Como saber se tenho passagem para o parto normal?

Como saber se tenho passagem para o parto normal?

Entenda o mito da bacia estreita e do bebê grande demais

É muito comum ouvir por aí que aquela familiar ou amiga teve uma cesariana para resolver problema de “passagem”, ou seja, teoricamente a bacia dela era estreita e/ou o bebê grande demais e não conseguiria um parto normal. Isso, na grande maioria dos casos, é um mito. Mito este muito difundido e propagado, que aterroriza mulheres pequenas ou mulheres cujos bebês foram classificados como “grandes” depois do exame de ultrassom, obrigando-as a passar uma cirurgia – na maioria dos casos, desnecessária.

Para desconstruir essa lenda, é importante partir do princípio que todas as bacias possuem tamanhos e diâmetros adequados para permitir a passagem dos bebês durante um parto normal. Diagnosticar “bacia estreita” ou “bebê grande” e contraindicar um parto antes do trabalho de parto é uma falácia. Somente com a dilatação total do colo uterino, juntamente com a descida do bebê na pelve materna, que podemos saber se essa mulher tem “passagem”. Antes disso não é possível.

A mulher pequena
Não existe nenhum exame específico que garanta que a bacia terá ou não espaço suficiente para permitir a passagem do bebê. Mesmo que a mulher seja “pequena”, ou seja, tenha uma pelve estreita, se for permitido que ela entre espontaneamente em trabalho de parto e se movimente conforme sua vontade, ela vai procurar posições e posturas que instintivamente irão facilitar a abertura da pelve e, consequentemente, a passagem do bebê. A bacia não é fixa, ela possui ligamentos e músculos que podem se amoldar e se afrouxar conforme o necessário. Mesmo que você possa medir a sua bacia e comparar com o tamanho da cabeça do bebê, nada poderá garantir como seu corpo se comportará durante o trabalho de parto.

O bebê grande
Muitos profissionais de saúde se apoiam no ultrassom de final de gravidez para reforçar achados bastante relativos. Um desses é o diagnóstico de bebê grande. Devemos levar em consideração que o peso no ultrassom é estimado e nunca deve ser uma fator determinante para indicar uma cesariana, pois pode ser um peso diferente do real. Além disso, assim como a pelve da mãe, a cabeça do bebê é maleável enquanto passa pelo trabalho de parto, adequando-se à bacia materna.

bacia mãe

Quando realmente acontece um problema?
Algumas mães podem realmente não ter “passagem” para seus bebês. Isso se chama desproporção céfalo-pélvica e acontece quando a cabeça do bebê não consegue passar pela pelve materna. Existem dois tipos de desproporção, a relativa e a absoluta. A relativa é quando a bacia tem espaço suficiente, mas o bebê acomodou-se de tal forma que dificulta a passagem dele. Esse diagnóstico é possível de ser feito durante o trabalho de parto através do toque vaginal e há técnicas, como alguns posicionamentos da mulher, que podem ajudar o bebê a corrigir a posição e nascer de parto vaginal; por isso chama-se relativa. A desproporção céfalo-pélvica absoluta acontece quando os diâmetros da bacia são incompatíveis com o tamanho do bebê. Isso pode acontecer em casos de fetos muito grandes, como os de algumas mulheres diabéticas, devido a problemas de saúde do bebê, como a hidrocefalia, ou alguma deformidade ou desalinhamento ósseo da bacia da mulher. Nestes casos, a cesariana é realmente necessária, porém somente após dilatação avançada e avaliação da progressão do trabalho de parto.