Relato de parto: nascimento da Clarice

Relato de parto: nascimento da Clarice

Esse relato de parto é muito especial para nós e um pouco diferente dos outros. Isso porque a Camila planejou um parto domiciliar, mas ao longo da gestação, tivemos que indicar um parto hospitalar para o caso dela. Uma história cheia de reviravoltas e com uma única certeza: apesar das coisas terminarem diferentes do que planejamos, tudo dá certo como deveria! Um história linda, respeitosa e que a nossa equipe ficou muito feliz de fazer parte.


 

Relato de parto 15/04/2017 – O nascimento da Clarice: Luz para as nossas vidas!

Tudo começou de uma grande motivação em ter um parto domiciliar (PD) que na realidade iniciou bem antes de eu sequer estar casada! rs

Sou Enfermeira e sempre tive um grande respeito pela humanização no atendimento e em especial neste momento tão sublime que é o nascimento de uma criança. Mesmo não tendo seguido a área da obstetrícia, tenho uma grande queda por todo esse público de família expectante, gestantes e bebês.

Com tudo isso, ainda na faculdade, após ter uma palestra com a Enfermeira Obstétrica (EO) Marcella Pereira, decidi que o PD seria o tipo de parto ideal para mim quando estivesse gestante. Não tardou muito e logo ano passado, com 2 meses e meio de casada descobri a gestação!
Meu esposo Douglas já acompanhava mais ou menos a ideia sobre PD, mas quando descobrimos a gravidez e veio então a ideia do parto, ele ficou receoso e fomos estudar mais e pesquisar sobre o assunto. Também preciso dizer que não escolhemos o PD porque achamos “bacana” ou por “modismo”. Na realidade, após muito pesquisar, percebemos que é uma das formas mais respeitosas de parir. Há muito respeito pela mãe, família e a criança, e foi por isso que almejamos o PD para nossa família.

Na época procurei novamente pela Marcela a qual citei anteriormente, mas ela infelizmente não estava mais realizando PD na época e nos indicou algumas possibilidades, dentre estas a equipe Parto por Amor, que coincidentemente ou não, foram as primeiras que visitamos pela internet e após conhecer o trabalho das Enfermeiras nos apaixonamos!

Fomos à primeira roda de conversa com a equipe e lá conhecemos a Ana e a Mariana nossas então futuras EO. Iniciamos nosso pré-natal, tudo certo, saúde em dia, exames ok, tudo fluindo para que nosso sonho de parto se tornasse realidade, exceto por um edema que não me deixava e insistia em me acompanhar desde os meados da gestação. Infelizmente com ele, veio também algumas variações na pressão arterial que já no fim da gestação tendia à subir e dessa forma colocaria em risco nosso PD.

Quando a Ana e a Mari vieram nos informar sobre a impossibilidade do nosso parto, nosso mundo caiu. Mesmo sabendo das possibilidades e os planos “B e C” que um PD pode se tornar, você sempre acredita que vai dar tudo certo da maneira que imaginamos. Sofremos muito e posso dizer que sofremos os 4! Sim, elas também sofreram e muito conosco, vimos lágrimas não apenas em nossos olhos, elas foram verdadeiros anjos durante todo o momento com nossa família e continuavam a ser neste momento de dor, porém inevitável.

Com a interrupção do nosso pré-natal com as meninas, fomos encaminhados para uma maternidade do SUS de referência da nossa área, o Hospital da Mãe, que também realizava o parto de forma natural e humanizado. Soubemos também que lá havia a presença da Enfermagem Obstétrica na assistência, o que na minha concepção era de grande importância, já que fazem a diferença no atendimento e humanização do parto.

Com a nossa entrada no serviço do Hmãe para terminar o pré-natal, confesso que estava apreensiva, não era nosso sonho inicial, não estávamos mais tão entusiasmados. Não que o nascimento da nossa filha não fosse o mais importante, mas estávamos mudando nossa rota e toda mudança gera diferenças em nossas vidas. Mas acima de tudo continuávamos muito confiantes em Deus como sempre fomos e pedimos à todo momento por este tempo final de gestação que ainda passaríamos.

Graças à Deus e à toda interseção de Maria, fomos muito bem recebidos no hospital. Talita que é coordenadora da Enfermagem nos recebeu pessoalmente e nos acolheu da melhor maneira possível, o que fez toda diferença! A Dra Kyvia também que foi nossa próxima obstetra até o fim do pré-natal, sempre muito amorosa, não nos fez duvidar em um só momento que tudo o que aconteceu não escapava dos planos de Deus para nossa vida e que deveríamos estar exatamente alí.

Finalmente vamos ao parto! rs

Tínhamos 2 datas prováveis para o parto (na teoria) que eram 10/04/17 pela data da última menstruação e 12/04/17 pela primeira ultra. Nessas datas faríamos 40 semanas.

Na terça-feira 11/04/17, após uma caminhada em família, comecei a sentir contrações dolorosas pela primeira vez, porém em intervalos irregulares entre 3 horas, 1 hora, e regularizou mais à noite. Eu finalmente achei que era o início do trabalho de parto em si, mas hoje eu sei que eram apenas pródromos! Passamos pelo 1º alarme falso…

A peregrinação das contrações continuaram pela quarta e quinta feira e apesar da regularidade, eu ainda não tinha dilatação nenhuma. Na madrugada de quarta feira fomos novamente à maternidade pela segunda vez, e o colo do útero ainda começava a amolecer, mas permanecia sem dilatação ainda. Na madrugada de quinta para sexta, as contrações estavam bem intensas e com intervalos de 5 minutos entre elas, duravam cerca de 1 minuto e eu não conseguia relaxar, alternava entre banhos de água bem quente e tentava cochilar nos intervalos. Sem sucesso! A dor não me permitia, eu não conseguia sequer deitar, deitada era a pior posição para mim, sentia muitas dores na região lombar e as contrações pareciam piorar. De repente às 3:30h da madrugada as contrações passaram à vir a cada 3 minutos e muito intensas, lá fomos nós de novo para a maternidade. Dessa vez eu sentia algo diferente… Chegando lá pensei que finalmente havia chegado a nossa hora, mas agora eu acabava de começar a dilatar e estava com 1 para 2 de dilatação, a barriga muito alta ainda (e eu achava baixa), quase não acreditei que mais uma vez se tratava de um alarme falso.

Fiquei desanimada, extremamente chateada e a obstetra que me avaliou nesta madrugada nos deu “24h com bebê no colo”, 24h para estarmos com nossa Clarice nos braços. Eu sinceramente já não estava mais confiando nesses palpites após tanto alarme falso e voltamos mais uma vez para casa.

Em casa na sexta-feira (era sexta-feira santa), eu passava minha própria via sacra particular, foi bem complicado. Eu queria me movimentar porque as contrações doíam muito, mas ao mesmo tempo estava me sentindo um pouco fraca e exausta. Isso porque fazia 2 dias que eu não me alimentava bem, vomitava o que tentasse comer e então passei a ingerir apenas líquidos e em pequenas quantidades. Além de tudo isso, aumentava cada vez mais minha preocupação, se Clarice não nascesse até a próxima terça feira 18/04/17 nós teríamos que internar para induzir pois estaríamos com 41 semanas e não queríamos, queríamos respeitar o tempo dela, o momento dela.

Chegava à noite na sexta e eu com muita dor ainda tentava descansar, novamente sem sucesso! Na madrugada, mesmo com exaustão ao extremo, continuava alternando entre o chuveiro quente (que ainda me aliviava um pouco) e a cama para tentar relaxar. Até que quando deu 5h da manhã do sábado, eu levantei com auxílio do meu esposo e me dirigir ao banheiro para urinar. Ao sentar no sanitário tive um episódio de vômito em jato e neste momento minha bolsa estourou. Quanto líquido!!! Nunca esquecerei esse momento! rs. Meu esposo perguntou se era a bolsa e eu disse que sim e que também achava já estar com 7 de dilatação.

Essa história do “7 de dilatação identificado pelo vômito” lembro ter ouvido das meninas da Parto por Amor, durante uma roda de conversa, elas diziam que algumas mulheres quando alcançam 7 de dilatação tendem à vomitar provavelmente como um mecanismo natural do corpo para se preparar para o parto. A natureza é mesmo perfeita!

Meu esposo ainda meio nervoso, correu com as bolsas para o carro, se vestiu e me vestiu rapidamente (eu me sentia meio letárgica, com muita dor e a sensação de fraqueza nesse momento). Corremos (literalmente) para a maternidade e chegando lá para a nossa surpresa, estava de fato com os 7 de dilatação! Ótimas notícias, internamos!

Já na sala de parto, conhecemos as enfermeiras Márcia Luna e Petite Fleur que se apresentaram para nós e nos informaram que estariam em nosso atendimento e me examinariam periodicamente para avaliar a evolução.

Sabe dessas coincidências que nunca acreditamos que aconteceriam com a gente? Pois é, Contamos previamente nossa história para elas e descobrimos que a Petite conhecia a Mari, nossa EO do pré-natal, e dessa forma elas começaram a se comunicar. Neste momento eu me sentia “em casa”. Uma sensação de conforto se instalava em meu coração. Bela coincidência preparada por Deus! Entregamos neste momento também meu plano de parto para que as meninas conhecessem o que era da nossa vontade para o parto.

Meu trabalho de parto ainda durou algumas horas e enquanto estávamos só eu e Douglas na sala, eu continuava com os banhos quentes para tentar amenizar a dor e ele fazia massagens na minha lombar que doía muito e cada vez mais. As Enfermeiras trouxeram alguns dispositivos para deixar à minha disposição, como uma cadeira para o chuveiro, a bola de pilates e o cavalinho (uma espécie de cadeira própria para parir). Também utilizaram aromaterapia (permitido por mim) e deixaram o quarto bem escurinho em penumbra e tudo isso me trouxe um conforto muito grande, mas ainda assim eu só conseguia sentir dor e muita dor!!!

Até que chegou uma hora em que eu não aguentava mais aquela exaustão toda… Já haviam passado horas, já tinha sido examinada algumas vezes pela Márcia e Petite, me ofertaram lanche, mas eu ainda não conseguia me alimentar, eu solicitei um gás anestésico que fica a nossa disposição caso realmente achasse necessário. Livopan o nome do gás. Elas já haviam me explicado que ele não pararia o trabalho de parto e nem prejudicaria minha filha, mas que poderia me ajudar a relaxar. E eu precisava dormir, havia passado as duas últimas noites em claro, não conseguia cochilar por causa da dor, sentia que se não dormisse não teria forças para meu período expulsivo.

Utilizei o gás enquanto estava na cadeira embaixo do chuveiro quente e que alívio! Dormi! Segundo o Douglas, dormi cerca de 40 minutos, quando despertei nem tinha noção deste tempo, mas eu era outra! Estava relaxada e me sentia pronta para parir!!!
Entre umas 13:40h e 13:45h entrou na sala um médico obstetra dessa vez para fazer minha avaliação e pediu que eu me deitasse na maca para examinar. Como o efeito do gás ia passando rapidamente eu voltava a sentir bem as dores e não me sentia nada confortável na maca. Quando ele realizou o toque eu fiz uma força involuntária e disse à ele que sentia vontade de fazer mais. Neste momento ele pediu que eu me acondicionasse melhor na maca e anunciou que minha filha ia nascer. Mas eu estava totalmente desconfortável e disse que não queria parir alí, perguntei se podia voltar para o cavalinho (era onde eu me sentia mais confortável além do chuveiro quente). Ele começou então a justificar algo que eu confesso não ter ouvido, só não queria parir alí e não ia parir alí!
Segundo relatos do meu esposo, ele disse que o médico informou que ele como médico preferia fazer o parto na maca mas que ele garantia realizar o parto normal, enfim, eu nem lembro de mais nada, nem mesmo da fisionomia dele, só lembro ter pulado da maca, me dirigido ao cavalinho e pedido que ele chamasse as Enfermeiras e ele prontamente as chamou.

E lá vieram elas, nossos novos anjos em forma de profissional, com sorrisos no rosto e muito amor no coração, retornaram com a penumbra que havia sido interrompida no quarto e se agacharam diante do cavalinho para esperar nossa Clarice vir ao mundo. Neste momento, também veio à sala a Enfermeira Danielle Tenório que juntamente com as outras assistiram e fizeram o máximo possível para que o nosso parto fosse exatamente como desejamos e sonhamos, com muito respeito, paciência e regado de muito amor!

À todo momento, meu esposo permanecia do meu lado, segurando minhas mãos (lembro que eu apertava muito suas mãos para me sentir segura). Ele me dizia palavras de força e coragem para que eu continuasse e isso foi essencial. Douglas se mostrou mais uma vez um companheiro incrível! Amor eu te amo ainda mais!

Depois de muito fazer força, gritar, às 14h exatamente, em pleno sábado de aleluia, nossa Clarice veio ao mundo! E eu chorava, na verdade chorávamos, enquanto eu dizia: – Eu consegui! Eu consegui! Sim eu havia conseguido! As enfermeiras colocaram ela nas minhas costas assim que nasceu e eu sentia ela, quentinha, escorregadia, chorando, que momento!!! Alí nasceu com ela nossa família!

Rapidamente as meninas me ajudaram a levantar para passar ela para meu colo e ali ficamos os 3, Douglas, Clarice e eu contemplando a maior obra prima de Deus: A família, o amor em família!
Esperaram o cordão parar de pulsar para cortar e foi o próprio papai dela quem cortou, tudo como estava em nosso plano de parto, como seria mesmo em nosso lar.

Clarice mamou ainda na sala de parto, tomei banho logo após o parto, com a placenta “presa” ainda, esperando que ela desquitasse aos poucos e em alguns minutos depois, finalmente conhecemos a “Sra Placenta” rs, que alimentou e supriu as necessidades de nossa Clarice durante toda a gestação.

Ganhamos como mimo das Enfermeiras lindos carimbos da placenta! Eu senti sua textura. Ela é linda! Quentinha, molinha, uma verdadeira árvore da vida! Ganhamos também muito amor espalhado por toda a maternidade, ganhamos Enfermeiras amigas e passamos à admirar ainda mais esses exemplos de profissionais que lutam por um nascer digno! Desejo que mais mulheres tenham a possibilidade que eu tive!
foto ppa2 (2)

O parto findou, mas a história de amor concreta que vivemos é perene. Nossa família Louva e Glorifica à Deus pelo cuidado que teve conosco, colocando as pessoas certas, pessoas maravilhosas como vocês em nossas vidas! Nosso muito obrigado eternamente!

2 thoughts on “Relato de parto: nascimento da Clarice

  1. Nossa me emocionei com esse relato, gostaria de saber se esse hospital da mãe é o de Mesquita, sou moradora de Mesquita e não consegui começar a fazer meu pré natal lá. Se essa mãe for de Mesquita, gostaria de manter contato com ela.

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