Entenda a dor do parto

Entenda a dor do parto

Um dos maiores medos que envolvem a decisão por um parto natural é a questão da dor. Não há dúvidas de que o nascimento com um mínimo de intervenções é o que há de melhor para o bebê e a mãe, mas o medo da dor é um dos grandes fatores que podem distanciar a mulher de efetivamente parir. Diferente de qualquer outra dor no corpo, a dor do parto é intermitente, progressiva e sua percepção é extremamente pessoal – existem mulheres que relatam muito sofrimento e outras que dizem ser absolutamente tolerável.

A dor percebida durante o parto está associada às contrações uterinas que fazem o colo do
útero dilatar e conduzem o bebê no trajeto do parto. Mesmo assim, muitos outros fatores estão ligados a maneira que cada mulher vai perceber a dor, e eles vão além de questões somente físicas, como o limite individual de cada uma, desconhecimento do ambiente, desejo e aceitação da gravidez, desejo em passar pelo processo de trabalho de parto, confiança na equipe,conhecimento do próprio corpo e do processo de nascimento,entre outros. Portanto, quanto mais tensão e estresse ocorrer, mais intensa será a percepção da dor. É o que chamamos de “ciclo medo, tensão e dor”. Quanto mais medo, maior será a tensão e consequentemente a dor. Por isso a importância, no cenário atual, da mulher buscar conhecimento através de leituras e rodas de conversa com demais gestantes e mulheres que pariram. Isso trará a confiança necessária para superar os medos e encarar a dor do parto de forma positiva. Afinal, qual a finalidade desta dor? Esta pergunta sempre deve ser feita e se possível lembrada durante o trabalho de parto. Ao invés de significar que algo não está bem, como as demais dores que sentimos no corpo, a dor do parto tem outro sentido. Ela existe para trazer ao mundo um ser que foi gestado e esperado e cada dor sentida é uma dor a menos que traz o filho para sua mãe.

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A intensidade e a duração de cada contração estão relacionadas a um momento específico do parto; a dor costuma começar de forma leve e irregular e vai gradativamente ganhando ritmo e intensidade até a chegada do bebê. Nos minutos que antecedem o nascimento as contrações acontecem com mais espaço de tempo entre uma e outra e isso é muito importante para recuperação da mulher e do bebê para os minutos finais. Isso é fisiológico, deve ser respeitado e ajuda a encarar positivamente o processo do nascimento. Em um trabalho de parto com mãe e bebê saudáveis, este momento não deve receber nenhuma intervenção externa para acelerar o nascimento.

Todo esse processo acontece de forma diferente para cada mulher e, portanto, a rigidez de cronometrar todos os momentos trabalhos de parto é inútil, uma vez que nenhuma mulher é igual. E, mesmo se tratando da mesma mulher em diferentes gestações, é possível ter histórias – e progressões e dores de parto – diferentes. Cada gravidez tem uma história única, e dessa forma, o trabalho de parto e parto não tem duração pré-estabelecida.

O corpo é sábio
É necessário perceber que o nosso corpo é muito inteligente e, quando se dá espaço e liberdade, ele é capaz de produzir sozinho os mecanismos para enfrentar e diminuir a percepção da dor do parto. Um dos fatores mais fundamentais que auxiliam as mulheres no trabalho de parto é a produção de ocitocina. Esse é um dos principais hormônios associados às contrações, liberado de forma gradual durante o trabalho de parto. A ocitocina não é exclusiva do momento do parto, ela também está envolvida no nosso dia a dia, quando realizamos atividades relaxantes e prazerosas. Por estar relacionada a relações amorosas, ela é conhecida como o hormônio do amor.

A produção da ocitocina é inversamente proporcional àprodução da adrenalina, hormônio que liberamos em situações de medo, tensão e estresse. Dessa forma, na hora do parto, em mulheres que liberam grande quantidade de adrenalina, o processo pode se tornar mais demorado por diminuir a liberação da ocitocina.

Esse maravilhoso hormônio também desencadeia a produção de endorfinas, conhecidas como hormônios do prazer. As endorfinas propiciam a sensação de euforia, alegria, entusiasmo, gozo. Em dado período do trabalho de parto, com nível alto de ocitocina e com grande produção de endorfinas, as mulheres relatam sentir uma certa perda da noção do tempo e do espaço, além de, em muitas vezes, adormecerem entre as contrações. Esse período de “perda de controle” do corpo é extremamente importante para o trabalho de parto, pois favorece uma conexão com o lado mais instintivo da mulher e a ajuda a passar pela etapa final do parto.

Quando os medicamentos são usados
Caso a mãe opte por um parto natural e, em algum momento, decida que quer fazer uso de analgesia medicamentosa, ela também deve ser ouvida e respeitada. O uso de anestesias pressupõe alguns riscos e o procedimento só pode ser feito em ambiente hospitalar – o que inviabiliza o parto domiciliar. Caso o parto seja domiciliar e exista laceração perineal, a anestesia local e sutura, quando indicadas, podem ser realizadas em casa sem problemas, pelo profissional que deu assistência ao parto.

Como lidar com as dores do parto?
O primeiro passo para lidar com a dor é aceitar que ela faz parte do processo de parir e entender que perceber a dor não é a mesma coisa que sofrer. Depois disso, é preciso dar ao corpo o contexto necessário para que ele produza os hormônios que nos darão a sensação de prazer e, consequentemente, irá reduzir a percepção da dor. Nesse sentido, muitas técnicas de relaxamento podem ajudar, como manter uma respiração calma e adequada, imersão em água morna, luz baixa, massagens, acupuntura,uso da bola suíça, aromaterapia, entre outros. Tudo que fizer com que a mulher se sinta respeitada e ouvida poderá ajudar. É importante garantir a ela o direito de se movimentar e de assumir a postura que ela preferir, deixar que ela se alimente ou escute música – o que for necessário para promover o relaxamento e evitar o estresse vale na hora do parto. O segredo está no apoio que ela irá receber e não em técnicas medicamentosas: olhar para cada mulher de forma individualizada e respeitá-la é a chave para um parto com menor sensação de dor.

Dor do Parto from Instinto Fotografia on Vimeo.