Relato de parto: o nascimento da Aurora

Relato de parto: o nascimento da Aurora

Hoje é dia de relato de parto! A Madalena conta a história do nascimento da Aurora e promete: o segundo filho vai nascer em casa! Vem conhecer e se encantar com essa família!

***

Após oito dias do nascimento da nossa pequena e já com os horários, dormidas e mamadas mais ou menos ajustados, venho aqui compartilhar o quão maravilhoso foi o nosso parto, sim, nosso parto, pois eu e Cátia parimos juntas a nossa Aurora. Tentarei resumir a nossa belíssima experiência.

Desde muito nova tinha o sonho de ser mãe e sempre dizia que seria de parto normal, pois para mim existia o parto normal e a cesárea, e eu não tinha noção das inúmeras questões que envolviam esse tema. Até que finalmente, depois de inúmeras tentativas (assunto que vale um outro relato para contar a saga da concepção) nos vimos grávidas! E junto com a gravidez, as inúmeras questões vieram a tona e começaram a me beliscar.

Relato Madalena

Ainda queria o parto normal, só que comecei a ficar apavorada, pois a maioria das mulheres que eu perguntava sobre sua experiência de parto diziam que queriam parto normal mas na hora teve que ser cesárea, e os motivos eram os mais variados possíveis: cordão enrolado na criança, pressão alta da mãe, bebê muito grande, mãe muito velha, falta de passagem, trabalho de parto interminável… E quando eu dizia que meu parto seria normal ouvia coisas do tipo: menina dói demais, você tá doida, ou, tem certeza disso? Ou ainda, caramba tem que ter muita coragem! Geralmente os comentários eram negativos, com algumas exceções claro, e me deixavam bem desanimada.

Mas eu continuava com a minha ideia fixa do parto normal e começamos a nossa busca por respostas! E tivemos muitas respostas, e à medida que íamos nos informando, muitas outras dúvidas surgiam, e esse processo foi libertador, pois fui me encorajando e aprendendo a não dar mais importância aos comentários negativos quando eu dizia que tentaria parto normal. A minha tática era dizer que tentaria, pois assim os comentários que vinham logo após eram insignificantes pois eu “só tentaria”. E essa nossa busca nos colocou diante de duas pessoas maravilhosas, a Médica Obstétrica Polyanna Azevedo e a Enfermeira Obstétrica Mariana Zukoff da Equipe do Grupo Parto por Amor, e nós quatro decidimos que eu seria assistida em casa pela Mari até o avanço seguro das contrações e dilatação e depois seria transferida para o hospital onde a Dra Polyanna completaria a nossa equipe para receber a Aurora. A ideia de ir para o hospital, foi pelo simples fato de ter a opção da analgesia, caso eu implorasse para isso (ainda duvidando da minha garra), ma no meu íntimo eu não queria, nunca quis, e eu sabia que o meu desafio seria não pedir por isso!

Relato Madalena-5

Pois bem, conversa vai, consulta vem, passaram os meses e o grande dia chegou! Não foi uma longa espera, minha gestação foi muito tranquila, não tive enjoos nem desejos mirabolantes (poderia ter inventado alguns só para deixar a Cátia louca), trabalhei até o dia anterior ao parto, tive pouquíssimos incômodos musculares e um aumento de peso insignificante, por isso o tempo passou que nem vimos!

Relato Madalena-3

A lua da Aurora virava dia 18 de maio, então no dia 10 resolvemos ir para uma cidadezinha da Serra para resolver algumas coisas e aproveitar para respirar um ar puro, diminuir a ansiedade, relaxar um pouco e nos preparar para o seu nascimento. Tivemos um sábado lotado de por menores para resolver, ao chegar a noite estávamos bem cansadas. Fomos dormir, eu já com 39s e 2d. Às 22:40 senti coisa estranha, uma dorzinha na barriga, fui ao banheiro e tudo se resolveu. Mas fiquei com a pulga atrás da orelha, pois já havíamos conversado com a Mariana sobre isso. A mesma dor veio às 23:40 e 00:40. Comecei a desconfiar que Aurora estava querendo chegar!! Cátia me perguntou o que estava acontecendo e eu disse que era mal estar de grávida, não queria deixá-la preocupada e sem dormir porque sabia que precisaria muito dela mais tarde. Enviei uma mensagem para Mari que me orientou a dormir, descansar e descer a serra ao amanhecer. Só que dormir naquele momento era humanamente impossível pra mim, pois meu coração estava na aceleração máxima. Ainda estava tratando o incômodo como dor, que vinham de 30 em 30min, até que as 03:29 o tampão saiu, foi quando tive certeza que estava em trabalho de parto e que não eram dores, e sim, contrações! Acordei a Cátia e expliquei o que estava acontecendo. Pronto!! Parece que o tampão dela também havia saído!! Às 04:00 estávamos tomando café da manhã e as contrações já estavam de 15 em 15 minutos. Esperamos amanhecer e descemos a serra, no dia das mães, acompanhadas de uma aurora magnífica, dando boas vindas à nossa pequena Aurora!

Relato Madalena-2

Chegamos em casa às 08:00, e foi aquele vuco vuco, Cátia foi terminar de arrumar a mala da maternidade, limpar a banheira da neném, separar documentos, enquanto eu me concentrava nas contrações, uma inquietação, andei por todos os cômodos, várias posições, banho quente, não parava mais nada no estômago, nem água, contrações de 4 em 4 min e duradouras (mais de 40 segundos). Às 13:30 Mari chegou em nossa casa, tranquilona, achando que o trabalho de parto perduraria por muito tempo, auscultou Aurora que estava ótima e fez o toque, aqui tive minha primeira injeção de ânimo pois já estava com 5 pra 6 de dilatação! Pensei: já estamos na metade, se aguentei até aqui, aguentarei até o final! Voltei o foco para a respiração.

Às 14:50 veio o momento mais tenso do trabalho de parto: a transferência para o hospital, fui no banco de trás com a Mari, e Cátia na frente com o nosso primo (acalmando ele), trabalho em equipe, não consegui mudar de posição durante todo o trajeto, quase arranquei o banco de tanta força que colocava (cujo braços doem até hoje), coitada da Mari, pois a apertei muito!! rs…enfim chegamos à Perinatal da Barra às 15:20, arranquei forças e desci do carro, fui direto para uma cadeira de rodas, e praticamente invadimos a emergência, tiraram minha pressão, nesse momento eu já não conseguia ficar nem em pé nem deitada! Dra Polyanna chegou praticamente junto com a gente, fomos para a sala de parto e ela auscultou a Aurora que estava ótima. Foi nesse momento que tive a segunda injeção de ânimo, estava com contração máxima!!! Pensei: já estou sentindo a dor máxima, agora é só fazer força, e foi o que fiz, quando a Dra disse que já dava para ver a cabecinha da Aurora tive a terceira e derradeira injeção de ânimo, agarrei a Cátia e obedeci o meu corpo que pedia a força, na terceira força senti aquele vazio dentro de mim que automaticamente foi preenchido pelo barulho mais lindo do universo, era o choro da Aurora, que veio ao mundo com muita força e completamente preparada para tanto, veio para o meu colo imediatamente, quentinha e com um cheiro delicioso que não existe nada que possa ser comparado!! Eu e Cátia ficamos estateladas diante de tanta perfeição! Cátia cortou o cordão e me entregou nossa filha, que mamou lindamente, como se estivesse aguardado 9 meses por esse momento! Foi mágico!! Ainda vai levar um tempo para que eu consiga falar desse dia sem me emocionar, é incontrolável e inexplicável!!

Relato Madalena-4

Sim, resumindo, agora posso dizer que o meu parto foi lindo e humanizado, pois fui respeitada como mulher durante todo o pré natal pela Dra Polyanna, não teve toque antes da hora e as nossas conversas sempre foram muito claras e explicativas, o que me deixou muito confiante para o grande dia. Em casa recebi toda a atenção da Enfermeira Mariana, teve ultrassom natural e muita conversa. No dia do parto sua presença me deixou super segura e livre para me concentrar nas contrações, trabalhando a respiração para manter a calma, teve banho quente para amenizar a dor, massagem e muita energia positiva. Totalmente confiante no trabalho da Mari, Cátia pode se concentrar nas questões mais práticas como as comidinhas e a transferência para o hospital, que juntamente com nosso primo formaram uma dupla dinâmica e eficiente, porque percorrer a Grajaú-Jacarepaguá com contrações duradouras e a cada dois minutos, é só para os fortes, mas eu sabia que não poderia estar na companhia de pessoas melhores e continuei focada na respiração. Já no hospital, pude ficar na posição que mais me senti confortável (quatro apoios), só ouvi palavras de incentivo, fui super compreendida, não teve intervenção alguma, tinha pouca luz, massagem nas costas e uma trilha sonora ótima. E eu não pedi analgesia!!! A minha bebê recebeu toda a tenção da equipe, saiu do útero e veio direto a mim, contato pele a pele, foi aguardado o tempo ideal, na medida do possível, para o corte do cordão, mamou logo após o nascimento e ficou com o vérnix durante mais de 24 horas! Foi um parto naturalmente perfeito!

Relato Madalena-7

Relato Madalena-8

Relato Madalena-9

Aurora veio ao mundo no dia das mães, com duas mães sedentas a amá-la! Agradeço a Deus por nos permitir viver esse amor, agradeço imensamente à Cátia por compartilhar comigo esse sonho lindo que virou realidade, à Dra Polyanna por entender e atender o meu corpo e à Enfermeira Mariana por toda a minha preparação e falar comigo por “telepatia” durante o trabalho de parto, à Dra. Lara Pediatra pela dedicação e atenção no parto e nos dias seguintes e a toda equipe de Enfermagem presente. Aurora nasceu no dia das mães e no dia da enfermagem!!E para finalizar, finalmente, gostaria de dizer para todas as mulheres que terão filhos: se informem e se preparem para esse grande dia, pois sim, dói bastante, mas não há sofrimento, sim, o nosso corpo é preparado pra isso e sim, nós podemos fazer isso, pois somos naturalmente fortes e capazes!! Se tiver uma segunda gravidez, será um parto domiciliar! 😉

Relato Madalena-10