Relato de parto: parto domiciliar da Maria Júlia

Relato de parto: parto domiciliar da Maria Júlia

Tem relato de parto novo na página!!
Esse é um dos momentos mais felizes para nós: poder saber como as mães se sentiram e viveram aquele momento é sempre muito bom.

A história de hoje é forte e emocionante, leia abaixo!


A maternidade sempre fez parte do meu plano de vida. Em outubro de 2016, descobri que mais um membro chegaria na nossa família. Um misto de felicidade e incerteza, pois, apesar de uma gravidez já esperada, não foi planejada para aquele momento. A única certeza que tinha era não repetir a experiência do nascimento da Maria Luiza: a cesárea não desejada, os procedimentos desnecessários realizados nela e o ambiente não acolhedor de uma maternidade. E assim o parto domiciliar foi a oportunidade de superar a frustração do não parto em 2013.

Por indicação da minha irmã Ana Paula, iniciei meu pré-natal com as enfermeiras obstétricas Mariana e Camila da equipe Parto por Amor.

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A gestação de Maria Júlia transcorria normalmente, porém com 36 semanas a minha pressão arterial começou a se elevar. Na ioga busquei o relaxamento, na acupuntura tentei reduzir os níveis da pressão, além disso realizei todos os exames para rastrear uma possível pré-eclâmpsia, o que não foi comprovada.

Cheguei na 37ª semana com a pressão arterial não controlada e meu parto domiciliar foi contra indicado. Fiquei muito chateada, afinal passei longos 9 meses no planejamento e na preparação, porém naquela altura o local do nascimento era o que menos importava, o meu desejo era parir. Então, tive que acionar o plano B que era o parto hospitalar onde Dr. Juliano Deckert passou a me acompanhar clinicamente.

No dia 03 de junho, com 39 semanas e 1 dia, acordei com umas cólicas leves e observei um muco clara de ovo com filetes de sangue. Seria o tampão? Mandei mensagem para minha irmã e para a Mariana que pediu que eu relaxasse e não criasse expectativas, pois a ansiedade só atrapalharia. Nesse dia, era chá de bebê do filho da minha prima Aline, pedi para minha mãe e irmã levarem Maria Luiza e assim fiquei em casa só no descanso, passei o dia assistindo várias séries no Netflix.

Por volta de 16h, comecei a sentir umas contrações leves, contei a duração e frequência, mas, apesar da Mariana ter me ensinado, nunca entendi muito bem rs. Passei para minha irmã e constatamos que ainda estavam espaçadas e sem ritmos.

E como vida que segue, eu e Lele fomos ao shopping perto de casa comprarmos algo para o jogo dele de domingo e desodorante para colocar na mala da maternidade, além disso aproveitamos para saborear um rodízio de pizza.

Ao deitar, em torno de 22:00 h, troquei a última mensagem com minha irmã que pediu que eu descansasse e alertou que eu saberia o momento das contrações efetivas porque elas pegariam ritmo.

Num determinado momento, comecei a sentir novamente as contrações, não mais indolores, porém suportáveis. Respirava fundo, ficava na posição sapinho da ioga, entrava no chuveiro quente e tudo isso trazia um alívio. De repente, percebi que deitada as dores pioravam, olhei para o relógio que marcava 02:30 h e só pensei que era preciso descansar, pois meu medo era chegar na maternidade, pedir analgesia e iniciar a cascata de intervenções que culminaria na cesárea que tanto fugi. Acho que consegui dormir por 1 hora, acordei com contrações bem doloridas, ficar deitada ou sentada era pior, só no chuveiro quente me sentia melhor. Acordei Leandro e pedi para ligar para minha irmã.

Quando Ana chegou, eu já estava no chuveiro, era uma contração atrás da outra, perguntei se caso o que sentia era pródromos, eu não aguentaria essas dores por uma semana (eu mal sabia que já estava na fase de transição rs). Comecei a ficar enjoada. Mariana, que já estava a caminho e se comunicava com minha irmã por mensagem, sugeriu a verificação da pressão arterial, o que não foi possível porque veio uma contração e eu arranquei o aparelho do meu braço.

Num determinado momento, a Ana pediu para Leandro separar a bolsa da maternidade e uma roupa, porém eu não conseguia sair do chuveiro e falei que Maria Júlia nasceria ali mesmo. Minha irmã na maior calma disse que Julinha escolheria o local e tudo daria certo.

Então, tive vontade de fazer força, senti uma ardência e gritei que algo estava saindo. Nesse momento, coloquei a mão e questionei a Ana se era o colo do útero rs, já era a cabeça da Maria Júlia kkk. Ana solicitou ao Lele algumas toalhas e as colocou no chão do box. E com mais duas forças nasceu Maria Júlia amparada por mamãe e titia. Fiquei em êxtase! Eu consegui!!! Em seguida, Lele entrou no banheiro e me viu sentada com nossa filha nos braços e logo depois Mariana chegou.

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Carmen 2

E assim, no dia 04/06/2017, às 04:58, no dia de Pentecostes, eu pari e me senti completa com as minhas duas Marias.

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Só tenho que agradecer a Deus por ter nos guiado e nos amparado até hoje.
Ao meu companheiro Leandro, mesmo não aceitando a ideia do parto domiciliar, sempre soube que passar por esse processo era importante para mim e, não sendo contra as minhas escolhas, foi o apoio que precisava.

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À minha mãe Gladys que esteve ao meu lado independente de ter concordado ou não com a minha decisão.

À minha irmã Ana Paula que foi a segurança que tanto necessitava no nascimento da Maria Júlia.
Ao Dr. Juliano Deckert por ter me acolhido e ter aceitado dar continuidade ao acompanhamento hospitalar.

À equipe Parto por Amor, em especial as enfermeiras Mariana Zukoff, Camila Barreto, Ana Grova e Márcia Araujo pelo profissionalismo, respeito e dedicação. Muito obrigada!

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“Entrega, confia, aceita e agradece.”

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