Roda de Conversa: Nutrição na Gestação e Pós-Parto

Roda de Conversa: Nutrição na Gestação e Pós-Parto

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Tem mais uma Roda de Conversa chegando! O tema dessa vez é bem importante e muito pedido: nutrição na gestação e no pós-parto. Como a grávida deve se alimentar? A alimentação dela influencia no desenvolvimento do bebê? E no pós-parto? O que a mãe come passa pelo leite? Como manter uma alimentação bacana e ainda cuidar do filho pequeno?

Pra bater um papo com a gente sobre esses assuntos, vamos contar com a presença da Juliana Alves Zupo, Nutricionista Materno-Infantil.

Chama as amigas, contamos com vocês!

Infos:

Data: 27/05, sábado
Horário: a partir das 9h30
Local: Rua Professor Valadares, 148 – Grajaú

Contribuição Solidária: R$15,00
Trazer: almofadas para seu conforto!
Confirmações: partoporamor@partoporamor.com.br
Chama as amigas, contamos com vocês!

Relato de parto: Daniele relata seu parto hospitalar

Relato de parto: Daniele relata seu parto hospitalar

Receber relatos de parto é muito gratificante para nós! Leia a história da Daniele, que pariu com respeito e confiança no SUS ao lado do marido e da Mariana Zukoff, enfermeira da equipe Parto por Amor.


 

Meu relato é uma forma de agradecer a esse grupo, que me ajudou muito durante a gravidez. Eu lia relatos todos os dias, entrava no grupo mais de uma vez por dia pra ver as histórias nos comentários, tava um vício já…rs e cada relato ia me fortalecendo, me dando a certeza que a minha busca por um parto normal respeitoso não era besteira, e não era algo impossível e distante de mim.

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O parto do Antônio aconteceu no dia 25 de abril, às 20:45h na Maternidade Maria Amélia-RJ. Tive o acompanhamento da equipe PARTO POR AMOR, representada pela maravilhosa enfermeira Mariana Zukoff, que ficou comigo em casa durante o dia. Meu plano era ficar em casa o máximo possível e ir para o hospital quando já estivesse com dilatação avançada, e assim foi feito.

Queria começar meu relato fazendo algumas observações:

1- fico um pouco chateada quando vejo algumas mulheres aqui dizendo “ainnn não tenho coragem de ir pro SUS”, sem nunca ter botado o pé numa unidade pública de saúde. Bora assumir que o nome disso é preconceito, e preconceito é feio?! A maternidade pública pode não ter a mesma hotelaria da particular, mas não é a hotelaria que vai te dar um parto normal. É mais provável que no hospital particular vc seja atendida por um plantonista recém-formado, que por não ter muita experiência, provavelmente vai encaminhar pra uma cesárea mais “segura”.

Eu nunca tinha sido atendida pelo SUS, mas estava na carência do plano de saúde, pois mudei de plano no mês que engravidei (sem saber da gravidez) e encarei numa boa a perspectiva de usar um hospital público, sabe por quê? Porque eu vivo há anos em hospitais públicos, trabalhando ou estudando, e sei da capacidade dos profissionais que estão ali. Sei o quanto a maioria dos funcionários públicos (na qual me incluo) se esforça para dar conta do serviço, sei que ali estão pessoas que tem profundo amor por suas profissões e por seus pacientes, pessoas que estudaram e prestaram um concurso, pois escolheram trabalhar pelo SUS. É uma pena que alguns poucos maus exemplos façam tanto estrago e manchem a imagem da maioria.

2- Pra quem não tá nem aí pro desmonte do SUS e acha que tá bem na fita só porque paga pelo plano, vamos recapitular: vacinas, transplantes, atendimento de acidentados, cirurgias inovadoras, é tudo pelo SUS! E hoje em dia os melhores médicos especialistas não querem nem saber dos convênios, atendem somente particular, ou gratuitamente pelo SUS, onde são concursados (sou estudante de medicina e conheço muitos médicos bam-bam-bam assim). Então quem acha que não precisou nem vai precisar do nosso sistema público de saúde, provavelmente está enganado

Dito isso, vamos ao trabalho de parto em si:

No domingo 23/04 (39 semanas e 2 dias) fui ao banheiro e saiu uma “gelatina” transparente, era parte do tampão. Tentei não me animar, pois tinha lido relatos de mulheres que perderam o tampão duas semanas antes do TP. Eu tinha passado o fim de semana ansiosa, tinha perdido o sono duas noites seguidas, não queria ficar mais ansiosa pois sabia que isso atrapalharia a progressão das coisas. Então botei na cabeça que o Antônio viria só em maio, e que eu tinha que relaxar. Me programei pras atividades daquela semana pensando: vida que segue.

Na madrugada de segunda 24/04 acordei às 4h com uma cólica leve, fui ao banheiro e saiu um pouquinho de sangue. Apesar de racionalmente saber que era normal, não consegui dormir de novo. Mandei mensagem pra Mariana pra confirmar se era normal mesmo…rs A Mari disse pra eu me distrair, pra não focar na ideia do parto, e eu segui isso. Aproveitei o dia pra fazer bastante comida e congelar, arrumei a casa, enfim, fiquei me mexendo. Eu sabia que não ia conseguir desfocar se ficasse deitada no sofá vendo série da netflix, preferi me ocupar. Durante o dia tive várias contrações doloridas, que incomodavam e me faziam parar de dor. Mas de noite eu ainda disse pro meu marido: são contrações bobas, ainda não deve engrenar. Avisei a Mari que as contrações  estavam irregulares  e fomos deitar… Aí o bicho começou a pegar! Eu dormia por cinco minutos e acordava com uma contração, apagava e acordava. De manhã eu já estava cansadíssima, pedi pro meu marido ligar pra Mari porque eu não conseguia sair do chuveiro quente, e ela veio pra nossa casa às 6h da manhã. Eu tava crente que já tinha sentido a maior parte da dor, que ela ia chegar, fazer um toque, eu estaria com dilatação 8 e iríamos pra maternidade…. doce ilusão rs. Ainda bem que a Mari sabe das coisas, faltava muuuuuito por vir.

Ela não fez o toque quando chegou, mas passou o dia inteiro me ajudando, contando contrações, fazendo ausculta do bebê e me examinando de várias formas (acho que só de olhar pra mim, ela sabia em que estágio eu estava).

Durante as contrações eu saía andando, andar me ajudava a suportar a dor. A maior parte do tempo eu não conseguia sentar ou deitar, só ficar em pé. Mais ou menos depois da hora do almoço, a Mari me falou pra agachar durante as contrações, pra ajudar a dilatar e estimular a descida do bebê… pqp que dor! Quando eu agachava, ela massageava minha lombar pra me ajudar a suportar, mas mesmo assim eu chorava, chorava de dor.  Chegou uma hora que eu não conseguia parar de chorar, fui pro chuveiro e fiquei lá até me acalmar na penumbra, a santa Mariana na porta segurando o celular pra tocar as músicas. Estava muito desesperada e pensando em desistir. Foi quando saí do banho, e aí ela fez o toque: 7-8cm, e então fomos com calma pra maternidade. Chegamos na MMA umas 15:30h, a enfermeira da admissão fez outro toque e disse: 9cm, direto pra sala de parto. Acho que isso me gerou uma expectativa muito grande, tipo: “9 cm, tá perto, falta pouco, daqui a pouco eu vou sentir vontade de empurrar”. Mas a verdade é que eu não sentia vontade nenhuma. Umas 18h, antes da passagem de plantão, novo toque, acho que a outra enfermeira disse 8 cm. Eu pensei: caceta, ainda falta muito, eu não tenho mais forças, não evoluí nada!

A nova enfermeira que assumiu o plantão era conhecida da Mari, veio, fez novo toque, nada diferente. Elas me propuseram um exercício pra ajudar o bebê a rodar, mas eu tinha que ficar deitada na beira da maca quase caindo pra fora, confiando que meu marido e a Mari iriam me segurar pra eu não cair. Eu sou super medrosa pra essas coisas de acrobacia, além da dor eu morria de medo de cair! Nessa hora eu só repetia: não foi assim que eu imaginei, não era isso que eu queria! Passei a gravidez inteira lendo relatos de que a mulher sabia o que fazer, repetindo mentalmente que o meu corpo era capaz, etc… talvez eu tenha mentalizado um conto de fadas em que a mulher escuta a voz do mais profundo do seu ser, e no meu caso foi bem diferente.

Na hora eu não tinha instinto nenhum, nenhuma vontade, só o cansaço, um medo gigante, e a vontade que acabasse logo. Não lembrei de analgesia em nenhum momento, pois pra mim o pior não foi a dor, mas a parte psicológica. A enfermeira plantonista propôs romper a bolsa e eu aceitei, já estava no meu limite de forças e com zero de autoconfiança. Ao fazer o toque e romper a bolsa ela disse que o bebê tinha rodado, estava na posição certa (parece que a acrobacia da maca funcionou) e já no plano 3, aí ela disse alguma coisa parecida com “o bebê já tá aqui embaixo, você tem que ajudar. Na posição que está, fica difícil até pra operar”. Eu acho que a intenção era me animar, não me deixar desistir, mas eu fiquei ainda mais nervosa. Me bateu um desespero, uma insegurança tão grande, que aquela ideia da cesárea agendada que eu refutei por 9 meses me pareceu tão atrativa… Fiquei imaginando eu deitada, maquiada, tranquila e sem dor no centro cirúrgico (só delírio mesmo pra eu esquecer todas as desvantagens da cirurgia). Entrei em pânico imaginando que eu não ia conseguir parir e que dali algumas horas eu ia acabar indo pra uma cesárea de urgência, que toda aquela dor não teria adiantado e que eu ainda poderia colocar meu filho em risco. Não confiava mais no meu corpo, já tava super arrependida dessa história de parto normal e não conseguia me acalmar. Foi quando a Mari falou: “Dani, acredita em você, você sabe parir, falta pouco, coragem”.

Não sei quanto tempo passou, mas em algum momento a Mari me ofereceu pra ir pra banqueta, e a cada contração eu fazia força.

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Elas duas humildemente sentadas no chão, olhando por baixo e me estimulando: aí, Dani! Isso aí! Quando eu empurrava errado elas corrigiam: a força é aqui embaixo! Eu não fazia a menor ideia de onde empurrar, simplesmente seguia a orientação delas ao fazer força, pois estava fora de mim, queria que acabasse logo. Dessa parte eu não lembro da dor, nem do tempo que durou, nem se tinha música, só lembro que rezei muito, que pedia pra Nossa Senhora me ajudar e proteger o Antônio. Então meu bebê nasceu de forma mais linda, veio pro meu colo, eu e marido chorando…

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O pai cortou o cordão, a placenta saiu, o bebê foi pra pediatra. Aí veio meu chilique pós-parto, eu tive uma tremedeira e as pernas chacoalhavam, tava mega nervosa, não conseguia deixar as enfermeiras virem me examinar e dar os pontos… elas tiveram bastante paciência pra esperar eu me acalmar. Fiquei esperando aquela emoção, a sensação de vitória que todo mundo descreve, e não senti. A sensação de ter feito a coisa certa só veio no dia seguinte ao parto, depois que o nervoso passou. Foi quando eu finalmente agradeci a Deus e pedi perdão por não ter confiado que Ele estava cuidando de tudo.

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Claro que eu tenho vergonha disso, do pânico, do nervosismo, e só estou tendo coragem de expor a minha situação pra dizer que nem toda mulher segue seus instintos e sabe o que fazer, ou talvez a tensão do momento a impeça de ouvir essa tal voz interior… Nesse caso é fundamental confiar em alguém que conheça o trabalho de parto e te passe segurança, sabendo orientar o que fazer. As enfermeiras obstetras são perfeitas nesse quesito! Não vou cansar de agradecer à Mariana por tudo… ela não é apenas uma profissional excelente, o que ela faz é por amor, com respeito e dedicação. O nome #partoporamor é ideal pra elas!

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E um obrigada especial ao meu marido, que me respeitou e apoiou desde o começo, esteve aberto a ouvir, entender e então abraçar a ideia do parto normal. Durante o trabalho de parto, foi um super companheiro, cuidou de mim e foi corajoso até o final. Eu não teria conseguido sem eles!

Relato de parto: nascimento da Clarice

Relato de parto: nascimento da Clarice

Esse relato de parto é muito especial para nós e um pouco diferente dos outros. Isso porque a Camila planejou um parto domiciliar, mas ao longo da gestação, tivemos que indicar um parto hospitalar para o caso dela. Uma história cheia de reviravoltas e com uma única certeza: apesar das coisas terminarem diferentes do que planejamos, tudo dá certo como deveria! Um história linda, respeitosa e que a nossa equipe ficou muito feliz de fazer parte.


 

Relato de parto 15/04/2017 – O nascimento da Clarice: Luz para as nossas vidas!

Tudo começou de uma grande motivação em ter um parto domiciliar (PD) que na realidade iniciou bem antes de eu sequer estar casada! rs

Sou Enfermeira e sempre tive um grande respeito pela humanização no atendimento e em especial neste momento tão sublime que é o nascimento de uma criança. Mesmo não tendo seguido a área da obstetrícia, tenho uma grande queda por todo esse público de família expectante, gestantes e bebês.

Com tudo isso, ainda na faculdade, após ter uma palestra com a Enfermeira Obstétrica (EO) Marcella Pereira, decidi que o PD seria o tipo de parto ideal para mim quando estivesse gestante. Não tardou muito e logo ano passado, com 2 meses e meio de casada descobri a gestação!
Meu esposo Douglas já acompanhava mais ou menos a ideia sobre PD, mas quando descobrimos a gravidez e veio então a ideia do parto, ele ficou receoso e fomos estudar mais e pesquisar sobre o assunto. Também preciso dizer que não escolhemos o PD porque achamos “bacana” ou por “modismo”. Na realidade, após muito pesquisar, percebemos que é uma das formas mais respeitosas de parir. Há muito respeito pela mãe, família e a criança, e foi por isso que almejamos o PD para nossa família.

Na época procurei novamente pela Marcela a qual citei anteriormente, mas ela infelizmente não estava mais realizando PD na época e nos indicou algumas possibilidades, dentre estas a equipe Parto por Amor, que coincidentemente ou não, foram as primeiras que visitamos pela internet e após conhecer o trabalho das Enfermeiras nos apaixonamos!

Fomos à primeira roda de conversa com a equipe e lá conhecemos a Ana e a Mariana nossas então futuras EO. Iniciamos nosso pré-natal, tudo certo, saúde em dia, exames ok, tudo fluindo para que nosso sonho de parto se tornasse realidade, exceto por um edema que não me deixava e insistia em me acompanhar desde os meados da gestação. Infelizmente com ele, veio também algumas variações na pressão arterial que já no fim da gestação tendia à subir e dessa forma colocaria em risco nosso PD.

Quando a Ana e a Mari vieram nos informar sobre a impossibilidade do nosso parto, nosso mundo caiu. Mesmo sabendo das possibilidades e os planos “B e C” que um PD pode se tornar, você sempre acredita que vai dar tudo certo da maneira que imaginamos. Sofremos muito e posso dizer que sofremos os 4! Sim, elas também sofreram e muito conosco, vimos lágrimas não apenas em nossos olhos, elas foram verdadeiros anjos durante todo o momento com nossa família e continuavam a ser neste momento de dor, porém inevitável.

Com a interrupção do nosso pré-natal com as meninas, fomos encaminhados para uma maternidade do SUS de referência da nossa área, o Hospital da Mãe, que também realizava o parto de forma natural e humanizado. Soubemos também que lá havia a presença da Enfermagem Obstétrica na assistência, o que na minha concepção era de grande importância, já que fazem a diferença no atendimento e humanização do parto.

Com a nossa entrada no serviço do Hmãe para terminar o pré-natal, confesso que estava apreensiva, não era nosso sonho inicial, não estávamos mais tão entusiasmados. Não que o nascimento da nossa filha não fosse o mais importante, mas estávamos mudando nossa rota e toda mudança gera diferenças em nossas vidas. Mas acima de tudo continuávamos muito confiantes em Deus como sempre fomos e pedimos à todo momento por este tempo final de gestação que ainda passaríamos.

Graças à Deus e à toda interseção de Maria, fomos muito bem recebidos no hospital. Talita que é coordenadora da Enfermagem nos recebeu pessoalmente e nos acolheu da melhor maneira possível, o que fez toda diferença! A Dra Kyvia também que foi nossa próxima obstetra até o fim do pré-natal, sempre muito amorosa, não nos fez duvidar em um só momento que tudo o que aconteceu não escapava dos planos de Deus para nossa vida e que deveríamos estar exatamente alí.

Finalmente vamos ao parto! rs

Tínhamos 2 datas prováveis para o parto (na teoria) que eram 10/04/17 pela data da última menstruação e 12/04/17 pela primeira ultra. Nessas datas faríamos 40 semanas.

Na terça-feira 11/04/17, após uma caminhada em família, comecei a sentir contrações dolorosas pela primeira vez, porém em intervalos irregulares entre 3 horas, 1 hora, e regularizou mais à noite. Eu finalmente achei que era o início do trabalho de parto em si, mas hoje eu sei que eram apenas pródromos! Passamos pelo 1º alarme falso…

A peregrinação das contrações continuaram pela quarta e quinta feira e apesar da regularidade, eu ainda não tinha dilatação nenhuma. Na madrugada de quarta feira fomos novamente à maternidade pela segunda vez, e o colo do útero ainda começava a amolecer, mas permanecia sem dilatação ainda. Na madrugada de quinta para sexta, as contrações estavam bem intensas e com intervalos de 5 minutos entre elas, duravam cerca de 1 minuto e eu não conseguia relaxar, alternava entre banhos de água bem quente e tentava cochilar nos intervalos. Sem sucesso! A dor não me permitia, eu não conseguia sequer deitar, deitada era a pior posição para mim, sentia muitas dores na região lombar e as contrações pareciam piorar. De repente às 3:30h da madrugada as contrações passaram à vir a cada 3 minutos e muito intensas, lá fomos nós de novo para a maternidade. Dessa vez eu sentia algo diferente… Chegando lá pensei que finalmente havia chegado a nossa hora, mas agora eu acabava de começar a dilatar e estava com 1 para 2 de dilatação, a barriga muito alta ainda (e eu achava baixa), quase não acreditei que mais uma vez se tratava de um alarme falso.

Fiquei desanimada, extremamente chateada e a obstetra que me avaliou nesta madrugada nos deu “24h com bebê no colo”, 24h para estarmos com nossa Clarice nos braços. Eu sinceramente já não estava mais confiando nesses palpites após tanto alarme falso e voltamos mais uma vez para casa.

Em casa na sexta-feira (era sexta-feira santa), eu passava minha própria via sacra particular, foi bem complicado. Eu queria me movimentar porque as contrações doíam muito, mas ao mesmo tempo estava me sentindo um pouco fraca e exausta. Isso porque fazia 2 dias que eu não me alimentava bem, vomitava o que tentasse comer e então passei a ingerir apenas líquidos e em pequenas quantidades. Além de tudo isso, aumentava cada vez mais minha preocupação, se Clarice não nascesse até a próxima terça feira 18/04/17 nós teríamos que internar para induzir pois estaríamos com 41 semanas e não queríamos, queríamos respeitar o tempo dela, o momento dela.

Chegava à noite na sexta e eu com muita dor ainda tentava descansar, novamente sem sucesso! Na madrugada, mesmo com exaustão ao extremo, continuava alternando entre o chuveiro quente (que ainda me aliviava um pouco) e a cama para tentar relaxar. Até que quando deu 5h da manhã do sábado, eu levantei com auxílio do meu esposo e me dirigir ao banheiro para urinar. Ao sentar no sanitário tive um episódio de vômito em jato e neste momento minha bolsa estourou. Quanto líquido!!! Nunca esquecerei esse momento! rs. Meu esposo perguntou se era a bolsa e eu disse que sim e que também achava já estar com 7 de dilatação.

Essa história do “7 de dilatação identificado pelo vômito” lembro ter ouvido das meninas da Parto por Amor, durante uma roda de conversa, elas diziam que algumas mulheres quando alcançam 7 de dilatação tendem à vomitar provavelmente como um mecanismo natural do corpo para se preparar para o parto. A natureza é mesmo perfeita!

Meu esposo ainda meio nervoso, correu com as bolsas para o carro, se vestiu e me vestiu rapidamente (eu me sentia meio letárgica, com muita dor e a sensação de fraqueza nesse momento). Corremos (literalmente) para a maternidade e chegando lá para a nossa surpresa, estava de fato com os 7 de dilatação! Ótimas notícias, internamos!

Já na sala de parto, conhecemos as enfermeiras Márcia Luna e Petite Fleur que se apresentaram para nós e nos informaram que estariam em nosso atendimento e me examinariam periodicamente para avaliar a evolução.

Sabe dessas coincidências que nunca acreditamos que aconteceriam com a gente? Pois é, Contamos previamente nossa história para elas e descobrimos que a Petite conhecia a Mari, nossa EO do pré-natal, e dessa forma elas começaram a se comunicar. Neste momento eu me sentia “em casa”. Uma sensação de conforto se instalava em meu coração. Bela coincidência preparada por Deus! Entregamos neste momento também meu plano de parto para que as meninas conhecessem o que era da nossa vontade para o parto.

Meu trabalho de parto ainda durou algumas horas e enquanto estávamos só eu e Douglas na sala, eu continuava com os banhos quentes para tentar amenizar a dor e ele fazia massagens na minha lombar que doía muito e cada vez mais. As Enfermeiras trouxeram alguns dispositivos para deixar à minha disposição, como uma cadeira para o chuveiro, a bola de pilates e o cavalinho (uma espécie de cadeira própria para parir). Também utilizaram aromaterapia (permitido por mim) e deixaram o quarto bem escurinho em penumbra e tudo isso me trouxe um conforto muito grande, mas ainda assim eu só conseguia sentir dor e muita dor!!!

Até que chegou uma hora em que eu não aguentava mais aquela exaustão toda… Já haviam passado horas, já tinha sido examinada algumas vezes pela Márcia e Petite, me ofertaram lanche, mas eu ainda não conseguia me alimentar, eu solicitei um gás anestésico que fica a nossa disposição caso realmente achasse necessário. Livopan o nome do gás. Elas já haviam me explicado que ele não pararia o trabalho de parto e nem prejudicaria minha filha, mas que poderia me ajudar a relaxar. E eu precisava dormir, havia passado as duas últimas noites em claro, não conseguia cochilar por causa da dor, sentia que se não dormisse não teria forças para meu período expulsivo.

Utilizei o gás enquanto estava na cadeira embaixo do chuveiro quente e que alívio! Dormi! Segundo o Douglas, dormi cerca de 40 minutos, quando despertei nem tinha noção deste tempo, mas eu era outra! Estava relaxada e me sentia pronta para parir!!!
Entre umas 13:40h e 13:45h entrou na sala um médico obstetra dessa vez para fazer minha avaliação e pediu que eu me deitasse na maca para examinar. Como o efeito do gás ia passando rapidamente eu voltava a sentir bem as dores e não me sentia nada confortável na maca. Quando ele realizou o toque eu fiz uma força involuntária e disse à ele que sentia vontade de fazer mais. Neste momento ele pediu que eu me acondicionasse melhor na maca e anunciou que minha filha ia nascer. Mas eu estava totalmente desconfortável e disse que não queria parir alí, perguntei se podia voltar para o cavalinho (era onde eu me sentia mais confortável além do chuveiro quente). Ele começou então a justificar algo que eu confesso não ter ouvido, só não queria parir alí e não ia parir alí!
Segundo relatos do meu esposo, ele disse que o médico informou que ele como médico preferia fazer o parto na maca mas que ele garantia realizar o parto normal, enfim, eu nem lembro de mais nada, nem mesmo da fisionomia dele, só lembro ter pulado da maca, me dirigido ao cavalinho e pedido que ele chamasse as Enfermeiras e ele prontamente as chamou.

E lá vieram elas, nossos novos anjos em forma de profissional, com sorrisos no rosto e muito amor no coração, retornaram com a penumbra que havia sido interrompida no quarto e se agacharam diante do cavalinho para esperar nossa Clarice vir ao mundo. Neste momento, também veio à sala a Enfermeira Danielle Tenório que juntamente com as outras assistiram e fizeram o máximo possível para que o nosso parto fosse exatamente como desejamos e sonhamos, com muito respeito, paciência e regado de muito amor!

À todo momento, meu esposo permanecia do meu lado, segurando minhas mãos (lembro que eu apertava muito suas mãos para me sentir segura). Ele me dizia palavras de força e coragem para que eu continuasse e isso foi essencial. Douglas se mostrou mais uma vez um companheiro incrível! Amor eu te amo ainda mais!

Depois de muito fazer força, gritar, às 14h exatamente, em pleno sábado de aleluia, nossa Clarice veio ao mundo! E eu chorava, na verdade chorávamos, enquanto eu dizia: – Eu consegui! Eu consegui! Sim eu havia conseguido! As enfermeiras colocaram ela nas minhas costas assim que nasceu e eu sentia ela, quentinha, escorregadia, chorando, que momento!!! Alí nasceu com ela nossa família!

Rapidamente as meninas me ajudaram a levantar para passar ela para meu colo e ali ficamos os 3, Douglas, Clarice e eu contemplando a maior obra prima de Deus: A família, o amor em família!
Esperaram o cordão parar de pulsar para cortar e foi o próprio papai dela quem cortou, tudo como estava em nosso plano de parto, como seria mesmo em nosso lar.

Clarice mamou ainda na sala de parto, tomei banho logo após o parto, com a placenta “presa” ainda, esperando que ela desquitasse aos poucos e em alguns minutos depois, finalmente conhecemos a “Sra Placenta” rs, que alimentou e supriu as necessidades de nossa Clarice durante toda a gestação.

Ganhamos como mimo das Enfermeiras lindos carimbos da placenta! Eu senti sua textura. Ela é linda! Quentinha, molinha, uma verdadeira árvore da vida! Ganhamos também muito amor espalhado por toda a maternidade, ganhamos Enfermeiras amigas e passamos à admirar ainda mais esses exemplos de profissionais que lutam por um nascer digno! Desejo que mais mulheres tenham a possibilidade que eu tive!
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O parto findou, mas a história de amor concreta que vivemos é perene. Nossa família Louva e Glorifica à Deus pelo cuidado que teve conosco, colocando as pessoas certas, pessoas maravilhosas como vocês em nossas vidas! Nosso muito obrigado eternamente!