Relato de parto: o nascimento da Laura

Relato de parto: o nascimento da Laura

Esse relato é tão lindo e cheio de detalhes! Estamos muito emocionadas e felizes de compartilhá-lo com vocês!
Veja abaixo a história do nascimento da Laura, contada pela mãe Tulani.


 

Bem, na verdade nosso plano de parto começou a ser construído muito antes de estarmos grávidos. Sou enfermeira obstétrica e durante a residência descobri o parto domiciliar e desde então falei para o Bruno que gostaria de parir em nossa casa. O parto natural sempre foi minha escolha e diante da possibilidade de parir naturalmente no lugar onde eu me sinto mais à vontade, não via melhor opção para mim. Enquanto a gestação era só plano, ele super concordava e falava para todo mundo que quando tivéssemos filhos, que eles nasceriam em casa e ele apararia. Só que não.

Nos casamos no dia 01/08/2015, dois meses antes tinha parado com o anticoncepcional, acreditando que lá pelo fim do ano conseguiria engravidar. Minha menstruação sempre foi muito irregular e, pra minha surpresa, um dia antes do nosso casamento, eis que a danada deu o ar da graça, mas ela foi embora em dois dias e eu mal podia imaginar que seria a última dos próximos 9 meses. Nos casamos, partimos para lua de mel, setembro chegou e nada da próxima menstruação chegar. Primeiro teste de farmácia negativo, confesso que mesmo não esperando estar grávida, fiquei um pouco chateada. Eu havia comprado dois testes e guardei um escondido no fundo do armário para não criar expectativas ou gerar ansiedade. Como meu ciclo sempre foi irregular, não liguei e fiquei esperando. Tinha todos os sintomas da TPM, mas nada da menstruação e uma cólica que não passava. No dia 13/09, acordei ainda com cólica, até aí “meu ciclo” já tinha 44 dias, resolvi então usar aquele teste que ficara guardado. Fui para o banheiro e tcharam, dois traços rosa 😱

Não conseguia acreditar e não sabia o que fazer com aquela informação, tinha medo de contar e ser um falso positivo e frustrar a todos, principalmente o Bruno, mesmo sabendo que o TIG é seguro. Saí do quarto, o Bruno estava deitado no sofá, deitei com ele, o abracei e só Deus sabe minha vontade de compartilhar a notícia, mas estava certa que não contaria antes de fazer o beta ou uma ultra. Na vontade de dividir minha felicidade, contei para a Malu (nossa filha de quatro patas), ela guardaria segredo… Kkkk. Naquela noite eu estava de plantão na ambulância e continuaria na manhã do dia seguinte.

De manhã, assim que passamos o plantão, fui para o laboratório fazer o beta e a cada 10 minutos atualizava a página do resultado online até que as 17:26h estava lá positivo e aquela 1:34h que restava do plantão nunca foi tão longa como naquele dia. O plantão chegou ao fim, chegando em casa, fiz uma caixa com o resultado do exame e alguns bilhetes e entreguei ao Bruno dizendo que era um presente, o que não deixava de ser. Assim que abriu ele já matou a charada, nem olhou o segundo bilhete começou a tremer e chorar dizendo que estava passando mal. Quando ele se recuperou, conversamos e decidimos que não contaríamos para ninguém até que fizesse a ultra, que por sinal eu já tinha marcado e seria dois dias depois.

Na quarta feira, fomos fazer a ultra e pela data da última menstruação, eu contava já estar com 6 sem e 5 dias, mas para minha surpresa ainda não era possível visualizar o embrião, só o saco gestacional,o que foi um balde de água fria pra mim que esperava um coraçãozinho batendo acelerado.

Esperamos 2 longas semanas até fazer um nova ultra e enfim ouvir lindamente, pela primeira vez, às batidas daquele coraçãozinho. ❤

Saímos da clínica e o Bruno falava em marcar médico para começar o pré natal. Oi? Como assim? E o nosso parto domiciliar?

Quando o lembrei sobre o PD ele soltou um sonoro: “Tá maluca?”

Não, eu não estava, era essa a idéia desde o início. Foi então que entrei em contato com a Camila e marquei uma consulta com ela e a Mari. Nesse meio tempo eu já ia trabalhando a idéia com ele, dando textos para ler, assistindo vídeos e pedindo para ele pensar em todas as suas dúvidas para tirar na consulta.

O dia da consulta chegou, há muito tempo não via a Camila e a Mari então ao chegar conversamos muito, sobre tudo, tirei todas as minhas dúvidas e ao começar a falar sobre a gestação e o parto cada vez ficava mais clara e segura da minha escolha. E o Bruno? Ouvia aquilo tudo é só mexia a sobrancelha.

Ao sair perguntei o que ele achava e a resposta foi,  “Você está segura? É isso que vc quer? Então vamos” e nós fomos. Minha mãe super apoiava e foi junto com a gente.

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Pré-natal amarradinho, gestação super tranquila. Cada semana uma descoberta, dúvidas (muitas dúvidas) e repelente (muitoooo repelente). Estavamos grávidos no auge da zika.

Com 31 semanas já tinha algumas contrações de treinamento totalmente indolores. Com 38 fizemos nossa ultra natural, e naquele dia a Laura começou a se animar. Na volta pra casa aquelas contrações de treinamento chegaram a ficar a cada 10 minutos. Mas treino é treino, jogo é jogo né.

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No dia 08 de maio, meu primeiro dia das mães, com 38 semanas e 3 dias acordei super desconfortável, inchada, com uma dor em baixo ventre que posição nenhuma me deixava bem. E a minha barriga, que antes estava enorme, agora estava compactada, apertadinha.

Passei aquele dia todo incomodada e durante a madrugada a primeira contração dolorosa. Fiquei animada, mas era 2 e pouca da manhã e todo mundo dormia, menos eu que não conseguia mais. E assim passei a madrugada marcando contração.

Bruno acordou pra trabalhar falei pra ele das contrações, ele queria ficar em casa, mas como a fase de pródromos podia ser longa (só não imaginava que seria tão longa), ele foi. E eu fui arrumar o quarto da Laura. Coloquei os últimos enfeites, revi cada gaveta e cada cabide. Minha mãe acordou para trabalhar também, mas nessa altura as contrações já estavam diminuindo. Ela também foi trabalhar e eu fui tentar dormir.

E essa foi minha rotina por quase 1 semana. De madrugada contraía, ficava acordada e de manhã a contração ia embora e eu ia dormir.

Até que na quinta feira, depois de uma madrugada inteira contraindo, de manhã, na volta de uma das muitas idas ao banheiro para fazer xixi, senti a calcinha molhada. Eu não conseguia identificar claramente se era líquido. Era diferente do que eu costumava ver e eu não conseguia sentir aquele cheiro que para mim era tão claro. Me limpei, tomei banho e pouco tempo depois mais um vazamento. Então achei que era pra valer. Tinha aquelas contrações que já estavam diminuindo com o amanhecer e agora a “bolsa rota”, mandei mensagem para as meninas e para o Bruno avisando “acho que agora é sério”.rs

Minha mãe ficou em casa comigo, as contrações dessa vez não foram embora com a chegada do sol, mas ficaram bem espaçadas. Passamos o dia nessa lenga-lenga e eu andando, alisando a barriga e nada da contração engrenar. Bruno chegou fui pra bola, andei, agachei, namorei e nada.

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Resolvi dormir. De madrugada acordei super frustrada, ia para 24h de “bolsa rota” e nada de trabalho de parto. Tentei me tocar, mas tinha uma barriga no caminho e eu não conseguia chegar ao colo, então “concluí” que estava muito posterior e que devia estar fechado. Chorei, chorei, chorei e o Bruno resolveu mandar uma mensagem para as meninas pedindo ajuda. Elas prontamente responderam que assim que estivesse clareando iriam lá pra casa.

Na sexta-feira, minha mãe ficou em casa comigo de novo e por volta de 7 e pouca a Camila e a Mari chegaram e eu, frustrada, as recebi apontando pra barriga e falando “isso não funciona”,  Meu motor não funciona”. Elas, como sempre, com toda calma do mundo, me acalmaram, conversaram muito com a gente sobre a questão do tempo, que naquele momento não era o meu, e sim o da Laura. Falaram sobre as novas evidências científicas sobre bolsa rota e início do trabalho de parto espontâneo. Eu falava que só queria contrair e a Camila sorria e falava, “daqui a pouco você só vai querer que a contração acabe”.

A Camila me passou um texto por mensagem e pediu que lesse para a Laura quando estivesse tranquila e em um lugar calmo. E ela leu pra mim o relato de parto da Aline, que falava muito sobre essa questão do tempo. Bem resumidamente, a Aline pariu de 42 semanas e 1 dia e no dia em que ela entrou em trabalho de parto duas amigas dela haviam escutado a música Anunciação e mandado pra ela.

Peguei muito aquilo pra mim, afinal, como na música, a Laura já dava seus sinais, era só a questão dela estar inteiramente pronta.

Elas me examinaram, estava tudo bem. E falaram para eu me distrair, pegar um cinema, fazer algo que pudesse me ajudar a controlar a ansiedade. Nesse tempo com elas as contrações estavam lá também, mas ainda irregulares.

Elas já estavam indo embora, fui até o portão e quando a Camila ia saindo com o carro, ela começou a me gritar. Eu sem entender e ela abaixou o vidro correndo e no rádio tocava a música Anunciação 😱 Fiquei até meio impressionada.

Eu já estava bem mais calma e confiante e resolvi ler o texto pra Laura. Chorei, chorei, chorei. Era lindo, era a luz que eu precisava, era uma conversa só nossa, era o meu chamado por ela, era a minha despedida da barriga para me encontrar com ela.

À tarde as contrações estavam ficando regulares, resolvi sair para distrair, fui para o shopping com o Bruno, a princípio para ver um filme e cortar o cabelo. Chegando lá desisti do filme, fui para o salão cortei cabelo, fiz hidratação, escova. Comi coxinha da Lecadô com Top sundae de chocolate, e as contrações já regulares, mas ainda 1 a cada 10 minutos.

Fomos embora e eu resolvi ignorar a contração, esquecer que elas poderiam me levar ao trabalho de parto, mais uma vez elas diminuíram, fiz o que tinha pra fazer e fui dormir. De madrugada começava tudo de novo e às 6h da manhã eu já estava de pé novamente, minha mãe veio até meu quarto saber como eu estava e se podia ir trabalhar eu disse que sim, que estava tudo bem e que se acontecesse alguma coisa eu ligava. Ela foi tomar banho e eu fui até a janela, quando parei na janela, ploft. Dessa vez era sério o líquido escorria pelas minhas pernas e agora o cheiro era bem claro. A bolsa estourou e eu não conseguia sair do lugar. Minha mãe voltou ao quarto pra avisar que estava saindo e eu estava naquela poça. Ela resolveu não ir, me ajudou a me limpar e eu resolvi ir pegar um solzinho.

Que solzinho foi aquele. Enquanto eu estava no sol as contrações começaram a bombar, vinha uma atrás da outra, eu não conseguia nem contar. A sensação era que não tinha intervalo. Resolvi tomar um banho morno. Durante o banho as contrações não paravam e comecei a vomitar, pedi a minha mãe para avisar as meninas e o Bruno, que estava trabalhando. Pedi pra ele vir embora, pq não queria que ela nascesse sem ele estar lá. Mal sabia eu que era só mais um alarme falso 😰

Saí do chuveiro e fui deitar, a dor era tanta que não coloquei nem roupa caí na cama e quando a dor diminuiu, dormi. Quando acordei, mais uma vez a contração estava esparsa. E assim fiquei o resto do dia. O Bruno ouvia o bcf da Laura e mandava no zap das meninas. A noite, com mais de 12h de bolsa rota começamos a usar o óleo acelerador. Mais tarde as meninas mandaram receitas de chás que poderiam ajudar a acelerar o trabalho de parto, mas dos ingredientes, só tínhamos a canela…kkkk

Então o Bruno fez um chá de abacaxi com canela. Minha mãe tinha feito uma sopa para o jantar e eu enchi de pimenta. Era uma colher de sopa e um gole de água. Depois da sopa, tomei o chá, tomei banho, passei óleo acelerador e fui dormir. Eu acordava com as contrações mais fortes, me contorcia um pouquinho e dormia de novo.

As 03:37h acordei urrando, socando as paredes. As contrações eram fortes, mas não me incomodavam tanto quanto a dor que eu sentia na sínfise púbica. Gritei para o Bruno que eu precisava do telefone para falar com elas. Ele com toda calma e cheio de sono, coitado, ouviu o bcf de novo e chamou a Camila e a Mari. Elas chegaram muito rápido, quando me dei conta elas já estavam entrando silenciosamente no quarto. Eu estava no escuro, com um som de ondas do mar e luzes de estrela do móbile do berço da Laura refletindo no teto, agachada no pé da cama com o roupão jogado nas costas. Elas ouviram o coraçãozinho da Laura e falaram, estamos por aqui, tenta descansar.

Eu tinha tomado um banho quente e a posição agachada tinha ajudado a aliviar um pouco dar dor da sínfise púbica, então fui tentar descansar. Dormia um pouquinho, acordava quando vinha a contração forte e dormia de novo. Quando clareou as meninas resolveram me tirar do quarto e me levar pra pegar um sol. A noite tinha sido bem fria, a casa ainda estava gelada e o solzinho no quintal estava gostoso. Descobrimos que eu não funcionava na penumbra, meu motor era do sol. E no sol as contrações engrenaram de novo e dessa vez tinha que ser pra valer, tinha completado 24h de bolsa rota e eu já estava exausta de uma semana inteira mal dormida. Ficamos ali até a contração ficar bem ritmada. No sol eu tomei café da manhã, andamos e agachamos. Eu já estava suando e emitindo alguns sons, mas eu tentava me controlar para que os vizinhos não ouvissem, então resolvemos entrar. Já não tinha posição, ficava de quatro, agachada, e não aliviava mais. A dor em baixo ventre era insuportável. Enquanto eu estava de quatro apoios, o Bruno e minha mãe se revezavam na massagem na minha lombar, mas em certo momento começou a me irritar e comecei a andar de um lado para o outro falando que queria sair dali, elas me perguntavam para onde eu queria ir, mas eu não sabia. Na verdade, eu nunca quis sair dali, eu queria fugir da dor.

Me ofereceram a banqueta e eu topei. Logo a banqueta, que eu nunca me imaginava nela. Me imaginava parindo de diversas formas, no chuveiro, na banheira, de quatro, até na cama, menos na banqueta.  Mas foi justo ela que me deu um conforto, lembro também de uma compressa morna em baixo ventre. Em algum momento comecei a sentir a vagina muito seca e me queixei. A Mari perguntou se podia passar óleo e se podia me tocar e eu fiz que sim com a cabeça. Ela tocou, eu perguntei se estava perto, ela disse que sim e eu pedi para ir para o chuveiro.

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Fui para o chuveiro, e fiquei por lá 1:30h, nem sei como o chuveiro aguentou. Lembro de ouvir barulho de plástico e ficar me perguntando o que estavam fazendo na sala, mas a cabeça desligava muito rápido. Embaixo da água eu sentei, agachei, deitei, dormi e quando acordei estava na hora. Saí do banho e quando cheguei na sala estava tudo arrumado para ela chegar. Fui para a banqueta de novo. Dessa vez eu sangrava, aquele sangramento de fim de trabalho de parto, não sentia mais aquela secura e era bom fazer força. Era a hora. Pedi para chamar o Bruno, que tinha ido deitar um pouco.

Foram cerca de 30 minutos de expulsivo, as contrações não me incomodavam mais, quando eu sentia já estava fazendo força. Era incontrolável.

Eu na banqueta, apoiada no Bruno, minha mãe e a Mari na minha frente. Minha mãe filmava e balançava a cabeça, sorrindo e dizendo que ela estava chegando. A Mari aguardava a Laura e a Camila do meu lado na playlist e sussurrando palavras de incentivo.

Nossa sala era só amor. O sol entrava pela porta, o passarinho cantava no quintal e o cheirinho de canela estava por toda parte. Era a hora da Laura, chegou a hora dela, ela estava chegando. Eu sentia o círculo de fogo, ela já estava ali embaixo. Meu perineo queimava muito. Elas sugeriram mudar um pouco a inclinação do meu corpo e depois de mais umas duas contrações ela veio.😍

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As 12:06h de domingo, com 39 semanas e 3 dias, foi quando ela estava pronta para nos conhecer. Ela veio direto para os meus braços, ensaiou um choro, mas ao encostar no meu peito ficou quietinha e ali se aconchegou. Com aquele olhinho preto piscava devagar e franzia a testa com cara de brava.  Ela mamou nos primeiros minutos de vida. E enquanto ela mamava eu comia melão e bebia água.  O cordão só foi cortado após a dequitação.

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Após o nascimento da placenta fomos para o nosso quarto, foram feitos os cuidados necessários à mim e a ela. Nada de aspirações, colírios ou vacinas. Eu tive uma pequena laceração mediana e levei alguns pontos (por opção minha, que por sinal foi a única coisa que me arrependi em todo o processo, porque o fio me incomodou muito até ser absorvido). Ela pesava 3,500kg e media 49cm. Voltou para o meu colo e dormiu.

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Nós almoçamos a comidinha de mamãe com o famoso galeto de padaria de domingo, tomei banho e começamos a avisar a família que a Laurinha tinha nascido. As meninas foram embora, nós tentamos descansar, mas não conseguíamos tirar os olhos daquele serzinho que mudou completamente aquele, que podia ser só mais um domingo de outono. No início da noite começamos a receber as visitas e a cara de espanto de cada um que chegava, por ela ter nascido em casa, era impagável. Kkkk

A Mari voltou no dia seguinte para a consulta de 24h pós parto e a Camila voltou na quarta.

As duas primeiras semanas de puerpério foram bem difíceis. Eu ainda senti por algum tempo aquela dor horrível da sínfise púbica, era difícil sentar por causa dos pontos e após a apojadura, meus peitos pareciam dois melões mutantes com vazamento e os mamilos escoriados me levavam a lua a cada mamada. Mas o amor e a gratidão me fizeram superar,  porque esse novo mundo é bem melhor que o antigo, uma hora a neblina vai embora e os dias de sol voltam. Eles sempre voltam.

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Agradeço imensamente a Deus por ter permitido que a minha mãe participasse desse momento único. Sem o exemplo e a força dela teria sido muito mais difícil. Ela que confiou na minha escolha desde o início, curtiu cada segundo da minha gestação e nos encheu de amor todo o tempo em que esteve conosco. Ao Bruno que foi amigo, marido, pai, doula, parteiro, massagista, psicólogo e terapeuta entre tantas outras funções no trabalho de parto, no parto e na vida. Obrigada por apoiar e entender que esse era o melhor para nós duas e por não me deixar desistir. E a minha equipe maravilhosa pelo respeito, carinho e cuidado com a gente. Por acreditarem em mim e por terem ajudado trazer ao mundo o grande amor da minha vida. Em outro cenário, meu parto seria um prato cheio para uma chuva de intervenções. Primípara, contrações irregulares e bolsa rota prolongada. Mas elas não desanimaram, me estimularam sempre e me passavam segurança todo o tempo. Eu passaria a vida aqui agradecendo a bênção que esses quatro são na minha vida, que não seria o suficiente, porque palavras não são capazes de expressar a gratidão e o amor que vocês tem no meu coração.

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Marcia Araujo

Marcia Araujo

Sou Marcia Araujo, enfermeira obstetra, formada pela UERJ. Minha paixão por grávidas já existia antes mesmo da faculdade, mas cresceu ainda mais na graduação e eu já estava decidida com o que queria trabalhar na vida! Iniciei a Residência em obstetrícia pela SMS/RJ em 2006, mas por questões pessoais precisei mudar de estado antes da  conclusão da residência, o que me deixou bastante triste. Ao retornar para o RJ, concluí a especialização em obstetrícia pela UERJ e desde então tenho mergulhado nesse mundo e me aprofundado cada vez mais! Fui chefe da maternidade do Hospital Central da Aeronáutica por 5 anos, ministrando palestras e acompanhando gestantes durante o trabalho de parto e parto. Sou mãe de duas princesas, a mais nova nascida de parto domiciliar planejado. Atualmente estou no Mestrado em Enfermagem Obstétrica pela UERJ e realizo acompanhamento de trabalho de parto e parto hospitalar humanizado e parto domiciliar. O que dizer da minha profissão? Sou muito feliz e realizada em poder proporcionar segurança, apoio e conhecimento para as mulheres que desejam ter um parto respeitoso, protagonizando o seu processo fisiológico de gestar e parir, baseado em evidências científicas, livre de intervenções desnecessárias e acima de tudo cercado de muito cuidado e amor!!

Quer falar com a Marcia?
marcia.araujo@partoporamor.com.br – (21) 96929-5577

Relato de parto: o nascimento da Sophia

Relato de parto: o nascimento da Sophia

Nós amamos os relatos de parto!
Veja abaixo a história do nascimento da Sophia, contada pela mãe Andréa.


 

Olá, meninas. Tive o acompanhamento da Mari no parto da minha Sophia e queria deixar o meu relato e o meu eterno agradecimento por ter um parto respeitoso e cercada de tanto carinho e cuidado.

Meu nome é Andréa e minha história mudou no dia 31.10.2016. Mal sabia que ali tudo o que veio antes seria reconstruído e ressignificado.

Sophia estava prevista para nascer por volta do dia 28.11.2016, mas eu sabia lá no fundo que não chegaria até o final. Havia uma superlua no nosso caminho e pensei que isso pudesse influenciar no rompimento da bolsa e ate achei poético, pois no dia da superlua eu e Raphael faríamos 13 anos juntos. Tinha certeza que seria por ali o nascimento da minha filha. Só que a vida não segue roteiros e a data do nascimento dela foi só mais uma das inúmeras mudanças de planos que viriam a seguir.

Bom, após chegar de uma consulta de rotina com a obstetra, com 36 semanas, sinto a bolsa romper e o coração acelerar. Dia 31.10.2016. 20:20h. Parece que o mundo parou de girar por uns segundos enquanto eu tentava processar tudo o que estava acontecendo e o que estava por vir.

O plano inicial era ficar em casa o máximo de tempo possível antes de ir para a maternidade. Queria chegar lá com uns 7 cm, parir sem anestesia. Falava com a Mari sobre isso e tinha como certo que isso iria acontecer. Porém, com 36 semanas e bolsa rota, foi preciso ir ao hospital dar uma conferida nos batimentos cardíacos da Sophia. Achei que fosse fazer alguns exames e voltar para casa. Que nada. Mudança de planos, recalcule a rota.

Não pude sair. Monitoraram Sophia na barriga, injetaram antibiótico na veia e não me deixaram comer e nem beber nada! Contrações ritmadas, dor vindo forte, mas tolerável…E eu pensava “beleza, Andréa, dá pra aguentar essa dor. Sem anestesia é o plano.”

Madrugada a dentro, contrações pararam. Esperamos 24h para ver se o trabalho de parto engrenaria naturalmente…E nada. Então optamos junto com a GO induzir o parto com um comprimido. Graças a Deus, engrenou no primeiro comprimido e como engrenou! Gente, q dor absurda é essa?!?!

Já tive pedra nos rins, dor de coluna, dor de dente, mas nada, absolutamente nada se compara a essa dor. A cada 2 ou 3 minutos. Mari, marido e GO ao meu lado. Mari fazendo mil massagens, usando rebozo, no chuveiro quente comigo, mas nada aliviava essa dor.

Só pensava q eu ainda não tinha me despedido da barriga!! Não era o planejado!! Ainda teria umas duas semanas para tudo oq eu tinha pensado…Eis que vem Mari com sua doçura e sensibilidade me dando um texto lindo, lindo para ler sobre isso. Me emociono e renovo as energias para o grande momento que está por vir. Agradeço a Deus pela minha filha estar aguentando firme comigo.

Dia 2.11 as 8h, dores lancinantes, nada, absolutamente nada diminuía a dor. Saio do quarto e vamos para a sala de parto. Nunca tremi tanto na minha vida. Que medo!!! Medo do que estava por vir, medo de sentir mais dor, medo da total ausência de controle sobre tudo oq estava acontecendo. Confiava plenamente nos profissionais que me acompanhavam e tinha o apoio incondicional do meu marido, então vai com medo mesmo!!

Chegando na sala de parto, vou direto pra banheira quente para aliviar a dor. Na prática, parecia q eu tinha entrado num buraco cheio de espinho…Quero sair quase que imediatamente dali e peço anestesia pela primeira vez.

Saio da banheira e só quero que diminuam a minha dor. Daria um braço se isso fosse aliviar a dor.
O anestesista não foi da equipe, foi da maternidade e foi sensacional. Consegui dormir por uns 20 minutos, me disseram. A minha sensação foi de desmoronar, desmaiar…

Se não me engano, precisei tomar também ocitocina sintética em algum momento – depois de 4 meses, os detalhes se vão, ficam apenas os fatos mais marcantes como a dor absurda, quem estava comigo e etc. – e isso faz com que a dor fique INSUPORTÁVEL. Sério, não sabia que o corpo humano fosse capaz de suportar tanto…A sensação era que eu ia morrer, sucumbir…

E para suportar tudo isso, pedia anestesia a todo momento. A TODO MOMENTO. Mari deve lembrar, acho q era anestesiada praticamente de hora em hora, nem sabia q isso era possível rsrsrs

Tentei todas as posições possíveis: cócoras (a dor era ainda pior), de lado, deitada…Tudo! Mas Sophia estava encaixada de uma forma que a cabecinha dela estava virada pra cima e isso impedia o seu nascimento. Mari fez mil massagens, usou o rebozo e graças a Deus, uma hora Sophia desencaixou e encaixou da forma que precisava.

A dor era tão forte que em alguns momentos eu dizia que queria ir embora dali rsrs e queria mesmo se deixassem! Dificultei trabalho da Mari pois não queria q encostassem na minha barriga pq a dor era absurda.

Quando a dor estava mt forte , eu pedia cesarea, queria acabar com aquele sofrimento, queria ter meu bebê no colo e para com a dor. Só isso. Mas estava cercada de pessoas que sabiam q essa não era a minha vontade e me incentivaram a tentar mais uma vez. E mais uma vez. E mais uma vez.

Cheguei ao meu limite as 21h. (Chegamos à sala de parto as 8h!!!) O anestesista deu uma anestesia mega forte e que teoricamente eu não sentiria as minhas pernas…sentia tudo, gente, menos a dor!! Pensei que Sophia tinha que nascer naquele momento, pois eu já beirava a exaustão e não conseguiria aguentar por mais tempo.

Me lembro de perguntar pro anestesista quanto tempo durava o efeito daquela anestesia e ele me falou que seria 1h. Então até as 22h teria que nascer, pensei…

Fiz muita força, muita, como nunca fiz na vida. E quando deu 21:40h as dores começaram a voltar…Não tinha negociação, tinha que nascer. A GO então sugeriu usar um instrumento que esqueci o nome e que puxa a vácuo o topo da cabecinha do bebê enquanto a mãe faz força. Dói demais para colocar isso, gente. Não aguentava mais sentir dor…Já tinha 50h!!

Mas Sophia nasceu linda, linda e bochechuda as 22h e como um passe de mágica, a dor passa. A dor passa! Meu bebê veio direto para os meus braços, mamou, ficou comigo na hora de ouro, sem colírio, sem banho, sem aspiração, sem nenhuma intervenção que eu abominava.

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Sem episio. Sem pontos. Parto respeitoso.

Mudança completa de planos, mas na essência fui atendida 💕

Sei que se eu não estivesse com a minha equipe tão especial, eu não teria conseguido passar pelo parto normal como queria. Bolsa rota, 36 semanas…Agradeço a Deus por ter escolhido profissionais tão competentes.

Quero deixar aqui registrado o meu carinho e a minha gratidão por ter sido acompanhada pela EO Mari que sempre me ajudou nos momentos de tensão ao longo da gravidez, tirando mil dúvidas, me acalmando nos momentos de estresse hardcore, me ajudando a fazer essa passagem com um texto lindo que jamais vou esquecer.

O trabalho que o parto por amor faz é incrível e super recomendado!!
Muito obrigada 💕

Bjs,
Andréa e Sophia

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Doação de Leite Materno no Rio de Janeiro – como fazer?

Doação de Leite Materno no Rio de Janeiro – como fazer?

O que fazer com o leite excedente, principalmente nos primeiros meses de amamentação, em que a produção ainda não se ajustou à demanda? Muitas mães precisam extrair leite para aliviar o excesso de produção e acabam descartando esse leite tão maravilhoso que pode fazer um bem enorme a muitos bebês prematuros e internados em hospitais do estado.

No Rio de Janeiro, o Instituto Fernandes Figueira (IFF) é o Centro de Referência em Bancos de Leite Humano e apoio à amamentação. Localizado no bairro do Flamengo, tem atendimento presencial às mães que precisam de orientação, funciona como posto de coleta e, a partir dele, são coordenadas e enviadas as doações de leite materno recebidas.

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Foto: Jornal Extra

Para ser uma doadora de leite materno, você precisa ser uma pessoa saudável, não usar medicamentos ou drogas que impeçam a doação e se dispor a ordenhar e a doar o excedente. Você pode ordenhar o leite manualmente (esse é o modo preferencial recomendado pelo IFF) ou usar bomba manual ou automática. Você pode ver todos os detalhes sobre como ordenhar e armazenar o leite aqui e aqui.

Mas se engana quem pensa que para doar leite, é preciso ir até o IFF ou a qualquer outro posto de coleta. É mais fácil do que você imagina! Basta ligar para o SOS Amamentação, pelo número 08000-268877, e abrir uma ficha de cadastro. Para se tornar uma doadora, são pedidos alguns exames de sangue e é feito um questionário para confirmar que não há uso de medicamentos ou quaisquer outras substâncias que podem ser transmitidas via leite materno.

Uma vez que o cadastro está pronto, basta agendar a entrega dos recipientes para armazenamento e a melhor data e hora para coleta. Você nem precisa sair de casa! Os recipientes são entregues, você mesma retira, armazena e congela o leite e, posteriormente, as doações são coletadas no seu endereço mesmo. Caso queira cancelar as doações, é só avisar por telefone e pronto. Não há nenhum custo envolvido e nem obrigatoriedade de participar do programa.

Caso prefira se informar pessoalmente, você pode se dirigir ao IFF ou aos outros 17 pontos de coleta do RJ – veja relação completa dos pontos aqui.

 

Leitura complementar

Ainda tem dúvidas sobre como fazer? Veja como se preparar para doar leite materno

Quer doar, mas não mora no Rio de Janeiro? Confira a Rede Nacional de Bancos de Leite

Acha doação a coisa mais linda da vida (nós também achamos!) e quer doar também sangue e medula? Veja como funcionam as doações de leite, sangue e medula óssea.