Relato de parto: o nascimento da Sophia

Relato de parto: o nascimento da Sophia

Nós amamos os relatos de parto!
Veja abaixo a história do nascimento da Sophia, contada pela mãe Andréa.


 

Olá, meninas. Tive o acompanhamento da Mari no parto da minha Sophia e queria deixar o meu relato e o meu eterno agradecimento por ter um parto respeitoso e cercada de tanto carinho e cuidado.

Meu nome é Andréa e minha história mudou no dia 31.10.2016. Mal sabia que ali tudo o que veio antes seria reconstruído e ressignificado.

Sophia estava prevista para nascer por volta do dia 28.11.2016, mas eu sabia lá no fundo que não chegaria até o final. Havia uma superlua no nosso caminho e pensei que isso pudesse influenciar no rompimento da bolsa e ate achei poético, pois no dia da superlua eu e Raphael faríamos 13 anos juntos. Tinha certeza que seria por ali o nascimento da minha filha. Só que a vida não segue roteiros e a data do nascimento dela foi só mais uma das inúmeras mudanças de planos que viriam a seguir.

Bom, após chegar de uma consulta de rotina com a obstetra, com 36 semanas, sinto a bolsa romper e o coração acelerar. Dia 31.10.2016. 20:20h. Parece que o mundo parou de girar por uns segundos enquanto eu tentava processar tudo o que estava acontecendo e o que estava por vir.

O plano inicial era ficar em casa o máximo de tempo possível antes de ir para a maternidade. Queria chegar lá com uns 7 cm, parir sem anestesia. Falava com a Mari sobre isso e tinha como certo que isso iria acontecer. Porém, com 36 semanas e bolsa rota, foi preciso ir ao hospital dar uma conferida nos batimentos cardíacos da Sophia. Achei que fosse fazer alguns exames e voltar para casa. Que nada. Mudança de planos, recalcule a rota.

Não pude sair. Monitoraram Sophia na barriga, injetaram antibiótico na veia e não me deixaram comer e nem beber nada! Contrações ritmadas, dor vindo forte, mas tolerável…E eu pensava “beleza, Andréa, dá pra aguentar essa dor. Sem anestesia é o plano.”

Madrugada a dentro, contrações pararam. Esperamos 24h para ver se o trabalho de parto engrenaria naturalmente…E nada. Então optamos junto com a GO induzir o parto com um comprimido. Graças a Deus, engrenou no primeiro comprimido e como engrenou! Gente, q dor absurda é essa?!?!

Já tive pedra nos rins, dor de coluna, dor de dente, mas nada, absolutamente nada se compara a essa dor. A cada 2 ou 3 minutos. Mari, marido e GO ao meu lado. Mari fazendo mil massagens, usando rebozo, no chuveiro quente comigo, mas nada aliviava essa dor.

Só pensava q eu ainda não tinha me despedido da barriga!! Não era o planejado!! Ainda teria umas duas semanas para tudo oq eu tinha pensado…Eis que vem Mari com sua doçura e sensibilidade me dando um texto lindo, lindo para ler sobre isso. Me emociono e renovo as energias para o grande momento que está por vir. Agradeço a Deus pela minha filha estar aguentando firme comigo.

Dia 2.11 as 8h, dores lancinantes, nada, absolutamente nada diminuía a dor. Saio do quarto e vamos para a sala de parto. Nunca tremi tanto na minha vida. Que medo!!! Medo do que estava por vir, medo de sentir mais dor, medo da total ausência de controle sobre tudo oq estava acontecendo. Confiava plenamente nos profissionais que me acompanhavam e tinha o apoio incondicional do meu marido, então vai com medo mesmo!!

Chegando na sala de parto, vou direto pra banheira quente para aliviar a dor. Na prática, parecia q eu tinha entrado num buraco cheio de espinho…Quero sair quase que imediatamente dali e peço anestesia pela primeira vez.

Saio da banheira e só quero que diminuam a minha dor. Daria um braço se isso fosse aliviar a dor.
O anestesista não foi da equipe, foi da maternidade e foi sensacional. Consegui dormir por uns 20 minutos, me disseram. A minha sensação foi de desmoronar, desmaiar…

Se não me engano, precisei tomar também ocitocina sintética em algum momento – depois de 4 meses, os detalhes se vão, ficam apenas os fatos mais marcantes como a dor absurda, quem estava comigo e etc. – e isso faz com que a dor fique INSUPORTÁVEL. Sério, não sabia que o corpo humano fosse capaz de suportar tanto…A sensação era que eu ia morrer, sucumbir…

E para suportar tudo isso, pedia anestesia a todo momento. A TODO MOMENTO. Mari deve lembrar, acho q era anestesiada praticamente de hora em hora, nem sabia q isso era possível rsrsrs

Tentei todas as posições possíveis: cócoras (a dor era ainda pior), de lado, deitada…Tudo! Mas Sophia estava encaixada de uma forma que a cabecinha dela estava virada pra cima e isso impedia o seu nascimento. Mari fez mil massagens, usou o rebozo e graças a Deus, uma hora Sophia desencaixou e encaixou da forma que precisava.

A dor era tão forte que em alguns momentos eu dizia que queria ir embora dali rsrs e queria mesmo se deixassem! Dificultei trabalho da Mari pois não queria q encostassem na minha barriga pq a dor era absurda.

Quando a dor estava mt forte , eu pedia cesarea, queria acabar com aquele sofrimento, queria ter meu bebê no colo e para com a dor. Só isso. Mas estava cercada de pessoas que sabiam q essa não era a minha vontade e me incentivaram a tentar mais uma vez. E mais uma vez. E mais uma vez.

Cheguei ao meu limite as 21h. (Chegamos à sala de parto as 8h!!!) O anestesista deu uma anestesia mega forte e que teoricamente eu não sentiria as minhas pernas…sentia tudo, gente, menos a dor!! Pensei que Sophia tinha que nascer naquele momento, pois eu já beirava a exaustão e não conseguiria aguentar por mais tempo.

Me lembro de perguntar pro anestesista quanto tempo durava o efeito daquela anestesia e ele me falou que seria 1h. Então até as 22h teria que nascer, pensei…

Fiz muita força, muita, como nunca fiz na vida. E quando deu 21:40h as dores começaram a voltar…Não tinha negociação, tinha que nascer. A GO então sugeriu usar um instrumento que esqueci o nome e que puxa a vácuo o topo da cabecinha do bebê enquanto a mãe faz força. Dói demais para colocar isso, gente. Não aguentava mais sentir dor…Já tinha 50h!!

Mas Sophia nasceu linda, linda e bochechuda as 22h e como um passe de mágica, a dor passa. A dor passa! Meu bebê veio direto para os meus braços, mamou, ficou comigo na hora de ouro, sem colírio, sem banho, sem aspiração, sem nenhuma intervenção que eu abominava.

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Sem episio. Sem pontos. Parto respeitoso.

Mudança completa de planos, mas na essência fui atendida 💕

Sei que se eu não estivesse com a minha equipe tão especial, eu não teria conseguido passar pelo parto normal como queria. Bolsa rota, 36 semanas…Agradeço a Deus por ter escolhido profissionais tão competentes.

Quero deixar aqui registrado o meu carinho e a minha gratidão por ter sido acompanhada pela EO Mari que sempre me ajudou nos momentos de tensão ao longo da gravidez, tirando mil dúvidas, me acalmando nos momentos de estresse hardcore, me ajudando a fazer essa passagem com um texto lindo que jamais vou esquecer.

O trabalho que o parto por amor faz é incrível e super recomendado!!
Muito obrigada 💕

Bjs,
Andréa e Sophia

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2 thoughts on “Relato de parto: o nascimento da Sophia

  1. Queridas, mais uma vez queria agradecer por todo profissionalismo e pelo amor a profissão que vcs carregam no peito.

    Desde a roda de conversa (onde pude conhecer o trabalho de vcs e tirar mil dúvidas) pude ver que vcs são diferenciadas. Dá pra sentir o amor e o acolhimento desde o primeiro contato.

    Continuem o trabalho lindo de vcs. Acredito que vcs contribuem diretamente para a mudança do quadro gritante de cesáreas no nosso país. Eu mesma no início pensava em fazer um.a cesárea e, através de esclarecimento, pude mudar de opinião. Na roda de vcs fui muito acolhida e tive meus medos respeitados e desvendados…
    Mt mt obrigada se fazerem presentes no nascimento da minha Sophia. Meu eterno obrigada a Mari por não desistir, mesmo diante de um parto (e parturiente rs) trabalhoso…Foi mt importante para mim ter tido o parto normal, apesar de todas as mudanças de percurso.
    Um beijo grande e cheio de carinho para todas!!
    Andréa e Sophia

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