Relato de parto: o nascimento da Aurora

Relato de parto: o nascimento da Aurora

Hoje é dia de relato de parto! A Madalena conta a história do nascimento da Aurora e promete: o segundo filho vai nascer em casa! Vem conhecer e se encantar com essa família!

***

Após oito dias do nascimento da nossa pequena e já com os horários, dormidas e mamadas mais ou menos ajustados, venho aqui compartilhar o quão maravilhoso foi o nosso parto, sim, nosso parto, pois eu e Cátia parimos juntas a nossa Aurora. Tentarei resumir a nossa belíssima experiência.

Desde muito nova tinha o sonho de ser mãe e sempre dizia que seria de parto normal, pois para mim existia o parto normal e a cesárea, e eu não tinha noção das inúmeras questões que envolviam esse tema. Até que finalmente, depois de inúmeras tentativas (assunto que vale um outro relato para contar a saga da concepção) nos vimos grávidas! E junto com a gravidez, as inúmeras questões vieram a tona e começaram a me beliscar.

Relato Madalena

Ainda queria o parto normal, só que comecei a ficar apavorada, pois a maioria das mulheres que eu perguntava sobre sua experiência de parto diziam que queriam parto normal mas na hora teve que ser cesárea, e os motivos eram os mais variados possíveis: cordão enrolado na criança, pressão alta da mãe, bebê muito grande, mãe muito velha, falta de passagem, trabalho de parto interminável… E quando eu dizia que meu parto seria normal ouvia coisas do tipo: menina dói demais, você tá doida, ou, tem certeza disso? Ou ainda, caramba tem que ter muita coragem! Geralmente os comentários eram negativos, com algumas exceções claro, e me deixavam bem desanimada.

Mas eu continuava com a minha ideia fixa do parto normal e começamos a nossa busca por respostas! E tivemos muitas respostas, e à medida que íamos nos informando, muitas outras dúvidas surgiam, e esse processo foi libertador, pois fui me encorajando e aprendendo a não dar mais importância aos comentários negativos quando eu dizia que tentaria parto normal. A minha tática era dizer que tentaria, pois assim os comentários que vinham logo após eram insignificantes pois eu “só tentaria”. E essa nossa busca nos colocou diante de duas pessoas maravilhosas, a Médica Obstétrica Polyanna Azevedo e a Enfermeira Obstétrica Mariana Zukoff da Equipe do Grupo Parto por Amor, e nós quatro decidimos que eu seria assistida em casa pela Mari até o avanço seguro das contrações e dilatação e depois seria transferida para o hospital onde a Dra Polyanna completaria a nossa equipe para receber a Aurora. A ideia de ir para o hospital, foi pelo simples fato de ter a opção da analgesia, caso eu implorasse para isso (ainda duvidando da minha garra), ma no meu íntimo eu não queria, nunca quis, e eu sabia que o meu desafio seria não pedir por isso!

Relato Madalena-5

Pois bem, conversa vai, consulta vem, passaram os meses e o grande dia chegou! Não foi uma longa espera, minha gestação foi muito tranquila, não tive enjoos nem desejos mirabolantes (poderia ter inventado alguns só para deixar a Cátia louca), trabalhei até o dia anterior ao parto, tive pouquíssimos incômodos musculares e um aumento de peso insignificante, por isso o tempo passou que nem vimos!

Relato Madalena-3

A lua da Aurora virava dia 18 de maio, então no dia 10 resolvemos ir para uma cidadezinha da Serra para resolver algumas coisas e aproveitar para respirar um ar puro, diminuir a ansiedade, relaxar um pouco e nos preparar para o seu nascimento. Tivemos um sábado lotado de por menores para resolver, ao chegar a noite estávamos bem cansadas. Fomos dormir, eu já com 39s e 2d. Às 22:40 senti coisa estranha, uma dorzinha na barriga, fui ao banheiro e tudo se resolveu. Mas fiquei com a pulga atrás da orelha, pois já havíamos conversado com a Mariana sobre isso. A mesma dor veio às 23:40 e 00:40. Comecei a desconfiar que Aurora estava querendo chegar!! Cátia me perguntou o que estava acontecendo e eu disse que era mal estar de grávida, não queria deixá-la preocupada e sem dormir porque sabia que precisaria muito dela mais tarde. Enviei uma mensagem para Mari que me orientou a dormir, descansar e descer a serra ao amanhecer. Só que dormir naquele momento era humanamente impossível pra mim, pois meu coração estava na aceleração máxima. Ainda estava tratando o incômodo como dor, que vinham de 30 em 30min, até que as 03:29 o tampão saiu, foi quando tive certeza que estava em trabalho de parto e que não eram dores, e sim, contrações! Acordei a Cátia e expliquei o que estava acontecendo. Pronto!! Parece que o tampão dela também havia saído!! Às 04:00 estávamos tomando café da manhã e as contrações já estavam de 15 em 15 minutos. Esperamos amanhecer e descemos a serra, no dia das mães, acompanhadas de uma aurora magnífica, dando boas vindas à nossa pequena Aurora!

Relato Madalena-2

Chegamos em casa às 08:00, e foi aquele vuco vuco, Cátia foi terminar de arrumar a mala da maternidade, limpar a banheira da neném, separar documentos, enquanto eu me concentrava nas contrações, uma inquietação, andei por todos os cômodos, várias posições, banho quente, não parava mais nada no estômago, nem água, contrações de 4 em 4 min e duradouras (mais de 40 segundos). Às 13:30 Mari chegou em nossa casa, tranquilona, achando que o trabalho de parto perduraria por muito tempo, auscultou Aurora que estava ótima e fez o toque, aqui tive minha primeira injeção de ânimo pois já estava com 5 pra 6 de dilatação! Pensei: já estamos na metade, se aguentei até aqui, aguentarei até o final! Voltei o foco para a respiração.

Às 14:50 veio o momento mais tenso do trabalho de parto: a transferência para o hospital, fui no banco de trás com a Mari, e Cátia na frente com o nosso primo (acalmando ele), trabalho em equipe, não consegui mudar de posição durante todo o trajeto, quase arranquei o banco de tanta força que colocava (cujo braços doem até hoje), coitada da Mari, pois a apertei muito!! rs…enfim chegamos à Perinatal da Barra às 15:20, arranquei forças e desci do carro, fui direto para uma cadeira de rodas, e praticamente invadimos a emergência, tiraram minha pressão, nesse momento eu já não conseguia ficar nem em pé nem deitada! Dra Polyanna chegou praticamente junto com a gente, fomos para a sala de parto e ela auscultou a Aurora que estava ótima. Foi nesse momento que tive a segunda injeção de ânimo, estava com contração máxima!!! Pensei: já estou sentindo a dor máxima, agora é só fazer força, e foi o que fiz, quando a Dra disse que já dava para ver a cabecinha da Aurora tive a terceira e derradeira injeção de ânimo, agarrei a Cátia e obedeci o meu corpo que pedia a força, na terceira força senti aquele vazio dentro de mim que automaticamente foi preenchido pelo barulho mais lindo do universo, era o choro da Aurora, que veio ao mundo com muita força e completamente preparada para tanto, veio para o meu colo imediatamente, quentinha e com um cheiro delicioso que não existe nada que possa ser comparado!! Eu e Cátia ficamos estateladas diante de tanta perfeição! Cátia cortou o cordão e me entregou nossa filha, que mamou lindamente, como se estivesse aguardado 9 meses por esse momento! Foi mágico!! Ainda vai levar um tempo para que eu consiga falar desse dia sem me emocionar, é incontrolável e inexplicável!!

Relato Madalena-4

Sim, resumindo, agora posso dizer que o meu parto foi lindo e humanizado, pois fui respeitada como mulher durante todo o pré natal pela Dra Polyanna, não teve toque antes da hora e as nossas conversas sempre foram muito claras e explicativas, o que me deixou muito confiante para o grande dia. Em casa recebi toda a atenção da Enfermeira Mariana, teve ultrassom natural e muita conversa. No dia do parto sua presença me deixou super segura e livre para me concentrar nas contrações, trabalhando a respiração para manter a calma, teve banho quente para amenizar a dor, massagem e muita energia positiva. Totalmente confiante no trabalho da Mari, Cátia pode se concentrar nas questões mais práticas como as comidinhas e a transferência para o hospital, que juntamente com nosso primo formaram uma dupla dinâmica e eficiente, porque percorrer a Grajaú-Jacarepaguá com contrações duradouras e a cada dois minutos, é só para os fortes, mas eu sabia que não poderia estar na companhia de pessoas melhores e continuei focada na respiração. Já no hospital, pude ficar na posição que mais me senti confortável (quatro apoios), só ouvi palavras de incentivo, fui super compreendida, não teve intervenção alguma, tinha pouca luz, massagem nas costas e uma trilha sonora ótima. E eu não pedi analgesia!!! A minha bebê recebeu toda a tenção da equipe, saiu do útero e veio direto a mim, contato pele a pele, foi aguardado o tempo ideal, na medida do possível, para o corte do cordão, mamou logo após o nascimento e ficou com o vérnix durante mais de 24 horas! Foi um parto naturalmente perfeito!

Relato Madalena-7

Relato Madalena-8

Relato Madalena-9

Aurora veio ao mundo no dia das mães, com duas mães sedentas a amá-la! Agradeço a Deus por nos permitir viver esse amor, agradeço imensamente à Cátia por compartilhar comigo esse sonho lindo que virou realidade, à Dra Polyanna por entender e atender o meu corpo e à Enfermeira Mariana por toda a minha preparação e falar comigo por “telepatia” durante o trabalho de parto, à Dra. Lara Pediatra pela dedicação e atenção no parto e nos dias seguintes e a toda equipe de Enfermagem presente. Aurora nasceu no dia das mães e no dia da enfermagem!!E para finalizar, finalmente, gostaria de dizer para todas as mulheres que terão filhos: se informem e se preparem para esse grande dia, pois sim, dói bastante, mas não há sofrimento, sim, o nosso corpo é preparado pra isso e sim, nós podemos fazer isso, pois somos naturalmente fortes e capazes!! Se tiver uma segunda gravidez, será um parto domiciliar! 😉

Relato Madalena-10

Relato de parto domiciliar: o nascimento do Dante

Relato de parto domiciliar: o nascimento do Dante

Dante não foi planejado, mas estávamos cientes que eu poderia engravidar. Somos um casal recente, onde ambos sempre quiseram ter filho e constituir família, uma rede de afeto e, então assumimos a responsabilidade da possível gravidez sem precisar falar muito sobre o assunto. Assim foi, em janeiro parei de tomar o anticoncepcional e em fevereiro percebi que já estava grávida uma semana antes da minha menstruação atrasar. Ela atrasou e na semana seguinte já fiz os testes de farmácia (fiz 3 testes😅) comprovando a gravidez.

Continue reading

Relato de parto domiciliar: o nascimento da Julia

Relato de parto domiciliar: o nascimento da Julia

Que lindo relato de parto! ❤️❤️❤️ A Sandra conta como foi a chegada da Julia, vem ler!

“Eu disse na aula da Fadynha que segunda feira era o único dia que eu não poderia entrar em TP… Ela explicou que nosso pedido ao universo devia ser sempre na afirmativa já que nossa mente não reconhece o NÃO!!!

Tarde demais… A bebê decidiu vir na segunda feira sim. O dia que meu marido não estava (ele sempre chega no final de semana e vai embora domingo a noite para Araraquara/SP: 600 km daqui do Rio)! !! Ele havia dito, ainda que em tom de brincadeira , no final de semana que não queria ouvir gritos, rs!!!! Então a bebê ouviu e só queria mesmo mulheres por perto…

Fiz mil coisas na segunda feira de preparação da casa e do parto (inclusive penduramos quadros, ganchos no quarto do BB) e já quase 6 da tarde saí de carro para comprar um remédio de cupim que o moço passou na porta dos quartinho dos fundos e a casa ficou com cheiro forte…). Aproveitei para comprar uma florzinha para pôr no meu quarto. Me fechei junto com meu filho no quarto dele e do BB e falei pra Mari que eu não ia saí dali por causa do cheiro… Ela trouxe o lanche para mim e janta para Artur (meu filho de 6anos) e eu descansei na cama dele com os pés para cima (nesse dia não consegui descansar a tarde)! Ao levantar sentir uma dorzinha na barriga. Mas não dei bola… Fomos dormir lá pelas 20 h e 30 minutos. Artur dorme comigo…

Ainda estava no sono leve quando sentir um estouro interno. Percebi que a bolsa havia estourado. Peguei o celular ainda deitada e mandei mensagem para a Fadynha e as parteiras, era 21h e 25 min, mas falei para ficarem calmas que eu ia tomar um banho e tentar descansar. Levantei e avisei a Mari para se preparar que a BB ia chegar… Dei os nomes das parteiras/Fadynha e da fotógrafa para ela liberar na portaria…

Fui para o chuveiro e as contrações já começaram. Entre uma contração e outra deu tempo de solicitar a Mari vários detalhes como tirar Artur da minha cama, arrumar o chuveiro para pôr a piscina, fazer um chá de camomila para eu tomar, etc. ! Saí do chuveiro para solicitar alguma coisa para a Mari mas não consegui chegar e parei no lavabo para fazer cocô… Sabia que era um sinal do corpo para o BB (quase surpresa) chegar!!

Não tive condições de contar o tempo entre as contrações pq estava sozinha no chuveiro quase não consegui enviar o áudio para as parteiras e a Fadynha dizendo: vem rápido que senão não vai dar tempo!!!

Enquanto isso a Fadynha me ligou 2 vezes mas não ouvi! Lá fora uma chuva forte caía limpando tudo para o bebê chegar na Terra. Lembrei, por fim que o chuveiro quente acelerava o TP e saí do chuveiro gritando para a Mari: quero fazer cocô, traz um balde vou fazer aqui no box… Ela questionou e eu reforcei traz o baldinho de areia de Artur. Ela chegou com o balde e, nesse momento, escutei o áudio da Fadynha: saí agora do chuveiro senão vai nascer antes da gente chegar…

Obedeci prontamente. Parece que foi transmissão de informação: eu lembrei que a Fadynha falava isso na aula e ela enviou o áudio falando exatamente isso e que eu deitasse do lado esquerdo e respirasse!!! Mulheres bruxas que, em TP se abrem ainda mais para a comunicação em outros níveis!!!

Respirar… Era a única arma que eu tinha até aquele momento!!! Lembrava de respirar de olho fechado e me entregar ao processo… Já tinha entendido que o bb chegaria na segunda feira mesmo!! Deitei do lado esquerdo em nossa cama e a Fadynha chegou em seguida… Alívio para mim e para a Mari que achou que teria de aparar o bb com as toalhas que eu pedi para ela deixar a mão… Fadynha e suas mãos de fadas começou a massagear minhas costas e arrumou a bola para abraçar enquanto estava sentada no colchão…

Mas não estava confortável! A Flávia parteira chegou e eu pedi a banheira e Fadynha sabiamente disse: “vai dar tempo?” Flavinha disse para não me desapontar: “podemos tentar”… Eu estava incomodada sentada no colchão e segurando a bola e pedi a banqueta… Eu sentei e na próxima contração a cabecinha já veio…

Respirei e disse: não pode ser, não deu tempo!!! Segurava o períneo para não rasgar tudo (essa era a sensação: não pode nascer pois não dilatei, foi muito rápido…!) Tirei a mão e na próxima contração ela veio inteira aparada pela Flavinha enquanto eu era amparada pelas costas pela Fadynha…

Não deu tempo de assimilar toda emoção e intensidade daquele momento tão avassalador… Não deu tempo de chorar eu só gritei: não consegui segurar Fadynha!!! Não tinha condições de apará-la com minhas mãos porque para mim ela veio forte demais, rápido demais, linda demais perto de mulheres mais que maravilhosas…

Com ela no meu colo eu dizia: não é possível! Foi muito rápido… Era 23h e 30 minutos!!! A pequena chegou desconcertando meu controle me mostrando que todo parto é definida pelo bebê no seu tempo, do seu jeito e o que temos que fazer é respirar, se entregar e se der conta e tiver condições, chorar… Eu não tive, estava assoberbada com tanta intensidade da vida, do amor, do poder de nós mulheres, as que parem e as que auxiliam como a Fadynha, as parteiras Flávia e Camila e a Débora que chegou 4 minutos depois do bb!!!

154

Meu marido chegou no outro dia, pois depois que viu a mensagem da bolsa estourada, não tinha condições físicas de voltar de carro… E está tudo certo do jeito que foi!!!!

Minha gratidão eterna a todas que me acompanharam no meu empoderamento, que foi na medida para receber mais um raio de luz em nossa vida: Julia que chegou dia 3 de setembro de 2018!!!

E foi numa segunda feira chuvosa sim e foi com mulheres bruxas que amo sim… GRATIDÃOOOOOOOO vida😍💖🙏🏾💫💫💫❤❤❤

(E a placenta veio 50 minutos depois assim que me conectei com a nova energia gritando alto gratidão 3 vezes!)”

96

Fotos: Débora Silveira

Relato de parto: o nascimento da Sofia

Relato de parto: o nascimento da Sofia

Hoje a Aline conta em detalhes como foi o nascimento da Sofia! Um parto hospitalar assistido pela enfermeira obstetra Ana Grova.

***

Antes de começar descrevendo o meu parto preciso falar sobre o que me motivou a ter um parto normal. Eu era daquelas pessoas que achava que era só fazer uma cesariana e pronto, afinal de contas, pra que “sofrer”, né? Por que sentir dor? Quanto retrocesso, a medicina já está tão avançada! Eu também sou extremamente controladora e planejada, então saber a data de nascimento do meu filho, ir arrumada para a maternidade, sem correria é maravilhoso, a troco de que vou abrir mão disso? Se até o signo do meu filho eu posso escolher, posso escolher o dia e o horário, logo eu que adoro numerologia, rs…

Foi aí que entra minha amiga Ana Grova nesse relato, estudamos juntas desde muito pequenas, fomos grandes amigas na adolescência e ela sempre foi muito estudiosa, passava as férias escolares com livros de anatomia para cima e para baixo, são mais de 20 anos de amizade e muita história para contar, na faculdade ela foi fazer enfermagem e se realizou na obstetrícia e eu fui para a área de comunicação social, especificamente publicidade, nessa fase por conta dos caminhos diferentes nos afastamos um pouco, mas em uma das poucas oportunidades que nos encontrávamos ela me falava sempre com muito amor da sua profissão e foi aí então que conheci a humanização no parto, aprendi tanta coisa e me assustei muito quando me dei conta do quanto nós mulheres estamos sendo vítimas de um sistema desonesto, onde argumentos furados tais como “circular de cordão”, “você não entra em trabalho de parto”, “bebê grande demais”, “mulher pequena demais”…Eram motivos para agendar aquela cesariana desnecessária, por conveniência do médico, mesmo que isso custasse um parto prematuro para o seu filho, pouco importa! O mais importante era que o seu parto não caísse no meio do feriado ou em algum horário inconveniente para o seu médico.

Por orientação da Ana, comecei assistindo o documentário “O Renascimento do Parto” que é maravilhoso para início de conversa e a partir disso mergulhei profundamente nesse universo, comecei a entender bem o propósito da humanização e entendi que o respeito a vida de fato se inicia no parto, li sobre violência obstétrica e percebi que várias pessoas que eu conhecia ao me descrever seus próprios partos haviam sido vítimas de violência obstétrica e elas nem sabiam disso, vi o machismo escancarado quando soube que alguns médicos insistiam em fazer o ponto do marido, ou seja, não existia só problemas com as cesarianas, existiam também os partos normais repletos de desrespeito, foi então que eu entendi que a solução não estava em ter ou não um parto normal e sim ter ou não um parto humanizado e isso sim faz toda a diferença.

Esse trabalho todo de casa eu fiz antes mesmo de engravidar, sou uma pessoa curiosa, gosto de ler e estudar sobre temas variados, então quando engravidei eu sabia exatamente o que eu queria para mim: Um parto humanizado, isso virou um objetivo de vida. Depois que engravidei eu tinha que fazer com que o meu marido embarcasse comigo em tudo isso, pois ter um parto humanizado no nosso país não é simples e nem barato, você precisa querer muito porque é de fato nadar contra a correnteza. No início ele foi resistente, ele ainda não entendia nada sobre o universo da humanização, então tive que trilhar com ele o mesmo caminho que eu trilhei com a ajuda da Ana, assim conversamos bastante, ele assistiu o documentário, fomos a roda de conversa da equipe maravilhosa Parto por Amor que a Ana faz parte e assim ele entendeu e concordou que um parto humanizado era o melhor caminho para o nascimento da nossa filha.

Agora a busca era do profissional, temos um bom plano de saúde e eu já sabia que conseguir um parto normal humanizado pelo plano seria uma tarefa quase impossível e de fato foi, passei por 3 obstetras que “fingiam” que fariam o meu parto normal, mas era só eu apertar um pouco ou até mesmo pedir as taxas de cesarianas daquele profissiona para o plano (agora é lei o plano fornecer esses dados) que eu me assustava profundamente com as taxas que giravam sempre em torno de 96% de cesarianas, além disso não era uma equipe humanizada, então eu percebi que é impossível ter um parto humanizado sem uma equipe humanizada, depois de me informar percebi que não adianta ter bola, banheira, iluminação baixa, música, um espaço incrível…Nada disso faz tanta diferença quanto a escolha dos profissionais que vão te acompanhar, percebi que é mais fácil ter um parto humanizado no Sus, muitas vezes em um lugar feio e com bem menos estrutura mas ter um parto com amor e respeito, isso sim faz toda diferença, o problema é que nem sempre pelo Sus você tem a garantia que vai ser assim, depende da equipe de plantão e da filosofia daquela instituição, enfim…Não estava sendo fácil ser respeitada e poder escolher o parto que eu gostaria através do meu plano, as alternativas estavam bem reduzidas: Ou eu iria para o Sus ou teria que deixar de lado o meu ótimo plano de saúde e desembolsar uma grana em um boa equipe no particular, ainda mais sendo uma gestação de baixo ou nulo risco, por que tanta dificuldade?!?

Foi então que a Ana me indicou uma médica do meu plano que toparia fazer meu parto normal com a humanização que eu precisava, porém eu teria que pagar um valor por fora que eu considerei justo, apesar de indevido, para ter o meu tão sonhado parto normal humanizado e teria de presente a companhia da minha amiga Ana durante todo trabalho de parto (essa foi a melhor parte), por isso eu digo e repito, se você não puder ter o privilégio de ter uma amiga enfermeira obstetra super antenada na humanização, contrate uma equipe humanizada, já deixo aqui minha indicação do grupo Parto por Amor, elas são fantásticas, todas elas, um trabalho que vai no seu íntimo, com música, espiritualidade, amor, muito amor, empatia, carinho, cuidado, segurança e muito profissionalismo, tem um preparo no antes, durante e depois, só vivendo para saber, eu tive um pedaço do grupo comigo (minha amiga Ana) e fiquei maravilhada, de verdade e sem exageros!

Vamos ao parto, eu trabalhei e estudei (hoje faço veterinária) a gestação toda, não parei e me mantive sempre ativa e em movimento, o que me ajudou muito para ter uma gravidez tranquila, quando completei as 38 semanas comecei a ficar muito ansiosa e também as pessoas começaram a fazer algumas cobranças: “Vai nascer quando? ”, “Cuidado para não passar da hora!”…Sabemos que podemos esperar até as 42 semanas e a maioria dos bebês nascem de 40 semanas, mas não tem jeito, a gente sempre cai nessa pilha e sendo mãe de primeira viagem o medo vem com tudo, foi então que comecei a pensar em formas “caseiras” de induzir meu parto, por isso dancei, andei ainda mais e estimulei meu seio até o colostro sair, essa última técnica foi batata, no outro dia durante o trabalho, visitando clientes e andando no meio do shopping, senti um líquido bem discreto escorrendo no meio das minhas pernas e no banheiro percebi que aparentemente minha bolsa havia rompido, fui dirigindo até o hospital (sou dessas, rs) e lá confirmei a bolsa rota, porém no meu caso ela não estourou de uma vez (igual essas cenas de filme), parece que ela apenas rompeu e o líquido foi descendo aos poucos, fiquei extremamente feliz e animada com a notícia, eles ligaram para a minha obstetra que mandou o hospital me liberar para casa, pois nos nossos planos eu entraria em trabalho de parto em casa com meu marido e a enfermeira (Ana) e assim já chegaríamos bastante adiantada na maternidade para não precisar ficar tantas horas lá, esse era o plano perfeito, mas como tudo na maternidade é imprevisível as coisas saíram um pouco do planejado, rs…Fui para casa feliz e animada pois eu sabia que dentro de algumas horas (muitas) eu estaria com a minha filha nos braços, meu marido saiu do trabalho para ficar comigo e eu estava apenas com aquelas contrações de treinamento ou pródromos, como costumam dizer, seguimos as orientação da Ana e andamos bastante pelo nosso condomínio, dancei (ele era o dj , rs..) e não tive nenhuma evolução, quando foi por volta das 21 h a Ana chegou na minha casa com uma mala enorme, cheia das suas “bruxarias” maravilhosas e material de trabalho, rs…

relatosofia7

Ela preparou um chá para ajudar a induzir, fizemos exercícios, escalda pés, mas também rimos e conversamos muito até altas hora, foi tão especial…Relembramos momentos da nossa infância e adolescência, foi lindo! Em um determinado momento, já estava muito tarde, ela mandou eu deitar e dormir, durante toda madrugada ela monitorava os batimentos do bebê e entrava em contato com a minha médica, não poderíamos esperar muitas horas para ir a maternidade pois a médica queria seguir o protocolo de 24 horas de bolsa rota para não colocar o bebê em risco, tem literatura que demostra que poderíamos esperar mais, porém a gente deveria seguir as orientações da médica que a princípio seriam 18 horas e a Ana conseguiu convence-la para aguardarmos pelos menos 24 horas para a indução, tem profissional que aguarda 48 horas, mas isso tudo depende muito da conduta de cada profissional.

relatosofia8

No outro dia por volta das 8 horas da manhã fomos a maternidade e eu continuava apenas com aquelas contrações desritimadas e muito suportáveis, encontramos a minha médica que já estava nos aguardando na porta da maternidade e lá demos entrada na internação, ela tentou a primeira indução com misoprostol, pois não tínhamos muita margem de tempo para aguardar o meu trabalho de parto de forma espontânea ,depois de aguardar algumas horas (cerca de 6 h) eu continuava na mesma e a médica sugeriu a indução com a ocitocina, nesse momento eu ainda estava super de boa, rindo, fazendo exercícios na bola, dancei hip hop, funk e a Ana ali comigo, até dançar, ela dançou e nada de contrações ritmadas, nessa hora eu já estava pedindo a Deus para sentir dor, eu queria dar início ao meu tão sonhado trabalho de parto e via que a coisa não evoluía, eu estava muito dispersa, levando tudo com muita alegria e tranquilidade, foi então que a Ana falou para mim: “Amiga, vai para o chuveiro, fica lá e se concentra, desse jeito que você está não vai rolar!”, era de fato o que eu precisava ouvir, quando entrei no chuveiro com as luzes apagadas ao som daquelas músicas lindas as contrações começaram a ficar ritmadas, nessa hora você percebe o quanto você precisa alinhar a mente ao corpo no trabalho de parto, você precisar entrar no seu universo particular, ali eu descobri como realmente é dolorido e que as contrações reais não se parecem nada com as de treinamento, por isso sempre ouvia dizer: “Na hora que começar você vai saber!” e de fato você sabe, essa é a mais pura verdade, já mandei me levarem para a sala de parto porque eu sabia que já estava evoluindo, isso já era em torno das 18 h, vale lembrar que cheguei às 8 h da manhã na maternidade.

relatosofia6

relatosofia4

Ao chegar na sala humanizada começaram a encher a banheira mas eu preferi ir para o chuveiro, meu marido entrou no banheiro comigo e me dava um apoio absurdo, toda vez que as contrações vinham com toda força eu apertava seus braços e agachava de tanta dor e ele me incentivando com frases otimistas e de muito amor, ele não saia de perto de mim nem por um segundo, a música, o ambiente escuro, tudo isso me ajudava demais, a água quente batendo nas minhas costas me davam uma sensação de alívio bem pequena, mas que já me ajudava bastante, ali eu entrei no expulsivo, em alguns momentos confesso que eu pensava ”Meu Deus, onde eu fui me meter!?!”, “será que vai aumentar mais?”, “acho que não vou aguentar”, mas no mesmo momento pensava no quanto havia lutado para chegar até ali e ouvia a voz da minha amiga dizendo “Não vai passar disso, a dor é só essa, aguenta firme, não vai demorar muito!”, em respeito a tudo que eu batalhei para chegar naquele momento, em respeito as pessoas que estavam se esforçando para realizar o meu sonho em nenhum momento eu falei as duas palavras temidas: “Anestesia” (analgesia) e “Me leva para cesária”, mesmo sabendo que ninguém ali iria atender os meus pedidos, especialmente o segundo porque sabiam exatamente como eu queria que fosse, eu não falei e em cada contração forte, eu só pensava “Não é mais uma contração, é menos uma contração”, meu corpo entrava em um ritmo perfeito, era quase uma dança, sentir a força que existe dentro de mim era algo surreal, ali eu comecei a entrar na partolândia, esse lugar existe mesmo, lia isso nos relatos de parto e achava graça, mas eu estive lá, nessa hora você escuta só algumas coisas que as pessoas que estão ao seu redor falam, nem tudo você consegue enxergar , a dor ultrapassa todos os limites mas apesar de muito forte você começa a não lutar contra ela e sim a favor dela, você vira amiga da dor e pensa em quem você ama, pessoas que estão aqui e que já partiram para outro plano, você começa a pensar nas mulheres que você conhece e as que você não conheceu que pariram de forma natural, minha bisavó por exemplo com seus 13 filhos, você pensa em coisas que estavam adormecidas lá no seu íntimo, no meu caso eu não sentia medo, pelo contrário, eu me sentia incrível, nesse momento eu deveria estar liberando uma quantidade absurda de hormônios que já me fazia amar aquele momento e a partir dali a dor fazia todo sentindo, ela era a dor do amor e eu precisava passar por ela para conhecer a minha filha, fazia parte de todo processo…

relatosofia1

A Ana me tirou do chuveiro e me colocou na banqueta com o rebozo preso no teto para que eu pudesse segurar, foi ótimo e ali evolui mais um pouco, nesse momento eu vi que a pediatra entrou na sala e começou a se preparar, senti uma força absurda pois percebi que eu estava perto de segurar minha filha nos braços, nessa hora eu já tinha entrado em contato com meus extintos mais primitivos e já tinha virado “bicho” rs…Nessa hora você abandona qualquer vaidade, você já não liga mais para nada, você só sabe que precisa parir de qualquer maneira. Foi quando ela falou para eu ficar deitada de lado segurando o rebozo que eu já estava na reta final, lembro que nesse momento alguém disse “Ela já está aqui, olha os cabelos”, nessa hora o Rafael começou a chorar de soluçar e eu olhei para ele e me motivei ainda mais em continuar mesmo exausta, faltava muito pouco. Nessas horas eu pensava como era bom ter um marido tão amigo, tão porto seguro, ele me dizia “pode apertar meu braço”, “vamos lá Aline”, “Falta pouco”, “eu te amo”…

relatosofia3

É claro que ele estava com medo, assustado, afinal de contas ele nunca tinha vivido aquilo, mas ele segurou a onda e o meu sonho passou a ser o sonho dele, ele pariu comigo, não largava a minha barriga, não saia de perto de mim, as vezes olhava para a Ana para saber se estava tudo bem e quando percebia que tudo estava dentro da normalidade ele me incentivava cada vez mais (isso fiquei sabendo depois)…Foi então que comecei a sentir o círculo de fogo e a Ana dizia “Vence isso amiga, força!, ta quase!” e de repente , as 20:40 ela veio ao mundo, eu senti que ela saiu de uma vez e no mesmo momento a dor se foi instantaneamente, através das mãos da Ana (que sonho!!!) ela veio ao mundo e logo me entregou a minha Sofia, eu fiquei eufórica, não parava de gritar, beijar…

relatosofia9

Peguei minha filha e ela estava chorando muito e logo que ouviu minha voz parou de chorar e chupou dedo, eu logo disse “Obrigada meu Deus”, “Nós conseguimos minha filha”, “Eu te amo”, “Você é perfeita”, beijei o Rafael e ele chorava muito e dizia “Ela é linda”, agradeci muito a ele , agradeci muito a Deus e ao olhar para o lado percebi que a Ana chorava muito, sujei ela de vernix em um abraço bem apertado e disse “Você é foda amiga, eu te amo, obrigada, obrigada por tudo…”, lembro que eu não parava de cheirar a minha filha, os hormônios já estavam a flor da pele e o amor por ela transbordava, ficar com ela ali no peito agarradinha comigo foi a melhor sensação da minha vida, naquele momento eu já não era mais a mesma, eu já era outra Aline, aquela que deu entrada no hospital havia de fato morrido e dado espaço para uma outra Aline, bem mais segura, decidida e super poderosa, depois de passar por essa experiência eu me senti a mulher mais maravilhosa do mundo, você tem a sensação que é capaz de qualquer coisa.

Cara, que experiência maluca é essa, que dia mágico, ter o privilégio de viver tudo isso não tem preço, senti coisas que nunca cheguei perto de sentir na vida, depois dessa experiência me senti mais segura para exercer a maternidade, no casamento reforçamos ainda mais os nossos laços e percebi que a nossa admiração mutua só aumentou, a forma de olhar um para o outro e ouvir dele “Ainda bem que você me convenceu, foi lindo e foi muito bom poder participar ativamente” e eu também agradeci muito a Ana por me apresentar esse universo, parir e estar atuante não tem preço, passar por essa vida e viver tudo isso foi mágico…

Acho curioso quando as amigas me perguntam: “Aline, mas e a dor?”, hoje eu sei responder: “Não tenha medo, a dor é você!”

caparelatosofia

Relato de parto: o nascimento do Artur

Relato de parto: o nascimento do Artur

Kirley Suênia conta como foi a chegada do pequeno Artur! Um parto tranquilo, com pós-parto difícil, mas cheio de acolhimento e amor!

***

Não sou aquela mulher que sempre quis parto normal.

A escolha por um parto natural e humanizado foi através da minha doula @thaischen_ e de uma das melhores equipes de enfermeira obstétricas @anagrova e @marizukoff da Equipe @partoporamor decidimos eu e @mika_atleta meu esposo por um parto domiciliar juntamente com essa equipe qualificada e de confiança e é claro sempre pedindo orientação a Deus.
Todo o pré natal foi excelente, minha alimentação e exercícios eu fazia em prol do momento mais esperado. E por ser uma paciente de baixo risco caminhava bem para meu parto domiciliar. Porém nas 36 semanas de gestação fui realizar uma ultra de rotina, ali mesmo recebo o diagnóstico de que meu filho estava pequeno para a idade gestacional, ou seja, ele estava super saudável, porém não estava sendo nutrido o suficiente para mantê-lo na barriga. Aquilo me apavorou, como assim o bebê está bem, sem sofrimento, por que tirá-lo antes do tempo?
Entrei em contato com as meninas, que de prontidão me acalmaram juntamente com minha família, aquilo acabou com meu dia, não aceitava aquele diagnóstico e naquele momento colocava nas mãos de Deus e entramos em oração. Começamos a ver todas as possibilidades, eis que elas me apresentam a Dra Patrícia obstetra humanizada, maravilhosa juntamente com a Dra Angelica (ultra), realizei mais 3 ultras pra acompanhar se ele era um bebê geneticamente pequeno ou com restrição intra uterina. Elas decidiram esperar pra ver se ele ganhava mais peso, o que me encheu de esperança para dar continuidade com meu projeto, porém as possibilidades de um parto domiciliar já não existia mais naquele momento, pois o Artur poderia precisar na hora do nascimento de uma assistência pediátrica e hospitalar,  que em casa seria impossível já que mãe e bebê devem estar sem risco algum. Confesso que fiquei frustrada mas Deus estava me confortando, eu havia entregue nas mãos Dele todas as decisões e minha mãe havia pedido a Deus uma resposta, se realmente fosse pra tê-lo em casa que aquele quadro se reverteria, e Deus respondeu mantendo com o mesmo peso.

 

Na 39° semana fui à uma consulta com a Dra Paty, ela me deu um toque e fez um procedimento que poderia ou não agilizar o trabalho de parto. E funcionou, sai dali numa quinta-feira dia 13 já sentindo leves contrações e fiz mais uma ultra e realmente o Artur não havia ganhado o peso esperado, dali já sabia que não passaríamos das 40 semanas, até a próxima terça iria me internar pra induzir o parto. Mas as contrações continuaram sem ritmo porém cada vez mais dolorosas e assim passei toda a madrugada até o outro dia, com contrações a cada 7 minutos. E eu que achei que eu seria super ativa nos intervalos, iria andar, dançar, agachar e por aí vai, que nada, em todos os intervalos eu só queria dormir e na verdade eu apagava de roncar. No fim da tarde de sexta a Enfa Mariana e a doula chegaram na minha casa, eu já estava exausta e com muitas dores, realizaram todo o processo luz baixa, música, massagem, banho quente, bola, óleos, tudo pra amenizar a dor e sim ajudava, mas na minha mente eu só queria que aquela onda passasse pra eu descansar e dormir novamente.
Confesso que muitas vezes em minha mente vinha a vontade de ir pro hospital e pedir analgesia. Mas não pedi, imaginando como seria ter meu bebê em casa, precisava aguentar até a hora de ir pro hospital. Minha Enfa fez um toque e eu não quis saber, já havia combinado, pois poderia ser frustrante pra eu saber que estava a tantas horas em pródromos e sem dilatação (e realmente estava, depois ela me contou que eu estava com 1cm por mais de 24h)
Eis que chega a hora de ir pro hospital, já estava com 5 de dilatação (soube depois), mas as contrações vinham uma em cima da outra e uma vontade enorme de fazer força e assim foi o percurso até o hospital, minha bolsa estourou e incontrolavelmente fazendo força, estava no expulsivo.
Chegamos 1:27 da manhã de sábado toda equipe já nos aguardava, quase pari em pé, daí surge a banqueta maravilhosa que me deixava mais confortável de cócoras  e a cada contração o Artur estava mais próximo de chegar!

 

Comecei a concentrar a força puxando os braços do Miquéias, quando senti o “circulo de fogo” e eu na partolandia, sentindo meu corpo, não havia mais contrações, somente aquela ardência da cabeça coroando e naquela luz baixa e um clima quente eu só ouvia que ele estava ali e tinha cabelo.  E com o incentivo da equipe eu fui sendo levada pelo meu próprio corpo e em meio a mais uma força, como um foguete as  1:57h do dia 15/09 nasce Artur, lindo, rosado, esbanjando saúde apgar 9 e 10 e eu super preocupada com ele, mas glorificando a Deus pois eu e ele conseguimos da forma natural, aquele cheirinho de parto, todo molhadinho, meu Deus, somos sublimes. Veio direto pro meu colinho sem nenhuma intervenção, pude amamentá-lo, Miquéias cortou o cordão após parar de pulsar.

cópia de relatokirley2
A médica foi me examinar, havia uma laceração no períneo, eu não estava sentindo nenhuma dor e claro achei super normal, poderia acontecer e durante o procedimento de sutura ela observou que a laceração também foi interna de grau 4, muito raro de acontecer, um bebê de 2540kg e 46cm pequeno dificilmente causa uma laceração de 4°grau, que me causou uma grande hemorragia, fiquei sendo monitorada durante o procedimento de sutura, foi tão grande que tive que receber uma peridural e esperar os exames de sangue pra saber se eu iria precisar de transfusão sanguínea.
E graças a Deus não precisei.

cópia de relatokirley3
Duas semanas após convivendo com uma anemia que me deixou extremamente fraca, com dores de cabeça e muito cansaço que nem meu filho estava conseguindo segurar em pé.
Todo esse susto comigo, mais uma vez pude ver as mãos de Deus sobre a minha vida. Através do meu filho, Deus em todo momento vinha me livrando. Se o meu parto fosse domiciliar essa hemorragia poderia acontecer em casa e eu iria precisar de transferência com urgência. Deus é bom o tempo todo e colocou uma equipe maravilhosa em meu caminho para me orientar da melhor forma. Tenho muita gratidão a Deus pela vida de todos que oraram e clamaram a Deus por nós!
E se me perguntasse qual via de parto eu escolheria? Sem dúvida o natural e humanizado!

 

Toda via de parto tem riscos, as informações que faz você ter escolhas conscientes. As lacerações acontecem, umas simples que nem precisam de pontos e outras como eu tive, raro. Não tem como prever. Eu não me arrependo de nada, realizei um sonho idealizado. Eu creio que tudo tem um propósito e mais uma vez Deus mostrou que Ele faz a obra da maneira que Ele quer e não do meu jeito e vivo o que Ele tem pra mim. E nem tudo que nos leva a viver o melhor, terá um caminho de alegrias.
Confie em Deus e acredita em você.
Toda honra e glória a Deus. Ele tem cuidado de nós!
Agradeço em especial a minha Irmã que em todos os momentos esteve ao meu lado @kennyasoffia

cópia de relatokirley1 cópia de relatokirley4 cópia de relatokirley5 cópia de relatokirley7