Relato de parto: o nascimento do Pedro

Relato de parto: o nascimento do Pedro

Hoje é dia de relato mais que especial! Parto humanizado hospitalar acompanhado pela Enfermeira Obstetra Rachelli e – detalhe – do nascimento do próprio sobrinho! Emoção pura!


Descobri que estava grávida em outubro do ano passado. Demoramos um pouco pra contar pra família, mas sempre soube que poderia contar com a minha cunhada, Rachelli, para me auxiliar com o parto natural que eu tanto queria.

Assim que contamos pra ela, ela se prontificou a me ajudar com o parto. Pensamos em um parto domiciliar, mas devido à alguns problemas pessoais, acabamos optando por ser acompanhada pela minha cunhada até o máximo que desse, e ir “adiantada” pra maternidade.

Minha cunhada me indicou uma médica que atendia o plano e que já tinha trabalhado com ela, e ficamos combinados assim.

A gravidez correu muito bem, e então era só esperar.

No dia 30/05, com 38 semanas e 1 dia, foi aniversário do dindo do Pedro, saímos pra comer pizza e eu sentia fortes dores na lombar. Rachelli disse pra eu apenas relaxar, que se fosse a hora dele, eu perceberia. Voltamos pra casa e as dores persistiram.

Por volta das 3:00, comecei a sentir as contrações totalmente sem ritmo, porém com maior frequência do que sentia antes. Pouco depois meu tampão saiu em grande quantidade, o que já me deixou alerta de que poderia ser “A” hora!

Mas sinceramente eu não estava acreditando que poderia ser naquele dia, sempre achei que ele fosse nascer em junho… Não queria deixar ninguém preocupado a toa… ainda mais que a Rachelli (que também estava grávida) tinha um ensaio de fotos pra fazer pela manhã.

Mas como as dores estavam se intensificando, achei melhor avisar a ela antes que ela saísse.
Lá pelas 6:00 ela veio até minha casa para me avaliar, e quando chegou, minhas contrações estavam com aproximadamente 45s de duração e vinham de 10 em 10 min. Ela então desmarcou as fotos e decidiu ficar comigo.

2 horas depois as contrações estavam mais curtas e com maior frequência, fizemos um exame de toque e surpresa: quase 5cm.

Decidimos esperar mais pra ir pra maternidade, pois eu estava confortável em casa, e foi a melhor decisão que poderíamos ter tomado.

Ficamos aqui, apenas nós duas em silêncio no quarto. Ela me fazia massagem e contava minhas contrações… me ajudava a agachar quando elas vinham, ouvia os batimentos do Pedro e apenas ficou lá, em silêncio, aguardando que eu fizesse o que fosse mais confortável pra mim. Esse ambiente tranquilo que construímos ali foi essencial pra que meu TP fosse rápido, já que assim eu consegui me concentrar 100% no meu corpo…

Num certo momento me vi totalmente descontrolada… me joguei no chão do box, vomitava, gritava, gemia, chorava… não sabia nem dizer mais o que estava sentindo. Foi a sensação mais louca e mais gostosa da minha vida.

Tive momentos em que disse pra minha cunhada que não ia aguentar, e ela dizia pra mim: “você é forte, você aguenta”. E eu de verdade me sentia mais forte. Eu sentia que aguentaria. Tudo que eu queria era ver o meu bebê, respeitar o tempo dele, queria que ele chegasse da maneira mais respeitosa e alegre o possível.

Lá pelas 10:30, depois de muito agachar, gritar, sangrar e vomitar: 7 quase 8cm de dilatação.
Hora de ir pra maternidade. Meu coração apertou… será que eu iria aguentar as contrações no carro? Será que meu TP iria “murchar” pelo estresse de ir pro hospital?

Naquele momento me arrependi profundamente de não ter decidido pelo parto domiciliar… Percebi o quanto teria sido melhor pra mim e pro Pedro se eu tivesse ficado em casa. Mas, agora já estava tudo certo pra ir por hospital… Tive medo, mas fui.

Durante a viagem eu tentei segurar a força, por medo dele nascer no carro, mas era totalmente involuntário. Isso me deixou com muito medo… Mas a Rachelli o tempo todo tentava me acalmar, dizia pra eu não prender, pra eu respeitar, que se fosse a hora dele, ele viria ali mesmo… pra eu não sentir medo. Mas sinceramente, eu estava apavorada.

Chegamos na perinatal da Barra as 11:20. Tive que esperar pra subir e ser avaliada: 8cm de dilatação. Coração apertado de novo: será que estagnei devido à transferência pro hospital? Como combinado com a obstetra, a Rachelli me acompanhou também no hospital, o que me tranquilizou muito!

Devo ter chegado na sala de parto por volta das 11:30. Entramos eu, minha cunhada, a obstetra, a pediatra e meu marido.

Fui direto pra banqueta, fiquei ali por um tempo e depois quis ir pra banheira, achei que a água fosse aliviar as dores, porém não me sentia confortável lá de jeito nenhum.

Comecei a sentir uma vontade terrível de fazer cocô, porém não me senti à vontade com meu marido ali (pois é, ninguém entendeu, mas me respeitaram e ele saiu). Assim que ele saiu, eu, agachada no chão segurando as mãos da minha cunhada, fui “fazer cocô” e então a bolsa estourou.

Parei de perceber os intervalos entre as contrações. Estava ficando louca. A médica pediu que eu deitasse pra ela me avaliar, eu aceitei: dilatação total e já dava pra ver o Pedro coroando. Porém eu não me senti nada bem deitada, então voltei pra banqueta.

Em algum momento meu marido voltou ao quarto, mas eu estava tão envolvida com as dores que só percebi quando, no momento do expulsivo, eu o vi na minha frente.

Sentia uma ardência na vagina super forte, que realmente parece um círculo de fogo.

Quase arranquei as mãos da minha cunhada de tanto puxar ela no momento que deu vontade de fazer força.

Algumas poucas contrações depois e nasceu meu Pedro! Lindo, saudável, perfeito, na hora que ELE quis: 31/05/2017 às 12:26.

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Alguns minutinhos depois, “nasceu” a placenta.

Eu estava me sentindo uma leoa, tão forte, tão poderosa, com aquele serzinho lindo que veio direto pro meu colo. Quanto amor eu senti.

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Não sofri nenhuma intervenção: nem anestesia, nem episio, nenhum ponto!

Realizei meu sonho do parto, meu filho conseguiu nascer de maneira respeitosa, na hora dele.

Foi o momento mais lindo, intenso, e forte da minha vida. Desejo a todas que possam sentir isso e que sejam respeitadas da maneira que eu fui!

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