Relato de parto: o nascimento do Pedro

Relato de parto: o nascimento do Pedro

Hoje é dia de relato de parto! A Karina conta a história do nascimento do Pedro com muitos detalhes, coragem e amor! Vem conhecer!

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A história do meu parto começou há bastante tempo: há 8 anos, quando eu ainda cursava a faculdade de Enfermagem e passei no concurso de acadêmica bolsista da Prefeitura do Rio, optando por ser lotada numa maternidade. Lá me apaixonei pela Obstetrícia (já gostava) e tive a oportunidade de vivenciar o parto mais humanizado e mais lindo que poderia ter visto, assistido pela EO Rachelli Iozzi: parturiente na banqueta, recebendo massagens do parceiro, que estava sentado atrás, quarto na penumbra, parto natural. Saí dali convicta que era aquele tipo de parto que desejaria ter.

Ao descobrir a gravidez, iniciei o pré-natal pelo plano em um projeto “Parto Adequado” e optei por contratar uma enfermeira obstétrica para que pudesse me assistir em casa durante o trabalho de parto, me permitindo ir à maternidade com segurança somente com dilatação bem avançada para evitar a ansiedade de estar no ambiente hospitalar e possíveis intervenções. Escolhi minha EO – Camila Barreto, da equipe Parto por Amor. Escolha mais que acertada!!! Um anjo que entrou nas nossas vidas!!! Super recomendo!!!

Durante a gravidez, cuidei da alimentação, fiz exercícios aeróbicos a partir do segundo trimestre e pilates a partir das 24 semanas. Tive uma gravidez super tranquila, apenas uma lombalgia, que no final comprimiu o nervo ciático, causando muita dor e dificuldade para andar, e uma infecção urinária. Estudei muito sobre parto normal e natural, li vários relatos de parto aqui no grupo e dei muitos textos para meu marido ler. Com 37 semanas, descobri e iniciei a ingestão de 6 tâmaras/dia. Com 39 semanas, comecei a dançar e intensifiquei meus exercícios na bola de pilates. Tudo em busca do meu tão sonhado parto normal, de preferência natural.

No dia 07/09/18, resolvi caminhar na praia para dar uma relaxada e ver se entrava em trabalho de parto. Tirei várias fotos da barriga (foram as últimas, rs). A 00:30 do dia 08/09, minha bolsa estourou. Fiquei chateada, desejava que ela rompesse somente durante o trabalho de parto, tinha receio das contrações não engrenarem e necessitar de indução. Avisei minha EO, ela disse vai dormir, descansar, que daqui a pouco as contrações chegam. Não consegui descansar, fiquei agitada, fui checar as bolsas da maternidade e inventei fazer várias coisas. Às 2h, resolvi deitar, minutos depois tive a primeira contração, levantei, meu marido também, 10 minutos depois, tive outra, e continuei tendo várias de 7 em 7 min, 10 em 10 min. Tentei comer às 4h, não havia jantado e queria comer para ter energia para o parto. Às 4:30-5h, vomitei muito, depois tive outros episódios de vômitos. A dor vinha e eu só queria ficar no meu chuveiro com água quente, um alívio absurdo. Falei com o meu marido: “As dores mal começaram e eu já quero pedir arrego, rs. Com certeza, mais a frente, vou dizer que quero analgesia, que não aguento, você não deixa”.

Às 6h, minha EO chegou, eu estava no chuveiro e lá fiquei. Ela ascultou o coraçãozinho do bebê, tudo ok e só um tempo depois que ela pediu para eu dar uma saída para ela me avaliar, fez o toque, não me disse com quanto de dilatação eu estava e eu também nem perguntei, acho que eu estava me poupando da ansiedade. Depois do parto, descobri que estava com apenas 1 cm de dilatação (ainda bem que não soube antes!).

As horas foram passando, as dores piorando, por algumas vezes eu disse para minha EO e para meu marido que se demorasse mais, eu não aguentaria. Eles me diziam que já estava chegando a hora, mas eu sabia que ainda faltava muito e ficava angustiada, com receio de não conseguir. Apesar disso, em nenhum momento pensei em fazer cesárea. Tenho pavor de qualquer cirurgia denecessária. Mas eu sozinha no banheiro pensava comigo mesma: “Meu Deus, por que eu inventei ter parto natural, que dor é essa?”’ Pensei que todas as mulheres do grupo e eu éramos malucas, que não era possível fazer uma escolha dessas. Rsrs.

Mas mesmo assim, eu continuava no meu chuveiro, saía às vezes, andava, mas quando a dor vinha muito forte, eu corria p/ lá. Recebi massagens maravilhosas da minha EO, aliviaram bastante a dor enquanto eu estava fora do chuveiro. Não consegui fazer os exercícios que planejei, não agachei durante as contrações, eu estava cansada por não ter dormido.

Às 14:30, minha EO fez o toque, mas uma vez fiquei sem saber. Rs. (estava com 7 cm). Voltei para meu chuveiro, e depois ela me disse que era para eu me arrumar para ir p/ maternidade. Saí, mas no fundo achava que não tinha evoluído muito, porque eu não tinha contrações de 5 em 5min, 3 em 3 min.

Chegamos à maternidade às 16h, minha GO me avaliou, disse que eu estava com 8 cm de dilatação (Ufa!), mas que o bebê estava assinclítico e que meu expulsivo demoraria um pouco mais (aí, já não gostei, rs, imaginei, mais umas 5h, não aguento mais isso tudo). Durante o percurso e chegada na maternidade, voltei à minha racionalidade, voltei a conversar com as pessoas, despertei do meu momento e do Pedro.

 

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Fomos para a sala de parto, já cheguei perguntando sobre a banheira. A enfermeira da maternidade começou a encher e só depois dela toda cheia, que começou a aquecer. Perguntei sobre o chuveiro, nessa sala não tinha.

Entrei na banheira sem a água estar totalmente quente, antes tentei agachar com a bola de pilates encostada na parede, mas para mim parece que só a água quente funcionava. Lá fiquei, minha EO colocou gotinhas de lavanda em volta da banheira, fiquei no escuro, não quis escutar minha playlist, fiquei lá de olhos fechados, escutando o barulho da água e com a hidromassagem agindo nas costas, uma maravilha, me reconectei ao meu corpo e ao meu momento e do Pedro.

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Comecei a gritar diferente e minha GO pediu que eu saísse para me avaliar, eu estava com 9 cm e ela disse novamente que o expulsivo demoraria um pouco porque a cabeça do bebê estava posterior. Falou que eu podia voltar tranquila para a banheira. Voltei e em 5 minutos, comecei a ter contrações mais fortes e que me deram uma vontade enorme de fazer força, na terceira, eu disse “eu acho que tô sentindo a cabeça”, minha EO pediu p/ eu levantar, mais uma contração, veio a cabeça e outra o corpinho. Pedro nasceu em no máximo 10 minutos depois que estava com 9 cm, provando que Deus age sobre todas as coisas e a natureza é perfeita. Não sei como, mas evoluí super rápido e o expulsivo foi mega tranquilo! Só Deus mesmo para explicar!

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A partir de então, a dor sumiu e me senti super feliz, e mal pari e já achava que tudo tinha valido super a pena, que não tinha sido nem um pouco ruim, muito pelo contrário. Faria tudo de novo!!! Foi incrível!!! Tive uma laceração parauteral, que necessitou de apenas 1 ponto. Com 13 dias, na consulta pós-parto, o ponto já havia caído e ela estava cicatrizada.

Eu agradeço a todas as mulheres que compartilharam seus relatos aqui no grupo, eu lia uns 3-4 por dia, e com certeza, me ajudariam muito nessa caminhada, me deram o empoderamento que eu precisava para conseguir. Agradeço também a minha EO e ao meu marido, que ficaram comigo durante todo o trabalho de parto, me tranquilizando e me encorajando, e a minha GO, por toda a atenção e carinho dados desde o início do pré-natal.

<3

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