Relato de parto Olivia – parto com transferência para hospital

Relato de parto Olivia – parto com transferência para hospital

Receber relatos de parto é sempre um momento de alegria e emoção pra nós, é uma oportunidade de reviver os momentos que compartilhamos com aquela família.

Acompanhe o relato da Olivia sobre o nascimento hospitalar do Gael.


Não sei bem por onde começar… Talvez pelo fato das coisas não serem como a gente sonha… Como eu queria parir em casa, foi o maior sonho que eu já tive, a alegria de ter meu bebê no colo vem com uma gotinha de frustração, mas sou tão grata de ter um bebê saudável e lindo, que me apego a isso e procuro esquecer essa frustração.

Gestação de baixo risco, bebe encaixou super cedo, todos achamos que iria vir logo, mas lá estava eu com 40+6 louca que ele não vinha. Fui na acupuntura esse dia e no outro teria que ir fazer cardiotoco, meu pavor de ir para um hospital. Sempre escutei “quando vc menos esperar ele vai vir”. Pois é…

Com meu companheiro (Gui) íamos assistir a trilogia de matrix, mal sabia eu que assistiria só o primeiro filme rsrs. As contrações tinham começado. As 18 elas começaram a vir de hora em hora, pedi pro Gui comprar uma pizza lá pelas 22 , quando ele chegou de buscar lá pelas 23 já não seria tão fácil cumprir meu desejo, ficou difícil de comer hahaha. As contrações estavam de 10 em 10, 5 em 5, bem irregulares, eu sabia que ia demorar muito ainda, mas o Gui não, ele já quis montar a banheira e encher de água por mais que eu pedisse pra não fazer ele não me ouvia (foi um saco isso) e assim foi chegando a madruga. Minha melhor amiga chegou não sei que horas e meu marido chamou a fotógrafa ( ele achava mesmo que faltava pouco).

Assim passei a madrugada em prodromos mas eu já estava pirando de dor, não conseguia me entregar a dor, fazer dela minha amiga, nem nenhuma das coisas lindas que li.

Acompanhando um parto como doula disse a mulher: não resista a dor. Bom… eu não consegui aceitar a dor em momento nenhum. Quando deu 7 AM pedi pra EO dar um pulo em casa ver se estava tudo bem com o bebê. Ela foi aguardou umas contrações, estava tudo bem mas ainda de 6 em 6 minutos. Ela foi embora e eu tentei descansar. Dormi meia hora com contrações de 10 em 10 acordava urrando de dor pq ficar deitada era horrível. Quando deu 11 00 pedi pro Gui dizer a fotógrafa que fosse embora, eu não estava muito confortável com as tantas horas que ela estava em casa. Ali parecia que tudo tinha parado. Eu tava na piscina rindo e conversando.

O Gui foi dormir, eu decidi que tinha que fazer essa porra funcionar. Comecei a ficar mais em pé, me mexer mais e aí o negocio começou a ficar foda e eu entrei num processo de briga com a dor que foi até o fim. Já aí eu disse que não aguentava mais, que quem foi o infeliz que inventou essa porra de parto natural, domiciliar, doula e essa merda toda. Pedi pra minha amiga chamar minha equipe que chegou em casa lá pelas 14:00 e foi a melhor coisa do mundo. Elas faziam massagem com óleos e o negócio começou a engrenar. Eu estava na bola e quis ir pra piscina (estou relatando do jeito que eu lembro), elas pediram pra sair pra medir os BFC do bebê e eu queria voltar pra piscina mas elas pediam pra esperar, depois de um tempo elas me disseram que o batimento do bebê estava acima do normal e que, por segurança, precisaríamos ir pro hospital.

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Meu mundo caiu, comecei a chorar como louca e falava que se eu ia pro hospital ia fazer cesariana pq meu sonho já tinha ido pro ralo e eu não aguentava mais a dor e tinha medo de V.O. Elas me diziam que eu ainda podia parir que podia ser natural do jeito que eu queria, mas pra mim mais nada tinha sentido. Elas e meu marido decidiram ir pro MMA (até pq eu só falava bosta, que queria ir pro Carmela fazer cesariana, bem a Flavia (EO) me conhecia e sabia que tudo isso era da boca pra fora) fizemos meu primeiro toque, estava com 6 cm. Fomos pro hospital chegamos em 25 min, às 18:30. Eu urrava de dor loucamente. A pior parte de tudo foi aí. Eu na maternidade esperando pra ser avaliada e todas as mulheres ali me olhando da pior forma pelo jeito que eu chorava e gritava. Queria mandar todo mundo tomar no cu, mas não tinha forças pra isso. Fui fazer o toque. 9 cm bebê baixinho, batimentos normais, ia direto pra sala de parto.

A melhor parte foi aí: MINHA EQUIPE ENTROU COMIGO, ELAS FIZERAM MEU PARTO!!!!!!! Foi a maior alegria. Fui pro chuveiro e eu gritava feito uma maluca. Aí nem lembro mais a ordem das coisas, só sei que eu pedia arrego, mas a Flavia me lembrava sempre como eu queria meu parto natural. Quando lembro da Flavia parece que ela tinha uma energia cristica, como se fosse a própria virgem Maria me dando consolo. Lembro de orar muito pra Kuan yin. Lembro também de querer minha mãe e ficar puta por ela não fazer parte da minha vida, lembro de dizer pra mim mesmo que não podia entrar nessa.

Teve uma hora que a Flavia precisou ir tirar o carro de onde estava, como essa hora o RJ é perigoso meu marido foi junto. Eu só pedia a merda da analgesia, mas no fundo eu não queria. No que eles voltaram minha bolsa estorou, adorei aquele barulho. Eu tava exausta demais, fui pro cavalinho cavalete – sei lá o nome daquilo. Foi a melhor coisa pq eu podia dormir no meio das contrações e acordava pra fazer a força. Então não sei em que momento a cabeça saiu e o corpo saiu. Ele foi pra minhas costas e lembro daquele quentinho foi a melhor sensação do mundo. Veio pro meu colo, papai cortou o cordão e foi pra minha tetinha… choro só de lembrar… e eu chorava e gritava EU CONSEGUI!!!!!

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As 22:37 do dia 28 de dezembro, conheci meu grande amor, o Gael. Com exatas 41 semanas.

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Eu sei que quem faz o parto é a mulher, mas eu só fiz graças a minha equipe que não me deixou desistir e não ouviu meus delírios na hora do parto. Vou ser eternamente grata a elas que confiaram mais em mim do que eu mesma confiava. Escolhi a melhor equipe do mundo, ou a melhor equipe pra mim rsrs. (Uma delas foi backup, por isso falo muito da Flavia, que me acompanhou no pré natal, mas ela (Ana) foi uma amor a equipe tem muita sintonia.)

Odiei o pós-parto no hospital. Fiquei com edema e laceração, mas não levei ponto. O que o MMA tem de humanizado no parto não tem nada no pós-parto. Tirando uma enfermeira (Simone) que foi um amor, o resto, pediatra, obstetra e outras enfermeiras foram todas péssimas, sério.

Minha equipe foi Parto por Amor. E tem que ter amor mesmo, meu marido disse que eu até gritei bem na orelha da Flavia kkkkkkkk. Enfim, meu parto foi perfeito mesmo não sendo domiciliar. Um dia sei que que essa frustração vai sumir por completo. Passei longe longe de de um parto orgásmico e essas coisas de prazer na dor. Mas foda-se, eu pari sem analgesia e sem ocitocina sintética nem nenhum tipo de V. O. 👏 👏 👏

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One thought on “Relato de parto Olivia – parto com transferência para hospital

  1. Muito bom ler isto minha linda Olivia!!! No meu primeiro parto queria muito normal e tive que fazer cesárea, fiquei com este sentimento de frustração também no início, mas passou logo mesmo viu, a maternidade cura tudo.

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