ZIKA – tudo que você precisa saber para evitar essa doença

ZIKA – tudo que você precisa saber para evitar essa doença

Muito tem se falado sobre o surto de microcefalia em recém-nascidos no Brasil, que pode ser causada pelo mesmo mosquito que transmite a dengue, o Aedes aegypti. Estes casos estão ligados à exposição materna ao vírus durante a gravidez. Já em crianças e adultos, existe a pequena possibilidade de complicações clínicas e neurológicas, mas isso acontece não só com o Zika vírus, como também com outros tipos de vírus, como o da varicela, enterovírus e herpes. De qualquer forma, essas complicações têm uma frequência muito baixa e não se limitam a idades específicas.

Em meio a tantas notícias, boatos e alardes, resolvemos listar tudo o que você precisa saber sobre o Zika e as formas de evitar focos de mosquito em casa:

– Zika é uma doença branda, de sintomas leves (pode até haver casos sem sintomas) transmitida pelo mesmo mosquito da dengue, o Aedes aegypti. Os casos aumentam muito no verão, época de chuvas, muito calor e, consequentemente, muitos mosquitos. É importante saber que não é o mosquito que “contém” a doença, ele é apenas um vetor: ele pica um doente e pode levar o vírus para alguém saudável. Portanto, mesmo se você tiver com Zika, use repelente! Assim você evita ser transmissor do vírus.

– Além disso, é fundamental combater os focos de mosquito, evitar o acúmulo de água parada (em poças, plantas, piscinas sem uso, caixas d’água, vasilhas de animais). Veja mais aqui. A cooperação total da população é fundamental, pois o Governo sozinho não consegue resolver a situação.

Dicas para combater o mosquito e os focos de larvas
Dicas para combater o mosquito e os focos de larvas

– No Rio de Janeiro e em diversos outros estados, já está acontecendo a visita de agentes técnicos nas residências para identificar e combater os focos do mosquito. As Forças Armadas foram mobilizadas e há um pedido oficial para que a população colabore com essa visita técnica. As orientações especializadas podem ajudar muito nessa luta contra o vetor da doença.

– Há 1.761 casos notificados de microcefalia, em 422 municípios. No Rio de Janeiro, há 23 casos e dois óbitos de bebês que podem ter relação com a Zika. Porém, em todo o Brasil, foi comprovado apenas um caso em que a microcefalia decorreu da contaminação pelo vírus Zika. Todos os casos estão sendo investigados e aguardam classificação e confirmação. Semanalmente, o Ministério da Saúde divulga um boletim epidemiológico de microcefalia (basta acompanhar pelas redes sociais @minsaude).

Casos de microcefalia em investigação pelo Ministério da Saúde
Casos de microcefalia em investigação pelo Ministério da Saúde

O Zika já é considerado uma epidemia. Porém, embora os números sejam relevantes, não há evidências de que haverá um grande aumento no número de casos. Com a ajuda da população para evitar os focos e as medidas para prevenção de picadas, a tendência é que a doença seja controlada em breve.

Não há nenhuma relação entre a microcefalia e vacinas, como a da gripe. Esse boato tem sido divulgado e está colocando muitas pessoas em alerta desnecessariamente, inclusive há pessoas tomando atitudes por conta própria por medo desses relatos infundados que podem colocar suas saúdes ainda mais em risco. Cuidado ao divulgar informações sem fonte oficial relacionada.

– Também há boatos sobre problemas neurológicos em crianças até 7 anos e idosos, mas não há nenhuma confirmação de caso sobre o assunto. De forma geral, é importante evitar a doença combatendo os focos do mosquito e fazendo uso de roupas que cubram o corpo e repelentes nas partes que ficam expostas. Veja mais aqui.

– Para as que estão mais preocupadas, que são as grávidas: o ideal é reforçar o uso de repelentes (fale com o profissional que acompanha o seu pré-natal caso tenha dúvidas sobre o produto ideal para o seu caso) e formas de combate ao mosquito. Além disso, fazer o pré-natal corretamente é fundamental.

Repelentes disponíveis no Brasil, daqui.
Repelentes disponíveis no Brasil, daqui.

– Para quem está planejando engravidar: oficialmente, o Governo afirma que essa é uma decisão de âmbito pessoal. Extraoficialmente, o que se diz é: se for possível, adie pelo menos até o final do ciclo do mosquito (que ocorre durante o verão), que é quando os casos naturalmente irão diminuir.

– Se você está grávida e estiver com sintomas de contaminação pelo Zika vírus, é extremamente importante se dirigir à Unidade de Atenção Básica de Saúde. Há uma grande mobilização de profissionais das clínicas da família em torno do assunto, e eles estão preparados para orientar sobre a identificação dos focos de mosquito, controle e prevenção da doença. Além disso, eles também são os responsáveis por avaliar os sintomas – caso existam –, notificar as autoridades e dar seguimento aos casos.

– É muito importante lembrar que este caso é inédito na literatura médica mundial e, portanto, ainda é muito cedo para conclusões mais aprofundadas sobre o assunto. Ainda não se sabe, por exemplo, quanto tempo depois do contato com o vírus, é seguro engravidar sem que haja riscos para o feto. E, mesmo quando há a infecção, não se sabe qual porcentagem de bebês é afetada, já que nem todas as grávidas que contraírem a doença trarão necessariamente prejuízos para seus filhos. É preciso prevenir e aguardar mais dados serem avaliados.

– Para informações atualizadas e corretas sobre o assunto, evite os boatos das redes sociais. Consulte sempre o Portal do Ministério da Saúde.

 

Para saber mais e consultar as fontes usadas para este texto, acesse:

Perguntas e respostas sobre microcefalia, do Portal do Ministério da Saúde
Twitter do Ministério da Saúde
Nota da ANVISA sobre uso de repelentes na gravidez
Portal Dengue.org.br, com dicas para combate ao mosquito da Dengue
Scientific Electronic Library Online, com repelentes disponíveis no Brasil e suas indicações de uso
Comunicado oficial da FIOCRUZ no Facebook a respeito de complicações neurológicas em crianças e idosos