Lactogestação – é possível amamentar estando grávida?

Lactogestação – é possível amamentar estando grávida?

Você já ouviu falar em Lactogestação? Conhece alguém que faça amamentação em Tandem?

Mas o que é isso?

Lactogestação se refere à mulher que está grávida e amamenta um outro filho. A amamentação em tandem acontece quando a mulher amamenta dois filhos em idades diferentes.

Na teoria, tudo bem, mas na prática, há um mito muito grande no que envolve a amamentação durante a gravidez, pois acreditava-se que podia provocar abortos, ou que a mulher correria riscos de ter parto prematuro. Isso porque a ocitocina, hormônio liberado durante a amamentação, também é fundamental para estimular e manter as contrações durante o trabalho de parto.

Mas nada disso acontece!

Estudos apontam que o parto prematuro ou a perda gestacional acontecem independentemente do fato da mulher amamentar seu outro filho ou não. E que amamentar durante uma gravidez normal, não está associada a riscos para as mães e bebês.

Por que não há esse risco?

Porque a ocitocina, que é o hormônio liberado durante a amamentação, não consegue, sozinha iniciar o trabalho de parto. A quantidade desse hormônio liberada durante a amamentação e durante a gravidez não é suficiente para desencadear o trabalho de parto. Além disso, a nova gravidez foi desenvolvida sob as condições desta quantidade de ocitocina já presente no organismo materno, logo ele está adaptado para isso. Outro fator importante é que o útero tem receptores sensíveis à ocitocina (células que detectam a presença da ocitocina e causam uma contração) mas, normalmente, eles são muito poucos durante as primeiras 38 semanas da gravidez. A quantidade desses receptores aumenta aos poucos depois das 38 semanas, até chegarem a 300 vezes mais quando o trabalho de parto já houver iniciado. Isto protege a gravidez.

Sendo assim, é como se durante a gravidez o útero ficasse “surdo” para a ocitocina.

Outros fatores também agem protegendo a gravidez. A progesterona (outro hormônio presente durante a gestação), por exemplo, bloqueia a conexão entre a ocitocina e os receptores.

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Marcela, grávida no terceiro trimestre, amamentando seu filho Vicente.

Ok, você continuou amamentando seu primeiro filho e o segundo já nasceu. E o colostro que o recém-nascido tanto precisa? Ele ficará sem porque o mais velho mamou tudo?

Não há com o que se preocupar, pois a natureza é sabia e o organismo materno irá produzir o colostro necessário para o bebê que está por chegar. Assim, receberão o colostro o recém-nascido e o(a) irmão(â)!

Agora, é fato que durante a nova gravidez, há uma redução temporária do volume do leite e o sabor do leite materno sofre algumas mudanças, o que pode ocasionar num desmame. Porém, é escolha de cada mulher em insistir, aguardar a adaptação do lactente e permanecerem tranquilas quanto às suas escolhas.

Se durante a sua gravidez ou pré-natal você for orientada a fazer o desmame, procure a opinião de outro profissional, de preferência experiente e atualizado em amamentação, e que apoie e incentive a prática.

Para as gestantes que amamentam, a recomendação é que façam uma dieta balanceada, rica em nutrientes, se hidratem bem e curtam a amamentação em tandem, que é lindo de se ver e faz muito bem para a saúde de seus bebês!

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Na foto está a Linda, amamentando o Paulo com 2 aninhos e seu irmãozinho Lucas, recém-nascido com apenas 30 horas de vida!

Para ler mais:
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/07/amamentacao-durante-gravidez.html
http://prolactare.com/amamentacao/manter-a-amamentacao-durante-nova-gravidez-e-seguro
http://maepop.com.br/gravida-pode-continuar-amamentando/
http://breastfeedingtoday-llli.org/amamentacao-durante-gravidez-e-em-tandem-sera-seguro-investigacao-cientifica-mais-recente/

Roda de Conversa: o papel da Enfermeira Obstetra no parto

Roda de Conversa: o papel da Enfermeira Obstetra no parto

Vem aí a primeira Roda de Conversa de 2018: vamos falar sobre a atuação da Enfermeira Obstetra no Parto Domiciliar e no Parto Hospitalar. Quais são as diferenças? O que esperar do trabalho dessa profissional?

Traga suas dúvidas!

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Roda de Conversa – Parto por Amor
Tema: O papel da Enfermeira Obstetra no parto
Data: 03/02, sábado
Horário: 09h30
Contribuição solidária sugerida: R$15,00

Encontro aberto a todos os interessados, esperamos você!

O atendimento pós-parto

O atendimento pós-parto

É comum a ideia de que a assistência obstétrica termina logo que o bebê (e a placenta!) nasce. Mas não é bem assim: o atendimento e o cuidado com a mãe e o bebê continuam no pós-parto. As consultas puerperais são fundamentais para ajudar a mulher a se recuperar, orientar a família e auxiliar no retorno à rotina.

Na assistência ao parto domiciliar dada pela nossa equipe, são feitas duas visitas no pós-parto e quando o parto é hospitalar, normalmente se faz apenas uma. Cada consulta tem um objetivo específico:

1ª consulta – Ocorre cerca de 24 horas após o parto. Nesse encontro, é feita uma avaliação obstétrica completa, que envolve verificar o sangramento, avaliar a cicatrização em caso de laceração e verificar a recuperação física em geral da mulher. Também avaliamos o bebê e o início da amamentação, além de revisar e informar sobre os primeiros cuidados necessários, como pegar sol, dar banho, tirar dúvidas sobre tempo das mamadas, horas de sono etc. Fora isso, também cuidamos da parte “burocrática”, como a emissão de DNV (Declaração de Nascido Vivo) e caderneta de vacinação.

2ª consulta – Este encontro acontece após 72 horas do parto. Nessa visita, é esperado que a amamentação já esteja em na fase da apojadura, que é a descida do leite, então acompanhamos essa etapa de maneira próxima. Além disso, revisamos novamente a cicatrização (em caso de lacerações) e o sangramento. A família também recebe orientações sobre os exames pediátricos e a primeira consulta com o pediatra, além de saber sobre as principais vacinas. Caso seja desejo da mulher, fazemos carimbo com a placenta e conversamos sobre o parto, cuidando da parte emocional e psicológica dos acontecimentos recentes. Também recebemos um retorno dela e da família sobre a percepção do nosso trabalho.

As visitas no pós-parto são de muita relevância para a nova mãe, mas também para a família mais próxima (marido, avó, ou quem mais for da convivência diária da mãe e do bebê). Nesses encontros, aproveitamos para conversar sobre a importância da amamentação e da rede de apoio, que precisa estar alinhada e dando suporte contínuo ao binômio mãe-bebê.

Esses encontros também importantes para nós, como equipe, e raramente deixamos de conviver com a família depois dessas visitas. Na verdade, o vínculo e a sintonia que se formam no pré-natal são tão grandes que não raro seguimos contato por mensagens, outros encontros, rodas de conversa e até ida aos aniversários dos pequenos!

Cada mulher tem o seu ritmo, seu tempo e forma de adaptação em relação ao papel de mãe e mulher e o retorno à normalidade na sua vida. Os encontros no pós-parto visam acolhê-la e apoia-la em toda essa transformação.

Roda de Conversa: dismistificando o parto domiciliar

Roda de Conversa: dismistificando o parto domiciliar

Vem aí mais uma Roda de Conversa da equipe Parto por Amor e o tema é imperdível: Parto Domiciliar!

Vamos tirar todas as suas dúvidas, ouvir relatos e experiências e trocar muita informação de qualidade sobre o assunto!

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Esperamos vocês!
Data: 21/09, sábado
Horário: a partir das 9h30
Local: Rua Padre Elias Gorayeb, casa 25 – Tijuca
Contribuição sugerida: R$15,00 (caso você não possa colaborar, não tem problema! Venha mesmo assim!)

Nossa roda é aberta a todos os interessados, sejam bem-vindos!

Roda de Conversa: Puerpério – as dores e delícias do pós-parto

Roda de Conversa: Puerpério – as dores e delícias do pós-parto

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Mais uma Roda de Conversa vem aí! Vamos conversar sobre as dores e delícias do puerpério, desabafar, entender os desafios desse período e encontrar quem está passando pela mesma fase.

Esperamos vocês!

Data: 12/08, sábado
Horário: a partir das 9h
Local: Leblon (para mais detalhes sobre o local, favor mandar e-mail para partoporamor@partoporamor.com.br)
Contribuição sugerida: R$15,00 (caso você não possa colaborar, não tem problema! Venha mesmo assim!)

Nossa roda é aberta a todos os interessados, avise às amigas e aos amigos!

Roda de Conversa: Nutrição na Gestação e Pós-Parto

Roda de Conversa: Nutrição na Gestação e Pós-Parto

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Tem mais uma Roda de Conversa chegando! O tema dessa vez é bem importante e muito pedido: nutrição na gestação e no pós-parto. Como a grávida deve se alimentar? A alimentação dela influencia no desenvolvimento do bebê? E no pós-parto? O que a mãe come passa pelo leite? Como manter uma alimentação bacana e ainda cuidar do filho pequeno?

Pra bater um papo com a gente sobre esses assuntos, vamos contar com a presença da Juliana Alves Zupo, Nutricionista Materno-Infantil.

Chama as amigas, contamos com vocês!

Infos:

Data: 27/05, sábado
Horário: a partir das 9h30
Local: Rua Professor Valadares, 148 – Grajaú

Contribuição Solidária: R$15,00
Trazer: almofadas para seu conforto!
Confirmações: partoporamor@partoporamor.com.br
Chama as amigas, contamos com vocês!

Doação de Leite Materno no Rio de Janeiro – como fazer?

Doação de Leite Materno no Rio de Janeiro – como fazer?

O que fazer com o leite excedente, principalmente nos primeiros meses de amamentação, em que a produção ainda não se ajustou à demanda? Muitas mães precisam extrair leite para aliviar o excesso de produção e acabam descartando esse leite tão maravilhoso que pode fazer um bem enorme a muitos bebês prematuros e internados em hospitais do estado.

No Rio de Janeiro, o Instituto Fernandes Figueira (IFF) é o Centro de Referência em Bancos de Leite Humano e apoio à amamentação. Localizado no bairro do Flamengo, tem atendimento presencial às mães que precisam de orientação, funciona como posto de coleta e, a partir dele, são coordenadas e enviadas as doações de leite materno recebidas.

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Foto: Jornal Extra

Para ser uma doadora de leite materno, você precisa ser uma pessoa saudável, não usar medicamentos ou drogas que impeçam a doação e se dispor a ordenhar e a doar o excedente. Você pode ordenhar o leite manualmente (esse é o modo preferencial recomendado pelo IFF) ou usar bomba manual ou automática. Você pode ver todos os detalhes sobre como ordenhar e armazenar o leite aqui e aqui.

Mas se engana quem pensa que para doar leite, é preciso ir até o IFF ou a qualquer outro posto de coleta. É mais fácil do que você imagina! Basta ligar para o SOS Amamentação, pelo número 08000-268877, e abrir uma ficha de cadastro. Para se tornar uma doadora, são pedidos alguns exames de sangue e é feito um questionário para confirmar que não há uso de medicamentos ou quaisquer outras substâncias que podem ser transmitidas via leite materno.

Uma vez que o cadastro está pronto, basta agendar a entrega dos recipientes para armazenamento e a melhor data e hora para coleta. Você nem precisa sair de casa! Os recipientes são entregues, você mesma retira, armazena e congela o leite e, posteriormente, as doações são coletadas no seu endereço mesmo. Caso queira cancelar as doações, é só avisar por telefone e pronto. Não há nenhum custo envolvido e nem obrigatoriedade de participar do programa.

Caso prefira se informar pessoalmente, você pode se dirigir ao IFF ou aos outros 17 pontos de coleta do RJ – veja relação completa dos pontos aqui.

 

Leitura complementar

Ainda tem dúvidas sobre como fazer? Veja como se preparar para doar leite materno

Quer doar, mas não mora no Rio de Janeiro? Confira a Rede Nacional de Bancos de Leite

Acha doação a coisa mais linda da vida (nós também achamos!) e quer doar também sangue e medula? Veja como funcionam as doações de leite, sangue e medula óssea.

Ultrassom Natural – Encontro Especial Dia da Mulher

Você conhece o Ultrassom Natural (ou Belly Maping)? Trata-se de um tipo de arte gestacional, em que mapeamos e pintamos o bebê na barriga da mãe. É um trabalho artístico, que promove conexão, aumenta o vínculo da mulher e família com o bebê, já que todos podem participar desse momento, e ainda permite que guardem uma lembrança tão especial da gestação.

Pensando nisso e aproveitando o mês de março, que é tão relevante para todas as mulheres, fizemos uma parceria linda com a Enfermeira Obstétrica Carla Ribeiro. Ela já desenvolve o trabalho de Ultrassom Natural em Minas Gerais e virá especialmente ao RJ. Nessa oportunidade, conduzirá conosco um encontro em que pintaremos as barrigas das mulheres, apoiando-as nesse momento da gestação e celebrando com elas a chegada do bebê na família.

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Queremos convidar você para fazer parte desse encontro!

Quem pode participar?
Gestantes a partir de 32 semanas.

Quando será?
Dia 18 de março, sábado, a partir das 9h.

Onde será?
Na Reserva do Grajaú.

Quanto custa?
Nada! E você ainda ganha fotos de recordação deste momento! A preferência é por gestantes que não tenham condições financeiras de pagar por este serviço, assim elas também têm a chance de fazer um belo registro da gravidez.

Quero me inscrever, como faço?
Como as vagas são limitadíssimas, aceitaremos confirmações apenas por e-mail (partoporamor@partoporamor.com.br). As 10 primeiras pessoas que se inscreverem serão confirmadas e as seguintes entrarão na lista de espera. Por isso, pedimos para só se inscrever se você tiver certeza de que poderá participar e, caso não consiga ir, nos avise com o máximo de antecedência possível e ceda sua vaga a outra gestante da fila.

Para nós, será um momento muito importante e gratificante de aprendizado e contato com as gestantes.
Adoraremos receber você, inscreva-se!

Amamentação – o básico que você precisa saber

Amamentação – o básico que você precisa saber

O que é fundamental para o sucesso da amamentação? Será que é só querer e se informar? Será que é necessário se preparar fisicamente? Evitar chupetas e mamadeiras a todo custo? Acreditar na sorte? Esperar o bebê nascer para ver o que acontece?

Pode ser isso tudo e muito mais.

A amamentação, embora seja fisiológica, não é fácil ou natural. É necessário aprender técnicas, se conectar com o seu bebê e estar bem preparada para os desafios que essa relação pode trazer. Com certeza, a amamentação é um momento bonito e único entre você e seu filho, mas é preciso não romantizar a beleza do momento, ignorando as questões práticas. Dar o peito é lindo, é importante, é recomendado pelos mais sérios órgãos de saúde do mundo, mas dá trabalho sim (aliás, quem disse que alguma coisa relacionada à maternidade seria fácil?).

Mas não se preocupe! Baseadas em muitas perguntas que chegam pra gente, seja virtualmente, em consultas ou em rodas de conversa, fizemos um resumão bem legal sobre o que é amamentar e como lidar com cada etapa da amamentação:

Antes de começar… uma palavra sobre empoderamento
Assim como na gravidez e no parto, para uma amamentação ser bem-sucedida, é importante se munir de boas informações. E não estamos falando só de informações acadêmicas ou baseadas em evidências. Fique atenta às informações sobre você, sobre seu corpo, seu seio. E também sobre seu filho: como ele é, porque ele chora, como é seu corpinho, como ele reage. Informação a respeito dos dois, aliada à informação sobre amamentação em geral e confiança no processo são fundamentais nessa jornada. Uma mulher instrumentalizada, informada, confiante e que observa a si mesma e ao seu bebê, tem grandes chances de sucesso na amamentação. Acredite em você e acredite no seu leite!

Foto: Roda de Conversa Parto por Amor

– Como posso preparar o seio para a amamentação?
Existe um conselho muito difundido de que você deve usar bucha nos mamilos e afins, mas cuidado! O objetivo de preparar os seios para a amamentação é deixa-lo mais forte para encarar um bebê que vai mamar bastante (e pode vir a ferir o seio). Ao passar a bucha, você enfraquece a pele do mamilo, tornando-a mais suscetível a pequenas fissuras e rachaduras. Uma boa preparação para amamentar é simples: 15 minutos de sol nos mamilos por dia e uso de sutiãs com boa sustentação (evite aqueles que tem aro).

– Quando o leite demora para descer depois do parto?
O leite demora cerca de 2-3 dias para descer quanto o parto é normal e 3-4 dias quando o nascimento for por uma cesariana. Mas não se preocupe: até lá seu bebê se alimenta do seu colostro, que é aquele leite bem transparente e rico em anticorpos e ele é suficiente para esses primeiros dias. Para você ficar ainda mais tranquila que o seu bebê está se alimentando corretamente, fique atenta à pega correta ao seio:

Foto: Grupo GVA

– Qual é a melhor posição para amamentar?
A que for mais confortável para você. O importante é manter o bebê com a cabeça mais elevada do que o corpo e apoiada de forma segura, para que ele não erre a pega.Lembre-se de que você vai precisar de sustentação nos braços, para aguentar o peso do bebê e também é legal ter bastante água por perto e alguma comidinha fácil de comer – fruta ou biscoitinho. Pense que essa será sua atividade principal durante os próximos meses, então prepare um cantinho bem confortável para esse momento. Se for possível, é legal que o ambiente seja calmo e tranquilo, para que o momento da amamentação seja relaxante e você consiga se conectar com o seu bebê, favorecendo assim a produção e a descida do leite.

– Como o bebê deve estar posicionado?
Existe a posição tradicional, que é bebê deitado nos braços da mãe, em leve diagonal, barriguinha de frente para a barriga da mãe e cabeça bem acomodada na curvatura do braço/cotovelo, para evitar que a cabeça fique solta. Mas também é possível colocar o bebê em posição cruzada, o que favorece a produção e o esvaziamento completo da mama. Veja as opções possíveis abaixo:

Foto: Vila Mamífera

– Devo trocar de mama durante a mamada? Quanto tempo deve durar a mamada?
Não é necessário (e nem recomendado) trocar o bebê de peito durante a mamada. Assegure-se de que o bebê esvaziou toda uma mama antes de passar para a outra. Isso porque o leite materno é composto pelo leite anterior, que é o primeiro que sai, mais ralinho e rico em água (excelente para matar a sede); e leite posterior, que é o leite mais rico em gorduras, que nutre e ajuda o bebê a engordar. Se você retirar o bebê de uma mama sem que ele tenha chegado ao leite posterior, pode ser que ele não tenha uma mamada satisfatória, sinta fome muito rapidamente e que sofra problemas de ganho de peso. A mamada também não tem um tempo definido, observe seu bebê e veja se ele ficou satisfeito após amamentar ou se ainda parece inquieto e nervoso. Tem bebês que mamam durante longos minutos e outros que rapidinho “resolvem o problema”. A observação é chave!

– E se meu seio ferir logo nos primeiros dias?
Feridas nos mamilos estão relacionadas à pega incorreta. A primeira coisa que você deve fazer é verificar se seu bebê está abocanhando corretamente o seio (lembrando que, na pega correta, o bebê abocanha mamilo e a maior parte da aureola que o bebê conseguir, e não só o mamilo!). Evite bicos artificiais, como chupetas, mamadeiras e bicos de silicone nos seios – tudo isso ensina uma forma de sugar diferente ao bebê, que pode errar a pega na hora de mamar e acabar te machucando. Também é bom evitar receitas caseiras para solucionar o problema, como colocar cascas de banana, mamão e afins. No caso de feridas, passe um pingo de leite materno nos mamilos e deixe secar naturalmente e sem sutiã após – de preferência no sol.

– Como resolver leite empedrado?
Se você notou que o leite empredrou, ou seja, sentiu pontos duros e doloridos na mama e ela encheu demais, existem algumas coisas que podem ser feitas para aliviar: evite compressas quentes, pois elas estimulam ainda mais a produção e podem agravar o problema; aposte em um sutiã com boa sustentação, que irá conter um pouco a produção, massageie os seios de forma a desfazer os nódulos e ordenhe um pouco para aliviar o desconforto.

– Como devo massagear e ordenhar os seios?
A massagem deve ser feita com os dois dedos, polegar e indicador, em movimento circulares e deve ser feita de forma profunda, iniciando pela aureola e percorrendo toda a mama, até a base dela, inclusive região axilar. Depois dessa massagem efetiva e com a redução dos nódulos de leite, você pode ordenhar um pouco com bomba manual ou elétrica ou de forma totalmente natural (veja vídeo de ordenha manual abaixo):

– Amamentação exclusiva em livre demanda: o que é isso? Por quanto tempo o bebê deve ser alimentado exclusivamente de leite materno?
Amamentação exclusiva em livre demanda é quando o bebê mama somente no peito da mãe e sempre que solicitar. Aquele conselho de amamentar a cada 3 ou 4 horas já caiu em desuso, pois existem inúmeros fatores que influenciam na hora do bebê pedir o seio da mãe. Você não precisa marcar horário, só fique atenta para que, nas primeiras semanas, o bebê não passe muito de 4 horas sem mamar. Se ele pedir antes disso, tudo bem. Também é importante não oferecer nada além de peito ao bebê, nem água, suco, chás, papinhas etc. O leite materno é capaz de suprir as necessidades nutricionais (fome, sede) e emocionais do bebê exclusivamente até os seis meses de idade. A partir daí, inicia-se a introdução alimentar, mas até o primeiro ano de vida, o leite materno ainda é a principal fonte de nutrientes do bebê. Ao redor dessa época, ele já estará com a alimentação mais consolidada e a amamentação troca de lugar com a alimentação, ocupando função nutricional secundária. Mesmo assim, tanto a OMS quanto o MS recomendam amamentação continuada até, no mínimo, 2 anos de idade.

– Com que idade devo desmamar o meu bebê? Só a partir dos 2 anos mesmo?
Como falamos anteriormente, de acordo com diversos órgãos de saúde, o ideal é amamentar até pelo menos dois anos. Depois disso, fica a critério da mãe como conduzirá esse desmame, caso seja o desejo dela. Nós recomendamos que o processo seja conduzido com o maior respeito e paciência. É fundamental ter em mente que amamentação não é só nutrição: é contato, afeto, acolhida, sentimento. Nesse sentido, lembre-se que o seu filho não mama só por fome, mas por muitos outros motivos que merecem atenção especial. Se você não deseja conduzir um desmame, também é possível esperar o desmame natural, que é quando a criança se desinteressa pelo seio sozinha, sem estímulos externos.

Foto: Roda de Conversa Parto por Amor

– É verdade que chupetas e bicos artificiais confundem a pega e atrapalham a amamentação?
Sim, é verdade. Nem sempre isso irá ocorrer, mas na maioria dos casos, sim. Como já falamos antes, a forma que o bebê suga chupetas, mamadeiras e demais bicos é diferente da maneira que suga o peito. É muito provável que o bebê que usa bicos faça pega errada ou ordenhe de forma ineficiente o seio, o que pode acarretar vários problemas, como feridas causadas pela pega errada, bebê irritadiço porque acha difícil sugar de forma diferente, mamadas ineficientes que fazem com o que o bebê tenha fome mais vezes e se irrite cada vez mais, queda brusca na produção – o bebê que não sabe pegar e se irrita na hora de mamar vai solicitar cada vez menos e o corpo da mãe consequentemente irá produzir cada vez menos, e, finalmente, um desmame precoce. Não estamos afirmando que você não deve oferecer mamadeiras ou chupetas para o seu filho, mas é importante fazer escolhas informadas e conscientes, como tanto defendemos (leia mais sobre a confusão de bicos aqui!).

Carta da Nona Lua – O parto tem seu próprio tempo

Carta da Nona Lua – O parto tem seu próprio tempo

Sinto que você está chegando, meu corpo vem me dando seus sinais. Foram nove meses de comunhão, dias melhores, outros piores, agora chegam ao fim. Quem venha com o tempo, que venha com a lua, que venha! Já te aguardo, te pressinto. Confesso para ti, somente para ti, confesso que já me sinto ansiosa pela sua chegada. Meu corpo todo sente o seu peso, e já está tão difícil mover quanto ficar quieta.

Respiro fundo e suspiro, nascer é tempo sem hora.Aguardo você sentir-se pronto, pronto para respirar por si só. Saiba que eu mesma já me sinto inteiramente pronta. Durante os nove meses eu estive ocupada, sim, eu sei. Também durante nove meses eu me acostumei à sua presença em mim. Tive bastante chance de me preparar, a mente teve seu tempo de absorver as mudanças que trará para minha família. Sinta-se desejado e amado, meu bebê, por todos nós.

Desejo-te.

Pressa? Não eu não tenho pressa, para que andar depressa? Quero que venha, mas que venha na sua hora. Não existe hora marcada, não marquei na agenda. Sem nenhum compromisso, que seja pelo nosso desejo mútuo.
Quando meu corpo e você estiverem em trabalho parto, vamos nos repartir, você vai partir para uma nova jornada, é uma viagem intensa, procure a luz, procure o caminho que te ofereço em meu corpo.Não tema essa viagem, porque estou sempre contigo. Despeço-me da barriga linda e grande, você se despede do interior do meu corpo. Mas nos encontramos aqui deste lado, em uma nova e longa aventura. Começa em um grande deleite. Sinta o amor que confirmo ao colocar minhas mãos em meu ventre, sinta o calor que emana. Este calor destas mãos você vai sentir aqui fora. Pode vir, garanto que estou aqui.

Sem pressa para essa viagem, criança, sem pressa. Venha surfando em onda esplêndida, venha no ritmo que imprimimos juntas, somente nós duas. Você e eu temos todo o tempo, todo o espaço para essa caminhada. Temos bola, temos água, temos de tudo! O tempo e espaço do parto é nosso, só nosso. É o meu parto e o seu nascimento. A dinâmica será somente nossa e sem artifícios exteriores, creia em mim, eu lhe prometo que será nossa e de mais ninguém. Como estou tão segura? Por que desta vez eu fiz as escolhas que me aprazem desde o começo, ouvindo meu mais intimo desejo! Sim, você já sabe disto, eu ouvi os meus medos e procurei sua cura, procurei sanar suas carências.Impedi também que medos alheios me assombrassem.Cá estou pronta para a entrega. Ninguém vai precisar nos ajudar nessa viagem de partida e de chegada. Você pode ouvir a calma e potente batida do meu coração. Então, prepara-se e dê o sinal! Venha na lua que te escolher e venha com vontade de me ver, olhe para a luz!

(Autora: Flavia Penido)