Relato de parto domiciliar – o nascimento do Lucas

Relato de parto domiciliar – o nascimento do Lucas

Mais um lindo de parto domiciliar que tivemos o prazer de prestar assistência! Leia o relato da Linda sobre o nascimento do Lucas!


Desde o começo, a gravidez do Lucas foi diferente da do Paulo. Primeiro porque depois do Paulo ter nascido de forma respeitosa e com muito amor na água, em ambiente hospitalar, o Thedy e eu concordamos que nosso segundo filho nasceria em casa com muito mais intimidade e menos protocolos. A decisão estava tomada muito antes da concepção! E com essa decisão, a aventura começou.

Por uma decisão familiar e muitos motivos pessoais, eu, Thedy, Paulo (de dois anos) e Lucas (com 26 semanas de gravidez) decidimos sair da Venezuela por um tempo para nos aventurar, tendo em vista que teríamos um parto em casa graças à ajuda das minhas duas irmãs e suas famílias no Brasil.

Ainda na Venezuela, nós tínhamos pesquisado várias equipes de parto domiciliar e humanizado, mas chegamos no Brasil marcando consultas e tentando definir quem nos acompanharia nos últimos meses de gravidez, durante o parto e pós-parto. E foi assim que chegamos no Parto por Amor (uma amiga da minha irmã também tinha recomendado uma equipe que a acompanhou em seu parto e, por acaso, já era uma equipe com quem estávamos em contato mesmo antes de sair da Venezuela).

Sem hesitar, marcamos um encontro com a Marcia e a Mariana e, desde esse primeiro momento, nos conectamos com o calor humano delas, com a simplicidade, com o conhecimento e, principalmente, com a maneira delas de nos guiar e a atenção que tinham com cada dúvida que tínhamos. Com 28 semanas começamos com elas e o Lucas crescia saudável e forte. A data provável de parto era entre 24 e 27 de janeiro, então ele aproveitou bastante o Natal e o Réveillon dentro da barriguinha da mamãe.

Com 38 semanas, eu sentia que não aguentava mais o meu peso, não conseguia mais atender às demandas do Paulo, caminhar, respirar, tomar banho, dormir rs! Tudo era mais difícil, mas, ao mesmo tempo, eu estava emocionada pois iria conhecer o Lucas, tudo já estava pronto para recebê-lo em casa.

Quando estava grávida de 40 semanas do Paulo, tinha um desejo fortes de ir à praia, era como se o meu corpo pedisse, então com 40+2 eu finalmente fui, relaxei e aproveitei muito – meu corpo sentiu e na madrugada em que eu estava com 40+4 comecei a ter contrações e Paulo nasceu na mesma noite. Já na gravidez do Lucas, com 39+5 nós fomos ao Leblon, passamos um dia em família, o sol estava lindo, a areia, a água… e relaxamos. No dia seguinte, acordei com a perda do tampão mucoso. Na sexta, sábado e domingo, permaneci do mesmo jeito, mas na madrugada de segunda, chegaram as contrações. Eram suaves, mas estavam presentes. Ficavam intensas e depois paravam… Perdi um pouco de sangue com o tampão, passei o dia sentindo algumas contrações. De tarde, saímos para caminhar na Lagoa, para ver a paisagem e respirar. O ar puro fez eu me sentir livre; eu parava para respirar a cada contração, eu sabia que estava cada vez mais perto.

Minha família toda dormiu na minha casa. Minhas irmãs arrumaram a sala de um jeito lindo, como eu tinha imaginado… velas, flores, música, temperatura ideal, água, chá, lanches… tudo era muito agradável. A Marcia e a Mariana já estavam a caminho, as contrações vinham a cada 5 minutos, eram intensas, eu as recebia com a respiração curta, inspirava e expirava fazem “ohm” com a boca aberta. As mensagens que eu tinha colocado na parede me ajudaram que eu me mantivesse concentrada, pensando que a dor era temporária e que a existência do Lucas na minha vida seria infinita, que o meu corpo estava pronto para isso e eu só tinha que me deixar levar…

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A Marcia e a Mariana chegaram e foi como se meu corpo entendesse que eu estava segura, já que tudo estava pronto e eu não precisava me preocupar com mais nada. Comecei a sentir as contrações mais próximas, quando eu achava que estavam insuportáveis, olhava para o Thedy e eles com seus olhos e palavras certeiras e profundas me dava conforto. Eu lembro de tudo que ele dizia: “você está fazendo tudo certo e eu sei que você consegue. Estou aqui.” E os braços dele cercavam meu corpo e o corpo dele me ajudava a passar por aquela dor. Quando a contração passava, eu me recuperava tomando água de coco e comendo nozes que minhas irmãs me davam, sentia as mãos da Mariana e da Marcia com óleos suaves na minha cintura, o que era muito confortável para o meu corpo. Quando voltava a contração, eu sempre queria sentir alguém por perto para segurar a minha mão e me sentir apoiada. Tentava me concentrar na respiração e na música, sem dar tanta bola para a dor, assim ela não me deixaria tão exausta.

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Elas ficaram monitorando os batimentos do Lucas e ouvi-los me dava ainda mais força. A posição do coração estava cada vez mais embaixo e me lembro da Marcia dizendo que tudo estava indo muito bem, que eu estava fazendo um bom trabalho e o bebê estava descendo. Na minha mente, eu repetia: “mais perto, mais perto”.

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Olhei pela janela e notei que tinha começado a chover muito e ficamos todos surpresos: a natureza me deu de presente uma chuva cheia de força e o som das gotas caindo era tão vibrante que eu não precisava de outra trilha sonora.

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A piscina estava pronta e eu decidi entrar, a água quente ajudou na pressão que eu sentia na cintura, a dor diminuía na água. Thedy entrou na piscina já pronto para receber seu segundo filho e nesse momento eu pensei no Paulo, imaginei o sorriso dele e isso me distraiu totalmente. Senti que fui até seus sonhos abraça-lo e dizer que estava perto dele conhecer o irmão. Minha irmã Evelin ficou atrás de mim, me dando sustentação. Cada vez que vinha uma contração, ela falava comigo baixinho e me dava muita força, me dizendo o quão forte eu era e que eu estava indo muito bem. Quando a contração passava, eu falava pra gente descansar, pois sentia o esforço que ela estava fazendo em me segurar.

Minha irmã Hildana ficou na minha frente e parecia estar numa mistura de felicidade, emoção, gratidão, plenitude e amor só por poder estar ali me dando apoio. Ela atuou como uma doula que, sem se fazer tão notada, faz tudo para que a mulher se sinta bem.

Eu estava pronta para empurrar, mas era uma sensação confusa e não estava conseguindo entender o meu corpo. No começo, vinha uma contração forte e, no final, uma sensação de liberação incontrolável. Coloquei minhas mãos e senti a cabeça do meu filho muito pertinho, enquanto o Thedy dizia: “está muito perto, amor, vamos, você pode!”. Me concentrei na vontade de empurrar, respirei forte e senti uma ardência (essa ardência cheia de vida que queima quando a cabeça do bebê está saindo e a vagina dando espaço para isso acontecer). Quando a vontade de empurrar parava, eu gemia, descansava, escutava e via as carinhas de felicidade ao meu redor – como não se fortalecer com isso?

Thedy estava com as mãos preparadas para receber o nosso filho, que segurança ele deve ter sentido ao nascer, ao ser recebido pelo próprio pai… Veio outra contração, respirei o mais profundo que pude, empurrei com força e saiu a cabeça. Quando senti a cabeça com minhas mãos, não consegui controlar o choro de emoção e felicidade, meu Lucas já estava ali e nós iriamos nos conhecer. Veio outra contração, mas deixei passar porque precisava me recuperar um pouco. Na contração seguinte, respirei e empurrei várias vezes para finalmente poder abraçar o meu bebê.

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Lucas nasceu empelicado, mas com olhinhos bem abertos, mesmo que ainda dentro da bolsa, ele parecia não querer perder nenhum segundo daquele momento. Ele veio com uma volta de cordão no pescoço e começou a respirar com certa dificuldade, mas o abracei bem forte e consegui sentir o coraçãozinho dele batendo rápido perto do meu peito. Esse primeiro momento de vida é algo maravilhoso e é único poder ter tempo de abraçar e sentir, foi como poder dizer “bem-vindo ao mundo, você não está sozinho, mamãe e papai estarão sempre aqui para dar o amor que você merece!”.

Parto Linda from Parto por Amor on Vimeo.

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Lucas nasceu no dia 30 de janeiro de 2018, às 3h36 da manhã, pesando 3,520kg e 54cm de altura.

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Cada carinho e atenção de quem esteve comigo fizeram com quem o meu trabalho de parto fosse muito prazeroso, em harmonia e cheio de tanto amor que eu jamais poderei esquecer. Foi tudo como eu desejei: um parto respeitoso… cheio de amor, onde não só me corpo se abriu para dar vida, meus medos se foram, os estereótipos se desconectaram de mim, minha realidade mudou, minha fortaleza se tornou intensa e eu pude experimentar o maior sentimento que eu uma mulher é capaz de ter, esse que jamais te fará duvidar do que você é capaz de fazer pelos filhos. É o sentimento de empoderamento da sua própria vida dando vida!

Obrigada, Parto por Amor, minhas queridas Marcia e Mariana, por fazer cada encontro ameno e eterno, nossa experiência foi exatamente assim e ficou marcada para o resto de nossas vidas.

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Em espanhol, idioma da Linda:

Relato del Nascimiento de Lucas

Mi embarazo con Lucas fue desde el inicio muy diferente que el de Paulo. Comenzando porque despues de Paulo haber nacido de forma respetada y con amor en agua en una clinica siempre Thedy y yo deciamos que nuestro segundo hijo nacería en casa con mucha mas intimidad y menos protocolo. La decision estaba tomada mucho antes de concebir jejeje. Con esa decisión inicio la aventura.
Por decision familiar y diversos motivos personales Thedy, Paulo de 2 años, Lucas en 26 semanas y yo decidimos salir de Venezuela un tiempo para aventurarnos, teniendo como visión que tendriamos un parto en casa gracias a la ayuda de mis 2 hermanas y su familia en Brasil. Habiamos investigado desde Venezuela con varios equipos de partos domiciliarios y humanizados pero llegamos a Brasil cuadrando citas y finiquitando quien nos acompañaria en nuestros ultimos meses de embarazo, durante el parto y el post parto. Asi fue como llegamos a Parto por amor..( una amiga de mi hermana nos recomendo un equipo que la acompaño durante su parto y por causalidades ya era un equipo que habiamos contactado por información desde Venezuela). Sin dudarlo hicimos cita con Marcia y Mariana y desde la primera consulta nos conectamos con su calidez humana, su sencillez, sus conocimientos, pero sobretodo con sus guias y atención a cada duda que se nos presentaba. Ya con 28 semanas iniciaron los chequeos, examenes, Lucas estaba creciendo sano y fuerte. En Venezuela me habian dado fecha probable de parto entre el 24 y 27 de enero, entonces Lucas se disfruto Natal y Revelion dentro de pancita de mama. Ya con 38 semanas yo sentía que no podía aguantar mi peso, atender a Paulo, caminar, respirar, bañarme, dormir jeje. Todo era mas dificil, pero estaba emocionada porque estaba mas cerca de conocer a Lucas, ya teniamos listo todo lo necesario para recibirlo en casa.
Con Paulo desde las 40 mis deseos de ir a la playa eran anormales era como si mi cuerpo lo pedia, termine yendo con 40+2 dias a la playa, me relaje, disfrute mucho, mi cuerpo lo sintio y en la madrugada del dia 40+4 comence con contracciones Paulo nacio esa noche a las 11:50pm.
Con Lucas a las 39+5 nos fuimos a Leblon, pasamos un dia en familia, el sol estaba rico, la arena, el agua, nos relajamos… Al dia siguiente amaneci botando tapon mucoso. El viernes, sabado y domingo permaneci igual, pero la madrugada del Lunes llegaron las contracciones suaves pero ahi estaban, se hacian mas intensas, seguidas y de repente paraban.. Botaba sangre con tapon, estuve todo el dia sintiendo expansiones cada vez mas fuertes e intensas, en la tarde salimos a caminar a La Lagoa y ver el paisaje y respirar aire puro me hizo sentir libre; paraba para respirar cada expansion, yo sabia que ya estaba mucho mas cerca.
Se durmieron todos en casa, mis hermanas en la noche prepararon la sala hermosa como la imagine… velas, flores, musica, temperatura ideal, agua, te, snacks, todo lo senti placentero. Marcia y Mariana venian en camino, las contracciones iban y venian cada 5-10minutos, eran intensas, las recibia con una respiracion corta, inhalaba y exhalaba en ohm o con la boca abierta. Los mensajes que coloque en la pared me ayudan a mantenerme concentrada, pensando que todo el dolor era temporal y que la existencia de Lucas en mi vida seria infinita, que mi cuerpo estaba preparado para eso y solo debia dejarme llevar..
Llegaron Marcia y Mariana y fue como si mi cuerpo internalizo la seguridad de que ya todo estaba resguardado y que no habia que preocuparse.. Comence a sentir las expansiones mas y mas seguidas, cuando las sentia casi insoportables miraba a Thedy y el con sus ojos y pequeñas pero profundas palabras me reconfortaba.. Recuerdo que me decia: Lo haces excelente y se que puedes, aqui estoy, sentia sus brazos como rodeaban mi cuerpo como si su cuerpo me ayudara a sobrellevar el dolor.
Se iba la expansion, me reponia con agua de coco y nueces que me brindaban mis hermanas, sentia las manos de Mariana y luego de Marcia, con un suave aceite en mis caderas y realmente era algo reconfortante para mi cuerpo. Volvia la expansion, siempre queria sentir a alguien cerca para agarrarle la mano y sentirme apoyada, intentaba concentrarme en la respiracion, o en la musica, sin darle fortaleza al dolor para no agotarme. Siempre me monitoreaban los latidos de Lucas, escucharlos me daba mas fuerza, su corazon iba cada vez mas abajo, recuerdo a Marcia decirme que todo iba marchando bien, que estaba haciendo un buen trabajo y que él estaba descendiendo. En mi mente decia: mas cerca, mas cerca.
A traves de la ventana puede notar que comenzo a llover muy fuerte y todos nos sorprendimos, la naturaleza me regalaba una lluvia llena de fuerza y el sonido de las gotas caer era tan vibrante que no precisaba de otro ambiente musical.
La piscina estaba lista y decidi meterme, el agua caliente me calmo un poco la presion de las caderas, el dolor se mecia en el agua, Thedy ya preparado para entrar a la piscina a recibir a nuestro segundo hijo, en ese momento pense en Paulo e imaginarme su sonrisa me nublo la mente por completo. Senti que me fui hasta sus sueños a darle un abrazo y decirle que ya casi conoceria a su hermano. Mi hermana Evelin atras sosteniendome con todas sus fuerzas por los hombros. Cada vez que venia una expansion ella me hablaba al oido y me daba mucho animo diciendome lo grandiosa que era y lo bien que estaba haciendolo, cuando pasaba yo le decia vamos a descansar, sentia su esfuerzo de sostenerme completamente. Mi hermana Hildana al frente de mi con la cara con una mezcla de felicidad, emocion, gratitud, plenitud y amor solo por estar ahi apoyandome tanto, como una doula que sin notar mucho su presencia hizo de todo para yo estar y sentirme bien.
Estaba lista para pujar, unas ganas de pujar tan confusas, no sabia comprender a mi cuerpo, al principio llegaba acompañada de una fuerte expansion y al final una liberacion incontenible, logre tocarme y sentir su cabecita muy cerca, Thedy diciendo “está ahí baby vamos, tu puedes”, me concentre en las ganas de pujar y prepare una respiracion fuerte, sentia el ardor (ese ardor lleno de vida que quema cuando su cabeza esta saliendo y la vagina expandiendose), paraban las ganas, gemia, descansaba, escuchaba y veia las caras de felicidad a mi alrededor y como no sentir mas fuerzas?… Thedy con sus manos peparadas para recibir a nuestro hijo, que seguridad debio haber sentido Lucas al nacer, ser recibido por su papa… Llego otra.., respire lo mas profundo, puje con la fuerza que pude y salio su cabeza, cuando senti su cabeza con mi mano no pude controlar el llanto de emocion y felicidad, ya estaba ahi mi Lucas saliendo a conocernos. Vino una contraccion pero la deje pasar para reponerme un poco. Vino la otra, respire y puje varias veces para abrazar a mi bebe.
Finalmente Lucas nació enmantillado, sus ojos adentro de la bolsa abiertos asi como diciendo que no queria perderse ni un segundo ese momento. Vino con una vuelta del cordon en el cuello, Marcia tuvo que romper la bolsa, sacarle el cordon del cuello y empezo Lucas a respirar por primera vez con algo de dificultad, pero lo abrace fuerte, y yo podia sentir su pequeño corazon latir sobre mi pecho, en ese primer momento de vida es algo maravilloso y unico poder tener el tiempo de abrazarlo y sentirlo; es como decirle bienvenido al mundo, no estas solo, aqui estaremos papa y mama siempre para darte el amor que mereces.
Lucas nacio el 30 de enero del 2018 a 3:36am, con 3.520 kg de peso y 54 cm de estatura.

Cada caricia y atencion de los que me acompañaron hicieron que mi trabajo de parto fuese placentero, en armonia lleno de tanto amor que jamas podre olvidar y tal cual como lo desee: Un parto respetado… lo definiria asi, lleno de amor, donde no solo mi cuerpo se partio para dar vida, mis miedos se quebraron, los estereotipos se desprendieron, mis realidades cambiaron, mi fortaleza se torno intensa y pude experimentar el mayor sentimiento que una mujer puede tener, ese que jamas te hara dudar en que eres capaz de hacer todo por tus hijos.. el sentimiento de empoderamiento de tu propia vida dando vida..

Gracias a Parto por amor, a mis queridas Marcia y Mariana por hacer cada encuentro ameno y eterno; porque esta experiencia fue eso.. ha quedado marcada por la eternidad de la vida.

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