14 filmes imperdíveis sobre Parto

14 filmes imperdíveis sobre Parto

Se você, assim como nós, apenas AMA o assunto parto, se deu bem! Unimos o útil ao agradável e recomendamos 14 filmes só sobre isso pra lotar o seu final de semana de muita barriga, bebê e amor! Tem de tudo: documentários, longas, curtas, ficção… e se você tiver mais sugestões, é só colocar nos comentários que a gente vai atualizando a lista.

Confira:

1. O Renascimento do Parto

Esse documentário já virou obrigatório pra toda gestante que quer parir com respeito no Brasil. Um apanhado geral sobre a situação atual, com relatos e opiniões de diversos profissionais. Essencial!

2. Violência Obstétrica – A Voz das Brasileiras

Documentário organizado e realizado por Bianca Zorzam, Ligia Moreiras Sena, Ana Carolina Franzon, Kalu Brum e Armando Rapchan. Foi produzido a partir de depoimentos reais de mulheres, gravados em suas próprias casas com webcam, celular e máquina fotográfica. Impactante e importante.

3. Hanami – O Florescer da Vida

Um emocionante filme que revela práticas ligadas ao modo de viver a maternidade consciente, o parto ativo e o que isso representa na formação de seres humanos mais conscientes.

4. Parir é Natural

Nós amamos esse doc! Produzido para a Fiocruz em 2015, tem relatos de violência obstétrica e soluções para o problema. Fala da importância das parteiras e EOs na cena do parto, além de imagens lindas de partos domiciliares.

5. Nascer no Brasil: Parto, da violência obstétrica às boas práticas

Série da Fiocruz que fala sobre as remotas chances de passar por um parto sem intervenções no Brasil. Trata dos procedimentos feitos de forma rotineira, causando mais traumas do que benefícios. Aborda também a realidade de nascer no Brasil e para qual direção caminhamos.

6. Nascer no Brasil: Cesárea, mitos e riscos

Mais um da série produzida pela Fiocruz, esse fala especificamente sobre o problema das cesáreas em excesso no Brasil. Um país com 56% de taxa de nascimentos via cirurgia, sendo 88% nos hospitais privados – o que as mulheres brasileiras acham disso, será que elas sabem dos riscos? Vale conferir.

7. Parto no Brasil: a caminho da humanização

Parte 2 | Parte 3 | Parte 4
Filme dividido em 4 partes sobre o projeto de humanização do atendimento ao parto no sistema público, coordenado pela professora doutora Melania Amorim (nossa ídola-mor).

8. Orgasmic Birth

É possível ter um parto tão prazeroso a ponto de chegar ao orgasmo durante o processo? É o que esse filme promete contar! O ponto negativo é que ele está disponível somente em inglês.

9. A Dor do Parto

Doc curtinho sobre como lidar com a dor do parto. Gostamos tanto que já passamos em uma das nossas Rodas e usamos aqui no site! Vale a pena!

10. Ligeiramente Grávidos

Alison e Ben se conhecem numa boate e, completamente bêbados, passam a noite juntos. A ligação entre eles terminaria aí, mas algumas semanas depois Alison liga para Ben para informá-lo que está esperando um filho dele. A notícia faz com que Ben passe a questionar sua própria vida, além de aproximar duas pessoas que preferiam jamais ter se conhecido. Esse filme já está virando um clássico das comédias sobre gravidez e parto, é bem levinho e descompromissado. Vale a pena!

11. Plano B

Zoe decide ter uma gravidez solo e, no dia seguinte após a inseminação artificial, conhece o homem da sua vida. Juntos, eles decidem encarar o desafio. O filme é bem leve e brinca com conceitos que nós amamos – parto natural e domiciliar, amamentação prolongada e criação com apego. As situações acabam muito estereotipadas, mas vale a pena se você estiver com disposição para rir de si mesma, sem problematizar muita coisa.

12. O que Esperar Quando Você Está Esperando

Título-chamariz copiado daquele livro tradicional sobre gravidez, as semelhanças acabam por aí. O filme é leve e bem bobinho, ideal para ver com o companheiro, já que o enredo também considera muito a ótica masculina. Com Rodrigo Santoro no elenco, é mais um desses filmes bem lights pra relaxar dos documentários mais densos.

13. Juno

Uma adolescente descobre uma gravidez indesejada e decide entregar o bebê para adoção. Um filme delicado e emocionante sobre filhos, gravidez e amor. Imperdível!

14. Junior

Clássico das nossas infâncias, esse filme só entrou na lista pra gente se lembrar do quanto estamos velhas! A história fala sobre uma dupla de cientistas que decide testar como é a gravidez em um homem. É engraçado ver um macho vivendo esse momento – inclusive entrando em trabalho de parto!

Referências:
Adoro Cinema
IMDB

Relato de parto na casa de parto: o nascimento do Arthur

Relato de parto na casa de parto: o nascimento do Arthur

(foto: Mari Mendonça Fotografia)

É um grande orgulho para nós publicar o relato de hoje. O mais curioso é que a Alessandra não pariu com a nossa equipe, mas é frequentadora assídua das nossas Rodas de Conversa, participa, nos toca com seus relatos e com certeza se deixou tocar pelo nosso carinho também.

Um relato de empoderamento, amor e um parto natural e respeitoso em Casa de Parto.

Alessandra, somos muito felizes de ter participado de uma parte da história da sua família! Com certeza, você já é parte da nossa história enquanto equipe!


Depois de quase 10 meses resolvo escrever meu relato de parto. Não sei muito bem se demorei este tempo todo para poder assimilar o que aconteceu, ou se é medo de revelar antigos fantasmas, ou falta de tempo ou preguiça ou quem sabe isso tudo junto. Mas sei que é necessário escrever e deixar registrado o grande acontecimento da minha vida.

Sempre quis ser mãe, desde menina, e por incrível que pareça junto com essa vontade também existia a vontade de parir, apesar de pouco saber como isso acontecia de fato. Depois de 5 anos casada a vontade cresceu e junto com meu esposo (Andre) decidimos ficar grávidos. Aí pensei, maravilha! Agora é largar o anticoncepcional, estudar sobre gravidez e começar a tentar! Tenho tempo de sobra para me informar…só que não…logo após a nossa decisão, engravidei e fiquei muito feliz de termos conseguido tão rápido! Mas aí que a história começa, aí que começa a parte real do decidir se tornar mãe…

Logo que descobri a gravidez contei a uma amiga enfermeira obstetra (Ivana) e pedi orientação sobre parto e assuntos afins. Ivana me orientou (e me orienta) muito, descortinando um mundo fantástico, porém ao mesmo tempo muito cruel. Neste momento me dei conta que existia questões na minha vida que me levavam quase que automaticamente para uma cesárea: uma ginecologista obstetra “fofa”, um plano de saúde que apesar de ser uma fortuna é uma merda (para atendimento obstetrico) e dinheiro nenhum! Descobrir isso é puxado e ter que lidar com isso grávida mais ainda. Foi ai que a Ivana me apresentou a Casa de Parto David Capistrano (que carinhosamente eu chamo de casinha), a única casa de parto do Rio de Janeiro com atendimento pelo SUS. Me encantei pelo trabalho delas e comecei a fazer o pré natal com as enfermeiras obstetras de lá, juntamente com minha GO “fofa”. Só que não durou muito essa relação dupla, com quase 20 semanas não consegui continuar com a GO, depois dela se recusar a me explicar sobre o uso de uma medicação e de me chamar “carinhosamente” de mãezinha (para quem não sabe, neste meio, costumam chamar as mulheres assim, nos inferiorizando. É como um tapa com luva de pelica, sabe).

(foto: Mari Mendonça Fotografia)

Continuei com a casinha que me oferecia um suporte emocional e profissional sem tamanho e comecei a procurar outra GO, pois apesar de confiar extremamente na Ivana e na sua indicação, não me sentia segura. E de boa, esse parada de procurar GO é um verdadeiro martírio, pois não gostava de ninguém e também com o meu plano de saúde não poderia ser atendida nos hospitais que as GOs trabalhavam.

Neste período, comecei a conversar mais com a Paulinha (enfermeira obstetra que participava do grupo Parto por Amor) que já conhecia, ela me ouvia pacientemente, e assim como a Ivana, me participou das evidências científicas, dos trabalhos das enfermeiras e me indicou a obstetra Bernadette Bousada (mais uma mulher que exala amor). Foi ai que comecei a ter um pouco mais de alívio no coração. Ainda achava que a segurança estava no outro, que eu precisava de alguém para me garantir que tudo estaria bem, não acreditava 100% na força da mulher e na sua capacidade de parir. E também sabia que com uma médica me acompanhando a família iria ficar mais tranquila, pois já havia me aborrecido e muito com minha cunhada, que é médica, sobre a questão de escolher um parto natural na casinha.

Então tudo estava caminhando, gravidez ótima, minha saúde também, Arthur evoluindo maravilhosamente bem, minha relação com a GO fantástica, com a casinha melhor ainda, porém, mesmo com tudo caminhando tão bem eu tinha muito medo, medo de perder o Arthur, medo de morrer, medo de ter que “pagar” por atitudes do passado, medo de dar tudo errado, medo de contrariar a família do meu esposo, medo do meu esposo me deixar, enfim…o medo rondava minha vida e passei os 9 meses de gestação assim, meio temerosa do que poderia acontecer. Tive muita ajuda quanto a isso, o Andre esteve ao meu lado sempre, foi e é um parceiro, amigo que me dá muita alegria em dividir os dias com ele, a Ivana que foi muito além de enfermeira, muito além de amiga, nossa família mais do que nunca nos dando suporte, entre tantas outras pessoas queridas, mas não adiantava, por maior que fosse o conhecimento que adquiri durante a gestação, por mais que minha gestação fosse classificada com risco habitual, ainda tinha algo que me deixava insegura…hoje já consigo entender que não tem muito jeito é coisa de principiante, de mãe de primeira viagem e que com “aquela Alessandra” as sensações sentidas iriam ser exatamente aquelas… com os próximos com toda certeza será difrerente (é isso mesmo, a pessoa aqui é tão LÔKA, tão LÔKA que já pensa em parir novamente).

Como diz a obstetriz Ana Cristina Duarte: “Se eu pudesse dar um conselho para lidar com as contrações seria: tente parir suas dores antes do parto do seu bebê.”. Mas para variar, eu resolvi não adotar o conselho e parir filho + mágoas + dores + tudo junto no mesmo parto só para conferir um drama próprio da minha pessoa!rs

Final de gestação, eu completando a data prevista de parto e o que eu mais temia aconteceu: NADA!!!! 40 semanas e não sentia absolutamente NADA!!!! As vezes, de vez em quando, sentia uma contraçãozinha mixuruca, um peso no baixo ventre, porém nada além…ai a pessoa aqui que estava tranqüila (nossa!!! Nunca estive tão tranqüila, como na gravidez), começa entrar em pânico, meu telefone não parava de receber mensagens perguntando pelo Arthur e por mim (é lindo gente, mas desesperador pra quem está no finalzinho de gestação), a família, apesar de muitas vezes fazer cara de paisagem, eu sabia da preocupação e eu morrendo de medo de completar 41 semanas + 3 dias (com este tempo, pelo SUS teria que induzir e não queria muito passar por isso).

Não me lembro muito bem o dia, mas sei que após completar 40 semanas, além do plano de parto que havia escrito e já mostrado para as meninas da casinha, eu e Andre conversamos com a Ivana, para definirmos algumas coisas. Eu ainda não sabia ao certo se queria parir na casinha (na verdade queria parir à caminho de algum lugar só para não ter que decidir nada), mas já estava combinado que ficaria em casa no início do trabalho de parto (estando tudo dentro da normalidade) e que somente o Andre e a Ivana estariam comigo. Essa foi uma das decisões mais difíceis da vida! Queria minha mãe perto, queria minha irmã do meu lado, queria minha madrinha me acompanhando, mas eu tinha duas questões, primeira: tinha receio da minha mãe trazer um olhar de “pena”para aquele momento, exatamente o olhar que não podia receber, pois sabia que iria esmorecer, e só nós duas sabemos o que enfrentamos juntas e como aquele momento seria lindo e ao mesmo tempo angustiante para nossas memórias, segundo: tinha total desespero da família do Andre saber que já estava em trabalho de parto e começar a perguntar para onde iria, como estava, com quem estávamos, família cheia de médico gente, dá nisso!rsrs! É muito zelo, muito cuidado, mas naquele momento não queria, não precisava. Logo, ninguém saberia que estava em trabalho de parto, a não ser nós quatro! (eu, Andre, Ivana e Arthur).

12028675_1497268533927083_1629495755662639748_oSexta feira, dia 11 de setembro de 2015, me despedi a noite da minha mãe e ela me falou: filha acalma, eu sei que ele está perto de chegar, não passa desse fim de semana! Mas, mal sabia ela que o neto dela é teimosinho e adora fazer uma surpresa!

A Paulinha, do grupo, havia me chamado para participar do primeiro grupo do Parto por Amor, que aconteceria no sábado pela manhã, eu não havia dado certeza, pois tinha esperança do Arthur resolver chegar antes do dia 12 de setembro, mas como nada de diferente acontecia eu e Andre decidimos ir no grupo.

Sábado, dia 12 de setembro de 2015. Pela manhã fomos ao grupo e foi tudo ótimo! Me fez muito bem! Relatos incríveis! Engraçado como me senti em casa, como parecia que ali todos eram conhecidos meus de longa data. Sendo que, de repente começo a sentir uma cólica.. senti, toquei a barriga e fiquei feliz, um pouco depois senti outra que me fez fechar os olhos e me concentrar…é…os pródomos estavam enfim chegando! Também no meio de tanta ocitocina!

Acompanhamos todos os relatos, falamos das nossas expectativas e saímos de lá com a alma lavada! Estava muito feliz! Me sentia tão bonita! E sabia que algo estava mudando, que alguma coisa começava a acontecer no meu corpo, é estranho, pois não sei explicar o que era, só sei que me sentia diferente e sabia que estava chegando o grande momento da minha vida!

Fomos logo em seguida almoçar, falei com o Andre que achava que esse seria nosso último almoço fora, com o pequeno na barriga. Durante o almoço, mais algumas contrações! Muitas risadas! E o incomodo no baixo ventre estava mais persistente. Terminamos o almoço e fomos para casa, eu queria fazer ainda alguma coisa na rua, não me lembro muito bem o que, mas o Andre sugeriu irmos para casa e descansarmos. Foi ótimo ouvi-lo, mal sabia que nas próximas horas precisaria de energia extra.

Ficamos o restante do sábado em casa, de bobeira, assistindo alguns filmes. Começava a esfriar um pouco e isso no Rio de Janeiro é motivo de alegria, cobertor e pipoca!rs! A cólica as vezes aparecia, mas por volta de umas 21:00 reparei que estavam mais constantes, falei com o Andre, eu não me recordo o que ele falou, ou fez, só sei que foi alguma atitude calma, pra variar (e foi assim até o final! Impressionante!!rsrs). Baixei um aplicativo que conta as contrações. Consegui durante um tempo marcar e para minha surpresa tive 3 contrações no espaço de 10 minutos. Ôpa!!! O negócio estava ficando bom!!! Lembro de ficar animadinha (pobre coitada, sabia de nada sobre o que era dor ainda!rs), avisei a Ivana, ela achou interessante, pelas as minhas descrições, ir já para minha casa, mas fiquei um pouco relutante…na boa, é uma das minhas melhores amigas, mas eu queria dormir e não fazer sala!rsrs! Na conversa lembro de ter falado: amiga, não se preocupa, qualquer coisa eu ligo, mas do jeito que a coisa ta indo, não acredito que vá parir antes das 5 da manhã! Ô boca!!! Realmente não senti nada até o dia seguinte.

Domingo, dia 13 de setembro, 4:58 da manhã, acordo de sobressalto com dor! Nossa essa agora foi mais forte hein!! Levantei, fui ao banheiro e reparei que as contrações estavam mais fortes e que agora eu sentia também uma dor forte na lombar. Fiquei tranqüila, sabia o que estava acontecendo e imaginei que pela intensidade e forma da dor estava tudo muito no início.

(mentalmente havia firmado que 24 horas para parir estava de bom tamanho! Hoje prometi a mim mesma parar de tentar ter controle sobre o que é incontrolável!). Lembrei que a água relaxa e aproveitei a ocasião para tomar um banho de água quente e pensar na vida. Tomei o banho, não lembro quanto tempo demorei nele ou se eu consegui pensar na vida, só sei que já estava em um patamar que não queria mais ficar sozinha. Acordei o Andre avisando que as contrações estavam aumentando, se bem me lembro por volta das 7:00 da manhã e mandei mensagem para a Ivana avisando que agora era para ela vir. Ela me respondeu tão rápido que duvido que ela tenha dormido, ela me garante que sim, mas ainda tenho minhas dúvidas! Andei, sentei na bola de pilates, rebolei e assim fiquei tentando aliviar a dor…a Ivana chegou por volta de umas 9:00, eu entreguei celular para o Andre e informei que estava valendo nosso plano de parto de não comunicar a ninguém e dele tomar conta do meu telefone e das mensagens (se fosse eu, a anta aqui, ficaria com telefone ligado, e inventaria uma longa e linda história justificando o porque não estava com o telefone, mas como meu marido é muito mais prático desligou o telefone!rsrsr! Pronto, problema resolvido!!! Fui saber disso depois e ri bastante com a praticidade dele). Ivana me examinou, os batimentos do Arthur estavam ótimos, pedi para ela me dar o toque, depois me arrependi de ter deixado, as dores eram mais fortes, porém a dilatação era de 1 ou 2 cm, não me lembro bem….mas ela falou toda animada: amiga seu colo está começando a afinar e está bem diferente da outra vez que lhe toquei (pedi o exame depois que completei 40 semanas, só pra ver se tinha algo de diferente, e não tinha!rs).

E assim passei meu dia, contraindo, rebolando e o tempo passando…por volta das 13:00, lembro do Andre dar uma forçada para eu comer, meu apetite era nenhum e as dores começavam a me deixar um pouco desorientada…mas aproveitei o dia para finalizar a arrumação no quarto do Arthur e conferir a bolsa que levaria para não sei aonde (é minha gente…a mulé vai parir e ainda não decidiu para onde vai! Prazer, essa é a Alessandra). O dia foi passando…mas um toque a tarde e eu achando que já estava pra nascer escuto: amiga o seu colo está bem apagado e está com dilatação 3! Senhorrrrrrr!!!!! Pouco me importa se o colo está aceso ou apagado, quero ouvir: você está com 10 de dilatação!!! Percebe-se que a paciência aqui já está indo embora junto com a sanidade e a vergonha!rs! E volto para água quente, e caminho pela casa, e agacho e a dor vai se intensificando. De tempos em tempos a Ivana ouvia o Arthur e ele estava ótimo, reagindo muito bem as contrações.

Chega a noite e em alguma contração, sinto algo escorrer pelas pernas…putz estourou a bolsa, fui ao banheiro e na verdade era o tampão que havia saído. Aí, minha gente, que o negócio começou a ficar muuuuuuuito puxado! Já não conseguia conversar como fiz durante o dia, mas tinha algumas técnicas que aliviavam um pouco, uma delas era uma forma de respiração que o Andre me auxiliava a fazer, não tenho a mínima idéia de onde ele aprendeu isso, mas valeu muito a pena. Andava pela casa igual uma desorientada, agachava, levantava, me pendurava no Andre, tomava banho quente, mas estava tudo doendo demais, já estava muito cansada, queria dormir, ficava me perguntando quando é que iria acabar para eu dormir! (gente…avisa pra essa garota que ela vai parir um bebê e não uma planta que tu bota água e ela fica bem!!rs). A noite foi passando entramos na madrugada. Comecei a ficar muito irritada, queria mudar alguma coisa, tinha que mudar alguma coisa. Ivana fez outro exame de toque 5 cm de dilatação!!!! Vontade de sair correndo, gritando, nua e tirar o bebê pelo nariz!!!! 5 cm de dilatação é brincadeira, é piada, isso não se faz! Reclamo, choro e me entrego, não quero mais ficar em casa e esperar até 7 cm de dilatação quero sair de casa agora!

Segunda- feira, dia 14 de Setembro de 2015, 5:00 da manhã. Já tinha bolsa estourada, com mecônio, só para deixar a parada mais animada, já tinha saído o tampão, já tive todas as contrações da vida!!!! Porque o Arthur não nascia???!!! Decidi que não dava mais e que queria sair de casa, ai me vem a pergunta da Ivana: amiga, e nós vamos para onde? E eu respondo: para casinha amiga, para casinha…e assim fizemos, fomos de carro, e só me lembro disso…ah e da dor!!!! Cada contração encontrava um buraco para ficar mais deliciosa!!

Chegamos na casinha por volta das 6:00, fui recepcionada e examinada, mas um toque dos infernos e para minha felicidade estava com 4 quase 5 cm de dilatação. Calma ai para tudo!!!! Mas não era 5 cm??? O que que aconteceu no caminho até aqui?? Pensei com meus botões. Depois descobri que eu tenho colo complacente, pelo que entendi é um colo que ele abre, depois fecha um pouco para abrir mais (desculpa ai a bela explicação), mas na altura do campeonato ter um colo assim só me deixava mais apavorada!!! Me admitiram na internação, mas tive que esperar vagar uma suíte (a casinha bombou no mês de setembro!!rsrs), enquanto isso me fizeram um escalda pé para acelerar as contrações, eu já não sabia se chorava ou se agradecia pelo escalda pé, mas foi muito bom! E toma-lhe contração! Nos serviram café da manhã e enfim consegui tomar um café com leite sem ser obrigada! Caminhei pela casinha e mais dor!!! Incrível como não lembro de nada além de dor, dor e mais dor!!! A enfermeira que iria me acompanhar se apresentou um pouco depois da minha admissão, acho que Natasha (o nome posso até esquecer, mas o rosto dessa mulher jamais será esquecido!!! Foi muito amor investido ali no nascimento do meu filho para esquecê-la!) e ela se fez presente o tempo todo que foi necessário. Ainda pela manhã vagou uma suíte e ficamos lá eu, Andre e Ivana, as vezes chegava alguém para me examinar, para conferir se estava tudo bem, mas eu só queria que aquilo tudo acabasse. Juro que tinha momentos que eu simplesmente esquecia o porque de tudo aquilo. No final da manhã, mas um exame e a enfermeira Leila me sugeriu ir para a banheira tentar relaxar, santa Leila…foi essa banheira que me deu um pouco mais de conforto, ela fez uma outra massagem para acelerar um pouco mais o trabalho de parto, eu já estava esgotada, tinha hora que sentia dor o tempo inteiro, chorava de dor e queria dormir. Depois da massagem, as contrações realmente aumentaram e ritmaram, eu já não sabia que hora era, estava perdida e juro que se a GO “fofa” aparecesse me oferecendo uma cesárea eu aceitaria na hora!!! Queria aquela criança fora do meu corpo! Queria parar de sentir dor! Queria dormir!

Na hora do almoço, mais uma vez, Andre forçou para eu comer algo e consegui relaxar um pouco, acho que até dormi entre as contrações, mas me recordo que foi muito pouco. Fiquei revezando entre rebolar na bola e tomar banho de banheira. A Natasha, fez mais uma massagem em mim, dessa vez com o rebozo, que foi um alivio e que com certeza auxiliou e muito para a proximidade do nascimento do pequeno.

As vezes vinha uma vontade enorme de fazer cocô e tentei algumas vezes, porém estava com medo de forçar muito sem ser a hora e fiquei o tempo todo perguntando como saberia se estava chegando a hora ou não…a Ivana me recordava que eu saberia o momento de parir, até que teve um momento que fui para a banheira e pedi para a Ivana ficar comigo jogando água nas minhas costas, a dor era arrebatadora, estava já desanimada com a situação…

Eis que escuto a Ivana falar: amiga coloca o dedo e vê se sente alguma coisa…não entendi muito bem, achei que sentiria nada, pois a pouco tempo nem 6 cm de dilatação eu tinha, mas para minha surpresa eu senti a cabecinha do Arthur, senti o cabelinho dele. Foi como se o mundo tivesse parado para eu sentir aquilo, meu filho estava ali a dois dedos de distância para chegar nos meus braços e eu iria fazer a maior força do mundo para ele chegar logo.

Fiquei de quatro na banheira, Andre do meu lado me lembrando de respirar, esperei chegar a contração…ela vinha e eu fazia força. Não sei quantas contrações vieram para eu começar a sentir o círculo de fogo que tanto se fala, senti arder, porém nada de mais. Como em um passe de mágica eu estava mais acordada do que nunca e a dor que estava me maltratando tinha me deixado em paz, o que existia ali era a dor do nascimento, do encontro…mais uma contração e mais força, senti que poderia lacerar, liguei o foda-se e continuei a forçar, já havia esperado tanto tempo, porque esperaria mais para tê-lo em meus braços…a cabecinha dele saiu e meu mundo começou a se transformar, ele ali comigo, o pai segurando sua cabecinha esperando vir mais uma contração…ela veio tão logo e meu filho escorregou dentro d’água para os braços do pai, uma enfermeira ajudou e colocou ele em cima de mim, pele com pele, eu sentindo aquele cheiro inesquecível, aquele corpo tão frágil e tão forte que eu fiz nascer!!! E o meu Arthur nasceu as 15:25!

Eu estava em êxtase, só conseguia agradecer e dizer que havia conseguido. Andre, chorava como nunca vi antes, como ele estava agradecido por aquele momento, assim como eu! Arthur nasceu quietinho, aos poucos começou a chorar mostrando a potência dos seus pulmões e eu fiquei ali maravilhada com o que tinha acabado de acontecer! Cantei uma música para ele, a que cantei durante toda a gestação e ele ficou ali nos meus braços, grudado comigo, enquanto aguardávamos a placenta nascer e o cordão parar de pulsar para cortar.

E tudo isso aconteceu no seu tempo…depois de algum tempo levaram o Arthur para realizar os primeiros exames e eu fui também ser examinada. Levei 2 pontinhos por uma pequena laceração e fui cuidar do maior amor da minha vida!

É engraçado como agora, tão distante e tão perto ao mesmo tempo do meu parto, tudo parece muito mais claro, consigo enxergar o porque de cada contração, da dor, foi tudo necessário pra mim…foi tudo preciso para eu entender que o parir vai muito além do colocar um filho no mundo, é um processo que toca a alma sabe, que te deixa despida, que remexe com sentimentos escondidos, que as vezes nem se sabe o porque ainda estão ali vivos e pulsantes. É uma oportunidade (quando olhada com carinho) de mudar, se reformular, de saber esperar, de começar de novo e de fechar portas que estão abertas a tanto tempo…

Durante 9 meses estudei, me preparei e consegui que o Arthur tivesse um nascimento respeitoso, envolvido de amor, onde o que se fez valer foi as evidências científicas e o trabalho de profissionais tão dedicadxs no seu ofício! Porém nestes 9 meses também tive a ajuda e o amor de tanta gente e sei que isso foi fundamental para esse desfecho tão especial! Obrigada Casa de Parto David Capistrano pelo trabalho e dedicação dos profissionais! Obrigada Parto por Amor, por me abrigarem em um momento tão necessário para mim! Obrigada Paulinha por abrir sua casa e seu coração! Obrigada Ivana por doar a mim e ao Arthur o seu tempo e seu amor, ele vale tanto para nós! Obrigada Andre, pelo maior presente da minha vida! Obrigada mãe Zélia, irmã Giselle e madrinha Wilma vocês me inspiram e são a minha maior força feminina! Amo vocês! Obrigada a todos que fazem parte da minha vida e que me ajudaram a realizar um dos maiores sonhos da minha vida, meu filho!

Roda de Conversa: dia 23/07 vamos falar sobre as técnicas para lidar com a dor do parto

Roda de Conversa: dia 23/07 vamos falar sobre as técnicas para lidar com a dor do parto

Sábado, dia 23/07, às 09h30 tem mais uma Roda de Conversa Parto por Amor!

Nesta Roda falaremos sobre as tecnologias não invasivas para lidar com a dor no parto.

O encontro é aberto e as contribuições são voluntárias: se você não puder colaborar financeiramente, não tem problema: VENHA MESMO ASSIM!

Roda de Conversa Parto por Amor
tema: Técnicas para lidar com a dor do parto
data: sábado, dia 23/07
horário: 09h30
endereço: Rua Carlos de Vasconcelos, 155 sala 404, Tijuca (fica bem do lado do metrô!)

Esperamos vocês!