e pedi para ligar para minha irmã.

Quando Ana chegou, eu já estava no chuveiro, era uma contração atrás da outra, perguntei se caso o que sentia era pródromos, eu não aguentaria essas dores por uma semana (eu mal sabia que já estava na fase de transição rs). Comecei a ficar enjoada. Mariana, que já estava a caminho e se comunicava com minha irmã por mensagem, sugeriu a verificação da pressão arterial, o que não foi possível porque veio uma contração e eu arranquei o aparelho do meu braço.

Num determinado momento, a Ana pediu para Leandro separar a bolsa da maternidade e uma roupa, porém eu não conseguia sair do chuveiro e falei que Maria Júlia nasceria ali mesmo. Minha irmã na maior calma disse que Julinha escolheria o local e tudo daria certo.

Então, tive vontade de fazer força, senti uma ardência e gritei que algo estava saindo. Nesse momento, coloquei a mão e questionei a Ana se era o colo do útero rs, já era a cabeça da Maria Júlia kkk. Ana solicitou ao Lele algumas toalhas e as colocou no chão do box. E com mais duas forças nasceu Maria Júlia amparada por mamãe e titia. Fiquei em êxtase! Eu consegui!!! Em seguida, Lele entrou no banheiro e me viu sentada com nossa filha nos braços e logo depois Mariana chegou.

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E assim, no dia 04/06/2017, às 04:58, no dia de Pentecostes, eu pari e me senti completa com as minhas duas Marias.

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Só tenho que agradecer a Deus por ter nos guiado e nos amparado até hoje.
Ao meu companheiro Leandro, mesmo não aceitando a ideia do parto domiciliar, sempre soube que passar por esse processo era importante para mim e, não sendo contra as minhas escolhas, foi o apoio que precisava.

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À minha mãe Gladys que esteve ao meu lado independente de ter concordado ou não com a minha decisão.

À minha irmã Ana Paula que foi a segurança que tanto necessitava no nascimento da Maria Júlia.
Ao Dr. Juliano Deckert por ter me acolhido e ter aceitado dar continuidade ao acompanhamento hospitalar.

À equipe Parto por Amor, em especial as enfermeiras Mariana Zukoff, Camila Barreto, Ana Grova e Márcia Araujo pelo profissionalismo, respeito e dedicação. Muito obrigada!

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“Entrega, confia, aceita e agradece.”

Relato de parto: Daniele relata seu parto hospitalar

Relato de parto: Daniele relata seu parto hospitalar

Receber relatos de parto é muito gratificante para nós! Leia a história da Daniele, que pariu com respeito e confiança no SUS ao lado do marido e da Mariana Zukoff, enfermeira da equipe Parto por Amor.


 

Meu relato é uma forma de agradecer a esse grupo, que me ajudou muito durante a gravidez. Eu lia relatos todos os dias, entrava no grupo mais de uma vez por dia pra ver as histórias nos comentários, tava um vício já…rs e cada relato ia me fortalecendo, me dando a certeza que a minha busca por um parto normal respeitoso não era besteira, e não era algo impossível e distante de mim.

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O parto do Antônio aconteceu no dia 25 de abril, às 20:45h na Maternidade Maria Amélia-RJ. Tive o acompanhamento da equipe PARTO POR AMOR, representada pela maravilhosa enfermeira Mariana Zukoff, que ficou comigo em casa durante o dia. Meu plano era ficar em casa o máximo possível e ir para o hospital quando já estivesse com dilatação avançada, e assim foi feito.

Queria começar meu relato fazendo algumas observações:

1- fico um pouco chateada quando vejo algumas mulheres aqui dizendo “ainnn não tenho coragem de ir pro SUS”, sem nunca ter botado o pé numa unidade pública de saúde. Bora assumir que o nome disso é preconceito, e preconceito é feio?! A maternidade pública pode não ter a mesma hotelaria da particular, mas não é a hotelaria que vai te dar um parto normal. É mais provável que no hospital particular vc seja atendida por um plantonista recém-formado, que por não ter muita experiência, provavelmente vai encaminhar pra uma cesárea mais “segura”.

Eu nunca tinha sido atendida pelo SUS, mas estava na carência do plano de saúde, pois mudei de plano no mês que engravidei (sem saber da gravidez) e encarei numa boa a perspectiva de usar um hospital público, sabe por quê? Porque eu vivo há anos em hospitais públicos, trabalhando ou estudando, e sei da capacidade dos profissionais que estão ali. Sei o quanto a maioria dos funcionários públicos (na qual me incluo) se esforça para dar conta do serviço, sei que ali estão pessoas que tem profundo amor por suas profissões e por seus pacientes, pessoas que estudaram e prestaram um concurso, pois escolheram trabalhar pelo SUS. É uma pena que alguns poucos maus exemplos façam tanto estrago e manchem a imagem da maioria.

2- Pra quem não tá nem aí pro desmonte do SUS e acha que tá bem na fita só porque paga pelo plano, vamos recapitular: vacinas, transplantes, atendimento de acidentados, cirurgias inovadoras, é tudo pelo SUS! E hoje em dia os melhores médicos especialistas não querem nem saber dos convênios, atendem somente particular, ou gratuitamente pelo SUS, onde são concursados (sou estudante de medicina e conheço muitos médicos bam-bam-bam assim). Então quem acha que não precisou nem vai precisar do nosso sistema público de saúde, provavelmente está enganado

Dito isso, vamos ao trabalho de parto em si:

No domingo 23/04 (39 semanas e 2 dias) fui ao banheiro e saiu uma “gelatina” transparente, era parte do tampão. Tentei não me animar, pois tinha lido relatos de mulheres que perderam o tampão duas semanas antes do TP. Eu tinha passado o fim de semana ansiosa, tinha perdido o sono duas noites seguidas, não queria ficar mais ansiosa pois sabia que isso atrapalharia a progressão das coisas. Então botei na cabeça que o Antônio viria só em maio, e que eu tinha que relaxar. Me programei pras atividades daquela semana pensando: vida que segue.

Na madrugada de segunda 24/04 acordei às 4h com uma cólica leve, fui ao banheiro e saiu um pouquinho de sangue. Apesar de racionalmente saber que era normal, não consegui dormir de novo. Mandei mensagem pra Mariana pra confirmar se era normal mesmo…rs A Mari disse pra eu me distrair, pra não focar na ideia do parto, e eu segui isso. Aproveitei o dia pra fazer bastante comida e congelar, arrumei a casa, enfim, fiquei me mexendo. Eu sabia que não ia conseguir desfocar se ficasse deitada no sofá vendo série da netflix, preferi me ocupar. Durante o dia tive várias contrações doloridas, que incomodavam e me faziam parar de dor. Mas de noite eu ainda disse pro meu marido: são contrações bobas, ainda não deve engrenar. Avisei a Mari que as contrações  estavam irregulares  e fomos deitar… Aí o bicho começou a pegar! Eu dormia por cinco minutos e acordava com uma contração, apagava e acordava. De manhã eu já estava cansadíssima, pedi pro meu marido ligar pra Mari porque eu não conseguia sair do chuveiro quente, e ela veio pra nossa casa às 6h da manhã. Eu tava crente que já tinha sentido a maior parte da dor, que ela ia chegar, fazer um toque, eu estaria com dilatação 8 e iríamos pra maternidade…. doce ilusão rs. Ainda bem que a Mari sabe das coisas, faltava muuuuuito por vir.

Ela não fez o toque quando chegou, mas passou o dia inteiro me ajudando, contando contrações, fazendo ausculta do bebê e me examinando de várias formas (acho que só de olhar pra mim, ela sabia em que estágio eu estava).

Durante as contrações eu saía andando, andar me ajudava a suportar a dor. A maior parte do tempo eu não conseguia sentar ou deitar, só ficar em pé. Mais ou menos depois da hora do almoço, a Mari me falou pra agachar durante as contrações, pra ajudar a dilatar e estimular a descida do bebê… pqp que dor! Quando eu agachava, ela massageava minha lombar pra me ajudar a suportar, mas mesmo assim eu chorava, chorava de dor.  Chegou uma hora que eu não conseguia parar de chorar, fui pro chuveiro e fiquei lá até me acalmar na penumbra, a santa Mariana na porta segurando o celular pra tocar as músicas. Estava muito desesperada e pensando em desistir. Foi quando saí do banho, e aí ela fez o toque: 7-8cm, e então fomos com calma pra maternidade. Chegamos na MMA umas 15:30h, a enfermeira da admissão fez outro toque e disse: 9cm, direto pra sala de parto. Acho que isso me gerou uma expectativa muito grande, tipo: “9 cm, tá perto, falta pouco, daqui a pouco eu vou sentir vontade de empurrar”. Mas a verdade é que eu não sentia vontade nenhuma. Umas 18h, antes da passagem de plantão, novo toque, acho que a outra enfermeira disse 8 cm. Eu pensei: caceta, ainda falta muito, eu não tenho mais forças, não evoluí nada!

A nova enfermeira que assumiu o plantão era conhecida da Mari, veio, fez novo toque, nada diferente. Elas me propuseram um exercício pra ajudar o bebê a rodar, mas eu tinha que ficar deitada na beira da maca quase caindo pra fora, confiando que meu marido e a Mari iriam me segurar pra eu não cair. Eu sou super medrosa pra essas coisas de acrobacia, além da dor eu morria de medo de cair! Nessa hora eu só repetia: não foi assim que eu imaginei, não era isso que eu queria! Passei a gravidez inteira lendo relatos de que a mulher sabia o que fazer, repetindo mentalmente que o meu corpo era capaz, etc… talvez eu tenha mentalizado um conto de fadas em que a mulher escuta a voz do mais profundo do seu ser, e no meu caso foi bem diferente.

Na hora eu não tinha instinto nenhum, nenhuma vontade, só o cansaço, um medo gigante, e a vontade que acabasse logo. Não lembrei de analgesia em nenhum momento, pois pra mim o pior não foi a dor, mas a parte psicológica. A enfermeira plantonista propôs romper a bolsa e eu aceitei, já estava no meu limite de forças e com zero de autoconfiança. Ao fazer o toque e romper a bolsa ela disse que o bebê tinha rodado, estava na posição certa (parece que a acrobacia da maca funcionou) e já no plano 3, aí ela disse alguma coisa parecida com “o bebê já tá aqui embaixo, você tem que ajudar. Na posição que está, fica difícil até pra operar”. Eu acho que a intenção era me animar, não me deixar desistir, mas eu fiquei ainda mais nervosa. Me bateu um desespero, uma insegurança tão grande, que aquela ideia da cesárea agendada que eu refutei por 9 meses me pareceu tão atrativa… Fiquei imaginando eu deitada, maquiada, tranquila e sem dor no centro cirúrgico (só delírio mesmo pra eu esquecer todas as desvantagens da cirurgia). Entrei em pânico imaginando que eu não ia conseguir parir e que dali algumas horas eu ia acabar indo pra uma cesárea de urgência, que toda aquela dor não teria adiantado e que eu ainda poderia colocar meu filho em risco. Não confiava mais no meu corpo, já tava super arrependida dessa história de parto normal e não conseguia me acalmar. Foi quando a Mari falou: “Dani, acredita em você, você sabe parir, falta pouco, coragem”.

Não sei quanto tempo passou, mas em algum momento a Mari me ofereceu pra ir pra banqueta, e a cada contração eu fazia força.

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Elas duas humildemente sentadas no chão, olhando por baixo e me estimulando: aí, Dani! Isso aí! Quando eu empurrava errado elas corrigiam: a força é aqui embaixo! Eu não fazia a menor ideia de onde empurrar, simplesmente seguia a orientação delas ao fazer força, pois estava fora de mim, queria que acabasse logo. Dessa parte eu não lembro da dor, nem do tempo que durou, nem se tinha música, só lembro que rezei muito, que pedia pra Nossa Senhora me ajudar e proteger o Antônio. Então meu bebê nasceu de forma mais linda, veio pro meu colo, eu e marido chorando…

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O pai cortou o cordão, a placenta saiu, o bebê foi pra pediatra. Aí veio meu chilique pós-parto, eu tive uma tremedeira e as pernas chacoalhavam, tava mega nervosa, não conseguia deixar as enfermeiras virem me examinar e dar os pontos… elas tiveram bastante paciência pra esperar eu me acalmar. Fiquei esperando aquela emoção, a sensação de vitória que todo mundo descreve, e não senti. A sensação de ter feito a coisa certa só veio no dia seguinte ao parto, depois que o nervoso passou. Foi quando eu finalmente agradeci a Deus e pedi perdão por não ter confiado que Ele estava cuidando de tudo.

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Claro que eu tenho vergonha disso, do pânico, do nervosismo, e só estou tendo coragem de expor a minha situação pra dizer que nem toda mulher segue seus instintos e sabe o que fazer, ou talvez a tensão do momento a impeça de ouvir essa tal voz interior… Nesse caso é fundamental confiar em alguém que conheça o trabalho de parto e te passe segurança, sabendo orientar o que fazer. As enfermeiras obstetras são perfeitas nesse quesito! Não vou cansar de agradecer à Mariana por tudo… ela não é apenas uma profissional excelente, o que ela faz é por amor, com respeito e dedicação. O nome #partoporamor é ideal pra elas!

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E um obrigada especial ao meu marido, que me respeitou e apoiou desde o começo, esteve aberto a ouvir, entender e então abraçar a ideia do parto normal. Durante o trabalho de parto, foi um super companheiro, cuidou de mim e foi corajoso até o final. Eu não teria conseguido sem eles!

Relato de parto: nascimento da Clarice

Relato de parto: nascimento da Clarice

Esse relato de parto é muito especial para nós e um pouco diferente dos outros. Isso porque a Camila planejou um parto domiciliar, mas ao longo da gestação, tivemos que indicar um parto hospitalar para o caso dela. Uma história cheia de reviravoltas e com uma única certeza: apesar das coisas terminarem diferentes do que planejamos, tudo dá certo como deveria! Um história linda, respeitosa e que a nossa equipe ficou muito feliz de fazer parte.


 

Relato de parto 15/04/2017 – O nascimento da Clarice: Luz para as nossas vidas!

Tudo começou de uma grande motivação em ter um parto domiciliar (PD) que na realidade iniciou bem antes de eu sequer estar casada! rs

Sou Enfermeira e sempre tive um grande respeito pela humanização no atendimento e em especial neste momento tão sublime que é o nascimento de uma criança. Mesmo não tendo seguido a área da obstetrícia, tenho uma grande queda por todo esse público de família expectante, gestantes e bebês.

Com tudo isso, ainda na faculdade, após ter uma palestra com a Enfermeira Obstétrica (EO) Marcella Pereira, decidi que o PD seria o tipo de parto ideal para mim quando estivesse gestante. Não tardou muito e logo ano passado, com 2 meses e meio de casada descobri a gestação!
Meu esposo Douglas já acompanhava mais ou menos a ideia sobre PD, mas quando descobrimos a gravidez e veio então a ideia do parto, ele ficou receoso e fomos estudar mais e pesquisar sobre o assunto. Também preciso dizer que não escolhemos o PD porque achamos “bacana” ou por “modismo”. Na realidade, após muito pesquisar, percebemos que é uma das formas mais respeitosas de parir. Há muito respeito pela mãe, família e a criança, e foi por isso que almejamos o PD para nossa família.

Na época procurei novamente pela Marcela a qual citei anteriormente, mas ela infelizmente não estava mais realizando PD na época e nos indicou algumas possibilidades, dentre estas a equipe Parto por Amor, que coincidentemente ou não, foram as primeiras que visitamos pela internet e após conhecer o trabalho das Enfermeiras nos apaixonamos!

Fomos à primeira roda de conversa com a equipe e lá conhecemos a Ana e a Mariana nossas então futuras EO. Iniciamos nosso pré-natal, tudo certo, saúde em dia, exames ok, tudo fluindo para que nosso sonho de parto se tornasse realidade, exceto por um edema que não me deixava e insistia em me acompanhar desde os meados da gestação. Infelizmente com ele, veio também algumas variações na pressão arterial que já no fim da gestação tendia à subir e dessa forma colocaria em risco nosso PD.

Quando a Ana e a Mari vieram nos informar sobre a impossibilidade do nosso parto, nosso mundo caiu. Mesmo sabendo das possibilidades e os planos “B e C” que um PD pode se tornar, você sempre acredita que vai dar tudo certo da maneira que imaginamos. Sofremos muito e posso dizer que sofremos os 4! Sim, elas também sofreram e muito conosco, vimos lágrimas não apenas em nossos olhos, elas foram verdadeiros anjos durante todo o momento com nossa família e continuavam a ser neste momento de dor, porém inevitável.

Com a interrupção do nosso pré-natal com as meninas, fomos encaminhados para uma maternidade do SUS de referência da nossa área, o Hospital da Mãe, que também realizava o parto de forma natural e humanizado. Soubemos também que lá havia a presença da Enfermagem Obstétrica na assistência, o que na minha concepção era de grande importância, já que fazem a diferença no atendimento e humanização do parto.

Com a nossa entrada no serviço do Hmãe para terminar o pré-natal, confesso que estava apreensiva, não era nosso sonho inicial, não estávamos mais tão entusiasmados. Não que o nascimento da nossa filha não fosse o mais importante, mas estávamos mudando nossa rota e toda mudança gera diferenças em nossas vidas. Mas acima de tudo continuávamos muito confiantes em Deus como sempre fomos e pedimos à todo momento por este tempo final de gestação que ainda passaríamos.

Graças à Deus e à toda interseção de Maria, fomos muito bem recebidos no hospital. Talita que é coordenadora da Enfermagem nos recebeu pessoalmente e nos acolheu da melhor maneira possível, o que fez toda diferença! A Dra Kyvia também que foi nossa próxima obstetra até o fim do pré-natal, sempre muito amorosa, não nos fez duvidar em um só momento que tudo o que aconteceu não escapava dos planos de Deus para nossa vida e que deveríamos estar exatamente alí.

Finalmente vamos ao parto! rs

Tínhamos 2 datas prováveis para o parto (na teoria) que eram 10/04/17 pela data da última menstruação e 12/04/17 pela primeira ultra. Nessas datas faríamos 40 semanas.

Na terça-feira 11/04/17, após uma caminhada em família, comecei a sentir contrações dolorosas pela primeira vez, porém em intervalos irregulares entre 3 horas, 1 hora, e regularizou mais à noite. Eu finalmente achei que era o início do trabalho de parto em si, mas hoje eu sei que eram apenas pródromos! Passamos pelo 1º alarme falso…

A peregrinação das contrações continuaram pela quarta e quinta feira e apesar da regularidade, eu ainda não tinha dilatação nenhuma. Na madrugada de quarta feira fomos novamente à maternidade pela segunda vez, e o colo do útero ainda começava a amolecer, mas permanecia sem dilatação ainda. Na madrugada de quinta para sexta, as contrações estavam bem intensas e com intervalos de 5 minutos entre elas, duravam cerca de 1 minuto e eu não conseguia relaxar, alternava entre banhos de água bem quente e tentava cochilar nos intervalos. Sem sucesso! A dor não me permitia, eu não conseguia sequer deitar, deitada era a pior posição para mim, sentia muitas dores na região lombar e as contrações pareciam piorar. De repente às 3:30h da madrugada as contrações passaram à vir a cada 3 minutos e muito intensas, lá fomos nós de novo para a maternidade. Dessa vez eu sentia algo diferente… Chegando lá pensei que finalmente havia chegado a nossa hora, mas agora eu acabava de começar a dilatar e estava com 1 para 2 de dilatação, a barriga muito alta ainda (e eu achava baixa), quase não acreditei que mais uma vez se tratava de um alarme falso.

Fiquei desanimada, extremamente chateada e a obstetra que me avaliou nesta madrugada nos deu “24h com bebê no colo”, 24h para estarmos com nossa Clarice nos braços. Eu sinceramente já não estava mais confiando nesses palpites após tanto alarme falso e voltamos mais uma vez para casa.

Em casa na sexta-feira (era sexta-feira santa), eu passava minha própria via sacra particular, foi bem complicado. Eu queria me movimentar porque as contrações doíam muito, mas ao mesmo tempo estava me sentindo um pouco fraca e exausta. Isso porque fazia 2 dias que eu não me alimentava bem, vomitava o que tentasse comer e então passei a ingerir apenas líquidos e em pequenas quantidades. Além de tudo isso, aumentava cada vez mais minha preocupação, se Clarice não nascesse até a próxima terça feira 18/04/17 nós teríamos que internar para induzir pois estaríamos com 41 semanas e não queríamos, queríamos respeitar o tempo dela, o momento dela.

Chegava à noite na sexta e eu com muita dor ainda tentava descansar, novamente sem sucesso! Na madrugada, mesmo com exaustão ao extremo, continuava alternando entre o chuveiro quente (que ainda me aliviava um pouco) e a cama para tentar relaxar. Até que quando deu 5h da manhã do sábado, eu levantei com auxílio do meu esposo e me dirigir ao banheiro para urinar. Ao sentar no sanitário tive um episódio de vômito em jato e neste momento minha bolsa estourou. Quanto líquido!!! Nunca esquecerei esse momento! rs. Meu esposo perguntou se era a bolsa e eu disse que sim e que também achava já estar com 7 de dilatação.

Essa história do “7 de dilatação identificado pelo vômito” lembro ter ouvido das meninas da Parto por Amor, durante uma roda de conversa, elas diziam que algumas mulheres quando alcançam 7 de dilatação tendem à vomitar provavelmente como um mecanismo natural do corpo para se preparar para o parto. A natureza é mesmo perfeita!

Meu esposo ainda meio nervoso, correu com as bolsas para o carro, se vestiu e me vestiu rapidamente (eu me sentia meio letárgica, com muita dor e a sensação de fraqueza nesse momento). Corremos (literalmente) para a maternidade e chegando lá para a nossa surpresa, estava de fato com os 7 de dilatação! Ótimas notícias, internamos!

Já na sala de parto, conhecemos as enfermeiras Márcia Luna e Petite Fleur que se apresentaram para nós e nos informaram que estariam em nosso atendimento e me examinariam periodicamente para avaliar a evolução.

Sabe dessas coincidências que nunca acreditamos que aconteceriam com a gente? Pois é, Contamos previamente nossa história para elas e descobrimos que a Petite conhecia a Mari, nossa EO do pré-natal, e dessa forma elas começaram a se comunicar. Neste momento eu me sentia “em casa”. Uma sensação de conforto se instalava em meu coração. Bela coincidência preparada por Deus! Entregamos neste momento também meu plano de parto para que as meninas conhecessem o que era da nossa vontade para o parto.

Meu trabalho de parto ainda durou algumas horas e enquanto estávamos só eu e Douglas na sala, eu continuava com os banhos quentes para tentar amenizar a dor e ele fazia massagens na minha lombar que doía muito e cada vez mais. As Enfermeiras trouxeram alguns dispositivos para deixar à minha disposição, como uma cadeira para o chuveiro, a bola de pilates e o cavalinho (uma espécie de cadeira própria para parir). Também utilizaram aromaterapia (permitido por mim) e deixaram o quarto bem escurinho em penumbra e tudo isso me trouxe um conforto muito grande, mas ainda assim eu só conseguia sentir dor e muita dor!!!

Até que chegou uma hora em que eu não aguentava mais aquela exaustão toda… Já haviam passado horas, já tinha sido examinada algumas vezes pela Márcia e Petite, me ofertaram lanche, mas eu ainda não conseguia me alimentar, eu solicitei um gás anestésico que fica a nossa disposição caso realmente achasse necessário. Livopan o nome do gás. Elas já haviam me explicado que ele não pararia o trabalho de parto e nem prejudicaria minha filha, mas que poderia me ajudar a relaxar. E eu precisava dormir, havia passado as duas últimas noites em claro, não conseguia cochilar por causa da dor, sentia que se não dormisse não teria forças para meu período expulsivo.

Utilizei o gás enquanto estava na cadeira embaixo do chuveiro quente e que alívio! Dormi! Segundo o Douglas, dormi cerca de 40 minutos, quando despertei nem tinha noção deste tempo, mas eu era outra! Estava relaxada e me sentia pronta para parir!!!
Entre umas 13:40h e 13:45h entrou na sala um médico obstetra dessa vez para fazer minha avaliação e pediu que eu me deitasse na maca para examinar. Como o efeito do gás ia passando rapidamente eu voltava a sentir bem as dores e não me sentia nada confortável na maca. Quando ele realizou o toque eu fiz uma força involuntária e disse à ele que sentia vontade de fazer mais. Neste momento ele pediu que eu me acondicionasse melhor na maca e anunciou que minha filha ia nascer. Mas eu estava totalmente desconfortável e disse que não queria parir alí, perguntei se podia voltar para o cavalinho (era onde eu me sentia mais confortável além do chuveiro quente). Ele começou então a justificar algo que eu confesso não ter ouvido, só não queria parir alí e não ia parir alí!
Segundo relatos do meu esposo, ele disse que o médico informou que ele como médico preferia fazer o parto na maca mas que ele garantia realizar o parto normal, enfim, eu nem lembro de mais nada, nem mesmo da fisionomia dele, só lembro ter pulado da maca, me dirigido ao cavalinho e pedido que ele chamasse as Enfermeiras e ele prontamente as chamou.

E lá vieram elas, nossos novos anjos em forma de profissional, com sorrisos no rosto e muito amor no coração, retornaram com a penumbra que havia sido interrompida no quarto e se agacharam diante do cavalinho para esperar nossa Clarice vir ao mundo. Neste momento, também veio à sala a Enfermeira Danielle Tenório que juntamente com as outras assistiram e fizeram o máximo possível para que o nosso parto fosse exatamente como desejamos e sonhamos, com muito respeito, paciência e regado de muito amor!

À todo momento, meu esposo permanecia do meu lado, segurando minhas mãos (lembro que eu apertava muito suas mãos para me sentir segura). Ele me dizia palavras de força e coragem para que eu continuasse e isso foi essencial. Douglas se mostrou mais uma vez um companheiro incrível! Amor eu te amo ainda mais!

Depois de muito fazer força, gritar, às 14h exatamente, em pleno sábado de aleluia, nossa Clarice veio ao mundo! E eu chorava, na verdade chorávamos, enquanto eu dizia: – Eu consegui! Eu consegui! Sim eu havia conseguido! As enfermeiras colocaram ela nas minhas costas assim que nasceu e eu sentia ela, quentinha, escorregadia, chorando, que momento!!! Alí nasceu com ela nossa família!

Rapidamente as meninas me ajudaram a levantar para passar ela para meu colo e ali ficamos os 3, Douglas, Clarice e eu contemplando a maior obra prima de Deus: A família, o amor em família!
Esperaram o cordão parar de pulsar para cortar e foi o próprio papai dela quem cortou, tudo como estava em nosso plano de parto, como seria mesmo em nosso lar.

Clarice mamou ainda na sala de parto, tomei banho logo após o parto, com a placenta “presa” ainda, esperando que ela desquitasse aos poucos e em alguns minutos depois, finalmente conhecemos a “Sra Placenta” rs, que alimentou e supriu as necessidades de nossa Clarice durante toda a gestação.

Ganhamos como mimo das Enfermeiras lindos carimbos da placenta! Eu senti sua textura. Ela é linda! Quentinha, molinha, uma verdadeira árvore da vida! Ganhamos também muito amor espalhado por toda a maternidade, ganhamos Enfermeiras amigas e passamos à admirar ainda mais esses exemplos de profissionais que lutam por um nascer digno! Desejo que mais mulheres tenham a possibilidade que eu tive!
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O parto findou, mas a história de amor concreta que vivemos é perene. Nossa família Louva e Glorifica à Deus pelo cuidado que teve conosco, colocando as pessoas certas, pessoas maravilhosas como vocês em nossas vidas! Nosso muito obrigado eternamente!

Relato de parto: Michele conta sobre seu parto hospitalar

Relato de parto: Michele conta sobre seu parto hospitalar

Receber relatos de parto é muito gratificante para nós! Leia a história da Michele, que pariu com respeito e confiança ao lado do marido, da médica que escolheu e da Marcia Araújo, enfermeira da equipe Parto por Amor.


 

Está chegando o aniversário de 1 aninho do meu bebê e com ele as recordações dos momentos mais importantes da minha vida, o nascimento do meu filho. Quando descobri que estava grávida logo decidi pelo parto normal e fui à busca de profissionais para me apoiar, porém tive uma surpresa desagradável com quase 40 semanas de gestação ao perceber que minha médica GO insistiu em marcar uma Cesária que naquele momento não se fazia necessário.

Desde início da gestação tive a sorte de ser acompanhada pela Márcia Araújo, que é enfermeira obstétrica, e ela foi fundamental neste momento de decepção, pois me apoiou e respeitou minha decisão pelo parto normal. Depois de uma conversa com esta profissional não tive dúvida e procurei por outra médica GO que ao me examinar disse que eu tinha total condição de ter meu filho sem precisar de intervenção cesariana. Fiquei muito feliz e confiante, pois tinha a certeza de estar cercada de profissionais que acreditavam em mim. Eu respeito muito quem opta por esse método, mas eu não escolhi isso pra mim.

Quando entrei em trabalho de parto fui orientada e acompanhada em casa pela Márcia Araújo, e foi ótimo porque nos momentos que vinham as contrações me sentia protegida e como era a minha primeira vez, eu tirava todas as dúvidas com ela. Além disso, recebi todo o carinho que precisava, quer seja com palavras ou ações. No momento que as contrações se intensificaram fui levada ao hospital e lá estava ela ao meu lado. Meus amigos e familiares achavam que eu estava insistindo em algo que não era pra mim, mas não deixei me abater. E que bom que não desisti porque tive um parto lindo! Tive o meu filho de uma forma natural escutando música ao lado de pessoas amáveis, além do meu marido que me apoiou incondicionalmente e esteve ao meu lado durante todo o tempo.

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Hoje me sinto uma mulher vitoriosa e muito forte. Eu consegui ter o meu filho como eu queria e não tenho dúvidas de que o apoio desta enfermeira obstétrica foi fundamental para eu conseguir tal desejo. Eu admiro o trabalho desses profissionais e sou eternamente grata a Márcia Araújo.

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Um breve relato de uma mamãe realizada e feliz!
Michele Martins