Ultrassom Natural – Encontro Especial Dia da Mulher

Você conhece o Ultrassom Natural (ou Belly Maping)? Trata-se de um tipo de arte gestacional, em que mapeamos e pintamos o bebê na barriga da mãe. É um trabalho artístico, que promove conexão, aumenta o vínculo da mulher e família com o bebê, já que todos podem participar desse momento, e ainda permite que guardem uma lembrança tão especial da gestação.

Pensando nisso e aproveitando o mês de março, que é tão relevante para todas as mulheres, fizemos uma parceria linda com a Enfermeira Obstétrica Carla Ribeiro. Ela já desenvolve o trabalho de Ultrassom Natural em Minas Gerais e virá especialmente ao RJ. Nessa oportunidade, conduzirá conosco um encontro em que pintaremos as barrigas das mulheres, apoiando-as nesse momento da gestação e celebrando com elas a chegada do bebê na família.

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Queremos convidar você para fazer parte desse encontro!

Quem pode participar?
Gestantes a partir de 32 semanas.

Quando será?
Dia 18 de março, sábado, a partir das 9h.

Onde será?
Na Reserva do Grajaú.

Quanto custa?
Nada! E você ainda ganha fotos de recordação deste momento! A preferência é por gestantes que não tenham condições financeiras de pagar por este serviço, assim elas também têm a chance de fazer um belo registro da gravidez.

Quero me inscrever, como faço?
Como as vagas são limitadíssimas, aceitaremos confirmações apenas por e-mail (partoporamor@partoporamor.com.br). As 10 primeiras pessoas que se inscreverem serão confirmadas e as seguintes entrarão na lista de espera. Por isso, pedimos para só se inscrever se você tiver certeza de que poderá participar e, caso não consiga ir, nos avise com o máximo de antecedência possível e ceda sua vaga a outra gestante da fila.

Para nós, será um momento muito importante e gratificante de aprendizado e contato com as gestantes.
Adoraremos receber você, inscreva-se!

Amamentação – o básico que você precisa saber

Amamentação – o básico que você precisa saber

O que é fundamental para o sucesso da amamentação? Será que é só querer e se informar? Será que é necessário se preparar fisicamente? Evitar chupetas e mamadeiras a todo custo? Acreditar na sorte? Esperar o bebê nascer para ver o que acontece?

Pode ser isso tudo e muito mais.

A amamentação, embora seja fisiológica, não é fácil ou natural. É necessário aprender técnicas, se conectar com o seu bebê e estar bem preparada para os desafios que essa relação pode trazer. Com certeza, a amamentação é um momento bonito e único entre você e seu filho, mas é preciso não romantizar a beleza do momento, ignorando as questões práticas. Dar o peito é lindo, é importante, é recomendado pelos mais sérios órgãos de saúde do mundo, mas dá trabalho sim (aliás, quem disse que alguma coisa relacionada à maternidade seria fácil?).

Mas não se preocupe! Baseadas em muitas perguntas que chegam pra gente, seja virtualmente, em consultas ou em rodas de conversa, fizemos um resumão bem legal sobre o que é amamentar e como lidar com cada etapa da amamentação:

Antes de começar… uma palavra sobre empoderamento
Assim como na gravidez e no parto, para uma amamentação ser bem-sucedida, é importante se munir de boas informações. E não estamos falando só de informações acadêmicas ou baseadas em evidências. Fique atenta às informações sobre você, sobre seu corpo, seu seio. E também sobre seu filho: como ele é, porque ele chora, como é seu corpinho, como ele reage. Informação a respeito dos dois, aliada à informação sobre amamentação em geral e confiança no processo são fundamentais nessa jornada. Uma mulher instrumentalizada, informada, confiante e que observa a si mesma e ao seu bebê, tem grandes chances de sucesso na amamentação. Acredite em você e acredite no seu leite!

Foto: Roda de Conversa Parto por Amor

– Como posso preparar o seio para a amamentação?
Existe um conselho muito difundido de que você deve usar bucha nos mamilos e afins, mas cuidado! O objetivo de preparar os seios para a amamentação é deixa-lo mais forte para encarar um bebê que vai mamar bastante (e pode vir a ferir o seio). Ao passar a bucha, você enfraquece a pele do mamilo, tornando-a mais suscetível a pequenas fissuras e rachaduras. Uma boa preparação para amamentar é simples: 15 minutos de sol nos mamilos por dia e uso de sutiãs com boa sustentação (evite aqueles que tem aro).

– Quando o leite demora para descer depois do parto?
O leite demora cerca de 2-3 dias para descer quanto o parto é normal e 3-4 dias quando o nascimento for por uma cesariana. Mas não se preocupe: até lá seu bebê se alimenta do seu colostro, que é aquele leite bem transparente e rico em anticorpos e ele é suficiente para esses primeiros dias. Para você ficar ainda mais tranquila que o seu bebê está se alimentando corretamente, fique atenta à pega correta ao seio:

Foto: Grupo GVA

– Qual é a melhor posição para amamentar?
A que for mais confortável para você. O importante é manter o bebê com a cabeça mais elevada do que o corpo e apoiada de forma segura, para que ele não erre a pega.Lembre-se de que você vai precisar de sustentação nos braços, para aguentar o peso do bebê e também é legal ter bastante água por perto e alguma comidinha fácil de comer – fruta ou biscoitinho. Pense que essa será sua atividade principal durante os próximos meses, então prepare um cantinho bem confortável para esse momento. Se for possível, é legal que o ambiente seja calmo e tranquilo, para que o momento da amamentação seja relaxante e você consiga se conectar com o seu bebê, favorecendo assim a produção e a descida do leite.

– Como o bebê deve estar posicionado?
Existe a posição tradicional, que é bebê deitado nos braços da mãe, em leve diagonal, barriguinha de frente para a barriga da mãe e cabeça bem acomodada na curvatura do braço/cotovelo, para evitar que a cabeça fique solta. Mas também é possível colocar o bebê em posição cruzada, o que favorece a produção e o esvaziamento completo da mama. Veja as opções possíveis abaixo:

Foto: Vila Mamífera

– Devo trocar de mama durante a mamada? Quanto tempo deve durar a mamada?
Não é necessário (e nem recomendado) trocar o bebê de peito durante a mamada. Assegure-se de que o bebê esvaziou toda uma mama antes de passar para a outra. Isso porque o leite materno é composto pelo leite anterior, que é o primeiro que sai, mais ralinho e rico em água (excelente para matar a sede); e leite posterior, que é o leite mais rico em gorduras, que nutre e ajuda o bebê a engordar. Se você retirar o bebê de uma mama sem que ele tenha chegado ao leite posterior, pode ser que ele não tenha uma mamada satisfatória, sinta fome muito rapidamente e que sofra problemas de ganho de peso. A mamada também não tem um tempo definido, observe seu bebê e veja se ele ficou satisfeito após amamentar ou se ainda parece inquieto e nervoso. Tem bebês que mamam durante longos minutos e outros que rapidinho “resolvem o problema”. A observação é chave!

– E se meu seio ferir logo nos primeiros dias?
Feridas nos mamilos estão relacionadas à pega incorreta. A primeira coisa que você deve fazer é verificar se seu bebê está abocanhando corretamente o seio (lembrando que, na pega correta, o bebê abocanha mamilo e a maior parte da aureola que o bebê conseguir, e não só o mamilo!). Evite bicos artificiais, como chupetas, mamadeiras e bicos de silicone nos seios – tudo isso ensina uma forma de sugar diferente ao bebê, que pode errar a pega na hora de mamar e acabar te machucando. Também é bom evitar receitas caseiras para solucionar o problema, como colocar cascas de banana, mamão e afins. No caso de feridas, passe um pingo de leite materno nos mamilos e deixe secar naturalmente e sem sutiã após – de preferência no sol.

– Como resolver leite empedrado?
Se você notou que o leite empredrou, ou seja, sentiu pontos duros e doloridos na mama e ela encheu demais, existem algumas coisas que podem ser feitas para aliviar: evite compressas quentes, pois elas estimulam ainda mais a produção e podem agravar o problema; aposte em um sutiã com boa sustentação, que irá conter um pouco a produção, massageie os seios de forma a desfazer os nódulos e ordenhe um pouco para aliviar o desconforto.

– Como devo massagear e ordenhar os seios?
A massagem deve ser feita com os dois dedos, polegar e indicador, em movimento circulares e deve ser feita de forma profunda, iniciando pela aureola e percorrendo toda a mama, até a base dela, inclusive região axilar. Depois dessa massagem efetiva e com a redução dos nódulos de leite, você pode ordenhar um pouco com bomba manual ou elétrica ou de forma totalmente natural (veja vídeo de ordenha manual abaixo):

– Amamentação exclusiva em livre demanda: o que é isso? Por quanto tempo o bebê deve ser alimentado exclusivamente de leite materno?
Amamentação exclusiva em livre demanda é quando o bebê mama somente no peito da mãe e sempre que solicitar. Aquele conselho de amamentar a cada 3 ou 4 horas já caiu em desuso, pois existem inúmeros fatores que influenciam na hora do bebê pedir o seio da mãe. Você não precisa marcar horário, só fique atenta para que, nas primeiras semanas, o bebê não passe muito de 4 horas sem mamar. Se ele pedir antes disso, tudo bem. Também é importante não oferecer nada além de peito ao bebê, nem água, suco, chás, papinhas etc. O leite materno é capaz de suprir as necessidades nutricionais (fome, sede) e emocionais do bebê exclusivamente até os seis meses de idade. A partir daí, inicia-se a introdução alimentar, mas até o primeiro ano de vida, o leite materno ainda é a principal fonte de nutrientes do bebê. Ao redor dessa época, ele já estará com a alimentação mais consolidada e a amamentação troca de lugar com a alimentação, ocupando função nutricional secundária. Mesmo assim, tanto a OMS quanto o MS recomendam amamentação continuada até, no mínimo, 2 anos de idade.

– Com que idade devo desmamar o meu bebê? Só a partir dos 2 anos mesmo?
Como falamos anteriormente, de acordo com diversos órgãos de saúde, o ideal é amamentar até pelo menos dois anos. Depois disso, fica a critério da mãe como conduzirá esse desmame, caso seja o desejo dela. Nós recomendamos que o processo seja conduzido com o maior respeito e paciência. É fundamental ter em mente que amamentação não é só nutrição: é contato, afeto, acolhida, sentimento. Nesse sentido, lembre-se que o seu filho não mama só por fome, mas por muitos outros motivos que merecem atenção especial. Se você não deseja conduzir um desmame, também é possível esperar o desmame natural, que é quando a criança se desinteressa pelo seio sozinha, sem estímulos externos.

Foto: Roda de Conversa Parto por Amor

– É verdade que chupetas e bicos artificiais confundem a pega e atrapalham a amamentação?
Sim, é verdade. Nem sempre isso irá ocorrer, mas na maioria dos casos, sim. Como já falamos antes, a forma que o bebê suga chupetas, mamadeiras e demais bicos é diferente da maneira que suga o peito. É muito provável que o bebê que usa bicos faça pega errada ou ordenhe de forma ineficiente o seio, o que pode acarretar vários problemas, como feridas causadas pela pega errada, bebê irritadiço porque acha difícil sugar de forma diferente, mamadas ineficientes que fazem com o que o bebê tenha fome mais vezes e se irrite cada vez mais, queda brusca na produção – o bebê que não sabe pegar e se irrita na hora de mamar vai solicitar cada vez menos e o corpo da mãe consequentemente irá produzir cada vez menos, e, finalmente, um desmame precoce. Não estamos afirmando que você não deve oferecer mamadeiras ou chupetas para o seu filho, mas é importante fazer escolhas informadas e conscientes, como tanto defendemos (leia mais sobre a confusão de bicos aqui!).

Carta da Nona Lua – O parto tem seu próprio tempo

Carta da Nona Lua – O parto tem seu próprio tempo

Sinto que você está chegando, meu corpo vem me dando seus sinais. Foram nove meses de comunhão, dias melhores, outros piores, agora chegam ao fim. Quem venha com o tempo, que venha com a lua, que venha! Já te aguardo, te pressinto. Confesso para ti, somente para ti, confesso que já me sinto ansiosa pela sua chegada. Meu corpo todo sente o seu peso, e já está tão difícil mover quanto ficar quieta.

Respiro fundo e suspiro, nascer é tempo sem hora.Aguardo você sentir-se pronto, pronto para respirar por si só. Saiba que eu mesma já me sinto inteiramente pronta. Durante os nove meses eu estive ocupada, sim, eu sei. Também durante nove meses eu me acostumei à sua presença em mim. Tive bastante chance de me preparar, a mente teve seu tempo de absorver as mudanças que trará para minha família. Sinta-se desejado e amado, meu bebê, por todos nós.

Desejo-te.

Pressa? Não eu não tenho pressa, para que andar depressa? Quero que venha, mas que venha na sua hora. Não existe hora marcada, não marquei na agenda. Sem nenhum compromisso, que seja pelo nosso desejo mútuo.
Quando meu corpo e você estiverem em trabalho parto, vamos nos repartir, você vai partir para uma nova jornada, é uma viagem intensa, procure a luz, procure o caminho que te ofereço em meu corpo.Não tema essa viagem, porque estou sempre contigo. Despeço-me da barriga linda e grande, você se despede do interior do meu corpo. Mas nos encontramos aqui deste lado, em uma nova e longa aventura. Começa em um grande deleite. Sinta o amor que confirmo ao colocar minhas mãos em meu ventre, sinta o calor que emana. Este calor destas mãos você vai sentir aqui fora. Pode vir, garanto que estou aqui.

Sem pressa para essa viagem, criança, sem pressa. Venha surfando em onda esplêndida, venha no ritmo que imprimimos juntas, somente nós duas. Você e eu temos todo o tempo, todo o espaço para essa caminhada. Temos bola, temos água, temos de tudo! O tempo e espaço do parto é nosso, só nosso. É o meu parto e o seu nascimento. A dinâmica será somente nossa e sem artifícios exteriores, creia em mim, eu lhe prometo que será nossa e de mais ninguém. Como estou tão segura? Por que desta vez eu fiz as escolhas que me aprazem desde o começo, ouvindo meu mais intimo desejo! Sim, você já sabe disto, eu ouvi os meus medos e procurei sua cura, procurei sanar suas carências.Impedi também que medos alheios me assombrassem.Cá estou pronta para a entrega. Ninguém vai precisar nos ajudar nessa viagem de partida e de chegada. Você pode ouvir a calma e potente batida do meu coração. Então, prepara-se e dê o sinal! Venha na lua que te escolher e venha com vontade de me ver, olhe para a luz!

(Autora: Flavia Penido)

Parir é Natural – o filme

Parir é Natural – o filme

Veja em primeira mão o filme Parir É Natural, de Silvio Tendler.

O Documentário “Parir é Natural” investiga como o nosso modelo de formação médica, a necessidade da inserção de novos profissionais no parto, e a importância da rede de apoio que as mulheres constroem entre si, são fundamentais para chegarmos a um novo modelo de assistência: sem violência, e que devolva à mulher o protagonismo sobre seus corpos e o nascimento de seus bebês.

 

7 mães que disseram adeus ao emprego formal

7 mães que disseram adeus ao emprego formal

Muitas mulheres optam por deixar as relações de trabalho tradicionais para se dedicarem aos filhos. Mas isso, nem sempre, significa deixar de trabalhar

Durante os meses de gestação, você planeja como será a rotina quando o bebê nascer. Organiza a licença-maternidade e se prepara mentalmente em relação à rede de apoio que precisará dispor – avó, babá, escolinha? – para o dia da volta ao trabalho.

Mas aí o bebê nasce e tudo vira de ponta-cabeça. Os meses de licença passam num piscar de olhos e você já tem que voltar ao emprego. E, então, percebe que não, você não quer deixar seu filho com ninguém.

A solução encontrada por muitas mães para essa angústia é deixar o trabalho dito formal – aquele com horários rígidos e rotinas pré-estabelecidas – e ficar em casa cuidando dos filhos.

Só que, como as contas não param de chegar, a maioria encontra formas alternativas de rendimentos, sem que, para isso, precise abrir mão do dia a dia dos pequenos. Se esse é o seu sonho, então, confira essas histórias e se inspire em mulheres que encontraram outra fonte de renda.

Sabonetes artesanais

A jornalista Luciana Fuoco estava à frente de uma agência de comunicação quando engravidou, em 2012. Sua rotina de viagens era intensa e seu ritmo de trabalho, frenético. “Eu comandava uma agência que atuava com assessoria de imprensa para empresas grandes e fornecia conteúdo jornalístico para as maiores editoras do país”, conta. A ideia era colocar uma profissional gabaritada em seu lugar até o fim da licença, mas os planos mudaram quando Sofia nasceu prematuramente, com 30 semanas de gestação.

“Eu já havia sido internada às pressas com 25 semanas e uma amiga muito competente assumiu meu lugar. Porém, alguns clientes se assustaram e ficaram bem reativos e, com isso, alguns contratos foram cancelados”, completa. A pequena ainda estava na UTI neonatal quando o maior cliente encerrou o contrato. Luciana decidiu fechar a agência. “Eu não podia lidar com uma empresa ruindo e uma filha na UTI. Minha filha era meu foco. Então, aos prantos, no saguão da maternidade, liguei para o meu marido e decidi encerrar tudo”, relembra.

Com a alta hospitalar de Sofia e a volta para casa, Luciana retomou trabalhos como repórter freelancer, o que não era suficiente para completar a renda familiar. Foi quando tirou do fundo do baú uma velha habilidade: fazer sabonetes artesanais. “No início eram lembrancinhas de chá de bebê, maternidade, aniversários, casamentos, brindes corporativos”, relata. Luciana não parou mais e conseguiu cuidar de perto da rotina inicial de Sofia, que incluía idas constantes ao pediatra e outros profissionais, incluindo fisioterapia duas vezes na semana.

“Sou apaixonada por fazer sabonetes tanto quanto escrever uma boa matéria, mas não posso negar que as lembrancinhas, hoje, representam 50% da minha renda familiar”, completa a jornalista, que criou a loja virtual Coisas de Sofia e passa as madrugadas trabalhando – seja criando sabonetes especiais ou escrevendo uma matéria – enquanto a pequena dorme. “Mas não me arrependo nem um pouco da decisão que tomei”, afirma.

Mãe e filha

Loja de móveis infantis

Ser mãe era o grande sonho de Patricia Platinetti Mazaro e, mesmo antes de engravidar, ela já tinha uma sensação de que seria difícil voltar ao trabalho por conta da distância até a empresa e da carga horária. À época supervisora de inovação em uma multinacional americana, quando a licença de seis meses estava quase acabando, buscou um lugar para deixar o Bento, o filho.

“Ele se adaptou bem à escola, mas eu não fiquei bem. Tinha que tirar meio litro de leite por dia para deixar para ele no dia seguinte e esse processo dentro da empresa era bem complicado. Um dia, depois de tirar leite na enfermaria, corri para uma reunião com o meu chefe e me sentia completamente maluca com tanta coisa acontecendo. Quando abri a porta da sala, ele me perguntou por que eu estava descabelada. E eu estava realmente descabelada, sentia isso. Naquele dia me caiu uma ficha de que aquilo não estava certo e não fazia bem para mim”, relembra Patrícia.

Depois de dois meses trabalhando e de muita conversa com o marido, eles decidiram que fazia mais sentido Patricia ficar com Bento. “A ideia não era eu parar de trabalhar completamente. Foi então que eu e mais duas amigas, que também têm filhos da mesma idade que o meu, começamos a sonhar com a construção de um tipo de negócio que tivesse a ver com a gente, com nosso propósito de vida e que pudesse deixar esse mundo melhor de alguma maneira”, diz.

Assim, criaram a Cuchi, uma loja de móveis infantis que prima pela liberdade e autonomia da criança. “Hoje, trabalho para alavancar a Cuchi em conjunto com as minhas sócias e faço freelas de tradução para ganhar um dinheirinho extra”, orgulha-se Patrícia que só começou a trabalhar três vezes na semana, quando Bento já estava com 1 ano e meio.

Fotografia familiar

Mariana Hart Dore já era mãe de uma menina de 6 anos quando se viu grávida novamente – de gêmeos! Na época, trabalhava como gerente de uma marca de roupas. “Eu vivia estressada, com cotas a bater, tinha uma equipe para comandar e superiores pressionando. Trabalhava aos sábados, domingos e feriados e tinha apenas quatro folgas por mês. Minha filha mais velha já havia tido sua educação terceirizada por conta da jornada intensa de trabalho. Então, nessa nova gestação percebi que seria uma oportunidade de escrever uma nova história”, conta.

Depois de colocar custos no papel, Mariana e o marido chegaram à conclusão de que seria melhor que ela se dedicasse às crianças. Depois de 3 anos de dedicação integral e exclusiva aos filhos, Mari começou a estudar fotografia, que foi seu hobby durante os anos anteriores, quando fotografava o crescimento dos pequenos.

“Primeiro comecei fazendo cursos e workshops rápidos, para não me distanciar muito do foco dos filhos. Pouco mais de um ano depois, me profissionalizei e comecei a trabalhar como autônoma, fotografando famílias. Minha nova profissão foi crescendo junto com as crianças e eu me apaixonando cada vez mais, não só pela fotografia, mas pela possibilidade que ela me trouxe de fazer meus horários, escolher onde e como iria trabalhar, deixando minha família sempre em primeiro lugar”, fala com carinho a fotógrafa de gestantes, partos, bebês e crianças.

Hoje, 8 anos após deixar a empresa e quase 4 anos depois de se profissionalizar, Mariana tem uma agenda movimentada, um nome reconhecido no mercado e seu trabalho é responsável por 50% da renda total da família.

Comida vegetariana

Quando a filha de Flavia Spielkamp estava com 2 anos, ela percebeu que estava perdendo a autonomia em sua criação. Embora separada do pai da menina, podia contar com a família dele na dinâmica da rotina da pequena, porém, isso estava tomando um rumo que não a estava agradando. “Eu não participava mais do dia a dia dela, trabalhava muito longe da escola, acabei indo morar em outro bairro por questões financeiras e um pânico me consumiu. Não queria ter uma filha e não ser a pessoa responsável diretamente pela rotina dela”, lembra-se.

Quando a garotinha estava com quase 3 anos, Flavia decidiu abandonar a carreira empresarial. “Passei a me dedicar ao que sou, o que estudei para ser e ao que amo fazer: cozinhar!”, conta. Longe do emprego tradicional, a chef começou promovendo jantares a portas fechadas, para grupos selecionados, em seu apartamento. Logo, criou um projeto de sopas orgânicas e vegetarianas congeladasdelivery.

Com o tempo, vieram os eventos e as festas particulares, o projeto de chef em casa, assessoria para restaurantes e o Aya Cuisine começou a tomar forma. “Hoje, estou me firmando como catering de comida natural, saudável e com personalidade vegetariana”, comemora Flavia, que está grávida novamente e que faz tudo isso de forma a conciliar sempre com a agenda de sua filha.

Pesquisa de mercado

Cibele Loureiro era administradora de convênio médico quando engravidou, aos 41 anos de idade. Com uma vasta experiência na área hospitalar, trabalhou até os cinco meses de gestação, pois passava muito mal. Durante esse tempo, pensava como poderia conciliar o trabalho com o bebê. Tinha certeza apenas de uma situação: seu filho não iria para a creche, para que ela pudesse trabalhar.

“Comecei a procurar sites de trabalhos em casa e, na verdade, não senti confiança nas poucas coisas que chamaram minha atenção. Até que, conversando com uma amiga que trabalha com publicidade, ela me falou sobre um trabalho freelancer de recrutamento de pessoas para pesquisa de mercado”, relembra.

Hoje, Pedro vai completar 4 anos e Cibele trabalha em casa desde seus dois meses de vida. “Nunca precisei deixar meu filho para nada, sempre trabalhei ao lado dele. Faço relatórios assistindo a desenho animado, faço minhas reuniões por Skype e não preciso sair de casa e tenho um salário ótimo, muito melhor do que no antigo trabalho formal. Me orgulho muito de ter tomado essa decisão”, enfatiza Cibele.

Mapas astrológicos

Ao engravidar, Circe Mascarenhas Ferrario não tinha ideia da pessoa que se tornaria. Há 3 anos, quando Clarice nasceu, ela trabalhava em uma companhia anglo-holandesa e conseguiu privilegiados sete meses de licença. Mas quando o período se aproximava do fim, ela não conseguia visualizar outra opção que não fosse não retornar ao emprego.

“Eu acredito que, para mim, essa decisão foi resultado de uma conjunção de fatores, como não amar o que eu fazia, não me sentir satisfeita com o produto do meu trabalho, não conseguir conciliar trabalho e maternidade e, junto a tudo isso, o fato de eu sentir muita, muita vontade de ficar com ela, o tempo todo. E foi aí que decidi não voltar”, conta a publicitária.

Com a saída do emprego formal, Circe aprendeu novos ofícios e se lançou em caminhos desconhecidos. Fez um curso de astrologia, com duração de um ano, que hoje possibilita auxiliar outras pessoas em busca de autoconhecimento por meio da leitura de seus mapas. Recentemente, seu marido se juntou a ela no desafio de serem “donos da própria vida” e saiu do emprego formal, em que estava há mais de 6 anos. Juntos, eles inauguraram a Marafo Records, uma loja de vinilonline.

“Eu amo fazer os mapas e agora a loja tem sido um desafio e tanto, mas é muito recompensador poder se dedicar a algo que é seu, que você acredita e curte. E, melhor, poder estar junto com as crianças”, fala Circe, que teve mais um filho, Caetano, que completa 11 meses. Hoje, todas as atividades da família geram renda significativa, tanto os mapas de astrologia como a loja de vinil.

Carregadores de bebês

Tuca Petlik é formada em Arquitetura e Urbanismo e trabalhava há quase 10 anos como arquiteta paisagista. Quando engravidou, tinha dúvidas em relação ao trabalho, mas achava que voltaria para o escritório em algum momento. Depois que a filha nasceu, enquanto estava em licença-maternidade, foi sentindo que não queria retomar a antigo ritmo, que não fazia sentido ficar tantas horas longe da pequena, que não seria a mãe que queria ser.

“Primeiro peguei projetos para fazer por minha conta, em casa, junto com uma amiga. Aí precisei fazer um sling para meu marido e acabei fazendo alguns a mais para tentar vender – e vendi tudo. Fiz mais, peguei encomendas, fui vendendo, as pessoas dando um feedback legal e fui crescendo. Depois, comecei a fazer outro modelo de carregador de bebê que fez muito sucesso e a coisa deslanchou”, conta.

Hoje, Tuca se dedica quase que exclusivamente ao negócio de carregadores de bebê, a Petlik Sling. “Minha renda atual se equipara ao que eu ganhava no escritório de paisagismo e corresponde a 40% do rendimento da família. Além disso, tenho tempo para ficar com a minha filha, flexibilidade de horários e a cobrança no trabalho é exclusivamente minha. E sinto um prazer enorme em fazer produtos que ajudam no dia a dia da família, que incluam o bebê, que ajude pais e filhos a estarem juntos com conforto e segurança”, finaliza Tuca, que não consegue ver nenhum ponto negativo em sua decisão.

(Fotos: Getty Images)

Fonte: Disney Babble