Lactogestação – é possível amamentar estando grávida?

Lactogestação – é possível amamentar estando grávida?

Você já ouviu falar em Lactogestação? Conhece alguém que faça amamentação em Tandem?

Mas o que é isso?

Lactogestação se refere à mulher que está grávida e amamenta um outro filho. A amamentação em tandem acontece quando a mulher amamenta dois filhos em idades diferentes.

Na teoria, tudo bem, mas na prática, há um mito muito grande no que envolve a amamentação durante a gravidez, pois acreditava-se que podia provocar abortos, ou que a mulher correria riscos de ter parto prematuro. Isso porque a ocitocina, hormônio liberado durante a amamentação, também é fundamental para estimular e manter as contrações durante o trabalho de parto.

Mas nada disso acontece!

Estudos apontam que o parto prematuro ou a perda gestacional acontecem independentemente do fato da mulher amamentar seu outro filho ou não. E que amamentar durante uma gravidez normal, não está associada a riscos para as mães e bebês.

Por que não há esse risco?

Porque a ocitocina, que é o hormônio liberado durante a amamentação, não consegue, sozinha iniciar o trabalho de parto. A quantidade desse hormônio liberada durante a amamentação e durante a gravidez não é suficiente para desencadear o trabalho de parto. Além disso, a nova gravidez foi desenvolvida sob as condições desta quantidade de ocitocina já presente no organismo materno, logo ele está adaptado para isso. Outro fator importante é que o útero tem receptores sensíveis à ocitocina (células que detectam a presença da ocitocina e causam uma contração) mas, normalmente, eles são muito poucos durante as primeiras 38 semanas da gravidez. A quantidade desses receptores aumenta aos poucos depois das 38 semanas, até chegarem a 300 vezes mais quando o trabalho de parto já houver iniciado. Isto protege a gravidez.

Sendo assim, é como se durante a gravidez o útero ficasse “surdo” para a ocitocina.

Outros fatores também agem protegendo a gravidez. A progesterona (outro hormônio presente durante a gestação), por exemplo, bloqueia a conexão entre a ocitocina e os receptores.

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Marcela, grávida no terceiro trimestre, amamentando seu filho Vicente.

Ok, você continuou amamentando seu primeiro filho e o segundo já nasceu. E o colostro que o recém-nascido tanto precisa? Ele ficará sem porque o mais velho mamou tudo?

Não há com o que se preocupar, pois a natureza é sabia e o organismo materno irá produzir o colostro necessário para o bebê que está por chegar. Assim, receberão o colostro o recém-nascido e o(a) irmão(â)!

Agora, é fato que durante a nova gravidez, há uma redução temporária do volume do leite e o sabor do leite materno sofre algumas mudanças, o que pode ocasionar num desmame. Porém, é escolha de cada mulher em insistir, aguardar a adaptação do lactente e permanecerem tranquilas quanto às suas escolhas.

Se durante a sua gravidez ou pré-natal você for orientada a fazer o desmame, procure a opinião de outro profissional, de preferência experiente e atualizado em amamentação, e que apoie e incentive a prática.

Para as gestantes que amamentam, a recomendação é que façam uma dieta balanceada, rica em nutrientes, se hidratem bem e curtam a amamentação em tandem, que é lindo de se ver e faz muito bem para a saúde de seus bebês!

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Na foto está a Linda, amamentando o Paulo com 2 aninhos e seu irmãozinho Lucas, recém-nascido com apenas 30 horas de vida!

Para ler mais:
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/07/amamentacao-durante-gravidez.html
http://prolactare.com/amamentacao/manter-a-amamentacao-durante-nova-gravidez-e-seguro
http://maepop.com.br/gravida-pode-continuar-amamentando/
http://breastfeedingtoday-llli.org/amamentacao-durante-gravidez-e-em-tandem-sera-seguro-investigacao-cientifica-mais-recente/

Relato de parto domiciliar – o nascimento da Lisa

Relato de parto domiciliar – o nascimento da Lisa

Que alegria receber mais um relato de parto e, o melhor, no dia do aniversário da mãe! Em comemoração à data, confira com a gente o momento de renascimento da Cris, no nascimento da sua segunda filha, a Lisa:


Eu sou enfermeira e me apaixonei pelo parto domiciliar ainda na faculdade, aprendendo a importância da humanização no parto. Vi tantas mulheres parindo e ficava sonhando como seria o meu. Fui trabalhar em uma maternidade e a cada dia me tornava mais empoderada do que nunca.

No meu primeiro parto, ficamos em casa com enfermeira até o momento de ir para maternidade. Lara nasceu num parto humanizado hospitalar, na penumbra, com música, com a mamãe de cócoras na banqueta sendo sustentada pelo papai. Não houve anestesia nem episiotomia, nem imposição de posição para parir. Teve banheira, sentar na bola, massagem, muito apoio e palavras de incentivo. Foi um parto respeitoso, uma experiência incrível para nós. Ficamos ainda mais seguros para ter o segundo filho em casa.

Lara se aproximava dos seus três anos e começamos a planejar o segundo filho. Fiz os exames de pré-concepção e estava tudo bem. De início Lara não aceitava muito bem a ideia de ter mais alguém na casa. Ela dizia “só a Lalá, mamãe, só a Lalá”.

Viajamos no mês de agosto para comemorar os três anos da Lara. Eu esperava voltar grávida. Como sempre falo “ô tempo que insiste em voar”, chegou dezembro e nada de gravidez.

Os planos de Deus são melhores que os meus. E sim, ganhamos nosso presente de Natal: o teste de gravidez positivo no dia 25 de dezembro! Não conseguia me conter em risos, Fábio todo nervoso perguntado se era sério mesmo, se tinha dado positivo.

Sim, deu!

A essa altura Lara já aceitava a ideia de ter uma irmã – sim, ela só aceitava se fosse uma menina. Desde o inicio, ela sabia que ganharia uma irmã.

Fomos para primeira consulta ansiedade a mil. Nesse mesmo dia, fiz uma USG e, que emoção, Lara pulava de alegria, gritava “olha minha irmãzinha, olha minha irmãzinha!”. E todo mês foi assim, ela sempre ao meu lado.

A gestação evoluiu bem, fizemos alguns planos e, nesse meio tempo, teve mudança de equipe. Quando li o relato de parto de uma amiga, que é Enfermeira Obstetra e teve um parto domiciliar lindo e respeitoso, logo entrei em contato com ela. Queria saber mais detalhes e me informar sobre a equipe que a acompanhou. Foi aí que entrei em contato com a Camila, da equipe Parto por Amor. Conversamos um pouco, ela me convidou para participar de uma Roda de Conversa. E foi na roda que conheci a Marcia Araujo e a Ana Grova, que logo se tornaria minha Enfermeira Obstetra. Marcamos a primeira consulta, conheci a Flávia Dantas e fechamos a equipe que ficaria comigo: Ana e Flávia. Logo tudo foi ficando tão mais leve e não tinha dúvida de que tinha escolhido uma excelente equipe. Flávia e Ana são minhas vizinhas e ainda tinha a Marcia, que também mora bem perto.

Com o pré-natal bem amarradinho, comecei a dar uma atenção a mais ao meu corpo e à saúde, sabia que tinha que estar bem para ter meu PD. Fiquei muito enjoada e indisposta com a gravidez, e não queria passar a gestação toda assim. Comecei fazer hidroginástica e sempre tinha um papo sobre o parto eu ficava feliz em falar que minha filha nasceria em casa. Fez um bem danado pra mim.

Eu não poderia fazer esse relato de parto sem falar delas, amigas queridas que a maternagem me deu. Teve chá de bebê surpresa feito por elas com maior carinho. Como foi emocionante dividir esse momento com vocês, lágrimas, sorrisos e muita conversa boa, estava tudo tão lindo e gostoso. E ainda teve vídeo de quem não pode estar presente. Eu me emocionava a cada vídeo, a cada mensagem recebida.

Nas semanas seguintes, organizei os preparativos para festinha da Lara na escola, a data prevista para o parto era para a mesma semana em que ela completaria 4 anos, imagina meu desespero!

E chama a amiga para ajudar, vamos bater perna em Madureira. Enquanto isso, as outras amigas:

– Sua doida, você esta podendo bater perna com esse barrigão?
– Sim, meninas, preciso caminhar, preciso de movimentos.

E quando a chave do carro caia no chão?

– Não fica se abaixando!
– Meninas, eu preciso me agachar, vocês não sabem como faz bem para o parto.

– E você foi dirigindo? Você é doida mesmo… e até quando você vai dirigir?
– Até o ultimo dia, ué. E se eu estiver aqui na porta da escola e minha bolsa romper, não quero ninguém em desespero, hein. Me levem para casa. Ou melhor eu mesma vou dirigindo porque eu sou dessas!

Comecei contar as luas: com 38 semanas, teve troca de lua e teria outra com 39 semanas e seria uma das melhores, com direito a eclipse lunar e tudo. Na mesma semana, também teve consulta. Conversei bastante com a Flávia sobre esse momento, estávamos bem ansiosos, pois Lara tinha nascido de 37 semanas. Flávia deixou um difusor de lavanda me explicou vários benefícios, dentre eles trazer o equilíbrio que estávamos precisando naquele momento. Ela também me deu um texto lindo para ler.

Comecei a usar a lavanda. Antes de dormir, sentei no sofá, na penumbra, e comecei a ler a carta sentindo a lavanda pela casa, alisando a minha barriga. E fui dormir.

Às três da manhã, acordei molhada, chamei o Fábio para me ajudar e disse que a bolsa tinha rompido. Agora vai! Quando vi, Lara também estava na porta do banheiro. Lembro de dizer pra ela que estava tudo bem. Tomei um banho. Já sentia algumas contrações. Mandei mensagem para as meninas avisando.

Por volta das cinco da manhã liguei para a Flávia, conversamos um pouco e ela ficou de passar aqui em casa pra me ver. Eu não queria voltar pra cama, então comecei a arrumar umas coisas pela casa – e os dois andando atrás de mim.

Eu disse pro Fábio para irem dormir e descansar, porque achava que ainda iria demorar.

– Não se preocupa, estou bem e, qualquer coisa, te chamo.

Lavei a louça, catei alguns brinquedos pela casa, arrumei umas coisas e, entre uma contração, tentava me agachar. Deixei tudo na penumbra, coloquei uma música e o cheiro de lavanda pela casa. Nesse momento, me sentia conectada com a Lisa. Eu precisava desse comento de despedida da barriga. Alisava e conversava com ela. Era uma paz, um momento de plenitude.

Flávia chegou por volta de umas sete: me examinou, auscultou a Lisa e me contou que estava tudo bem, eu estava em pródromos. Disse pra eu tentar descansar.

Fábio e Lara acordaram, tomamos café da manhã. Os planos eram apenas seguir a rotina normal, Fábio ia levar Lara para a escola. Só que por volta de umas nove, as contrações estavam bem intensas eu achei melhor Fábio começar a preparar a banheira e deixar a Lara em casa. Tirei foto deles Lara dentro da banqueta. Ela estava curtindo. Conversei com as meninas pelo telefone e Ana já estava a caminho. Fui para banheira e Lara entrou comigo. Brincou um pouco na água.

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Ana chegou por volta de umas onze. Nesse momento, eu já estava mesmo em trabalho de parto. Contrações bombando, Ana fazendo massagem o tempo todo. Lara sempre vindo conferir entre um grito e outro se sua irmã tinha chegado e eu sempre falando para ela que estava tudo bem.

Flávia chegou e logo me acolheu. Lembro de dizer que queria fazer força. Era uma vontade enorme de empurrar, pedi a banqueta. Fábio apareceu discretamente na porta do quarto foi quando eu chamei ele. Então ficamos ali conectados, ele fazendo massagem e dizendo coisas positivas para mim. Senti que tudo estava evoluindo bem.

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Perdi a noção de tempo ali na banqueta. Ana ficou abaixada na minha frente e eu perguntava se a cabeça da Lisa já estava ali. Naquele momento, eu só conseguia pensar no nascimento da Lara e que, a essa altura, a cabecinha dela já estava ali.

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Mas Lisa ainda não estava – Ana me avisou. Eu fiquei tensa, achando que ainda iria demorar muito. Ana sugeriu então que eu levantasse um pouco, tentasse andar para ver se engrenava novamente.

Eu queria ir para chuveiro e, na porta do banheiro, tive uma contração bem efetiva. Flávia me segurou, tudo começou a acontecer muito rápido e eu finalmente estava na “partolândia”. Tentei sair do banheiro e Fábio estava parado bem na porta, veio outra contração e me agarrei nele. Senti que Lisa tinha descido e não dava mais para esperar. Pedi a banqueta e por pouco ela não nasce comigo em pé! Eu comecei a gritar e, três contrações depois, ela veio, com uma circular de cordão que a Ana tirou.

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Pude contemplar seu corpo junto ao meu, ouvir seu chorinho. E o rosto da Lara em ver a irmã, que presente de Deus! Não existe bênção maior no mundo!

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E foi ali na porta do banheiro que ela resolveu chegar para encher nossos corações de alegria. Só tenho a agradecer ao carinho e respeito das amigas – sim, elas se tornaram amigas para vida inteira, a Ana e Flávia. Toda minha gratidão!

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Relato de parto domiciliar – o nascimento do Vini

Relato de parto domiciliar – o nascimento do Vini

Relato de parto da Priscila sobre o nascimento do Vini em casa, com ajuda do pai e do irmão mais velho.


“Fui chamada de louca algumas vezes por optar pelo PARTO DOMICILIAR! Alguns não falaram, mas seus olhos me mostravam, suas atitudes falavam. Eu sinto tudo, vc não precisa me dizer p saber. Incrível como um parto tão lindo e tão responsável seja tão cheio de preconceito e falta de informação de algumas pessoas. Depois do parto, de louca, me tornei corajosa…super mulher…kkkk, pq aguentei dor sem anestesia…pq aguentei 19horas…..

Se estar rodeada durante todo tempo de profissionais capacitadas é loucura, sou louca!
Se respeitar meu filho, meu corpo é loucura…. sou louca
Tinha elas pra mim, somente pra mim e às vezes nem precisava chamar e elas sabiam que precisava delas! Olhavam pra mim, em meio aquilo tudo e diziam: fala….pode falar, to aqui p te ouvir!

Desculpe, não teria isso em hospital algum! Fui respeitada durante todo processo….
Coisas naturais me encantam, pq não precisam ser forçadas….elas acontecem! Tudo de mais lindo na vida é assim!!!

Meu parto aconteceu da forma mais natural e encantadora possível e não….não vejo como dor física, dor insuportável, dor agonizante….era só meu corpo avisando….era só meu bolota dizendo….mãe, to chegando!!! E isso, essa mudança de visão da dor, do momento, da mágica, não é física!!! É energia, é espiritual….é interna <3
Saíram algumas fotos desse momento mágico p mim e p minha família!! Tem peitos, tem criança nascendo, tem amor….. 😍😍😍😍😍

Mariana Kelly Zukoff e Marcia Araujo, vou parar de dizer q amo vcs…kkkk (mentira vou parar não 😂😂😂) amo msm!

Débora Silveira, ser humano incrível que a Natureza me deu”

Fotos e vídeo: Débora Silveira Fotografia

 

Roda de Conversa: o papel da Enfermeira Obstetra no parto

Roda de Conversa: o papel da Enfermeira Obstetra no parto

Vem aí a primeira Roda de Conversa de 2018: vamos falar sobre a atuação da Enfermeira Obstetra no Parto Domiciliar e no Parto Hospitalar. Quais são as diferenças? O que esperar do trabalho dessa profissional?

Traga suas dúvidas!

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Roda de Conversa – Parto por Amor
Tema: O papel da Enfermeira Obstetra no parto
Data: 03/02, sábado
Horário: 09h30
Contribuição solidária sugerida: R$15,00

Encontro aberto a todos os interessados, esperamos você!

Relato de parto hospitalar: o nascimento do Pedro

Relato de parto hospitalar: o nascimento do Pedro

Cada vez que recebemos um relato de parto, sentimos de novo toda a emoção daquele momento! Com esse não foi diferente e ainda pudemos ver um lindo registro daqueles momentos inesquecíveis! Hoje a Vanessa conta a história da chegada do pequeno Pedro.

Para ver todas as fotos e mais detalhes sobre o parto, acesse o perfil da fotógrafa Débora Silveira.


 

Dia 17/11/17, nossa história de parceria, apoio e cuidado

Às 23h meu trabalho de parto começou discretamente, mas já me roubando o sono.Contrações ritmadas me mostravam que meu corpo e meu filho estavam prontos para essa viagem tão linda.

Pouco tempo depois liguei pra minha amada Enfermeira e amiga Marcia Araújo e dali não nos largamos mais! Que anjos são esses que saem de casa às 4h deixando suas próprias famílias, se arriscando para cuidar do outro com tanta entrega?

A evolução foi rápida, fui acariciada no corpo e na alma o tempo todo com massagem, frutas e sobretudo com palavras de incentivo. Todas as que eu precisava ouvir para acreditar que era capaz.

Como foi vital estar em casa, no aconchego do meu lar e me sentir amparada. Saber que estava bem assistida, me sentindo respeitada e plena.

Às 11h fomos pra Maternidade e, nos momentos tensos de contração dentro do carro, lá estava a mão do meu anjo Marcia estendida pra me dar coragem. Gratidão, gratidão!

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Já na Maternidade como me senti acolhida e segura. Passa um turbilhão na nossa cabeça e quando você pensa em desistir, pensa não ter mais forças, pensa em anestesia (rs), você se encontra com essa força que já mora em você, que estava lá escondida esse tempo todo. Aí você “vira bicho”! Só quer se encontrar com seu maior e mais esperado presente: seu filho.

Quanta emoção, quanto hormônio, quanto amor!

Só tenho a agradecer a você Marcia e a todos do Parto por Amor porque fazem jus ao nome do grupo. Só quem ama muito o que faz e faz com tanto zelo pode se entregar assim.

Obrigada por emprestar seu abraço.
Obrigada pelo ombro quando não tinha mais forças.
Obrigada pela palavra amiga.
Por cada “você vai conseguir”.

Eu consegui, nós conseguimos! Vocês farão sempre parte dessa história, vocês são iluminadas! E só peço a Deus que continue protegendo, abençoando e concedendo muita saúde a vocês. Amo vocês!

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O atendimento pós-parto

O atendimento pós-parto

É comum a ideia de que a assistência obstétrica termina logo que o bebê (e a placenta!) nasce. Mas não é bem assim: o atendimento e o cuidado com a mãe e o bebê continuam no pós-parto. As consultas puerperais são fundamentais para ajudar a mulher a se recuperar, orientar a família e auxiliar no retorno à rotina.

Na assistência ao parto domiciliar dada pela nossa equipe, são feitas duas visitas no pós-parto e quando o parto é hospitalar, normalmente se faz apenas uma. Cada consulta tem um objetivo específico:

1ª consulta – Ocorre cerca de 24 horas após o parto. Nesse encontro, é feita uma avaliação obstétrica completa, que envolve verificar o sangramento, avaliar a cicatrização em caso de laceração e verificar a recuperação física em geral da mulher. Também avaliamos o bebê e o início da amamentação, além de revisar e informar sobre os primeiros cuidados necessários, como pegar sol, dar banho, tirar dúvidas sobre tempo das mamadas, horas de sono etc. Fora isso, também cuidamos da parte “burocrática”, como a emissão de DNV (Declaração de Nascido Vivo) e caderneta de vacinação.

2ª consulta – Este encontro acontece após 72 horas do parto. Nessa visita, é esperado que a amamentação já esteja em na fase da apojadura, que é a descida do leite, então acompanhamos essa etapa de maneira próxima. Além disso, revisamos novamente a cicatrização (em caso de lacerações) e o sangramento. A família também recebe orientações sobre os exames pediátricos e a primeira consulta com o pediatra, além de saber sobre as principais vacinas. Caso seja desejo da mulher, fazemos carimbo com a placenta e conversamos sobre o parto, cuidando da parte emocional e psicológica dos acontecimentos recentes. Também recebemos um retorno dela e da família sobre a percepção do nosso trabalho.

As visitas no pós-parto são de muita relevância para a nova mãe, mas também para a família mais próxima (marido, avó, ou quem mais for da convivência diária da mãe e do bebê). Nesses encontros, aproveitamos para conversar sobre a importância da amamentação e da rede de apoio, que precisa estar alinhada e dando suporte contínuo ao binômio mãe-bebê.

Esses encontros também importantes para nós, como equipe, e raramente deixamos de conviver com a família depois dessas visitas. Na verdade, o vínculo e a sintonia que se formam no pré-natal são tão grandes que não raro seguimos contato por mensagens, outros encontros, rodas de conversa e até ida aos aniversários dos pequenos!

Cada mulher tem o seu ritmo, seu tempo e forma de adaptação em relação ao papel de mãe e mulher e o retorno à normalidade na sua vida. Os encontros no pós-parto visam acolhê-la e apoia-la em toda essa transformação.

Roda de Conversa: dismistificando o parto domiciliar

Roda de Conversa: dismistificando o parto domiciliar

Vem aí mais uma Roda de Conversa da equipe Parto por Amor e o tema é imperdível: Parto Domiciliar!

Vamos tirar todas as suas dúvidas, ouvir relatos e experiências e trocar muita informação de qualidade sobre o assunto!

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Esperamos vocês!
Data: 21/09, sábado
Horário: a partir das 9h30
Local: Rua Padre Elias Gorayeb, casa 25 – Tijuca
Contribuição sugerida: R$15,00 (caso você não possa colaborar, não tem problema! Venha mesmo assim!)

Nossa roda é aberta a todos os interessados, sejam bem-vindos!

Roda de Conversa: Puerpério – as dores e delícias do pós-parto

Roda de Conversa: Puerpério – as dores e delícias do pós-parto

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Mais uma Roda de Conversa vem aí! Vamos conversar sobre as dores e delícias do puerpério, desabafar, entender os desafios desse período e encontrar quem está passando pela mesma fase.

Esperamos vocês!

Data: 12/08, sábado
Horário: a partir das 9h
Local: Leblon (para mais detalhes sobre o local, favor mandar e-mail para partoporamor@partoporamor.com.br)
Contribuição sugerida: R$15,00 (caso você não possa colaborar, não tem problema! Venha mesmo assim!)

Nossa roda é aberta a todos os interessados, avise às amigas e aos amigos!

Relato de parto domiciliar: o nascimento do Tintim

Relato de parto domiciliar: o nascimento do Tintim

Um nascimento tranquilo e amoroso só poderia ter um relato assim! Veja que bonita a história da chegada do Tintim, filho da Gabriela!

Parto domiciliar assistido pela equipe Parto por Amor.


 

Tenho dois filhos. As duas gravidezes não foram planejadas, mas abraçadas com todo amor e dedicação que o pai e eu pudemos dar a essas vazões do insconsciente. Eduardo nasceu dia 30/07/2014 num parto humanizado hospitalar, com circulares de cordão, com a bolsa, com a mamãe de cócoras sendo sustentada pelo papai. Não houve anestesia nem episiotomia nem imposição de posição para parir, foi um parto respeitoso, uma boa experiência para nós.

Quando descobri a segunda gestação, com um sonho com minha mãe que me anunciava um tempo de tormenta seguido de bonança, após firmar o meu desejo nessa nova etapa da maternagem, asseverei: quero que seja em casa. Algumas coisas passavam pela minha cabeça/coração de mãe: não quero que a primeira noite que eu durma sem meu filho (a dpp era pro mês que ele completa 3 anos, ele mamou até o quinto mês de gestação) seja justamente a da chegada de um novo membro na nossa família; não quero estar no ambiente hospitalar, se não for preciso, para lidar com a experiência do parto novamente (nós nos mudamos entre uma gravidez e outra para a nossa casa efetivamente e aqui é o lugar onde me sinto mais segura no mundo e uma outra coisa: por protocolo hospitalar, tomei antibiótico na veia no primeiro TP em razão de strepto b positivo mesmo não tendo bolsa rota). Comecei o pré-natal no SUS com a primeira pessoa que soube da gestação- minha amiga amada Julia Morelli, minha companheira de gestação do primeiro filho e a médica de família da minha família. Até o fim Julia esteve conosco, sendo ombro firme e cuidado amoroso em cada escolha nossa. Terminei o pré-natal em casa com minhas EOs, que coisa ótima foi ter esses acompanhamentos! Visão global da saúde da família e cuidado em casa são divinos, todos merecem!

Cada gestação é única, mas as histórias que já carregamos ajudam a conhecer nosso corpo e nossas esquinas emocionais, passei então pelas ondas de cada semana imaginando os recursos que deveria ter para lidar até o fim (e reconhecendo meus limites também, com 35 semanas voltei pra terapia depois de 3 anos afastada). Muitas coisas aconteceram e muitos planos não aconteceram ao longo do tempo, mas eu nutri a perspectiva do parto em casa em todos os momentos (teve mudança de planos de equipe, mudança de yoga, chá de bebê que não rolou, enfim, lista longa…).

Lá pelo sétimo ou oitavo mês fechamos a nossa equipe, que contaria, além das enfermeiras obstetras do Parto por Amor (escolhidas depois de muita procura), com a participação da minha amiga também muito amada e companheira de gestação duas vezes – a Helena, minha doula. Se na época dos nossos primeiros filhos o apoio dela foi fundamental pra minha amamentação, agora seria pro parto.

A gestação do Eduardo durou 39 semanas, senti a primeira cólica dos pródromos com 39+3 e ele nasceu com 39+5. Me preparei pra trabalhar pelo menos até esse momento nessa gestação pra não perder a licença depois. Quando a semana 39 iniciou já tinha rolado escalda pés e troca de lua, eu via uns primeiros tímidos sinais no meu corpo e me preparava pra o momento que viria. Era a última semana de aulas e trabalho, fechava as coisas dia a dia, sem saber quando seria minha nova oportunidade de trabalhar, fazer yoga, discutir um texto, mas sem muitas expectativas também.

Acordei às 6h do dia 29/06 com uma cólica dolorida. 39+3. Com a mesma IG e no mesmo horário da primeira gestação, eu sentia os sinais do trabalho de parto. Pedi que marido levasse filho pra escola e fosse trabalhar. Sabia que até o fim do processo poderiam se passar dias (foram mais de 48h entre a primeira dor e o nascimento do meu primogênito) e eu queria/precisava fazer a minha despedida da barriga. Das 8h às 13h eu chorei, cantei, dancei, conversei com minha mãe em pensamento (esse é o décimo ano de seu falecimento), escureci toda a casa para me conectar com meu filho e meu corpo. Tomei banhos, fiz um chá de canela, comi chocolate, arrumei os cantinhos da minha casa e lavei a louça – me preparei e preparei o ambiente para a chegada do Tintim. Esse momento foi maravilhoso. Eu recebia muito bem as dores, entendia o processo, gostava dele. Às 13h marido chegou, eu almocei (muita comida!!), senti um breve desligamento daquela entrega toda da manhã e combinei com ele que faríamos uma caminhada de 14h as 15h, de modo que desse bastante tempo pra ele pegar o pequeno na escola depois. As contrações estavam com algum ritmo, mas eu não cronometrei, não queria pressões e ansiedades nesse momento. Fomos caminhar. Alisson e eu somos muito reservados e não lidamos bem com a intromissão de desconhecidos, mas resolvi correr o risco de dar dez passos e parar pra uma contração ciclicamente em público. Pretendia caminhar uma distância cinco vezes maior, mas parei no mercado próximo, fui ao banheiro duas vezes e me abaixava pra ver o preço de um produto imaginário sempre que a contração vinha enquanto comprávamos chocolate. Só uma pessoa nos abordou em todo o trajeto, justamente em meio a uma contração e marido lidou bem, protegendo a situação. Essa hora passou voando e eu só queria voltar pra casa pra ir pro chuveiro. Aí a coisa pegou mesmo e desisti de querer ficar sozinha. Demandei a presença do Alisson e meu filho foi buscado na escola pela dinda que estava de sobreaviso. Devia ser 15:30h nesse momento que eu senti que era pra valer e que talvez não demorasse 48h de novo.

Em algum momento chegou a Camila, a EO que eu escolhi no primeiro momento que vi em uma roda de conversa. Ouviu os batimentos do Tintim, falou rapidamente comigo, fez uma massagem e ficou por perto. Depois chegou a Helena com mais massagens, um apoio muito conhecido e desejado e um corpo também grávido, no qual muitas vezes me apoiei pra suportar a contração (com culpa, hehe). O Alisson estava ajudando a preparar a casa para o parto, mas eu não consigo sem ele, demandava sempre sua presença porque estamos nessa juntos e sentir ele do meu lado é muito importante pra vencer o processo. Nisso Eduardo chegou da escola, me viu sofrendo, perguntou porque eu gritava, acolheu a explicação que lhe deram sobre não ser triste e sim a chegada do irmão, me deu um beijo, fez carinho e quis ir brincar no quarto com a dinda.

Comecei a pedir a piscina porque no lugar onde eu tava – nesse momento, o chão do meu quarto – não rolava uma posição possível pra aguentar. Eu gritava o máximo que conseguia para tentar “ganhar das contrações” (uma ideia que eu também tive no primeiro TP, mas que demandou menos intensidade, ou é como me parece hoje), minha sensação era de puro desespero, as dores eram avassaladoras demais pra eu passar sem o mínimo de segurança com a posição que estava. Empurrar a cama não era bom o suficiente, agachar também não, levantar a pelve também não. Pensava que eu precisava garantir um bem estar mínimo que eu tive no parto do Eduardo, pois se eu passasse ainda muitas horas daquele modo eu não conseguiria.

Demandava a piscina a cada intervalo entre as contrações, mas ela não estava preparada ainda. Eu não sabia da minha evolução – assim como no primeiro parto, pedi novamente pra não saber a dilatação e dessa vez não foi feito nenhum toque em mim durante todo o TP 💜💜.

Assim como no primeiro parto, o tampão não havia saído antes e nem a bolsa, então eu realmente não tinha parâmetros de duração daquilo tudo. As pessoas que estavam comigo, contudo, sabiam que estava prestes a acontecer e quase todos foram lá tentar acelerar a piscina que eu tanto pedia, já que sabiam que Tintim podia nascer ali no quarto mesmo. A bendita piscina ficou mais ou menos pronta e lá fui eu. Entrei, meio que deitei, veio uma contração, senti o pequeno alívio da água quente, mas nada que eu achasse ser suficiente pra levar o processo até o fim. Olhei pra Ana, a EO que estava na minha frente, e vi que ela não estava de luvas, pensei que poderia demorar.

Mais uma contração: saiu a bolsa e eu senti. Vi que a Ana já estava de luvas. Rs “Agora vai, pensei eu”. Mais uma contração e senti a cabeça forçando, descendo e saindo. Aconteceu aquele momento que nos vídeos parece mágico: a cabeça saiu, a parturiente sentiu e ficou ali, mas eu só pensava “pelo amor de Deus, arranquem logo essa criança pra esse desespero acabar, mete a mão e puxa ele, Ana”. As únicas palavras que saíram da minha boca pra traduzir tudo isso, contudo, foram “ajuda, ajuda”, ao que a Ana respondeu com um olhar de carinho e força muito bonito, que me encorajou bastante sem saber da violência que eu secretamente desejei que ela praticasse. Rs.

No meio disso mais uma contração e senti o giro do corpinho e pensei “vai sair, nem que eu tenha que fazer força até amanhã” – nessa altura eu só queria que acabasse o mais rápido possível. O curioso é que mesmo estando muito mais consciente do meu corpo e do que é parir (talvez justamente por isso) eu não sentia vontade de fazer força para que o neném saísse, eu sentia vontade de ajudar a abertura do canal vaginal (por isso abria bem a boca quando gritava) mas não de fazer o puxo. Em duas contrações ele saiu, Ana amparou e imediatamente me entregou. Eu peguei meu neném, senti ele em meu colo, meu mais velho ouviu e veio correndo do quarto. Ficamos ali os quatro num eterno segundo e todos estavam invisíveis à nossa volta. Tudo parou e recomeçamos como 4 que são uma família nova, mesmo já sendo família, como 4 que se reconhecem numa unidade de amor e acolhimento.

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De novo eu não chorei, eu me emocionei profundamente mas estive todo o tempo consciente da minha importância ali por inteira, sem nenhuma dimensão solta. Tintim não foi separado de mim nos primeiros minutos pra nada. Mamou assim que quis. Chorou só um pouquinho, bem fininho pra garantir que estava tudo bem. Quando o peguei achei que parecia prematuro de tão pequeno e magrinho, mas na verdade ele veio maior e mais gordinho que o irmão, pesando 3250g e medindo 51cm. Logo ao levantar da piscina senti que a placenta nasceria, escorrendo por mim. Assim foi, chamei a Ana pra amparar também. Fui pro meu quarto, me aninhei com minha família em minha cama e tudo fazia sentido no conforto do meu lar tão cheio de vida. Mulheres muito amadas me rodeavam, os homens da minha vida completavam minha felicidade, que ficou gigante quando meu pai também chegou e se reuniu conosco.

Novamente lacerei e precisei de dois pontinhos. Fui cuidada pelas mãos muito doces da Flávia, que me avisava de tudo que faria e era sempre delicada. É muito diferente quando os pontos acontecem no conforto da sua cama, a seguir de um banho revigorante, e não na frieza do hospital. Depois do carimbo da placenta, todo mundo ainda ajudou a arrumar a minha casa pra rotina se assentar.

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Jantamos, o mais velho foi dormir com o pai, fiquei lambendo a cria nova e depois descansamos todos, passamos nossa primeira noite como família assim juntinhos, no nosso lar.

Não posso dizer que saiu tudo como o planejado porque acho que foi tudo melhor do que eu esperava.

No Brasil, os protocolos para parto domiciliar são mais rígidos do que nos EUA e em países da Europa, é realmente muito tranquilo optar pelo parto em casa se a gestação for de risco habitual e o bebê estiver bem no trabalho de parto. Evidências científicas demonstram que é tão ou mais seguro que o hospital o ambiente da casa para uma mulher que já pariu. O mesmo monitoramento que é feito no hospital é feito pelas enfermeiras obstetras/obstetrizes em casa no TP. Se você é elegível pra parto domiciliar, confie na sua capacidade de parir e na sua equipe, não hesite em viver esse momento de maneira tão especial e respeitosa. Juntas, gestante e equipe traçam planos a, b e c para o parto e as chances de um desfecho ruim são menores do que nos partos hospitalares, inclusive pela necessária ausência de intervenções no parto em casa.

Meu filho nasceu como meus pais nasceram, pari como minhas avós pariram (e também a Gisele Bündchen, a Bela Gil, entre outras) e assim me sinto também mais conectada com a minha história, socialmente construída, e a minha fisiologia. Pari com música, com vela, com água, em casa. Poderia ser de mil jeitos, mas foi desse jeito assim, bem bonito e muito natural. Pena que não deu tempo de chamar a fotógrafa pra eternizar essas memórias lindas.

Que todas as mulheres possam ser tão respeitadas como eu fui, tão bem cuidadas como eu fui, tão amadas como eu fui. Agradeço a todas que me rodeavam, ao meu marido (fundamental para todas as minhas decisões) e aos meus filhos – por me ensinarem antes mesmo de nascerem tanto sobre tempo e amor.

Gabriela Azevedo