Relato de parto domiciliar – o nascimento da Lisa

Relato de parto domiciliar – o nascimento da Lisa

Que alegria receber mais um relato de parto e, o melhor, no dia do aniversário da mãe! Em comemoração à data, confira com a gente o momento de renascimento da Cris, no nascimento da sua segunda filha, a Lisa:


Eu sou enfermeira e me apaixonei pelo parto domiciliar ainda na faculdade, aprendendo a importância da humanização no parto. Vi tantas mulheres parindo e ficava sonhando como seria o meu. Fui trabalhar em uma maternidade e a cada dia me tornava mais empoderada do que nunca.

No meu primeiro parto, ficamos em casa com enfermeira até o momento de ir para maternidade. Lara nasceu num parto humanizado hospitalar, na penumbra, com música, com a mamãe de cócoras na banqueta sendo sustentada pelo papai. Não houve anestesia nem episiotomia, nem imposição de posição para parir. Teve banheira, sentar na bola, massagem, muito apoio e palavras de incentivo. Foi um parto respeitoso, uma experiência incrível para nós. Ficamos ainda mais seguros para ter o segundo filho em casa.

Lara se aproximava dos seus três anos e começamos a planejar o segundo filho. Fiz os exames de pré-concepção e estava tudo bem. De início Lara não aceitava muito bem a ideia de ter mais alguém na casa. Ela dizia “só a Lalá, mamãe, só a Lalá”.

Viajamos no mês de agosto para comemorar os três anos da Lara. Eu esperava voltar grávida. Como sempre falo “ô tempo que insiste em voar”, chegou dezembro e nada de gravidez.

Os planos de Deus são melhores que os meus. E sim, ganhamos nosso presente de Natal: o teste de gravidez positivo no dia 25 de dezembro! Não conseguia me conter em risos, Fábio todo nervoso perguntado se era sério mesmo, se tinha dado positivo.

Sim, deu!

A essa altura Lara já aceitava a ideia de ter uma irmã – sim, ela só aceitava se fosse uma menina. Desde o inicio, ela sabia que ganharia uma irmã.

Fomos para primeira consulta ansiedade a mil. Nesse mesmo dia, fiz uma USG e, que emoção, Lara pulava de alegria, gritava “olha minha irmãzinha, olha minha irmãzinha!”. E todo mês foi assim, ela sempre ao meu lado.

A gestação evoluiu bem, fizemos alguns planos e, nesse meio tempo, teve mudança de equipe. Quando li o relato de parto de uma amiga, que é Enfermeira Obstetra e teve um parto domiciliar lindo e respeitoso, logo entrei em contato com ela. Queria saber mais detalhes e me informar sobre a equipe que a acompanhou. Foi aí que entrei em contato com a Camila, da equipe Parto por Amor. Conversamos um pouco, ela me convidou para participar de uma Roda de Conversa. E foi na roda que conheci a Marcia Araujo e a Ana Grova, que logo se tornaria minha Enfermeira Obstetra. Marcamos a primeira consulta, conheci a Flávia Dantas e fechamos a equipe que ficaria comigo: Ana e Flávia. Logo tudo foi ficando tão mais leve e não tinha dúvida de que tinha escolhido uma excelente equipe. Flávia e Ana são minhas vizinhas e ainda tinha a Marcia, que também mora bem perto.

Com o pré-natal bem amarradinho, comecei a dar uma atenção a mais ao meu corpo e à saúde, sabia que tinha que estar bem para ter meu PD. Fiquei muito enjoada e indisposta com a gravidez, e não queria passar a gestação toda assim. Comecei fazer hidroginástica e sempre tinha um papo sobre o parto eu ficava feliz em falar que minha filha nasceria em casa. Fez um bem danado pra mim.

Eu não poderia fazer esse relato de parto sem falar delas, amigas queridas que a maternagem me deu. Teve chá de bebê surpresa feito por elas com maior carinho. Como foi emocionante dividir esse momento com vocês, lágrimas, sorrisos e muita conversa boa, estava tudo tão lindo e gostoso. E ainda teve vídeo de quem não pode estar presente. Eu me emocionava a cada vídeo, a cada mensagem recebida.

Nas semanas seguintes, organizei os preparativos para festinha da Lara na escola, a data prevista para o parto era para a mesma semana em que ela completaria 4 anos, imagina meu desespero!

E chama a amiga para ajudar, vamos bater perna em Madureira. Enquanto isso, as outras amigas:

– Sua doida, você esta podendo bater perna com esse barrigão?
– Sim, meninas, preciso caminhar, preciso de movimentos.

E quando a chave do carro caia no chão?

– Não fica se abaixando!
– Meninas, eu preciso me agachar, vocês não sabem como faz bem para o parto.

– E você foi dirigindo? Você é doida mesmo… e até quando você vai dirigir?
– Até o ultimo dia, ué. E se eu estiver aqui na porta da escola e minha bolsa romper, não quero ninguém em desespero, hein. Me levem para casa. Ou melhor eu mesma vou dirigindo porque eu sou dessas!

Comecei contar as luas: com 38 semanas, teve troca de lua e teria outra com 39 semanas e seria uma das melhores, com direito a eclipse lunar e tudo. Na mesma semana, também teve consulta. Conversei bastante com a Flávia sobre esse momento, estávamos bem ansiosos, pois Lara tinha nascido de 37 semanas. Flávia deixou um difusor de lavanda me explicou vários benefícios, dentre eles trazer o equilíbrio que estávamos precisando naquele momento. Ela também me deu um texto lindo para ler.

Comecei a usar a lavanda. Antes de dormir, sentei no sofá, na penumbra, e comecei a ler a carta sentindo a lavanda pela casa, alisando a minha barriga. E fui dormir.

Às três da manhã, acordei molhada, chamei o Fábio para me ajudar e disse que a bolsa tinha rompido. Agora vai! Quando vi, Lara também estava na porta do banheiro. Lembro de dizer pra ela que estava tudo bem. Tomei um banho. Já sentia algumas contrações. Mandei mensagem para as meninas avisando.

Por volta das cinco da manhã liguei para a Flávia, conversamos um pouco e ela ficou de passar aqui em casa pra me ver. Eu não queria voltar pra cama, então comecei a arrumar umas coisas pela casa – e os dois andando atrás de mim.

Eu disse pro Fábio para irem dormir e descansar, porque achava que ainda iria demorar.

– Não se preocupa, estou bem e, qualquer coisa, te chamo.

Lavei a louça, catei alguns brinquedos pela casa, arrumei umas coisas e, entre uma contração, tentava me agachar. Deixei tudo na penumbra, coloquei uma música e o cheiro de lavanda pela casa. Nesse momento, me sentia conectada com a Lisa. Eu precisava desse comento de despedida da barriga. Alisava e conversava com ela. Era uma paz, um momento de plenitude.

Flávia chegou por volta de umas sete: me examinou, auscultou a Lisa e me contou que estava tudo bem, eu estava em pródromos. Disse pra eu tentar descansar.

Fábio e Lara acordaram, tomamos café da manhã. Os planos eram apenas seguir a rotina normal, Fábio ia levar Lara para a escola. Só que por volta de umas nove, as contrações estavam bem intensas eu achei melhor Fábio começar a preparar a banheira e deixar a Lara em casa. Tirei foto deles Lara dentro da banqueta. Ela estava curtindo. Conversei com as meninas pelo telefone e Ana já estava a caminho. Fui para banheira e Lara entrou comigo. Brincou um pouco na água.

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Ana chegou por volta de umas onze. Nesse momento, eu já estava mesmo em trabalho de parto. Contrações bombando, Ana fazendo massagem o tempo todo. Lara sempre vindo conferir entre um grito e outro se sua irmã tinha chegado e eu sempre falando para ela que estava tudo bem.

Flávia chegou e logo me acolheu. Lembro de dizer que queria fazer força. Era uma vontade enorme de empurrar, pedi a banqueta. Fábio apareceu discretamente na porta do quarto foi quando eu chamei ele. Então ficamos ali conectados, ele fazendo massagem e dizendo coisas positivas para mim. Senti que tudo estava evoluindo bem.

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Perdi a noção de tempo ali na banqueta. Ana ficou abaixada na minha frente e eu perguntava se a cabeça da Lisa já estava ali. Naquele momento, eu só conseguia pensar no nascimento da Lara e que, a essa altura, a cabecinha dela já estava ali.

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Mas Lisa ainda não estava – Ana me avisou. Eu fiquei tensa, achando que ainda iria demorar muito. Ana sugeriu então que eu levantasse um pouco, tentasse andar para ver se engrenava novamente.

Eu queria ir para chuveiro e, na porta do banheiro, tive uma contração bem efetiva. Flávia me segurou, tudo começou a acontecer muito rápido e eu finalmente estava na “partolândia”. Tentei sair do banheiro e Fábio estava parado bem na porta, veio outra contração e me agarrei nele. Senti que Lisa tinha descido e não dava mais para esperar. Pedi a banqueta e por pouco ela não nasce comigo em pé! Eu comecei a gritar e, três contrações depois, ela veio, com uma circular de cordão que a Ana tirou.

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Pude contemplar seu corpo junto ao meu, ouvir seu chorinho. E o rosto da Lara em ver a irmã, que presente de Deus! Não existe bênção maior no mundo!

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E foi ali na porta do banheiro que ela resolveu chegar para encher nossos corações de alegria. Só tenho a agradecer ao carinho e respeito das amigas – sim, elas se tornaram amigas para vida inteira, a Ana e Flávia. Toda minha gratidão!

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