Especial mês das mães – relato de parto da Alline

Especial mês das mães – relato de parto da Alline

O dia das mães já passou, mas o mês é especial e todo nosso!
Para esse momento tão feliz, a equipe Parto por Amor convidou algumas mães que pariram com a gente para contar como foi e compartilhar esse momento com todo mundo.

Hoje temos o prazer de publicar o relato da Alline sobre o nascimento da Olívia. Confira!

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Relato de Parto Domiciliar da Olívia

Muito antes de eu engravidar, conversava sobre parto com a amiga Camila. Ela, Enfermeira Obstétrica, me contava sobre o seu trabalho, e, de forma apaixonada e muito consciente, foi a primeira pessoa a me falar sobre parto humanizado, e os benefícios de um parto natural. As palavras dela me encantavam!

Camila teve seu primeiro filho em um parto domiciliar, e eu e o Leo, meu marido, achávamos essa ideia meio louca, e muito improvável para nós. Mas, logo que engravidei, em março de 2015, sabendo da seriedade, do olhar e do amor que ela tem pela profissão, Camila foi a primeira pessoa a quem procurei para me ajudar no processo de busca de informações. Tinha chegado a minha vez e eu precisava ir a fundo, conhecer melhor as vias de parto, e fazer a minha escolha, pensando no que seria melhor para o meu bebê.

Passei pela dificuldade de encontrar um ginecologista obstetra com quem me identificasse. Os médicos que seguiam a linha do parto humanizado não possuíam convênio com nenhum plano de saúde e o valor das consultas e do parto era bem alto.

Os primeiros meses de gravidez foram, então, um tanto angustiantes. Infelizmente, a grande maioria dos obstetras do plano tinha índice de cesárea altíssimo. Fui a um, com indicação de que fazia parto normal. Esperei 3 horas para ser atendida. Perguntei sobre a possibilidade do parto normal e ele respondeu que poderia fazer se “tudo desse certo” (se o bebê não fosse muito grande, se não tivesse com o cordão enrolado no pescoço, se eu tivesse passagem, etc). Perguntei sobre o uso da ocitocina e da episiotomia, e ele disse que, pela experiência que tinha, achava prudente fazer. Saí de lá certa de que não voltaria mais.

Com o apoio do Leo, que também se colocou muito disponível a se informar sobre o assunto, fomos formando nossa convicção de que o parto natural seria a melhor forma para nossa bebê chegar ao mundo. Eu estava certa de que não queria cesárea ou qualquer intervenção se não fosse realmente necessário. E eu precisava de um médico que não apenas fizesse parto normal, mas que respeitasse essa nossa decisão. Meu maior medo era um parto normal traumático, cheio de procedimentos dispensáveis e agressivos a mim e à minha bebê.

Foi aí que, pensando melhor sobre nossas finanças, verificamos que, com algum esforço, conseguiríamos custear um médico particular. Meu coração ficou tranquilo! Fiz meu pré-natal com uma GO humanizada, dra. Angélica Ayres, muito competente, dedicada, sempre atenciosa e carinhosa comigo, respondia pacientemente todas as minhas inúmeras perguntas a cada consulta. Leo e eu também éramos acompanhados regularmente pela Camila, que nos ajudou bastante no processo de empoderamento, e, pela segurança que tínhamos nela, era a pessoa que queríamos que estivesse conosco no nascimento da Olívia.

Camila já fazia parte da equipe Parto por Amor, dando assistência a partos domicilares, mas, embora, eu confiasse no trabalho dela, não me sentia 100% segura para parir em casa. O plano, orientado pela GO, era ficar o máximo em casa, durante o TP, e só ir para o hospital na fase ativa. Eu sabia que isso favoreceria o desenrolar do TP, e a Camila ficaria conosco durante todo o processo, em comunicação com a Dra. Angélica.

A gravidez transcorreu muito bem. Pratiquei aulas de yoga, que ajudaram bastante na minha preparação, física e mental, para o parto. Conheci pessoas incríveis nessa época, dentre as quais, a Tatiane Trovatti e todas as meninas q fizeram aula de yoga comigo. Havia uma troca muito positiva, de apoio e informação. Tudo contribuía para que eu me fortalecesse para o parto natural.

Eu estava feliz como nunca havia me sentido antes.

As semanas foram passando e parecia que Olívia também estava adorando ficar na minha barriga. Falharam todas as previsões para a data da chegada dela.

No dia 12/12/2015, sábado, completei 41 semanas e a ansiedade começou a bater. O tão esperado trabalho de parto não acontecia. Dra. Angélica Ayres já havia me alertado que só poderíamos esperar até o sábado em que eu completaria 42 semanas (19/12). Se nada acontecesse até lá, teríamos q induzir o parto.

Durante toda a gestação eu procurei me fortalecer para enfrentar as dores, e conseguir parir naturalmente, mas jamais tinha passado pela minha cabeça que eu poderia não entrar em TP. Na 41ª semana, porém, essa possibilidade foi aparecendo para mim.

Foi uma semana bem tensa. Todo dia eu acordava imaginando que, em algum momento, poderia entrar em TP. Mas o dia terminava e eu pensava “quem sabe na madrugada?!”. E, pela manhã, novamente a frustração.

Nesta última semana, fiz acupuntura e o descolamento de membranas, na tentativa de estimular o início do TP. Lembro da Kira, acupunturista (um amor de pessoa), falando para eu ir andar na praia, tomar água de coco, enfim, tentar distrair a cabeça, e não ficar pensando no parto. E lá fui eu, ao sair da sessão de acupuntura, por volta do meio-dia, andar na Praia Vermelha. Fazia um sol de mais de 40 graus, em pleno dezembro, dia lindo, o visual era maravilhoso, mas eu, com uma barriga gigante, andando naquela areia quente, só pensava no parto da minha Olívia.

Mais um dia passava, e nada… se antes eu tinha medo da dor do parto, naqueles dias eu desejei muito senti-la. Em alguns momentos, o pavor me dominava. Na verdade, o que eu realmente queria evitar era que minha filha nascesse antes do tempo dela. Sentia dentro de mim que Olívia ainda não estava pronta para nascer, e eu não queria interferir nesse processo, mediante a indução. Eu queria muito respeitar o tempo da Olívia, e entrar em TP seria, para mim, o sinal evidente de que ela estava pronta. E, assim, eu aguardava ansiosamente por esse momento.

Leo também estava preocupado e ansioso pela chegada da nossa filha. Ele foi super companheiro durante todo o tempo, me dando força e me ajudando a manter a serenidade.

Chegou a sexta-feira, 18/12, dia de Nossa Senhora do Parto (18/12), véspera do dia em que estava marcada a minha internação para indução na Perinatal. Era um dia de festa na Igreja de Nossa Senhora do Parto, no centro da cidade, e eu fui até lá, pedir que intercedesse pelo nascimento da minha filha.

Na volta para casa, senti uma vontade enorme de ficar perto da minha mãe, receber o carinho dela. Sentia que talvez fossem os últimos momentos em que eu era apenas filha. E foi na casa dela, no fim daquela tarde de sexta-feira, q eu vi sair o tampão.

À noite, Camila e o marido, Fellipe, nos convidaram para nos reunirmos na casa deles. Comemos uma deliciosa bruschetta (com bastante pimenta!) e tomamos cerveja! Sim, depois de meses, eu tomei cerveja! A intenção era relaxar, e deixar Olívia vir! Antes da internação, que aconteceria no dia seguinte, ainda restava a última madrugada, e ainda esperávamos que o TP acontecesse, sem a necessidade de indução. Fizemos uma bonita oração e Leo e eu fomos para casa com essa esperança.

Acordei sábado de manhã (19/12). A internação na Perinatal estava agendada para às 14h. Não havia nada que eu pudesse fazer para evitar. Tive, na verdade, muita sorte, quer dizer, pra mim era uma grande graça, estar nas mãos de uma médica que ainda esperou que eu completasse 42 semanas. Muitos médicos teriam intervindo antes. O prazo, contudo, havia se esgotado.

Foi aí que reconheci que o nascimento da minha filha não estava nas minhas mãos. Reconheci a minha incapacidade e total dependência Daquele, único, que tem o poder sobre a vida, sobre tudo. Durante aquelas 42 semanas, a partir do momento em que descobri que estava grávida, fiz tudo que estava ao meu alcance para preparar, da melhor forma possível, a chegada da minha bebê. Meu coração, como uma bússola, me apontava que eu estava no caminho certo. Mas, naquele sábado, eu reconheci que o momento e a forma da chegada da Olívia não dependiam da minha vontade, estavam nas mãos do Senhor. E, pela primeira vez, depois de tantos dias de angústia, eu tomei consciência de que não poderia ser melhor. Com certeza os planos Dele eram muito melhores que os meus, eram perfeitos. As minhas intenções eram as melhores, mas só Cristo sabia o que era realmente bom para a minha filha.

Recobrando, então, essa certeza, horas antes de ir para a maternidade, eu entreguei o nascimento da Olívia ao Senhor, pedindo que Ele tirasse aquele medo do meu coração, e que fosse feita a vontade Dele, e não a minha.

Naquela manhã de sábado, fui com Leo levar nossa cachorrinha, Dara, à rua, e, no caminho, recebi duas mensagens de voz, pelo whatsapp, da Camila e de uma outra amiga, a Bruna. Mas, por causa do barulho da rua, esperei para ouvir em casa. No caminho, senti uma cólica muito forte. Pensei: “será que é contração?”. Era a primeira vez, durante a gravidez, que sentia uma dor assim. A dor veio forte e passou instantes depois. Senti uma alegria nesse momento, mas tentei controlar para não criar expectativa. Continuamos caminhando e, minutos depois, outra cólica! Aí não aguentei, falei com o Leo: “acho que estou tendo contração”. Ele ficou feliz, mas também preferiu não fazer muito alarde.

Chegamos em casa e fui ouvir as mensagens do whatsapp. Impressionante! Tanto a Camila quanto a Bruna estavam no Retiro de Natal do Movimento católico do qual fazemos parte, Comunhão e Libertação. O retiro estava acontecendo no Colégio São José, e lá o coral do Movimento cantou a música “Anunciação”. A Camila e a Bruna, que nem estavam perto uma da outra, na hora tiveram a mesma ideia, de gravar e me enviar o áudio da música:

“Tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais…”.

Aqui devo abrir um parêntese para dizer que Leo e eu nos casamos na capela do Colégio São José, e um dos itens de decoração da nossa festa de casamento era um porta-guardanapo com esse trecho da música.

Assim, ao ouvir o áudio que as meninas me enviaram, associado às cólicas que eu já começava a sentir poucos minutos antes, fui tomada por uma forte emoção e gratidão ao Senhor. Minha filha estava vindo, eu já percebia os seus sinais!

Após entregar verdadeiramente o nascimento da Olívia a Cristo, Ele me mostrou os sinais de que estava conosco, com todo o seu amor.

Falei com Camila sobre as cólicas e percebi que ela ficou emocionada ao me dar a notícia de que eu já iniciava o tão esperado TP. Que grande alegria! Leo e eu esperamos tanto por esse momento, e ele havia chegado, graças a Deus.

Camila, então, iniciou o contato com Dra. Angélica, e ficou resolvido que eu não mais precisaria ir para a Perinatal no horário agendado para fazer a indução, não era mais necessário. Esperaríamos a evolução das contrações em casa, como antes planejado, e só iríamos para a maternidade na fase ativa do TP.

As contrações, que começaram às 10h do sábado (19/12), vinham, em média, a cada 10 minutos, mas eram bem suportáveis, como uma cólica menstrual forte. Estávamos muito felizes e tranquilos. Almoçamos, e depois fiquei deitada no sofá, assistindo TV. As contrações continuavam e eu ia marcando o tempo em um aplicativo do celular.

Cheguei a cochilar e acordei com uma ligação da Dra. Angélica, que me orientou a não ficar parada, porque ainda estava nos pródromos, precisava ficar em atividade para entrar efetivamente em TP.

Camila chegou a nossa casa, muito contente. Ela também esperou muito que esse meu momento chegasse. Ficamos, então, conversando e comendo um monte de besteiras que eu havia separado. Conforme ela tinha sugerido, era importante que eu fizesse e comesse coisas que tivesse vontade, que me trouxessem prazer e bem-estar. Isso favoreceria a produção de ocitocina e, consequentemente, a evolução das contrações.

Eu estava muito relaxada, falante, aliás, eu falava muito!

No final da tarde, seguindo as recomendações da Dra. Angélica, fui caminhar com Leo. Camila foi para casa, onde esperaria que a chamássemos quando achássemos necessário. Quando voltamos da caminhada, já escurecendo, tomei um banho quente e senti que as dores começavam a aumentar. Jantamos, e eu já não conseguia mais conversar.

A casa estava toda na penumbra, e minha playlist tocando no celular. Leo já não deixava mais eu pegar no celular, e ele é quem marcava o tempo das contrações.

As contrações começaram, então, a vir de 5 em 5 minutos, e eram fortes, bem fortes! Chamamos a Camila. Era por volta de 22h. Ela chegou rápido e ficou conosco, numa presença muito discreta e atenta. De vez em quando, auscultava o coração da Olívia e verificava a minha pressão.
A dor aumentava e, a cada contração, eu buscava o melhor local, a melhor posição para aliviar a dor. Mas, em determinado momento, nada era muito eficaz. Era uma dor aguda, que ia crescendo, depois diminuía, como uma onda mesmo. Eu tentava lembrar das posições da yoga, da respiração, de tudo que tinha ouvido para me dar forçar para aguentar aquela dor, mas ela era implacável! Nada do que eu fizesse me ajudava a sentir menos dor.

Olhava para o Leo e para Camila, e eles tão calmos, tranquilos, me olhando. Leo chegava a esboçar um sorriso, e aquilo me deixava muito irritada. Nunca senti tanta dor! Eu pedia o tempo todo que Cristo e Nossa Senhora me ajudassem. Eu percebia que o processo estava lento, ainda teria que suportar longo tempo pela frente. Perguntava à Camila quanto tempo faltava, e ela respondia “menos que antes”. Aquilo não me animava.

Eu perguntava “amiga, por que tanta dor?”, “não sabia que seria assim”. E ela respondia “que precisava ser assim para ser tão transformador”. Mas eu não compreendia, pensava que não precisava ser tão sofrido, tão doloroso. Eu chegava a estender a mão para o alto e pedia que Cristo me ajudasse, que perdoasse meus pecados.

No momento mais crítico, de intensa dor, eu me vi deitada no chão da sala. Camila ao meu lado, segurando minha mão, me olhando no fundo dos olhos, sem falar, apenas me transmitindo muita força e muito amor. Apesar de toda aquela dor, eu me sentia cuidada. Era a presença real de Cristo, seus anjos e Nossa Senhora no trabalho de parto da Olívia.

Bebia muita água, e às vezes comia alguma coisa, mas comecei a sentir um mal-estar durante as contrações, meu estômago ficou muito enjoado, náuseas, uma sensação péssima, de desmaio, sei lá, era um mal-estar enorme junto com a dor. E frio, muito frio, de bater o queixo e, depois, durante a contração, calor, muito calor!

Até que chegou o momento em que eu disse que não estava mais aguentando. Eu percebia que aquilo ainda ia demorar, e eu já não tinha forças para suportar. Pedi para ir para o hospital, tomar alguma coisa que aliviasse aquela dor. Evitei a palavra anestesia, mas sabia que era disso que eu precisava. Camila sugeriu o banho quente, disse que a anestesia só ia fazer demorar mais o TP. Aceitei.

Antes de entrar no chuveiro, verificamos que eu estava com 4cm de dilatação. Lembro do semblante da Camila nessa hora, nada animador. Era por volta de 4h da manhã de domingo, já tendo se passado quase 16 horas desde o início das contrações. Aquele banho seria minha última tentativa, eu não aguentaria mais sentir aquelas dores. Além disso estava muito exausta, dormia no curto intervalo entre as contrações. Fiquei de quatro apoios embaixo do chuveiro, deixando a água quente bater na minha lombar. As contrações vinham, e eu sentia a dor um pouco mais amena. Fiquei, então, ali, por um bom tempo, não sei quanto exatamente.

Quando fechei a torneira, senti, com a contração, uma discreta vontade de fazer força. Havia mudado a sensação, comentei com a Camila. Fui até o quarto, deitei na cama. Estava muito cansada. Pensei alto “Ai meu Deus, será que essa criança vai nascer em casa?”.

Camila estranhou esse meu comentário, já que, antes do banho, eu estava com apenas 4cm de dilatação. Foi aí que ela tocou novamente e disse: “esse banho foi milagroso, vc está com 8 pra 9 cm de dilatação, e nós vamos agora para o hospital”.

Leo, então, desceu com a nossa bagagem, que já estava há semanas preparada para quando chegasse a hora. Camila me ajudou a me vestir e eu fui andando até a sala, quando, de repente, senti uma contração muito muito forte, com uma enorme vontade de fazer força, sem que eu pudesse controlar. Gritei. Leo e Camila correram até mim. A bolsa rompeu. Camila, então, fez o toque e sentiu a cabeça da Olívia, já quase nascendo. Ela disse: “olha, a Olívia já está aqui em baixo, corre o risco de nascer no carro, a caminho do hospital”. Ela pedia para decidirmos. Não tínhamos muito tempo para esperar. Se quiséssemos ir para o hospital, tínhamos que sair imediatamente. Senão, ela assumiria o controle, tentando preparar, com os poucos recursos que tínhamos, o local da chegada da Olívia.

Eu simplesmente não conseguia pensar direito, só ia obedecendo aos comandos do meu próprio corpo, fui ajoelhando no chão, apoiei os braços no assento da cadeira e, sem conseguir controlar, fazia muita força no momento das contrações. Minha filha estava chegando e nada poderia impedir ou atrasar esse processo. Ela chegaria como eu sempre desejei: no momento designado por Deus, sem intervenções!

Camila nos cobrava uma resposta: “essa decisão é de vocês”. Ela se manteve absolutamente imparcial. Mesmo sendo sua área de atuação a assistência a parto domiciliar, em momento algum expôs sua opinião. Ela estava ali para nos acompanhar para um parto hospitalar e, por isso, nem dispunha, naquele momento, dos materiais que comumente utiliza nos partos, nem mesmo contava com o apoio de outro profissional, já que, em geral, atuam em dupla. Ainda assim, ela se manteve firme, nos transmitindo muita calma e segurança.

O Leo, então, assumiu, a responsabilidade e decidiu “Vai ser aqui”.

Eu não tive medo. Tínhamos muita confiança na Camila e na proteção divina. Mas uma preocupação ficou na minha cabeça. A Dra. Angélica, que ficou em contato com a Camila durante o meu TP, já ciente de que íamos sair de casa, se encaminhou para o hospital. Isso realmente nos causou grande desconforto.

Mas a verdade é que a situação fugiu do nosso controle, e a realidade se impôs de uma tal forma que não pudemos evitar.

Ajoelhada ali no chão da sala, me preocupei em pedir para o Leo fechar as portas e as janelas, para que o vizinhos não ouvissem os gritos (e, misteriosamente, ninguém ouviu nada).

Era manhã de domingo, 20/12/2015. Foram mais algumas contrações, muitos gritos, até que Olívia apareceu. Ficou com metade do corpinho para fora. Camila pediu para que eu fizesse uma pequena força, e, então, minha bebê escorregou. Olhei por debaixo das minhas pernas, na posição em que estava, e, pela primeira vez, vi Olívia, nas mãos da Camila, que, com os olhos cheios de amor, dava as boas-vindas à minha bebê, e lhe dizia algumas palavras. Ouvi seu chorinho doce e a segurei em minhas mãos. Olhei para a minha filha, eu tinha esperado tanto esse momento! Abracei-a, senti seu corpinho quente e muito escorregadio. Era maravilhoso tê-la em meus braços, abraçá-la, quanta emoção!

Olívia nasceu às 6h35min, com 42 semanas e 1 dia, em um parto domiciliar não planejado, conforme a vontade do Senhor:

“A voz do anjo sussurrou no meu ouvido
Eu não duvido já escuto os teus sinais
Que tu virias numa manhã de domingo
Eu te anuncio nos sinos das catedrais
Tu vens tu vens
Eu já escuto os teus sinais”

Anunciação (Alceu Valença)

O registro desse momento ficou apenas na minha memória. Camila preferiu não fotografar, para não interromper o parto, que só terminaria com a saída da placenta. Ela e o Leo me ajudaram a levantar, com Olívia nos braços, e me levaram até a minha cama.

De repente, outro anjo apareceu na minha frente: Rachelli, enfermeira obstétrica chamada pela Camila, logo depois que Olívia nasceu, para dar um suporte, trazendo todo o aparato necessário. As meninas cuidaram de nós com todo amor e carinho, e eu terei uma eterna gratidão a elas por essa doação.

Olívia mamou em sua primeira hora de vida, e teve o cordão umbilical cortado pelo papai Leo. Seu apgar foi 10/10. Linda e saudável a minha menina!

Foi uma grande vitória para nós. Depois de todos aqueles dias de tensão, achando que teria que induzir o parto, Cristo nos surpreendeu com um parto natural, na sala da nossa casa, assistido por uma enfermeira obstétrica que era, na verdade, um anjo que Ele colocou em nossa vidas. Um anjo que segurou a minha mão, que cuidou de mim e do Leo. Foram dela as primeiras mãos que Olívia sentiu neste mundo, o primeiro olhar, e as primeiras palavras ouvidas ao nascer. E foram mãos, olhos e palavras cheias de amor, de ternura, de cuidado, e do desejo de Cristo na vida dela.

Quanta paz eu sinto quando lembro que a chegada da Olívia foi assim tão suave e tão cheia de amor, que ela foi recebida e amparada por alguém que vibrou com a sua chegada, que olhou para ela e disse “Seja bem-vinda!”, e que, imediatamente, a consagrou à Virgem Maria, nossa Mãe. Olívia foi olhada no primeiro instante de vida, foi olhada com amor. Tenho certeza que isso fará diferença na vida dela, fazendo-a mais feliz.

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