Relato de parto domiciliar: nascimento da Joana

Relato de parto domiciliar: nascimento da Joana

Estamos muito orgulhosas hoje: é dia de conhecer um dos relatos mais esperados por nós! O nascimento da Joana, filha da nossa querida Camila Barreto, enfermeira obstétrica da equipe Parto por Amor, parteira e parideira!

Emocione-se com a gente!


 

MEU SEGUNDO PARTO DOMICILIAR: NASCIMENTO DA JOANA

Nossa segunda filha foi muito desejada. Esperávamos engravidar há muitos meses, na verdade desde que Bento nasceu já pensamos no segundo filho. Mas Deus nos presenteou com a segunda gestação quando Bento tinha 2 anos de 2 meses. Hoje entendemos que foi no momento perfeito, como tudo que Deus faz na nossa vida.

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A gestação foi super tranqüila. Já no final nem sentia as pontadas que tanto senti da primeira. No entanto, desde as 29 semanas já sentia as contrações de treinamento. Barriga bem dura, mas indolor, várias vezes ao dia. Minha barriga era grande, por isso todos apostavam que não chegaria a 40 semanas. Eu sempre pressenti que nasceria com 40 sem e alguns dias. Na última semana, tentei focar mais na Joana e no parto, apesar da dinâmica correria de casa e das mil coisas por fazer e resolver. A cabeça precisava “parar” um pouco. Fiz sessões de massagem ayurvética que me ajudaram muito a relaxar e me conectar com minha filhote. Procurei descansar mais e fazer coisas agradáveis. Três dias antes, o Fellipe preparou um jantarzinho gostoso acompanhado de um vinho. Tomei uma taça, conversamos e rimos bastante. No final de semana, ficamos com a família (Joana nasceu na madrugada de domingo para segunda). Foi muito agradável. Meu sogro preparou uma caipirinha deliciosa! Eu não sentia nada de diferente, somente as contrações de treinamento.

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Na noite do parto, fui dormir por volta das 22:30h. Acordei com uma contração dolorosa. Opa!!! Até o momento elas não doíam. Olhei no relógio e eram 0:34h. Depois de 15 min veio outra, depois de 10 min mais uma. Daí em diante o intervalo entre as contrações já ficou curto. Passaram a ser duas contrações a cada 10 min. Passado 1 hora (1:30h da manhã), resolvi enviar uma mensagem para minhas amigas enfermeiras. Nesse momento, já estavam 3 contrações em 10 min, mas eram curtas (uns 20 segundos na minha percepção). A posição que me ajudou foi ficar de quatro apoios na cama. Inspirava profundamente e expirava assoprando. Era isso que meu corpo pedia. Acabei acordando o Fellipe com essa respiração. Ele me viu na aquela posição e logo perguntou o que estava acontecendo e se eu estava com contração. Pedi para ele contar. Nos próximos 10 min ele contou 4 contrações e algumas duravam mais de 1 minuto. Eu disse que ele estava contando errado, que era menos que isso. RS

02:00h da manhã liguei para a Flavia. Avisei que estava em pródromos (início de trabalho de parto) e que as contrações eram freqüentes, porém curtas e suportáveis/controláveis. Mas estavam bem dolorosas. Falei que não precisavam vir ainda. Eu aguardaria as contrações ficarem mais longas para chamar.

Fiquei em pé no quarto, já não tinha mais posição. Fellipe disse que eu comentei: – “Nossa, gemer é muito melhor que respirar fundo!”. Então, acordei o Bento com os gemidos. Mas rapidamente voltou a dormir de novo e enquanto isso fui para o chuveiro. Achei que assim as contrações pudessem espassar mais. Avisei ao Fellipe pra quando o Bento dormir ele encher a piscina de ar e água. Busquei a bola suíça para me acomodar melhor no chuveiro. Pensei que de 4 apoios apoiada na bola, debaixo do chuveiro, as contrações pudessem ficar com intervalos maiores, mas não gostei nem um pouco. Fiquei embaixo do chuveiro com a água bem quente, mas as contrações cada vez mais vinham seguidas umas das outras, com intervalo muito curto. Passados 20 min (2:20h aprox), vomitei. Pedi para o Fellipe ligar para Flavia e Rachelli e pedir para virem porque estava muito forte. Pensei: “Não pode ser o vômito dos 7 cm. Ainda está começando! Ela deve nascer lá pras 9h da manhã!”. Passaram 10 min (2:30h) e ficou muito intenso. Começou uma vontade de fazer força. Eu não estava acreditando naquela evolução tão rápida! A bolsa rompeu! Toquei e senti a cabeça dela bem enrrugadinha. Ainda não estava muito baixa na minha percepção. Ali tive certeza que estava com dilatação total. Pedi para o Fellipe ligar novamente e avisar que a bolsa tinha rompido e que eu estava com vontade de fazer força. Elas entenderiam minha mensagem: Vai nascer!

Pedi para o Fellipe ligar para o porteiro para deixar a equipe subir sem interfonar, deixar a porta da sala destrancada para elas entrarem direto e em seguida entrar no box. Eu precisava de ajuda. Falei que talvez elas não chegassem a tempo do nascimento. Ele pediu para eu ajudá-lo. Falei para ele rezar! Ele entrou e eu pedi para tirar “a p#*#*#* da bola de dentro do Box”. RS. Pedi para ele ficar em pé na minha frente, encostado na parede. Eu projetava meu corpo para frente apoiada nele. Fellipe falou: -“Amor, abaixa então por favor!” – ele estava com medo da Joana nascer e não conseguirmos segurá-la. Eu falei bem delicada: -“Cala a boca”. Nesse momento já senti a cabeça dela bem baixa, as contrações praticamente não davam mais intervalo.

A cada contração meu corpo pedia para fazer muita força e eu sentia ela descer cada vez mais. Mais uma vez o Fellipe insistiu: -“Amor, não é melhor eu pegar a banqueta de parto?”. Eu novamente respondi: – “Cala a boca, amor”. Não queria que ele falasse nada, só que me apoiasse física e emocionalmente. Eu ficava com a mão no períneo para sentir quando ela abaulasse. Na última tentativa, Fellipe perguntou: -“Amor, não é melhor irmos pra cama?”. Pela última vez pedi para ele calar a boca e não me tirar da água. Rsrs. Ali ele se deu conta que não havia outra alternativa. Sentia muita sede, bebia água pelando do chuveiro e falava “que loucura!”, “que loucura!”.

Achei que estava esmagando o Fellipe contra a parede. Perguntei se estava machucando-o e ele disse que não. Não foram muitas contrações para Joana abaular meu períneo. Senti o círculo de fogo. Nossa, como queima! Eu repetia: -“ Que loucura, que loucura!”. Nessa contração ela ainda voltou um pouco e eu senti um alívio. Avisei ao Fellipe que ela estava ali pra nascer. Na contração seguinte ela já se acomodou e não voltou mais. Falei para o Fellipe que iria nascer e que eu falaria o que ele tivesse que fazer. Na próxima contração, pronto! Ela estava ali, quase saindo a cabeça toda por completo. Eu protegia meu períneo com uma mão. Falei para Joana: -“ Filha, pode nascer! Pode nascer!”. Na outra contração saiu a cabeça. Logo ouvimos ela chorar, ainda sem desprender o corpinho. Pedi para o Fellipe se agachar para me ajudar a segurá-la. Lembrei que eu estava com a lombar debaixo d’água bem quente e que a água poderia estar no rostinho dela. Rapidamente saí debaixo do chuveiro. Disse para esperar a próxima contração que sairia o corpinho. E assim foi, na próxima contração ela nasceu. Ajudei o Fellipe a segurá-la (2:58h). Toda escorregadia e quentinha. Tinha uma circular de cordão na região cervical que não estava muito frouxa. Pedi para o Fellipe aproximar a cabeça dela do meu períneo para eu desfazer. E ele a me entregou. Ela chorava bastante. Fellipe logo disse: -“ Ela está rosa!”. O Box estava bem aquecido pois deixamos a água ligada. Foi lindo demais ver a emoção do Fellipe. Sentado no Box, com tampão mucoso na barba e com sangue pelo corpo e com um sorriso enorme. Ele dizia: -“É a Joana, Amor! É a nossa Joana!”. Nunca esqueceremos esse nosso momento. Eu estava em êxtase, não acreditava no nascimento da Joana tão rápido, tão intenso e lindo.

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Pedi para ele ligar para a equipe e avisar que tinha nascido. Buscar os cueiros para aquecê-la e forrar a cama com toalha para eu deitar. Enquanto isso eu sentei no chão do box e a acomodei no meu ventre. Fellipe ficou receoso de me levar para a cama, mas eu estava muito bem. Deitei na cama e ele nos cobriu com o edredon e ligou o aquecedor (achei muito bonitinho ele lembrar de abrir a mala e pegar o aquecedor). Logo em seguida a equipe chegou trazendo um sorriso lindo no rosto e os olhos brilhando de felicidade. Eu estava com muita contração ainda por causa da dequitação (nascimento da placenta). Ficamos ali quietinhas, eu e Joana, no escurinho, abraçadas. Passados 50 minutos a placenta nasceu e enfim a cólica melhorou. Eu falei “- agora terminou o parto!”. Rezamos nós quatro a oração em agradecimento a Nossa Senhora do Bom Parto. Seguiram com os cuidados comigo e com a Joana. Bento acordou por volta das 4:40h. Quando ele viu a irmã ficou muito feliz! Disse logo: “- papai, posso segurar?!”. E ele a segurou no colo. Momento único na vida da nossa família.

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Depois dos cuidados tomei banho e fui avisar a nossa família (6:00h). Vieram meus pais trazendo pão quentinho e a mãe do Fellipe. Era muita alegria e comemoração. Assim recebemos nossa Joana, de forma muito inesperada, alegre e transbordando de amor.

Só temos agradecer a Deus por este presente, por ter sido como foi, com todos os seus detalhes. Agradecer a Nossa Senhora a força que nos deu. Lembrei e a chamei em vários momentos. Tenho certeza que estavam conosco. Agradecer ao meu marido, Fellipe, meu eterno amor e agora parteiro. Muito obrigada por acreditar em mim e na fisiologia/divindade do nascimento. Sem seu apoio incondicional nada disso seria possível. Rachelli e Flavia, sem palavras para agradecer a amizade, amor, carinho e cuidado comigo e com minha família. Somos eternamente gratas. Amamos vocês.

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Joana Barreto Aversa
Data: 03/10/16
Hora: 02:58h
Peso: 3.600g
Estatura: 52 cm