Especial mês das mães – relato de parto da Fernanda

Especial mês das mães – relato de parto da Fernanda

O dia das mães foi no começo do mês, mas a gente ainda está em ritmo de comemoração!

E, para cebelebrar, convidamos algumas mães que pariram com a gente para contar como foi e compartilhar esse momento com todo mundo.

Hoje temos o prazer de publicar o relato da Fernanda sobre o nascimento do Davi. Confira!

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Relato de Parto Domiciliar do Davi

Sou Fernanda, casada com o Dani, mãe do Rafael, que fez 6 anos em 10/3/2016. Planejamos nosso segundinho sem preferência de gênero. Só gostaria que chegasse perto do meu aniversário (9/2) ou do aniver do Rafa (10/3).

Minha gestação foi de baixo risco e era até engraçado quando as pessoas perguntavam se eu não estava sentindo nada ou exclamavam “nossa, mas como vc está bem, né?!”, rs. (Ué, era pra estar mal? Hahaha).

Estava com 39 semanas e 3 dias quando de manhã, sentada à mesa fazendo o trabalho de casa com o Rafa, senti a bolsa estourar e corro pro banheiro sorrindo pra confirmar e colocar um absorvente. Volto sorrindo como boba pra continuarmos o trabalhinho e Rafael me pergunta: “Mãe, porquê você está feliz?!”, rs. Resolvi não contar a ele para que a notícia não se espalhasse na escola e nem minha mãe ficasse nervosa em vão, pois sabemos que as pessoas ainda têm a ideia de que é preciso correr pra um hospital quando uma bolsa estoura.

Fiquei o dia todo sem qualquer alteração no quadro, e as EO Rachelli e Flávia Dantas me orientaram a relaxar, curtir o escurinho do quarto, tirar uma soneca pra ver se o corpo começava a trabalhar. Mas isso não funcionava pra mim… Então fui buscar meu filho na escola com o marido e aproveitar pra deixar o carro longe da padaria onde adoro comprar coisas gostosas e fomos a pé até lá. Só vieram coliquinhas bobas e fiquei receosa de entrar no time das gestantes de bolsa rota de longo tempo e precisar de intervenções, por mais simples que fossem.

Comi pãezinhos gostosos em casa, assisti TV com o filhote, e vi que a calmaria não funcionava comigo. Então peguei roupas pra passar. Meia hora depois (22h45), “tudo começou”. Vieram contraçõezinhas fracas, e informamos às meninas. Estávamos tranquilos e felizes. Esta gestação foi super reservada, não postei nada no Facebook, mas minha vontade era usar a hashtag #oShowTáComeçando, rs (Música do O Rappa – “Na frente do Reto”).

Sempre fui muito controladora e tinha medo de essa mania acabar atrapalhando a tão falada “entrega” necessária para que o organismo faça a evolução e aconteça o parto. Diferente da primeira gestação, onde queria saber dilatação, evolução, hora do dia etc, tentei esquecer ao máximo tudo ao meu redor, e maridão estava ajudando bastante para que tudo pudesse colaborar, me atendendo prontamente e buscando alternativas para que eu precisasse interagir o mínimo possível com o meio.

Para ajudar, usei máscara para dormir para fazer “a minha penumbra” e me concentrar sem precisar apagar as luzes em casa, e fiquei no banheiro de vez em quando observando as perdas e Dani contando as contrações para informar às meninas. Um dos locais mais prazerosos que havia era o vaso sanitário. A altura para sentar era a que me trazia mais conforto, então fiquei por lá um bom tempo. Daniel ligou pra elas para contar sobre as contrações e eu estava informando o quadro, sentindo-as fortes, mas verbalizando. Cerca de 5 min depois, precisou ligar de novo pois o quadro já havia evoluído e ele fiquei tensa, pois elas ainda estavam a caminho. Eu preferia não verbalizar de tão intensas as contrações, e fiquei preocupada de elas acharem que estávamos mentindo, pois QUEM evoluiria assim de uma hora pra outra?

Quando intensificaram as dores eu fui para o chuveiro, local onde falam ser maravilhoso para aliviar o incômodo das contrações. Fiquei quietinha de olhos fechados, e ele chegou pra avisar: “elas chegaram!”. Fiquei tão tranquila que continuei de olhos fechados e nem me importei em ser educada e dizer “oi”, pois sabia que elas entenderiam a minha necessidade de não tirar o foco devido meu histórico de controladora.

Abri os olhos e vi Rachelli no cantinho do banheiro perto da porta e Flávia com o sonar para auscultar o bebê. Ela me perguntou se eu curtia aromas, me deu uma essência para cheirar e eu falei que não, kkk, mas ela entendeu ao contrário (kkk, rimos muito disso depois!) e mesmo assim começou a passar e massagear a barriga. Ela massageava hora um pouco mais alto, hora mais baixo, e eu orientei onde era mais eficaz pra mim. De repente senti vontade de sair do chuveiro e fui pra sala.

Sentei reclinada no sofá buscando um ângulo semelhante à posição no vaso do banheiro, e senti uma contração mais forte que me deu vontade de mudar de posição, e fiquei de joelhos com os braços apoiados no sofá. (Lembrei da primeira gestação, quando a EO me disse pra relaxar a mandíbula e vocalizar, gemer, gritar se sentisse necessidade, e não prender). Na segunda contração eu gemi mais alto (pensando no que os vizinhos diriam se estivessem na porta do elevador, que é de frente para minha porta de casa, rs) e respirava fundo, lembrando que aquela intensidade de dor foi a que eu passei um bom tempo na primeira gestação, quando estava quase chegando a hora. Logo na próxima pedi à Flávia pra me dar a mão e “ajuda”, rs, e senti a famosa “necessidade de fazer força” que todo mundo tanto fala. Fiz força e senti a cabecinha do Davi quando coloquei a mão lá embaixo. Na seguinte, saiu a cabecinha, e fiquei morrendo de medo de fazer força pra ele sair de uma vez pra não correr o risco de lacerar e fiquei extasiada, espantada e surpresa por conseguir ampará-lo falando “vem logo, Davi, vem! Vem logo!” (pra ele descer de uma vez). Então fiz força devagarzinho, e segundos depois o corpinho dele foi deslizando e eu o segurei, ajoelhada de frente pro meu sofá. Foi um momento de êxtase, alegria plena, felicidade, de tanta perfeição. Davi deu um “miado” e ficou bem calminho sobre meu colo, enquanto as meninas vieram limpar o excesso de secreções e envolvê-lo para aquecê-lo.

Meu filho estava dormindo e chamamos ele para ver o irmãozinho (infelizmente ele não viu o nascimento), e eu já havia conversado com ele sobre como seria, como ele nasceu, então ele já estava acostumado com a ideia do que aconteceria, e recebeu com naturalidade (e muito soninho tb, kkkk).

Esperamos a dequitação, que ocorreu cerca de 1h após o nascimento dele, e Rafa cortou o cordão umbilical com ajuda da Rachelli. Ele olhava tudo bem curioso e de forma natural, rs.

Sempre que lia sobre partos ficava surpresa e admirando a coragem e força das mulheres que conseguiam receber seus bebês com as próprias mãos e ficava imaginando “COMO?”, rs, e quando me vi nessa situação, que foi vivida de forma natural, sem tentar imitar ninguém, foi maravilhoso. Sabe cena de filme, onde tudo sai encaixadinho da forma que vc planejou? Desejei que fosse de noite para não atrapalhar a concentração nem a rotina de casa, para não me estressar com possíveis ouvidos curiosos, para não ter risco de tudo acontecer com Rafa na escola (ou ele faltar aula à toa e esperar por algo que talvez nem acontecesse no horário de escola, que ele ama frequentar e curtir os amigos), desejei ter concentração e a ‘entrega’ necessárias para que tudo evoluísse, desejei não ter o pequeno (mas real) incômodo da laceração, desejei não precisar ser transferida por qualquer questão, e tudo aconteceu lindamente, do jeito que sonhei, numa “Quinta Feira Santa”, dia 24/3/2016, às 4h04min.

Ao longo do processo, desde o pré-natal, Flávia e Rachelli foram sempre super humanas, atentas, precisas em tudo, prontamente preparadas para me esclarecer e ajudar no que precisasse. Foram mais do que profissionais, como verdadeiras amigas, numa grande entrega. Ficaram aqui em casa realizando os cuidados finais e esclarecimentos até as 8h da manhã, e nos deixaram na cama, nós 4 juntinhos, curtindo aqueles momentos tão perfeitos da nossa família. Agradeço imensamente à Claudia Orthoff por ter me indicado esta equipe, e por ter ido conhece-las no encontro do “Parto por Amor”, onde tudo começou. <3

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