Amamentação – o básico que você precisa saber

Amamentação – o básico que você precisa saber

O que é fundamental para o sucesso da amamentação? Será que é só querer e se informar? Será que é necessário se preparar fisicamente? Evitar chupetas e mamadeiras a todo custo? Acreditar na sorte? Esperar o bebê nascer para ver o que acontece?

Pode ser isso tudo e muito mais.

A amamentação, embora seja fisiológica, não é fácil ou natural. É necessário aprender técnicas, se conectar com o seu bebê e estar bem preparada para os desafios que essa relação pode trazer. Com certeza, a amamentação é um momento bonito e único entre você e seu filho, mas é preciso não romantizar a beleza do momento, ignorando as questões práticas. Dar o peito é lindo, é importante, é recomendado pelos mais sérios órgãos de saúde do mundo, mas dá trabalho sim (aliás, quem disse que alguma coisa relacionada à maternidade seria fácil?).

Mas não se preocupe! Baseadas em muitas perguntas que chegam pra gente, seja virtualmente, em consultas ou em rodas de conversa, fizemos um resumão bem legal sobre o que é amamentar e como lidar com cada etapa da amamentação:

Antes de começar… uma palavra sobre empoderamento
Assim como na gravidez e no parto, para uma amamentação ser bem-sucedida, é importante se munir de boas informações. E não estamos falando só de informações acadêmicas ou baseadas em evidências. Fique atenta às informações sobre você, sobre seu corpo, seu seio. E também sobre seu filho: como ele é, porque ele chora, como é seu corpinho, como ele reage. Informação a respeito dos dois, aliada à informação sobre amamentação em geral e confiança no processo são fundamentais nessa jornada. Uma mulher instrumentalizada, informada, confiante e que observa a si mesma e ao seu bebê, tem grandes chances de sucesso na amamentação. Acredite em você e acredite no seu leite!

Foto: Roda de Conversa Parto por Amor

– Como posso preparar o seio para a amamentação?
Existe um conselho muito difundido de que você deve usar bucha nos mamilos e afins, mas cuidado! O objetivo de preparar os seios para a amamentação é deixa-lo mais forte para encarar um bebê que vai mamar bastante (e pode vir a ferir o seio). Ao passar a bucha, você enfraquece a pele do mamilo, tornando-a mais suscetível a pequenas fissuras e rachaduras. Uma boa preparação para amamentar é simples: 15 minutos de sol nos mamilos por dia e uso de sutiãs com boa sustentação (evite aqueles que tem aro).

– Quando o leite demora para descer depois do parto?
O leite demora cerca de 2-3 dias para descer quanto o parto é normal e 3-4 dias quando o nascimento for por uma cesariana. Mas não se preocupe: até lá seu bebê se alimenta do seu colostro, que é aquele leite bem transparente e rico em anticorpos e ele é suficiente para esses primeiros dias. Para você ficar ainda mais tranquila que o seu bebê está se alimentando corretamente, fique atenta à pega correta ao seio:

Foto: Grupo GVA

– Qual é a melhor posição para amamentar?
A que for mais confortável para você. O importante é manter o bebê com a cabeça mais elevada do que o corpo e apoiada de forma segura, para que ele não erre a pega.Lembre-se de que você vai precisar de sustentação nos braços, para aguentar o peso do bebê e também é legal ter bastante água por perto e alguma comidinha fácil de comer – fruta ou biscoitinho. Pense que essa será sua atividade principal durante os próximos meses, então prepare um cantinho bem confortável para esse momento. Se for possível, é legal que o ambiente seja calmo e tranquilo, para que o momento da amamentação seja relaxante e você consiga se conectar com o seu bebê, favorecendo assim a produção e a descida do leite.

– Como o bebê deve estar posicionado?
Existe a posição tradicional, que é bebê deitado nos braços da mãe, em leve diagonal, barriguinha de frente para a barriga da mãe e cabeça bem acomodada na curvatura do braço/cotovelo, para evitar que a cabeça fique solta. Mas também é possível colocar o bebê em posição cruzada, o que favorece a produção e o esvaziamento completo da mama. Veja as opções possíveis abaixo:

Foto: Vila Mamífera

– Devo trocar de mama durante a mamada? Quanto tempo deve durar a mamada?
Não é necessário (e nem recomendado) trocar o bebê de peito durante a mamada. Assegure-se de que o bebê esvaziou toda uma mama antes de passar para a outra. Isso porque o leite materno é composto pelo leite anterior, que é o primeiro que sai, mais ralinho e rico em água (excelente para matar a sede); e leite posterior, que é o leite mais rico em gorduras, que nutre e ajuda o bebê a engordar. Se você retirar o bebê de uma mama sem que ele tenha chegado ao leite posterior, pode ser que ele não tenha uma mamada satisfatória, sinta fome muito rapidamente e que sofra problemas de ganho de peso. A mamada também não tem um tempo definido, observe seu bebê e veja se ele ficou satisfeito após amamentar ou se ainda parece inquieto e nervoso. Tem bebês que mamam durante longos minutos e outros que rapidinho “resolvem o problema”. A observação é chave!

– E se meu seio ferir logo nos primeiros dias?
Feridas nos mamilos estão relacionadas à pega incorreta. A primeira coisa que você deve fazer é verificar se seu bebê está abocanhando corretamente o seio (lembrando que, na pega correta, o bebê abocanha mamilo e a maior parte da aureola que o bebê conseguir, e não só o mamilo!). Evite bicos artificiais, como chupetas, mamadeiras e bicos de silicone nos seios – tudo isso ensina uma forma de sugar diferente ao bebê, que pode errar a pega na hora de mamar e acabar te machucando. Também é bom evitar receitas caseiras para solucionar o problema, como colocar cascas de banana, mamão e afins. No caso de feridas, passe um pingo de leite materno nos mamilos e deixe secar naturalmente e sem sutiã após – de preferência no sol.

– Como resolver leite empedrado?
Se você notou que o leite empredrou, ou seja, sentiu pontos duros e doloridos na mama e ela encheu demais, existem algumas coisas que podem ser feitas para aliviar: evite compressas quentes, pois elas estimulam ainda mais a produção e podem agravar o problema; aposte em um sutiã com boa sustentação, que irá conter um pouco a produção, massageie os seios de forma a desfazer os nódulos e ordenhe um pouco para aliviar o desconforto.

– Como devo massagear e ordenhar os seios?
A massagem deve ser feita com os dois dedos, polegar e indicador, em movimento circulares e deve ser feita de forma profunda, iniciando pela aureola e percorrendo toda a mama, até a base dela, inclusive região axilar. Depois dessa massagem efetiva e com a redução dos nódulos de leite, você pode ordenhar um pouco com bomba manual ou elétrica ou de forma totalmente natural (veja vídeo de ordenha manual abaixo):

– Amamentação exclusiva em livre demanda: o que é isso? Por quanto tempo o bebê deve ser alimentado exclusivamente de leite materno?
Amamentação exclusiva em livre demanda é quando o bebê mama somente no peito da mãe e sempre que solicitar. Aquele conselho de amamentar a cada 3 ou 4 horas já caiu em desuso, pois existem inúmeros fatores que influenciam na hora do bebê pedir o seio da mãe. Você não precisa marcar horário, só fique atenta para que, nas primeiras semanas, o bebê não passe muito de 4 horas sem mamar. Se ele pedir antes disso, tudo bem. Também é importante não oferecer nada além de peito ao bebê, nem água, suco, chás, papinhas etc. O leite materno é capaz de suprir as necessidades nutricionais (fome, sede) e emocionais do bebê exclusivamente até os seis meses de idade. A partir daí, inicia-se a introdução alimentar, mas até o primeiro ano de vida, o leite materno ainda é a principal fonte de nutrientes do bebê. Ao redor dessa época, ele já estará com a alimentação mais consolidada e a amamentação troca de lugar com a alimentação, ocupando função nutricional secundária. Mesmo assim, tanto a OMS quanto o MS recomendam amamentação continuada até, no mínimo, 2 anos de idade.

– Com que idade devo desmamar o meu bebê? Só a partir dos 2 anos mesmo?
Como falamos anteriormente, de acordo com diversos órgãos de saúde, o ideal é amamentar até pelo menos dois anos. Depois disso, fica a critério da mãe como conduzirá esse desmame, caso seja o desejo dela. Nós recomendamos que o processo seja conduzido com o maior respeito e paciência. É fundamental ter em mente que amamentação não é só nutrição: é contato, afeto, acolhida, sentimento. Nesse sentido, lembre-se que o seu filho não mama só por fome, mas por muitos outros motivos que merecem atenção especial. Se você não deseja conduzir um desmame, também é possível esperar o desmame natural, que é quando a criança se desinteressa pelo seio sozinha, sem estímulos externos.

Foto: Roda de Conversa Parto por Amor

– É verdade que chupetas e bicos artificiais confundem a pega e atrapalham a amamentação?
Sim, é verdade. Nem sempre isso irá ocorrer, mas na maioria dos casos, sim. Como já falamos antes, a forma que o bebê suga chupetas, mamadeiras e demais bicos é diferente da maneira que suga o peito. É muito provável que o bebê que usa bicos faça pega errada ou ordenhe de forma ineficiente o seio, o que pode acarretar vários problemas, como feridas causadas pela pega errada, bebê irritadiço porque acha difícil sugar de forma diferente, mamadas ineficientes que fazem com o que o bebê tenha fome mais vezes e se irrite cada vez mais, queda brusca na produção – o bebê que não sabe pegar e se irrita na hora de mamar vai solicitar cada vez menos e o corpo da mãe consequentemente irá produzir cada vez menos, e, finalmente, um desmame precoce. Não estamos afirmando que você não deve oferecer mamadeiras ou chupetas para o seu filho, mas é importante fazer escolhas informadas e conscientes, como tanto defendemos (leia mais sobre a confusão de bicos aqui!).

Considerações sobre parto domiciliar e segurança: o que Veja não te contou

Considerações sobre parto domiciliar e segurança: o que Veja não te contou

Na semana passada, a Veja divulgou as conclusões de um recente estudo publicado no New England Journal of Medicine, que analisou 80 mil nascimentos no estado americano do Oregon entre 2012 e 2013. Como é frequente na mídia atual, é fácil notar o esforço para chamar a atenção do leitor de forma negativa. O título sensacionalista, o conteúdo raso da matéria e as conclusões apressadas e sem suficiente base cientifica que as sustente estão presentes na rápida nota que afirma que partos hospitalares são mais seguros que partos fora do hospital (em casas de parto ou em domicílio).

Notícias que se posicionam contra o parto humanizado e a autonomia da mulher na hora do nascimento de seus filhos não são novidade, mas elas abalam a confiança de muitas que estão em busca de informação e em processo de empoderamento para parir com respeito. Nesse sentido, é importante analisar o estudo que deu origem à tal matéria e pontuar algumas questões fundamentais:

– Nos Estados Unidos, país em que o estudo foi realizado, o parto domiciliar não é oficialmente aceito, encorajado e não está integrado ao sistema de saúde local. Logo, se uma mulher precisa de assistência médica no seu processo de parto ou após o nascimento do bebê, as equipes não só não estão devidamente preparadas para recebê-la e a comunicação entre médicos e midwifes (parteiras) não é satisfatória e regulada. Essa questão pode definir desfechos ruins;

– Nos Estados Unidos, as midwifes não precisam de graduação em enfermagem ou obstetrícia para conseguirem certificação. No Brasil, para atender um parto, somente alguns profissionais de saúde específicos possuem respaldo legal e preparação adequada (veja aqui quais são);

– Muitos partos incluídos no estudo, embora previamente planejados, não foram acompanhados por profissionais experientes e devidamente qualificados para tal. São considerados partos desassistidos, ou seja, não assistidos por profissionais de saúde com preparação formal. Existem diversos estudos em outros países em que as parteiras (as midwifes) que acompanham partos domiciliares têm seu trabalho integrado ao sistema de saúde e sua formação é baseada em exigências que as qualificam para este tipo de atendimento. Nesses países, os resultados demonstram que partos domiciliares planejados, em gestantes de baixo risco (risco habitual), assistido por equipes preparadas e certificadas, têm desfechos ainda melhores que os partos hospitalares;

– Uma parte do estudo leva em consideração recém-nascidos com óbito até 28 dias, sendo que, para configurar óbito perinatal, são considerados apenas 7 dias;

– O número de casos de partos domiciliares considerados é pequeno demais (cerca de 1900 partos). Uma vez que o número de desfechos é considerado usando recortes de, no mínimo, mil casos, esse número de análises pode enviesar as conclusões do estudo;

– Muitos casos de partos domiciliares presentes nesse estudo não são de baixo risco e não deveriam ser planejados para acontecer em domicílio. Bebês em apresentação pélvica, mulheres com diabetes, hipertensão e demais complicações optaram pelo parto em casa quando deveriam ter sido encorajadas a parir naturalmente no hospital;

Concluir rapidamente que parir no hospital é mais seguro que o parto domiciliar é roubar da mulher o direito de tomar essa decisão. Cabe ao profissional de saúde analisar cada caso, verificar o risco de cada gestação e informar a mulher para que ela decida, em corresponsabilidade com o profissional de saúde, o que prefere para o seu parto. É necessário fazer uma leitura mais imparcial de cada estudo e aplica-los à realidade de cada uma. Isso é humanizar o atendimento.

Também é fundamental que as mulheres saibam que, em caso de intercorrências, existem protocolos específicos e bem detalhados que são seguidos por qualquer equipe devidamente preparada para a assistência ao parto. Parir em casa não significa abrir mão da segurança, pelo contrário, equipes que atendem esse tipo de parto têm atenção especial voltada aos revezes que por ventura surjam. E não só na hora do parto, como durante todo o pré-natal. Qualquer elemento que sugira risco é imediatamente verificado, estudado e solucionado – e a solução pode ser a contraindicação do parto domiciliar, uma transferência ao longo do trabalho de parto ou mesmo intervenções de suporte à vida caso haja necessidade.

Para saber mais sobre a segurança do parto domiciliar planejado e as referências usadas para este texto, acesse:

É seguro parir em casa?
Resposta da Dra Melania Amorim – Facebook
Parto Domiciliar: direito reprodutivo e evidências
O mito do parto hospitalar mais seguro para gestações de baixo risco
Estudo diz que parto caseiro é mais seguro que o de hospital
Planned Out-of-Hospital Birth and Birth Outcomes, The New England Journal of Medicine

É seguro parir em casa?

É seguro parir em casa?

A cena é clássica: a grávida começa a ter dores e contrações, grita, se contorce, faz um alarde desesperado e assusta todo mundo que a rodeia, até que todos rumam apressadamente para o hospital mais próximo. Quantas vezes você já assistiu a essa cena em novelas e filmes e acha que é assim na vida real? O nascimento de um bebê é encarado como um evento médico, um problema a ser resolvido – o mais rápido possível – dentro de uma instituição hospitalar, com todo tipo de tecnologia e profissionais à disposição.

Mas, para a surpresa de muitos, o parto é um evento fisiológico. O que isso quer dizer? Que assim como comer, respirar, fazer sexo e ir ao banheiro, por exemplo, parir é algo que a mulher é capaz de fazer sozinha, seguindo os comandos naturais de seu próprio corpo, sem que ninguém precise ensinar, resolver ou medicar. Em alguns casos, a grávida realmente precisará de um suporte hospitalar, médicos e tecnologias, mas, na maioria dos casos, não.

Nesse sentido, o parto domiciliar aparece como uma ótima escolha para as grávidas de risco habitual (ou seja, as de baixo risco). Ter o bebê em casa é uma opção segura, confiável e bastante respaldada por estudos recentes. E, antes de achar que parir em casa se trata de uma nova moda, é importante lembrar que bebês nascem em casa há séculos e foi assim que a humanidade se tornou o que é hoje. A evolução da medicina veio como um presente, afinal, pode salvar as mulheres que possuem complicações em suas gestações, mas essa evolução não invalida a opção de parto domiciliar como uma escolha segura para as grávidas que não tenham qualquer tipo de problema.

Quem pode parir em casa?

Para ter o bebê em casa, a gravidez precisa ser de baixo risco, o que significa não ter nenhuma doença prévia, como diabetes e hipertensão. Além disso, a gravidez também precisa transcorrer sem nenhum tipo de complicação. É recomendado que o pré-natal seja feito com a equipe que dará assistência ao parto, desde o primeiro trimestre, assim se faz uma construção sólida de vínculo com a equipe. Isso é fundamental para o parto em casa, já que a confiança é essencial para o bom andamento do processo. Através desse acompanhamento periódico, a equipe vai monitorar a saúde da gestante através da realização de exames clínico e obstétrico e da avaliação de exames laboratoriais.

Caso qualquer tipo de problema seja identificado, a orientação é que essa gestante seja encaminhada para um acompanhamento pré-natal com profissional médico. O parto acontecerá no hospital e, dependendo do caso, pode ser um parto vaginal e inclusive natural, ou seja, livre de intervenções. Isto dependerá do quadro clínico e obstétrico da parturiente e da avaliação médica na ocasião. Essa recomendação de mudança do local de parto pode ser feita durante ou pré-natal ou mesmo ao longo do trabalho de parto.

shutterstock_99350009Chegou a hora do parto. E agora?

Não é preciso morar ao lado do hospital para parir em casa, porém é de fundamental importância a definição de um “plano B” previamente. Este plano inclui a escolha de uma maternidade caso seja necessária a transferência e do médico de backup em caso de maternidade privada.

Também não é necessário ter uma ambulância equipada com UTI estacionada na porta de casa quando se opta por um parto domiciliar. A equipe que irá fazer o acompanhamento leva os equipamentos necessários para dar assistência de emergência à mãe e ao bebê em casa, caso seja necessário. É importante esclarecer que muitas intercorrências são causadas por intervenções iatrogênicas hospitalares (uso indiscriminado de ocitocina sintética, ruptura artificial da bolsa, puxos dirigidos, entre outros). Cada intervenção desnecessária – extremamente comum em ambientes hospitalares – aumenta o risco de complicação no parto. Portanto, o parto domiciliar, em sua essência, deve ocorrer livre de quaisquer intervenções.

Outro fator importante a ser considerado é a forma com que os profissionais que dão assistência ao parto domiciliar trabalham. A observação e o monitoramento criterioso e minucioso da mulher e do bebê durante o trabalho de parto é um instrumento valioso para identificação de algum sinal de risco. Uma vez identificado um problema ou um potencial problema, é avaliada a possibilidade de transferência hospitalar com tempo e segurança.

No caso da transferência acontecer, nem sempre a equipe de parto domiciliar poderá continuar assistindo à parturiente, isso dependerá da instituição escolhida. Em alguns locais, somente é permitida a entrada de um acompanhante. Por isso, a importância da definição de um bom “plano B”. Além de realizar uma transferência com segurança, ter um profissional médico de backup facilita o acompanhamento, fora o fato de que o histórico da gestante já será conhecido pelo profissional que irá atendê-la. Porém, é importante salientar que, mesmo com o plano B, uma vez internada em um hospital, as condutas são definidas pelo profissional da maternidade e não mais pela equipe de parto domiciliar.

O parto domiciliar é seguro?

Ainda que o assunto esteja em alta ultimamente, o parto domiciliar planejado ainda é pouco praticado no Brasil. Somente em Belo Horizonte, MG, existe um modelo de acompanhamento de partos em casa pelo Sistema Único de Saúde, o SUS (1). Fora isso, os planos de saúde não cobrem esse tipo de parto, o que se pode conseguir é um reembolso dos valores gastos. Mas, no exterior, em especial na Europa esse tipo de parto é mais comum e diversos estudos comprovam sua segurança. Em um artigo escrito por Judy Cohain, CNM, ela destaca 17 estudos realizados ao longo dos últimos 15 anos demonstrando que o parto domiciliar planejado é mais seguro para mulheres de baixo risco do que o parto hospitalar. Em 12 dos estudos, as taxas de mortalidade perinatal (óbitos que ocorrem antes, durante ou imediatamente após o nascimento) ou foram inferiores ou similares para o parto em casa, enquanto as taxas de morbidade materna foram significativamente mais baixas, em comparação ao parto hospitalar (2).

Isso quer dizer que o parto domiciliar, para gestantes de baixo risco, é mais seguro que o parto hospitalar.

Além disso, as mulheres que optam por esse tipo de parto relatam uma satisfação grande – 97% das mães avaliadas se declararam muito satisfeitas e pouquíssimas sofrem qualquer tipo de intervenção – 4,7% de analgesia peridural, 2,1% de episiotomias, 1% de fórceps, 0,6% de vácuo-extrações e uma taxa global de 3,7% de cesarianas (3). São partos que dão certo, têm bons desfechos e não se tratam de aventuras ou falta de responsabilidade de quaisquer dos envolvidos. Além desses, existem outros estudos e evidências respaldando o parto domiciliar como uma excelente opção para quem deseja um atendimento mais humanizado e no conforto de casa (4).

shutterstock_119182921Para se ter segurança no parto em casa, é preciso:

1. Ser uma gestante de baixo risco;
2. Fazer o pré-natal adequado;
3. Escolher bem a equipe que fará o acompanhamento;
4. Traçar um plano B detalhado, em conjunto com a equipe

A escolha do local de parto é um direito reprodutivo da mulher e, portanto, ela deve ser respeitada e acolhida nessa decisão, independente de qual seja. Escolher parir em casa não significa um retrocesso ou falta de responsabilidade, já que há evidências científicas suficientes que demonstram a segurança do parto domiciliar.

E, por fim, a mulher deve se sentir confortável e livre para tirar dúvidas, mudar a equipe que tinha até se sentir totalmente à vontade com a opção escolhida, dar sugestões, concordar e discordar das condutas propostas. Ela deve sempre ser vista como a protagonista desse processo e saber que seus sentimentos a respeito das decisões sobre o parto são fundamentais para que tudo corra bem.

(1) http://www.sofiafeldman.org.br/2015/01/05/sofia-comemora-um-ano-de-parto-domiciliar/
(2) http://estudamelania.blogspot.com.br/2012/08/guest-post-o-mito-do-parto-hospitalar.html
(3) “Outcomesofplanned home birthswithcertified professional midwives: largeprospectivestudy in North America” http://bmj.bmjjournals.com/cgi/content/full/330/7505/1416?ehom in http://guiadobebe.uol.com.br/parto-em-casa-e-seguro/
(4) British JournalofObstetricsandGynecology (2009) – Perinatal mortalityandmorbidity in a nationwidecohortof 529,688 low-riskplanned home and hospital births. http://www3.interscience.wiley.com/journal/122323202/abstract?CRETRY=1&SRETRY=0