Entenda o papel da Enfermeira Obstetra no pré-natal, parto e pós-parto

Entenda o papel da Enfermeira Obstetra no pré-natal, parto e pós-parto

Fala-se muito sobre parto humanizado, uma opção de nascimento em que a mulher é respeitada e participa de todas as decisões a respeito do seu corpo e o do seu filho. Uma alternativa cheia de confiança, dignidade e carinho é, no mínimo, muito interessante para todas que querem viver esse momento com toda a plenitude que ele merece.

Apesar de muito se discutir sobre a humanização do parto, pouco se sabe sobre isso na prática, principalmente quando a assistência não é dada através do modelo mais tradicional no Brasil, por um obstetra, mas sim por enfermeiras obstétricas. O atendimento por enfermeiras obstétricas não só existe como é uma opção segura e legal para pré-parto, parto e pós-parto. Para esclarecer todas as dúvidas a respeito deste modelo de atenção, reunimos aqui as principais questões que surgem todos os dias na nossa caixa de mensagens.

Lembrando que cada assistência funciona de uma maneira, então é importante tirar todas dúvidas com a equipe que você pretende contratar antes de decidir quem acompanhará a sua gravidez. Aqui nós falaremos sobre como trabalhamos normalmente, mas alguns detalhes podem variar de acordo com o profissional.Nascimento Naomi-17Nascimento Naomi-126

Enfermeira obstétrica pode fazer pré-natal?
Sim, a enfermeira obstétrica pode acompanhar um pré-natal sem problemas e possui respaldo legal para isso. No nosso caso, temos um consultório onde podemos atender as gestantes e, em casos particulares, atendemos em domicílio. Os encontros são mensais até a 34a semana e depois disso tornam-se mais frequentes, conforme preconizado pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Nas consultas de pré-natal, fazemos o acompanhamento físico completo da grávida, que inclui pesá-la, medir a altura uterina, verificar a pressão arterial, fazer a ausculta do feto, entre outros. Além disso, tiramos dúvidas, conversamos sobre o que aconteceu no período e aproveitamos os encontros para criar vínculo.

Nascimento Naomi-126Por que é importante criar vínculo?
O vínculo entre os profissionais de atendimento ao parto e a gestante e seu acompanhante é fundamental. Isso porque a relação de confiança e entrega necessária na hora do parto não acontecem de uma hora para a outra, são construídas ao longo do tempo. A gente acredita que uma mulher tem a capacidade de parir com mais tranquilidade e segurança quando ela está plenamente confortável com quem a está atendendo – e o contrário também é verdadeiro. Nós também precisamos conhecer a mulher e sua família, saber de seus anseios, desejos e medos. Só assim poderemos estabelecer a relação necessária para fazer um atendimento completo e satisfatório. Por isso, é essencial que o pré-natal com a nossa equipe comece o mais cedo possível.

Nascimento Naomi-7Qual é a formação da enfermeira obstétrica? Por que escolher esse modelo é bom para o meu parto?
A enfermeira obstétrica tem a formação completa necessária para atender a gestante de baixo risco (ou risco habitual). É um atendimento integral, tanto voltado para a parte técnica quanto para a parte psicológica da grávida. A EO possui a formação técnica necessária para acompanhar a gravidez, identificar eventuais problemas, conduzir pré-natal, parto e pós parto. Ao mesmo tempo, ela também tem uma formação diferenciada, voltada para o entendimento do fisiológico da grávida; ela entende que gerar e parir é um processo natural e único, protagonizado pela mulher. Para que esse processo funcione sem problemas, a gente entende que a gestante precisa estar empoderada, ciente de sua responsabilidade e participação no processo. Assim, uma equipe alinhada com essa mulher tende a ter resultados melhores, partos satisfatórios com menor chance de intercorrências. Entendemos que as intervenções só são bem-sucedidas caso estritamente necessárias e em comum acordo e corresponsabilidade com a gestante; tudo isso em um contexto de apoio, confiança e compreensão mútuos.

A enfermeira obstétrica pode pedir exames e ultrassons no pré-natal? Ela sabe interpretar os resultados?
Sim, ela pode pedir todo tipo de exame necessário durante o pré-natal e é preparada para analisar os resultados.

E se algum resultado apontar risco? Devo seguir fazendo pré-natal com a equipe de Enfermagem Obstétrica?
Se algum resultado de exames ou mesmo de exames clínicos apontar para risco, a gestante será encaminhada para atendimento com o médico, em alguns casos até mesmo para fechar o diagnóstico. Dependendo dessa avaliação, a gestante pode retornar para o pré-natal com a EO – caso o risco tenha sido descartado. Caso a situação de risco tenha sido confirmada, ela dará continuidade ao pré-natal e ao parto com o médico.

A enfermeira obstétrica vai sozinha para a minha casa no trabalho de parto? Como é formada a equipe?
Nós somos uma equipe formada por 6 enfermeiras obstétricas e cada gestante é assistida por uma dupla. Tanto o pré-natal, quanto parto e pós-parto será atendido por essa dupla, com raras exceções – problemas pessoais urgentes de última hora. Caso aconteça alguma intercorrência no dia do parto com alguma integrante, outra EO da equipe assumirá o lugar dela. Nesse sentido, é importante que a gestante conheça a equipe toda e isso é possível nas nossas Rodas mensais de conversa, por exemplo. De qualquer maneira, o atendimento é sempre em dupla.

Como é o apoio psicológico na hora do trabalho de parto e parto?
A gente entende que esse momento é da mulher, então fazemos o possível para que ela se sinta confortável, acolhida e respeitada durante o trabalho de parto e parto. Com a criação do vinculo ao longo do pré-natal, é possível saber como cada mulher prefere ser tratada e, durante o trabalho de parto, ajudá-la e apoiá-la para que aquele momento seja de total segurança e importância. Além disso, usamos tecnologias não-invasivas para aumentar o conforto e o alívio da dor, como óleos essenciais, massagens, controle da luminosidade (normalmente o ambiente em penumbra facilita a evolução do trabalho de parto), banhos de imersão, banhos em água morna, incentivamos a deambulação, levamos a banqueta de parto para que a grávida tenha mais opções de posição, fazemos a técnica do rebozo e estamos atentas a tudo que a mulher possa precisar naquele momento.

Depois do parto, a EO sabe como atender o bebê?
Sim, a enfermeira obstétrica é capacitada para o primeiro atendimento ao bebê. Ela faz o exame físico completo, verifica os reflexos primitivos e sua vitalidade, além de orientar a mãe sobre os primeiros cuidados e amamentação. Caso seja identificada alguma alteração no bebê que não caracterize uma urgência ou emergência, é cogitada uma consulta com um pediatra. Se o caso for de urgência/emergência, a equipe providencia a transferência no menor tempo possível. Mas, no geral, esse tipo de situação é muito rara e as questões que surgem são resolvidas com a equipe de enfermagem obstétrica.

No pós-parto, quantas visitas da equipe eu tenho direito? Até quando vai o acompanhamento?
Após o parto, a equipe faz geralmente duas visitas, a primeira 24 horas após o nascimento e a segunda com 72 horas. A partir daí, o bebê deve ser atendido pelo pediatra de escolha da família e a mãe pode fazer o acompanhamento periódico com seu ginecologista.

Para saber mais sobre segurança do parto domiciliar, clique aqui.

É seguro parir em casa?

É seguro parir em casa?

A cena é clássica: a grávida começa a ter dores e contrações, grita, se contorce, faz um alarde desesperado e assusta todo mundo que a rodeia, até que todos rumam apressadamente para o hospital mais próximo. Quantas vezes você já assistiu a essa cena em novelas e filmes e acha que é assim na vida real? O nascimento de um bebê é encarado como um evento médico, um problema a ser resolvido – o mais rápido possível – dentro de uma instituição hospitalar, com todo tipo de tecnologia e profissionais à disposição.

Mas, para a surpresa de muitos, o parto é um evento fisiológico. O que isso quer dizer? Que assim como comer, respirar, fazer sexo e ir ao banheiro, por exemplo, parir é algo que a mulher é capaz de fazer sozinha, seguindo os comandos naturais de seu próprio corpo, sem que ninguém precise ensinar, resolver ou medicar. Em alguns casos, a grávida realmente precisará de um suporte hospitalar, médicos e tecnologias, mas, na maioria dos casos, não.

Nesse sentido, o parto domiciliar aparece como uma ótima escolha para as grávidas de risco habitual (ou seja, as de baixo risco). Ter o bebê em casa é uma opção segura, confiável e bastante respaldada por estudos recentes. E, antes de achar que parir em casa se trata de uma nova moda, é importante lembrar que bebês nascem em casa há séculos e foi assim que a humanidade se tornou o que é hoje. A evolução da medicina veio como um presente, afinal, pode salvar as mulheres que possuem complicações em suas gestações, mas essa evolução não invalida a opção de parto domiciliar como uma escolha segura para as grávidas que não tenham qualquer tipo de problema.

Quem pode parir em casa?

Para ter o bebê em casa, a gravidez precisa ser de baixo risco, o que significa não ter nenhuma doença prévia, como diabetes e hipertensão. Além disso, a gravidez também precisa transcorrer sem nenhum tipo de complicação. É recomendado que o pré-natal seja feito com a equipe que dará assistência ao parto, desde o primeiro trimestre, assim se faz uma construção sólida de vínculo com a equipe. Isso é fundamental para o parto em casa, já que a confiança é essencial para o bom andamento do processo. Através desse acompanhamento periódico, a equipe vai monitorar a saúde da gestante através da realização de exames clínico e obstétrico e da avaliação de exames laboratoriais.

Caso qualquer tipo de problema seja identificado, a orientação é que essa gestante seja encaminhada para um acompanhamento pré-natal com profissional médico. O parto acontecerá no hospital e, dependendo do caso, pode ser um parto vaginal e inclusive natural, ou seja, livre de intervenções. Isto dependerá do quadro clínico e obstétrico da parturiente e da avaliação médica na ocasião. Essa recomendação de mudança do local de parto pode ser feita durante ou pré-natal ou mesmo ao longo do trabalho de parto.

shutterstock_99350009Chegou a hora do parto. E agora?

Não é preciso morar ao lado do hospital para parir em casa, porém é de fundamental importância a definição de um “plano B” previamente. Este plano inclui a escolha de uma maternidade caso seja necessária a transferência e do médico de backup em caso de maternidade privada.

Também não é necessário ter uma ambulância equipada com UTI estacionada na porta de casa quando se opta por um parto domiciliar. A equipe que irá fazer o acompanhamento leva os equipamentos necessários para dar assistência de emergência à mãe e ao bebê em casa, caso seja necessário. É importante esclarecer que muitas intercorrências são causadas por intervenções iatrogênicas hospitalares (uso indiscriminado de ocitocina sintética, ruptura artificial da bolsa, puxos dirigidos, entre outros). Cada intervenção desnecessária – extremamente comum em ambientes hospitalares – aumenta o risco de complicação no parto. Portanto, o parto domiciliar, em sua essência, deve ocorrer livre de quaisquer intervenções.

Outro fator importante a ser considerado é a forma com que os profissionais que dão assistência ao parto domiciliar trabalham. A observação e o monitoramento criterioso e minucioso da mulher e do bebê durante o trabalho de parto é um instrumento valioso para identificação de algum sinal de risco. Uma vez identificado um problema ou um potencial problema, é avaliada a possibilidade de transferência hospitalar com tempo e segurança.

No caso da transferência acontecer, nem sempre a equipe de parto domiciliar poderá continuar assistindo à parturiente, isso dependerá da instituição escolhida. Em alguns locais, somente é permitida a entrada de um acompanhante. Por isso, a importância da definição de um bom “plano B”. Além de realizar uma transferência com segurança, ter um profissional médico de backup facilita o acompanhamento, fora o fato de que o histórico da gestante já será conhecido pelo profissional que irá atendê-la. Porém, é importante salientar que, mesmo com o plano B, uma vez internada em um hospital, as condutas são definidas pelo profissional da maternidade e não mais pela equipe de parto domiciliar.

O parto domiciliar é seguro?

Ainda que o assunto esteja em alta ultimamente, o parto domiciliar planejado ainda é pouco praticado no Brasil. Somente em Belo Horizonte, MG, existe um modelo de acompanhamento de partos em casa pelo Sistema Único de Saúde, o SUS (1). Fora isso, os planos de saúde não cobrem esse tipo de parto, o que se pode conseguir é um reembolso dos valores gastos. Mas, no exterior, em especial na Europa esse tipo de parto é mais comum e diversos estudos comprovam sua segurança. Em um artigo escrito por Judy Cohain, CNM, ela destaca 17 estudos realizados ao longo dos últimos 15 anos demonstrando que o parto domiciliar planejado é mais seguro para mulheres de baixo risco do que o parto hospitalar. Em 12 dos estudos, as taxas de mortalidade perinatal (óbitos que ocorrem antes, durante ou imediatamente após o nascimento) ou foram inferiores ou similares para o parto em casa, enquanto as taxas de morbidade materna foram significativamente mais baixas, em comparação ao parto hospitalar (2).

Isso quer dizer que o parto domiciliar, para gestantes de baixo risco, é mais seguro que o parto hospitalar.

Além disso, as mulheres que optam por esse tipo de parto relatam uma satisfação grande – 97% das mães avaliadas se declararam muito satisfeitas e pouquíssimas sofrem qualquer tipo de intervenção – 4,7% de analgesia peridural, 2,1% de episiotomias, 1% de fórceps, 0,6% de vácuo-extrações e uma taxa global de 3,7% de cesarianas (3). São partos que dão certo, têm bons desfechos e não se tratam de aventuras ou falta de responsabilidade de quaisquer dos envolvidos. Além desses, existem outros estudos e evidências respaldando o parto domiciliar como uma excelente opção para quem deseja um atendimento mais humanizado e no conforto de casa (4).

shutterstock_119182921Para se ter segurança no parto em casa, é preciso:

1. Ser uma gestante de baixo risco;
2. Fazer o pré-natal adequado;
3. Escolher bem a equipe que fará o acompanhamento;
4. Traçar um plano B detalhado, em conjunto com a equipe

A escolha do local de parto é um direito reprodutivo da mulher e, portanto, ela deve ser respeitada e acolhida nessa decisão, independente de qual seja. Escolher parir em casa não significa um retrocesso ou falta de responsabilidade, já que há evidências científicas suficientes que demonstram a segurança do parto domiciliar.

E, por fim, a mulher deve se sentir confortável e livre para tirar dúvidas, mudar a equipe que tinha até se sentir totalmente à vontade com a opção escolhida, dar sugestões, concordar e discordar das condutas propostas. Ela deve sempre ser vista como a protagonista desse processo e saber que seus sentimentos a respeito das decisões sobre o parto são fundamentais para que tudo corra bem.

(1) http://www.sofiafeldman.org.br/2015/01/05/sofia-comemora-um-ano-de-parto-domiciliar/
(2) http://estudamelania.blogspot.com.br/2012/08/guest-post-o-mito-do-parto-hospitalar.html
(3) “Outcomesofplanned home birthswithcertified professional midwives: largeprospectivestudy in North America” http://bmj.bmjjournals.com/cgi/content/full/330/7505/1416?ehom in http://guiadobebe.uol.com.br/parto-em-casa-e-seguro/
(4) British JournalofObstetricsandGynecology (2009) – Perinatal mortalityandmorbidity in a nationwidecohortof 529,688 low-riskplanned home and hospital births. http://www3.interscience.wiley.com/journal/122323202/abstract?CRETRY=1&SRETRY=0

Entenda a dor do parto

Entenda a dor do parto

Um dos maiores medos que envolvem a decisão por um parto natural é a questão da dor. Não há dúvidas de que o nascimento com um mínimo de intervenções é o que há de melhor para o bebê e a mãe, mas o medo da dor é um dos grandes fatores que podem distanciar a mulher de efetivamente parir. Diferente de qualquer outra dor no corpo, a dor do parto é intermitente, progressiva e sua percepção é extremamente pessoal – existem mulheres que relatam muito sofrimento e outras que dizem ser absolutamente tolerável.

A dor percebida durante o parto está associada às contrações uterinas que fazem o colo do
útero dilatar e conduzem o bebê no trajeto do parto. Mesmo assim, muitos outros fatores estão ligados a maneira que cada mulher vai perceber a dor, e eles vão além de questões somente físicas, como o limite individual de cada uma, desconhecimento do ambiente, desejo e aceitação da gravidez, desejo em passar pelo processo de trabalho de parto, confiança na equipe,conhecimento do próprio corpo e do processo de nascimento,entre outros. Portanto, quanto mais tensão e estresse ocorrer, mais intensa será a percepção da dor. É o que chamamos de “ciclo medo, tensão e dor”. Quanto mais medo, maior será a tensão e consequentemente a dor. Por isso a importância, no cenário atual, da mulher buscar conhecimento através de leituras e rodas de conversa com demais gestantes e mulheres que pariram. Isso trará a confiança necessária para superar os medos e encarar a dor do parto de forma positiva. Afinal, qual a finalidade desta dor? Esta pergunta sempre deve ser feita e se possível lembrada durante o trabalho de parto. Ao invés de significar que algo não está bem, como as demais dores que sentimos no corpo, a dor do parto tem outro sentido. Ela existe para trazer ao mundo um ser que foi gestado e esperado e cada dor sentida é uma dor a menos que traz o filho para sua mãe.

shutterstock_69436645

A intensidade e a duração de cada contração estão relacionadas a um momento específico do parto; a dor costuma começar de forma leve e irregular e vai gradativamente ganhando ritmo e intensidade até a chegada do bebê. Nos minutos que antecedem o nascimento as contrações acontecem com mais espaço de tempo entre uma e outra e isso é muito importante para recuperação da mulher e do bebê para os minutos finais. Isso é fisiológico, deve ser respeitado e ajuda a encarar positivamente o processo do nascimento. Em um trabalho de parto com mãe e bebê saudáveis, este momento não deve receber nenhuma intervenção externa para acelerar o nascimento.

Todo esse processo acontece de forma diferente para cada mulher e, portanto, a rigidez de cronometrar todos os momentos trabalhos de parto é inútil, uma vez que nenhuma mulher é igual. E, mesmo se tratando da mesma mulher em diferentes gestações, é possível ter histórias – e progressões e dores de parto – diferentes. Cada gravidez tem uma história única, e dessa forma, o trabalho de parto e parto não tem duração pré-estabelecida.

O corpo é sábio
É necessário perceber que o nosso corpo é muito inteligente e, quando se dá espaço e liberdade, ele é capaz de produzir sozinho os mecanismos para enfrentar e diminuir a percepção da dor do parto. Um dos fatores mais fundamentais que auxiliam as mulheres no trabalho de parto é a produção de ocitocina. Esse é um dos principais hormônios associados às contrações, liberado de forma gradual durante o trabalho de parto. A ocitocina não é exclusiva do momento do parto, ela também está envolvida no nosso dia a dia, quando realizamos atividades relaxantes e prazerosas. Por estar relacionada a relações amorosas, ela é conhecida como o hormônio do amor.

A produção da ocitocina é inversamente proporcional àprodução da adrenalina, hormônio que liberamos em situações de medo, tensão e estresse. Dessa forma, na hora do parto, em mulheres que liberam grande quantidade de adrenalina, o processo pode se tornar mais demorado por diminuir a liberação da ocitocina.

Esse maravilhoso hormônio também desencadeia a produção de endorfinas, conhecidas como hormônios do prazer. As endorfinas propiciam a sensação de euforia, alegria, entusiasmo, gozo. Em dado período do trabalho de parto, com nível alto de ocitocina e com grande produção de endorfinas, as mulheres relatam sentir uma certa perda da noção do tempo e do espaço, além de, em muitas vezes, adormecerem entre as contrações. Esse período de “perda de controle” do corpo é extremamente importante para o trabalho de parto, pois favorece uma conexão com o lado mais instintivo da mulher e a ajuda a passar pela etapa final do parto.

Quando os medicamentos são usados
Caso a mãe opte por um parto natural e, em algum momento, decida que quer fazer uso de analgesia medicamentosa, ela também deve ser ouvida e respeitada. O uso de anestesias pressupõe alguns riscos e o procedimento só pode ser feito em ambiente hospitalar – o que inviabiliza o parto domiciliar. Caso o parto seja domiciliar e exista laceração perineal, a anestesia local e sutura, quando indicadas, podem ser realizadas em casa sem problemas, pelo profissional que deu assistência ao parto.

Como lidar com as dores do parto?
O primeiro passo para lidar com a dor é aceitar que ela faz parte do processo de parir e entender que perceber a dor não é a mesma coisa que sofrer. Depois disso, é preciso dar ao corpo o contexto necessário para que ele produza os hormônios que nos darão a sensação de prazer e, consequentemente, irá reduzir a percepção da dor. Nesse sentido, muitas técnicas de relaxamento podem ajudar, como manter uma respiração calma e adequada, imersão em água morna, luz baixa, massagens, acupuntura,uso da bola suíça, aromaterapia, entre outros. Tudo que fizer com que a mulher se sinta respeitada e ouvida poderá ajudar. É importante garantir a ela o direito de se movimentar e de assumir a postura que ela preferir, deixar que ela se alimente ou escute música – o que for necessário para promover o relaxamento e evitar o estresse vale na hora do parto. O segredo está no apoio que ela irá receber e não em técnicas medicamentosas: olhar para cada mulher de forma individualizada e respeitá-la é a chave para um parto com menor sensação de dor.

Dor do Parto from Instinto Fotografia on Vimeo.

O parto em casa: quais são os profissionais necessários?

O parto em casa: quais são os profissionais necessários?

Saiba quem pode acompanhar o parto domiciliar

Existem vários profissionais que estão habilitados para atender um parto normal, tanto no hospital, quanto em casa. Porém, é comum acreditar que, para um parto domiciliar, é necessário contar com a mesma equipe presente em um hospital – o que não é verdade. É possível parir em casa com segurança e assistência adequadas, sem necessariamente ter diversos profissionais envolvidos. Saiba mais.

Quem eu devo contratar para o meu parto domiciliar?
O mais importante é contar com o apoio de pessoas em quem você confie, tenha empatia e boas indicações. Vale se informar nos grupos de apoio – presenciais ou online –, conversar com amigas e familiares, marcar consultas e conhecer diversos profissionais. Tudo que você achar que precisa para esta escolha é importante. As equipes de parto domiciliar trabalham de diversas formas, mas, de maneira geral, para este tipo de atendimento, você pode contar com: enfermeiras obstétricas, obstetrizes ou médicos obstetras. Também pode haver a presença do médico neonatologista, que atenderá exclusivamente o bebê após o nascimento, e de doulas, que, embora não pratiquem a mesma assistência que uma ostetriz/médico, são profissionais de grande importância para o bom desenvolvimento do parto. Em todos os casos, você deve avaliar se a sua equipe está aberta a diferentes configurações – o que é um bom sinal, aliás – e quais são os especialistas que você deseja que participem deste momento tão importante.

Profissionais com respaldo legal
Apenas profissionais com preparo formal – enfermeiras obstétricas, médicos e obstetrizes – têm permissão, segundo a lei, para exercer atendimento de partos domiciliares, acompanhar pré-natal e pós-parto, emitir CNV (Certidão de Nascido Vivo) etc. A única exceção existe no caso das parteiras tradicionais que acompanham partos no interior ou em comunidades de acesso complicado e que, embora não tenham preparo formal, exercem um papel de extrema importância nesses locais.

Doulas são fundamentais na cena do parto e servem como ponte importante entre paciente e equipe, embora elas não sejam necessariamente profissionais de saúde. Doulas não acompanham parto sozinhas e não devem realizar procedimentos como aferir pressão, toques vaginais, monitoramento de batimentos cardíacos fetais, administração de medicamentos etc.

A presença do médico no parto em casa
O médico obstetra não é fundamental no parto em casa – somente se for do desejo da grávida. Isso porque enfermeiras obstétricas e obstetrizes são perfeitamente capazes e até mesmo mais indicadas para assistir um parto em casa. Tudo que um médico fará no parto domiciliar pode ser feito por obstetrizes, elas são treinadas e estão aptas para lidar com gestações de risco habitual, além de possuir respaldo legal para esse atendimento. O pediatra/neonatologista também não é fundamental, já que a equipe de parto domiciliar é capacitada para realizar todos os cuidados necessários que recém-nascido precisa e sabe identificar e manejar situações de risco que possam aparecer de surpresa. É importante lembrar que, no Rio de Janeiro, o Conselho Regional de Medicina não apoia a presença de médicos no parto em casa e, portanto, é quase impossível encontrar algum que preste esse tipo de assistência.

Quanto custa um parto domiciliar?
Isso depende totalmente da equipe que você deseja ter no seu parto e de quais profissionais você vai escolher para acompanhar a sua gestação. É importante saber que a maioria das pessoas envolvidas com a humanização do nascimento estão dispostas a conversar abertamente sobre suas condutas e preços, incluindo formas de pagamento facilitadas. De qualquer forma, é importante priorizar a boa assistência e garantir que você será bem acompanhada nesse momento tão importante da sua vida.

 

(crédito da imagem: Mariana Massarani para o Projeto Parteiras Caiçaras, daqui)