Carta da Nona Lua – O parto tem seu próprio tempo

Carta da Nona Lua – O parto tem seu próprio tempo

Sinto que você está chegando, meu corpo vem me dando seus sinais. Foram nove meses de comunhão, dias melhores, outros piores, agora chegam ao fim. Quem venha com o tempo, que venha com a lua, que venha! Já te aguardo, te pressinto. Confesso para ti, somente para ti, confesso que já me sinto ansiosa pela sua chegada. Meu corpo todo sente o seu peso, e já está tão difícil mover quanto ficar quieta.

Respiro fundo e suspiro, nascer é tempo sem hora.Aguardo você sentir-se pronto, pronto para respirar por si só. Saiba que eu mesma já me sinto inteiramente pronta. Durante os nove meses eu estive ocupada, sim, eu sei. Também durante nove meses eu me acostumei à sua presença em mim. Tive bastante chance de me preparar, a mente teve seu tempo de absorver as mudanças que trará para minha família. Sinta-se desejado e amado, meu bebê, por todos nós.

Desejo-te.

Pressa? Não eu não tenho pressa, para que andar depressa? Quero que venha, mas que venha na sua hora. Não existe hora marcada, não marquei na agenda. Sem nenhum compromisso, que seja pelo nosso desejo mútuo.
Quando meu corpo e você estiverem em trabalho parto, vamos nos repartir, você vai partir para uma nova jornada, é uma viagem intensa, procure a luz, procure o caminho que te ofereço em meu corpo.Não tema essa viagem, porque estou sempre contigo. Despeço-me da barriga linda e grande, você se despede do interior do meu corpo. Mas nos encontramos aqui deste lado, em uma nova e longa aventura. Começa em um grande deleite. Sinta o amor que confirmo ao colocar minhas mãos em meu ventre, sinta o calor que emana. Este calor destas mãos você vai sentir aqui fora. Pode vir, garanto que estou aqui.

Sem pressa para essa viagem, criança, sem pressa. Venha surfando em onda esplêndida, venha no ritmo que imprimimos juntas, somente nós duas. Você e eu temos todo o tempo, todo o espaço para essa caminhada. Temos bola, temos água, temos de tudo! O tempo e espaço do parto é nosso, só nosso. É o meu parto e o seu nascimento. A dinâmica será somente nossa e sem artifícios exteriores, creia em mim, eu lhe prometo que será nossa e de mais ninguém. Como estou tão segura? Por que desta vez eu fiz as escolhas que me aprazem desde o começo, ouvindo meu mais intimo desejo! Sim, você já sabe disto, eu ouvi os meus medos e procurei sua cura, procurei sanar suas carências.Impedi também que medos alheios me assombrassem.Cá estou pronta para a entrega. Ninguém vai precisar nos ajudar nessa viagem de partida e de chegada. Você pode ouvir a calma e potente batida do meu coração. Então, prepara-se e dê o sinal! Venha na lua que te escolher e venha com vontade de me ver, olhe para a luz!

(Autora: Flavia Penido)

Roda de Conversa: dia 22/10, vamos falar sobre o Parto em Casa

Roda de Conversa: dia 22/10, vamos falar sobre o Parto em Casa

Vamos falar sobre Parto Domiciliar? Vamos nos reunir em mais uma Roda de Conversas e o tema é este tão polêmico e cercado de dúvidas e preconceitos.

Venha relatar o seu parto em casa ou traga as suas dúvidas sobre como é o parto em casa! Imperdível!

Lembramos que o encontro é gratuito e está aberto a toda a família e amigos. Venham!

Roda de Conversa – Parto por Amor
Tema: Parto Domiciliar
Local: Rua Carlos de Vasconcelos, 155/sala 404 – pertinho do metrô da Praça Saens Peña, na Tijuca!
Data: 22/10, sábado
Horário: 09h30
Aberto e gratuito!

20 músicas para o seu parto

20 músicas para o seu parto

Uma das coisas mais gostosas e relaxantes de um parto em casa (ou no hospital, mas que tenha o mínimo de liberdade e respeito) é poder escolher a trilha sonora. Pode parecer supérfluo, mas uma boa música pode te ajudar a relaxar e entrar em contato com os sentimentos e sensações desse momento maravilhoso que é o nascimento de um filho.

Pensando nisso, criamos uma lista com o nosso top 20 das melhores músicas para ouvir ao longo do trabalho de parto. Todas falam de renovação, de chegada, de presença, de amor. E são tão lindas!

Tem mais sugestões? É só contar pra gente que essa lista vai aumentando!

1. Reconhecimento – Isadora Canto
Conhecida nas rodas de gestantes e frequentadores do mundo humanizado, a Isadora Canto fala com a nossa alma. E este é praticamente o hino do nascimento com respeito. Difícil segurar as lágrimas!

2. Espatódea – Nando Reis
A doçura na voz do Nando Reis sozinha já seria suficiente. Mas ele segue nos emocionando: “não sei se o mundo é bom, mas ele ficou melhor quando você chegou”. Lindo e delicado!

3. Anunciação – Alceu Valença
“Tu vens, tu vens, e eu já escuto os teus sinais”. Deixe Alceu Valença embalar o seu parto e sinta seu filho chegando com toda a entrega que essa música convida.

4. Paciencia – Lenine
Para lembrar que cada coisa chega na sua hora, nada está adiantado ou atrasado. Calma, respira e espera.

5. Vilarejo – Marisa Monte
“Peitos fartos, filhos fortes, sonhos semeando o mundo real”, Marisa Monte canta sobre a casa cheia de amor que está à espera da chegada. Maravilhosa!

6. Vieste – Ivan Lins
Mais uma para lembrar que tudo acontece na hora que tem que ser e celebrar quem está por chegar.

7. Tudo Diferente – Maria Gadu
“Todas as trilhas caminham pra gente se achar” é pra fazer qualquer parturiente se encher de força e amor pelo que está acontecendo!

8. As Coisas Tão Mais Lindas – Cássia Eller
A maravilhosa Cássia Eller acaba com o nosso coração, cantando sobre o quão bem-vindo (e lindo!) é o serzinho que está chegando.

9. Pra Você Guardei O Amor – Nando Reis e Ana Cañas
Olha o muso aí de novo! Muito bem acompanhado de Ana Cañas, embala o trabalho de parto de um jeito incrível!

10. Nascer – Isadora Canto
Olha ela aí de novo! Nossa amada chama o bebê pro lado de cá e sua voz macia completa o clima de expectativa e promessa de algo bom.

11. Debaixo D’água – Maria Bethânia
Trilha clássica dos partos, essa canção é forte, profunda, fundamental. Impossível não se emocionar com a letra que fala do ponto do vista do bebê e sua vivência com a água.

12. Acalanto – Adriana Calcanhoto
Pra embalar e cantar pro bebê do lado de dentro (ou de fora!). Uma delícia!

13. Só Tinha Que Ser Com Você – Elis Regina
“Só eu sei quando amor eu guardei, sem saber que era só pra você” – verdadeiro e totalmente apropriado pra esse que você nem viu ainda, mas já ama demais!

14. O Que Você Quer Saber De Verdade – Marisa Monte
Essa é especial pro momento que a força parece ter acabado e você acha que não aguenta mais: liberte-se, entregue-se! “Faça a sua dor dançar, atenção para escutar esse movimento que traz paz”. Coragem, você consegue!

15. Beautiful Boy – John Lenon
Vai ter um menino? Escute esse clássico de John Lennon pra embalar seu amor!

16. She – Elvis Costello
Se for ter uma menina, essa maravilhosa também vai te emocionar muito.

17. Better Together – Jack Johnson
Uma animadinha que diz o mais importante de tudo: estamos melhores quando estamos juntos! Pra dançar com o maridão e relaxar das contrações com um sorriso no rosto.

18. Eu sei que vou te amar – Tom Jobim
Na voz de Caetano Veloso, esse hino ao amor fica ainda mais lindo. “Eu sei que vou te amar por toda a minha vida” é apenas tudo que uma mãe pode cantar para um filho, não é não?

19. Dia Branco – Alceu Valença
Vem, bebê! “Se você quiser e vier pro que der e vier comigo.” Uma promessa de amor pro seu filho!

20. Sabemos Parir – Rosa Zaragosa
Por último, mas não menos importante: você sabe parir, você vai parir. E essa música vai te lembrar disso 😉

Roda de Conversa: dia 23/07 vamos falar sobre as técnicas para lidar com a dor do parto

Roda de Conversa: dia 23/07 vamos falar sobre as técnicas para lidar com a dor do parto

Sábado, dia 23/07, às 09h30 tem mais uma Roda de Conversa Parto por Amor!

Nesta Roda falaremos sobre as tecnologias não invasivas para lidar com a dor no parto.

O encontro é aberto e as contribuições são voluntárias: se você não puder colaborar financeiramente, não tem problema: VENHA MESMO ASSIM!

Roda de Conversa Parto por Amor
tema: Técnicas para lidar com a dor do parto
data: sábado, dia 23/07
horário: 09h30
endereço: Rua Carlos de Vasconcelos, 155 sala 404, Tijuca (fica bem do lado do metrô!)

Esperamos vocês!

Vamos falar sobre a placenta?

Vamos falar sobre a placenta?

Único órgão que só existe em um determinado momento da nossa vida – durante a gestação –, a placenta é quase uma entidade. Muitos a adoram, alguns a comem e outros a descartam sem nem olhar direito pra ela. Cheia de significados, posições e funções, a placenta tem importância fundamental durante a gravidez e por isso é importante entender um pouco mais sobre ela.

O que é a placenta, afinal?

A placenta é um órgão cujas primeiras estruturas começam a se formar desde os primeiros dias da gravidez e completa seu desenvolvimento por volta da semana 18-20. Ela é composta por tecidos do útero e do feto e sua função principal é comunicar o corpo da mãe com o corpo do bebê. É ela quem transfere nutrientes e oxigênio da mãe para o filho; ela é responsável pela proteção imunológica do feto; é através dela que o feto excreta substâncias nocivas, como gás carbônico; ela ainda se encarrega da produção de hormônios fundamentais para a gravidez. Fora isso, ela protege o bebê de substâncias nocivas e tóxicas que possam prejudicar o feto – vale lembrar, entretanto, que álcool, cigarro e alguns tipos de vírus e bactérias ultrapassam a barreira placentária e podem afetar a criança.

Uma das faces da placenta fica totalmente conectada ao útero materno e a outra fica voltada para o bebê, com quem se liga através do cordão umbilical. A placenta é, portanto, fundamental para a sobrevivência e o desenvolvimento do feto.

A placenta pode se fixar em diferentes lugares dentro do útero

A placenta amadurece junto com o bebê, acompanhando o crescimento uterino. Ela geralmente se implanta e cresce na região mais alta do útero – que também é o lugar mais seguro para isso. Ela pode ficar na posição anterior ou posterior, o que significa que ela está fixada na parte da frente, perto da barriga da mãe ou na parte de trás, perto das costas. Ambas posições são normais e a única diferença entre elas é que, caso a placenta esteja em posição anterior – na parte da frente – talvez a mãe demore um pouco mais para sentir os movimentos do feto, já que tem a placenta na frente absorvendo o impacto da movimentação do bebê.

A placenta pode se implantar inicialmente na parte baixa bem próximo ao colo uterino. Mas a grande maioria “migra” para parte superior e isso só pode ser totalmente definido no terceiro trimestre, onde há o crescimento do útero afastando a placenta do colo uterino. Qualquer definição de posicionamento da placenta só pode ser feita, portanto, a partir da semana 28, aproximadamente. Então se você estiver no início da gestação e a inserção da placenta estiver baixa, calma! Ela tem muita chance de migrar e, na verdade, essa possibilidade é a mais provável.

Problemas com a placenta são comuns, mas inspiram condutas específicas

No primeiro trimestre da gravidez, é difícil falar em problemas placentários. É muito comum mulheres com sangramento receberem diagnóstico de “descolamento de placenta”, mas até o terceiro mês de gestação, isso é impossível. O que acontece, nesse caso, é o descolamento do saco gestacional (hematomas subcoriônicos), que também provocam perdas de sangue, cólicas e podem evoluir para aborto espontâneo.

placenta crochêEssa situação, entretanto, não tem nada a ver com a placenta: o descolamento do saco gestacional nada mais é do que um acúmulo de sangue entre o saco e a parede onde ele estaria fixado. Cada profissional deve definir em conjunto com a grávida como tratar esse problema, mas, o que se vê é que essa situação se resolve sozinha, independentemente de medidas como medicação e repouso.

Também são comuns diagnósticos de placenta prévia com indicação equivocada de cesariana no primeiro trimestre da gestação. Como já vimos antes, qualquer diagnóstico ou conduta com relação à localização da placenta tão precocemente não procede, já que ela não assume seu lugar definitivo antes do terceiro trimestre. Estima-se, inclusive, que até 17 semanas, até 90% das placentas estejam “prévias” (baixas). Fechar esse diagnóstico e indicar uma cirurgia tão cedo não é uma conduta baseada em evidências científicas, portanto.

A placenta “envelhece” e é assim mesmo!

Com o decorrer da gravidez, a placenta amadurece e, com isso, apresenta depósitos de sais de cálcio que podem ser detectados pela ultrassonografia. Esse amadurecimento é classificado de grau 0 a III. É importante ressaltar que o simples achado de “placenta grau III” isoladamente – principalmente no terceiro trimestre – não é um indicativo de que a placenta não está cumprindo seu papel de nutrição e oxigenação do feto corretamente. Logo, o grau da placenta isoladamente NÃO é uma indicação de cesárea nem de indução de parto. É muito comum – e até esperado –, no ultrassom de final de gravidez, verificar placentas de grau III e a gestação seguir normalmente, sem prejuízos para o bebê e sem necessidade de se decidir por uma cirurgia cesariana.

Depois do parto, o que acontece com a placenta?

A placenta normalmente se descola sozinha após o nascimento do bebê via parto normal. O útero continua contraindo, diminui expressivamente de tamanho e expulsa a placenta. Enquanto isso não acontece, é importante que o profissional que está atendendo o parto respeite a fisiologia e não tracione (puxe) a placenta. Empurrar, forçar, tentar arrancar são atitudes que podem causar mais danos do que benefícios neste momento. O ideal é que o bebê mame logo após o nascimento, o que estimula mais as contrações uterinas. De qualquer forma, a equipe que está assistindo o parto está atenta para o “nascimento” (dequitação) da placenta e saberá agir caso algo saia do esperado. O parto só termina depois que a placenta sai, antes disso o acompanhamento da parturiente deve ser contínuo.

placenta no parto

Se o nascimento for via cesariana, o médico fará uma raspagem do útero de forma a garantir que não fique nenhum resíduo placentário dentro do corpo da mulher.

Quando a placenta finalmente é expulsa, o profissional irá analisar o órgão e, se tudo estiver bem, a placenta poderá ter alguns destinos:

– Lixo hospitalar: após análise, a placenta é descartada junto com o lixo hospitalar. Se for da vontade da gestante, é possível solicitar ao profissional que está dando assistência ao ser parto para ver a placenta e talvez levá-la para casa. No Rio de Janeiro, isso não é permitido em hospitais públicos, sob alegação de problemas no descarte, a Vigilância Sanitária não permite. Em hospitais particulares, é necessário checar viabilidade. Na maioria dos hospitais, seja particulares ou públicos, ela fica congelada um tempo e serve para estudo, caso o binômio mãe e bebe apresente algum problema, como má formação do bebê, prematuridade, placenta de constituição fora do padrão, entre outros.

– Conectada ao bebê: no Parto de Lótus, a ideia é fazer uma transição suave para a chegada do bebê, então a placenta fica ligada nele até o cordão umbilical secar e cair. Essa prática exige cuidados de higiene específicos.

– Plantada: algumas famílias optam por usar a placenta como adubo para plantas. O plantio da árvore ou planta, nesse caso, tem um papel simbólico de seguir nutrindo a vida. Isso porque a placenta, como material orgânico, vai adubar e ajudar a planta a crescer. Algumas famílias congelam a placenta e esperam a criança crescer um pouco para fazer o plantio junto com elas.

– Ingerida: existem várias maneiras de “comer” a placenta. Em forma de cápsulas, shakes, molhos, existem receitas e profissionais para todos os gostos. Muitos defendem que ingerir a placenta tem função energética e restaurcarimbo de placentaadora, por conta do ferro e diversos nutrientes presentes nela. Porém, não há confirmações científicas dos benefícios relacionados.

– Carimbada em representações artísticas: é possível carimbar a placenta num papel A3 ou tecido com o próprio sangue dela ou pintá-la com tinta e carimbar. Muitas famílias optam por esse tipo de arte para guardar como recordação.

Até que se decida o que fazer com a placenta, é importante mantê-la congelada no freezer, dentro de qualquer tipo de saco plástico.

Roda de Conversa: dia 30/04 vamos falar sobre os acompanhantes na hora do parto

Roda de Conversa: dia 30/04 vamos falar sobre os acompanhantes na hora do parto

É com muita alegria que anunciamos que a Roda de Conversa Parto por Amor agora também está na Tijuca!

No sábado, dia 30/04, às 10h, vamos conversar sobre os acompanhantes na hora do parto e sua importância fundamental. Vai ter relato, vai ter evidência e muito amor para compartilhar! Quem vem?

Para participar, basta confirmar a inscrição mandando um e-mail para partoporamor@partoporamor.com.br.

O encontro é gratuito e aberto a todxs interessadxs!

a33e10e1-cdc2-463a-bc61-39183d8326ad

Entenda o papel da Enfermeira Obstetra no pré-natal, parto e pós-parto

Entenda o papel da Enfermeira Obstetra no pré-natal, parto e pós-parto

Fala-se muito sobre parto humanizado, uma opção de nascimento em que a mulher é respeitada e participa de todas as decisões a respeito do seu corpo e o do seu filho. Uma alternativa cheia de confiança, dignidade e carinho é, no mínimo, muito interessante para todas que querem viver esse momento com toda a plenitude que ele merece.

Apesar de muito se discutir sobre a humanização do parto, pouco se sabe sobre isso na prática, principalmente quando a assistência não é dada através do modelo mais tradicional no Brasil, por um obstetra, mas sim por enfermeiras obstétricas. O atendimento por enfermeiras obstétricas não só existe como é uma opção segura e legal para pré-parto, parto e pós-parto. Para esclarecer todas as dúvidas a respeito deste modelo de atenção, reunimos aqui as principais questões que surgem todos os dias na nossa caixa de mensagens.

Lembrando que cada assistência funciona de uma maneira, então é importante tirar todas dúvidas com a equipe que você pretende contratar antes de decidir quem acompanhará a sua gravidez. Aqui nós falaremos sobre como trabalhamos normalmente, mas alguns detalhes podem variar de acordo com o profissional.Nascimento Naomi-17Nascimento Naomi-126

Enfermeira obstétrica pode fazer pré-natal?
Sim, a enfermeira obstétrica pode acompanhar um pré-natal sem problemas e possui respaldo legal para isso. No nosso caso, temos um consultório onde podemos atender as gestantes e, em casos particulares, atendemos em domicílio. Os encontros são mensais até a 34a semana e depois disso tornam-se mais frequentes, conforme preconizado pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Nas consultas de pré-natal, fazemos o acompanhamento físico completo da grávida, que inclui pesá-la, medir a altura uterina, verificar a pressão arterial, fazer a ausculta do feto, entre outros. Além disso, tiramos dúvidas, conversamos sobre o que aconteceu no período e aproveitamos os encontros para criar vínculo.

Nascimento Naomi-126Por que é importante criar vínculo?
O vínculo entre os profissionais de atendimento ao parto e a gestante e seu acompanhante é fundamental. Isso porque a relação de confiança e entrega necessária na hora do parto não acontecem de uma hora para a outra, são construídas ao longo do tempo. A gente acredita que uma mulher tem a capacidade de parir com mais tranquilidade e segurança quando ela está plenamente confortável com quem a está atendendo – e o contrário também é verdadeiro. Nós também precisamos conhecer a mulher e sua família, saber de seus anseios, desejos e medos. Só assim poderemos estabelecer a relação necessária para fazer um atendimento completo e satisfatório. Por isso, é essencial que o pré-natal com a nossa equipe comece o mais cedo possível.

Nascimento Naomi-7Qual é a formação da enfermeira obstétrica? Por que escolher esse modelo é bom para o meu parto?
A enfermeira obstétrica tem a formação completa necessária para atender a gestante de baixo risco (ou risco habitual). É um atendimento integral, tanto voltado para a parte técnica quanto para a parte psicológica da grávida. A EO possui a formação técnica necessária para acompanhar a gravidez, identificar eventuais problemas, conduzir pré-natal, parto e pós parto. Ao mesmo tempo, ela também tem uma formação diferenciada, voltada para o entendimento do fisiológico da grávida; ela entende que gerar e parir é um processo natural e único, protagonizado pela mulher. Para que esse processo funcione sem problemas, a gente entende que a gestante precisa estar empoderada, ciente de sua responsabilidade e participação no processo. Assim, uma equipe alinhada com essa mulher tende a ter resultados melhores, partos satisfatórios com menor chance de intercorrências. Entendemos que as intervenções só são bem-sucedidas caso estritamente necessárias e em comum acordo e corresponsabilidade com a gestante; tudo isso em um contexto de apoio, confiança e compreensão mútuos.

A enfermeira obstétrica pode pedir exames e ultrassons no pré-natal? Ela sabe interpretar os resultados?
Sim, ela pode pedir todo tipo de exame necessário durante o pré-natal e é preparada para analisar os resultados.

E se algum resultado apontar risco? Devo seguir fazendo pré-natal com a equipe de Enfermagem Obstétrica?
Se algum resultado de exames ou mesmo de exames clínicos apontar para risco, a gestante será encaminhada para atendimento com o médico, em alguns casos até mesmo para fechar o diagnóstico. Dependendo dessa avaliação, a gestante pode retornar para o pré-natal com a EO – caso o risco tenha sido descartado. Caso a situação de risco tenha sido confirmada, ela dará continuidade ao pré-natal e ao parto com o médico.

A enfermeira obstétrica vai sozinha para a minha casa no trabalho de parto? Como é formada a equipe?
Nós somos uma equipe formada por 6 enfermeiras obstétricas e cada gestante é assistida por uma dupla. Tanto o pré-natal, quanto parto e pós-parto será atendido por essa dupla, com raras exceções – problemas pessoais urgentes de última hora. Caso aconteça alguma intercorrência no dia do parto com alguma integrante, outra EO da equipe assumirá o lugar dela. Nesse sentido, é importante que a gestante conheça a equipe toda e isso é possível nas nossas Rodas mensais de conversa, por exemplo. De qualquer maneira, o atendimento é sempre em dupla.

Como é o apoio psicológico na hora do trabalho de parto e parto?
A gente entende que esse momento é da mulher, então fazemos o possível para que ela se sinta confortável, acolhida e respeitada durante o trabalho de parto e parto. Com a criação do vinculo ao longo do pré-natal, é possível saber como cada mulher prefere ser tratada e, durante o trabalho de parto, ajudá-la e apoiá-la para que aquele momento seja de total segurança e importância. Além disso, usamos tecnologias não-invasivas para aumentar o conforto e o alívio da dor, como óleos essenciais, massagens, controle da luminosidade (normalmente o ambiente em penumbra facilita a evolução do trabalho de parto), banhos de imersão, banhos em água morna, incentivamos a deambulação, levamos a banqueta de parto para que a grávida tenha mais opções de posição, fazemos a técnica do rebozo e estamos atentas a tudo que a mulher possa precisar naquele momento.

Depois do parto, a EO sabe como atender o bebê?
Sim, a enfermeira obstétrica é capacitada para o primeiro atendimento ao bebê. Ela faz o exame físico completo, verifica os reflexos primitivos e sua vitalidade, além de orientar a mãe sobre os primeiros cuidados e amamentação. Caso seja identificada alguma alteração no bebê que não caracterize uma urgência ou emergência, é cogitada uma consulta com um pediatra. Se o caso for de urgência/emergência, a equipe providencia a transferência no menor tempo possível. Mas, no geral, esse tipo de situação é muito rara e as questões que surgem são resolvidas com a equipe de enfermagem obstétrica.

No pós-parto, quantas visitas da equipe eu tenho direito? Até quando vai o acompanhamento?
Após o parto, a equipe faz geralmente duas visitas, a primeira 24 horas após o nascimento e a segunda com 72 horas. A partir daí, o bebê deve ser atendido pelo pediatra de escolha da família e a mãe pode fazer o acompanhamento periódico com seu ginecologista.

Para saber mais sobre segurança do parto domiciliar, clique aqui.

Considerações sobre parto domiciliar e segurança: o que Veja não te contou

Considerações sobre parto domiciliar e segurança: o que Veja não te contou

Na semana passada, a Veja divulgou as conclusões de um recente estudo publicado no New England Journal of Medicine, que analisou 80 mil nascimentos no estado americano do Oregon entre 2012 e 2013. Como é frequente na mídia atual, é fácil notar o esforço para chamar a atenção do leitor de forma negativa. O título sensacionalista, o conteúdo raso da matéria e as conclusões apressadas e sem suficiente base cientifica que as sustente estão presentes na rápida nota que afirma que partos hospitalares são mais seguros que partos fora do hospital (em casas de parto ou em domicílio).

Notícias que se posicionam contra o parto humanizado e a autonomia da mulher na hora do nascimento de seus filhos não são novidade, mas elas abalam a confiança de muitas que estão em busca de informação e em processo de empoderamento para parir com respeito. Nesse sentido, é importante analisar o estudo que deu origem à tal matéria e pontuar algumas questões fundamentais:

– Nos Estados Unidos, país em que o estudo foi realizado, o parto domiciliar não é oficialmente aceito, encorajado e não está integrado ao sistema de saúde local. Logo, se uma mulher precisa de assistência médica no seu processo de parto ou após o nascimento do bebê, as equipes não só não estão devidamente preparadas para recebê-la e a comunicação entre médicos e midwifes (parteiras) não é satisfatória e regulada. Essa questão pode definir desfechos ruins;

– Nos Estados Unidos, as midwifes não precisam de graduação em enfermagem ou obstetrícia para conseguirem certificação. No Brasil, para atender um parto, somente alguns profissionais de saúde específicos possuem respaldo legal e preparação adequada (veja aqui quais são);

– Muitos partos incluídos no estudo, embora previamente planejados, não foram acompanhados por profissionais experientes e devidamente qualificados para tal. São considerados partos desassistidos, ou seja, não assistidos por profissionais de saúde com preparação formal. Existem diversos estudos em outros países em que as parteiras (as midwifes) que acompanham partos domiciliares têm seu trabalho integrado ao sistema de saúde e sua formação é baseada em exigências que as qualificam para este tipo de atendimento. Nesses países, os resultados demonstram que partos domiciliares planejados, em gestantes de baixo risco (risco habitual), assistido por equipes preparadas e certificadas, têm desfechos ainda melhores que os partos hospitalares;

– Uma parte do estudo leva em consideração recém-nascidos com óbito até 28 dias, sendo que, para configurar óbito perinatal, são considerados apenas 7 dias;

– O número de casos de partos domiciliares considerados é pequeno demais (cerca de 1900 partos). Uma vez que o número de desfechos é considerado usando recortes de, no mínimo, mil casos, esse número de análises pode enviesar as conclusões do estudo;

– Muitos casos de partos domiciliares presentes nesse estudo não são de baixo risco e não deveriam ser planejados para acontecer em domicílio. Bebês em apresentação pélvica, mulheres com diabetes, hipertensão e demais complicações optaram pelo parto em casa quando deveriam ter sido encorajadas a parir naturalmente no hospital;

Concluir rapidamente que parir no hospital é mais seguro que o parto domiciliar é roubar da mulher o direito de tomar essa decisão. Cabe ao profissional de saúde analisar cada caso, verificar o risco de cada gestação e informar a mulher para que ela decida, em corresponsabilidade com o profissional de saúde, o que prefere para o seu parto. É necessário fazer uma leitura mais imparcial de cada estudo e aplica-los à realidade de cada uma. Isso é humanizar o atendimento.

Também é fundamental que as mulheres saibam que, em caso de intercorrências, existem protocolos específicos e bem detalhados que são seguidos por qualquer equipe devidamente preparada para a assistência ao parto. Parir em casa não significa abrir mão da segurança, pelo contrário, equipes que atendem esse tipo de parto têm atenção especial voltada aos revezes que por ventura surjam. E não só na hora do parto, como durante todo o pré-natal. Qualquer elemento que sugira risco é imediatamente verificado, estudado e solucionado – e a solução pode ser a contraindicação do parto domiciliar, uma transferência ao longo do trabalho de parto ou mesmo intervenções de suporte à vida caso haja necessidade.

Para saber mais sobre a segurança do parto domiciliar planejado e as referências usadas para este texto, acesse:

É seguro parir em casa?
Resposta da Dra Melania Amorim – Facebook
Parto Domiciliar: direito reprodutivo e evidências
O mito do parto hospitalar mais seguro para gestações de baixo risco
Estudo diz que parto caseiro é mais seguro que o de hospital
Planned Out-of-Hospital Birth and Birth Outcomes, The New England Journal of Medicine